terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

UMA GRAÇA PARA O FIM DO DIA

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5-BODY PAINTING

CAROLINE WOZNIACKI



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GRANDES LIVROS/33

AUTORES DO MUNDO


3- Moby Dick

Herman Melville


* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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11- CARNAVAL RIMA
COM PORTUGAL


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VII-O ENCANTO DO
AZUL PROFUNDO


2 - Antártica



* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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10- CARNAVAL RIMA
COM PORTUGAL

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IV-VIAGENS
 DE DESCOBERTA
2 - O FORMATO DA TERRA


* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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9- CARNAVAL RIMA
COM PORTUGAL


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PAULO BARRADAS

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10 mil milhões de foliões 
neste Carnaval político

Vivem-se bons e animados tempos na política portuguesa. Para quem se queixava de falta de oposição, esta recente polémica sobre os 10 mil milhões de euros transferidos para entidades offshores vem mesmo a calhar.

Sorte de principiante ou não, o que interessa é que as comunicações electrónicas sms que o ministro das finanças enviou sobre a negociação de assuntos públicos do seu telefone público (do Estado enquanto empregador, pois todos esperamos que não tenha sido do seu telefone privado), já não têm tempo de antena.

Por esta altura do desfile carnavalesco, já todos perceberam que a oposição não tem jeito para fazer oposição e que o governo e seus fervorosos apoiantes na Assembleia da República têm muito jeito para fazer oposição. Nem que seja oposição à oposição.

Como é bom ver a esquerda voltar ao ataque político. Só é pena que seja para atacar a oposição em vez do governo, mas como é Carnaval ninguém levará a mal, principalmente os saudosistas dos bons velhos tempos nos meios de comunicação.

Margaret Thatcher dizia nos anos 80 que o problema do socialismo é a eventualidade do dinheiro dos outros algum dia acabar. Talvez por isso a esquerda tenha usado agora estas transferências chorudas para mostrar inúmeros exemplos do que poderiam fazer com tamanha maquia.

Com base no pressuposto tão democrático que estes 10 mil milhões de euros são de todos, tal como o ar que respiramos, foi fácil explicar o que ficam todos os portugueses a perder por não poderem deitar mão a esse dinheiro.

A velha guerra de classes nunca foi tão popular como agora. Políticos responsáveis a defenderem que: “A aplicação de residentes portugueses em offshores se pagasse 10% de imposto dava para pagar todo o défice de 2016 e o Estado ainda era superavitário” é no mínimo populista e digno do melhor folião deste Carnaval de 2017.

Também tenho pena que este dinheiro não seja do Estado, pois podia poupar muitos impostos a quem ainda os paga em Portugal. Mas infelizmente a questão não é essa. A questão é se algum imposto é devido e se a origem dos fundos privados é legal.

No entanto, não é a decisão política da publicação ou não de estatísticas de transferências para entidades offshores que facilita ou impede a fuga ao fisco. É a inspeção técnica das autoridades tributárias que protege o estado com as suas competências legais de controlo fiscal.

Respeitemos pois a livre circulação de capitais, tal como respeitamos a livre circulação de pessoas e bens, e sejamos rigorosos e exigentes no cumprimento das obrigações fiscais como somos no cumprimento das liberdades individuais.

Aproveitemos assim o Carnaval, que esse sim é de todos!

IN "EXPRESSO"
28/02/17

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1156.UNIÃO



EUROPEIA



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8- CARNAVAL RIMA
COM PORTUGAL


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120-BEBERICANDO


COMO FAZER "LAGOA AZUL"

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Na rota das adegas 
de Vale Chiqueiro



FONTE: Jornal "RECONQUISTA" de Castelo Branco.

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7- CARNAVAL RIMA
COM PORTUGAL


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Ivete Sangalo

Real Fantasia



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6- CARNAVAL RIMA
COM PORTUGAL

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SABORES DE ÓPERA




* No café MAJESTIC- PORTO


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5- CARNAVAL RIMA
COM PORTUGAL

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DON'T LIMIT ME!


* Mensagem poderosa de MEGAN, portadora do Síndroma de Down.

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4- CARNAVAL RIMA
COM PORTUGAL

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SOMOS  OS SEGUNDOS




FONTE: Programa "5 Para a Meia-Noite " - RTP1


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3- CARNAVAL RIMA
COM PORTUGAL

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O Robo-Mate
carrega pesos por si 



FONTE: EURONEWS


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2- CARNAVAL RIMA
COM PORTUGAL



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1- CARNAVAL RIMA
COM PORTUGAL


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METABOLISMO

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1171
Senso d'hoje
LEONOR SEIXAS
ACTRIZ PORTUGUESA 
"O VERNÁCULO DEPILADO"
"O AMOR AO MARIDO"



* Leonor Seixas pergunta a Filomena Cautela se pode dizer tudo o que quiser e a resposta é afirmativa. Mas rápido a Filomena se “arrepende” do que disse. 
- Espero que o meu marido não esteja a ver, exclama a actriz.
**É carnaval ninguém leva a mal.
 

FONTE: 5 Para a Meia Noite


 
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A GRAÇA DOS PEQUENOTES


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BOM DIA


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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

UMA GRAÇA PARA O FIM DO DIA

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1-ALBÂNIA

LIXEIRA DA EUROPA




FONTE: Programa Toda a Verdade - SIC Noticias

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1 - CRAZY HORSE CABARET

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FONTE: Canal ARTE - 31 Dec 2011

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MINUTOS DE

CIÊNCIA/128

Definição de Logaritmo



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 VII-MEGA MÁQUINAS

1- O Maior Navio do Mundo
Viagem Inaugural



*Interessante série reveladora da quase perfeição mecânica, notável produção da NG.

**  As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores. 

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LINA SILVEIRA

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Uma porta aberta para o Canadá

O Parlamento Europeu (PE) aprovou no dia 15 de fevereiro o “Acordo económico e comercial global” (CETA) entre a União Europeia (UE) e o Canadá. O CETA prevê uma redução das taxas aduaneiras para um grande número de produtos e uniformiza normas de forma a favorecer o intercâmbio entre a UE e o Canadá. Uma alteração das regras que muda profundamente as relações comerciais e reforça as relações políticas entre estes dois grandes blocos económicos.

Este é mais do que um simples acordo comercial com o objetivo da remoção de barreiras alfandegárias entre as partes envolvidas, este acordo é uma afirmação por parte destas duas entidades políticas de uma linha política multilateral, global, que se demarca da tendência protecionista do Reino Unido e dos Estados Unidos da América (EUA). Este acordo contém uma mensagem política forte que não é alheia à atualidade política internacional e que se contrapõe a esta crescente tendência protecionista, antiglobalização, na vertente cultural, política e económica.

A partir do mês abril deste ano está previsto o acordo entrar em vigor, no entanto a aprovação a nível do PE não basta para colocar o CETA em pleno funcionamento, este terá de ser aprovado por 38 parlamentos nacionais e regionais representados na União. Uma barreira que por um lado aprofunda a democracia da União, mas por outro compromete a eficácia do processo, que pode levar anos e resultar em discrepâncias entre Estados, sacrificando a coerência política e económica no espaço da União e nas relações comerciais com o Canadá.

Estima-se que o CETA represente um impulso de 12.700 milhões de euros anuais para a economia da UE. Segundo o Governo português o acordo poderá trazer uma poupança no valor de 500 milhões de euros por ano em impostos. No entanto a avaliação do impacto do acordo não se pode limitar a números. Ao longo dos 5 anos de negociações do CETA os sindicatos e grupos de protesto têm vindo a alertar para os riscos de um acordo desta natureza. Apontam o perigo da diminuição dos padrões das leis laborais e ambientais e o risco do interesse das multinacionais se sobreporem às legislações nacionais e ao interesse dos cidadãos canadianos e europeus.

O CETA prevê a redução das tarifas alfandegárias em 99% dos produtos transacionados, com benefícios de grande impacto económico. No que se refere a produtos que sejam relevantes para a economia dos Açores, as taxas serão substancialmente reduzidas em 90% dos produtos agrícolas, com grandes vantagens para o queijo e os produtos alcoólicos, como licores e vinhos, que vão deixar de ser sujeitos a pagar tarifas. Segundo dados da Comissão Europeia, de junho de 2014, os produtos alcoólicos constituem 36% das exportações da UE para o Canadá. Um valor significativo que não deve ser alheio à economia regional que produz cada vez mais licores e vinhos de grande qualidade que podem ser uma mais-valia para a economia dos Açores. Sem falar nas oportunidades à exportação dos queijos regionais. Por outro lado o Canadá poderá exportar para a UE até 50 mil toneladas de carne de vaca, o que poderá constituir um ponto menos positivo para os Açores. A economia terá cada vez mais de apostar na diferenciação, pela qualidade e especificidade dos produtos açorianos.

Abrem-se oportunidades comerciais que requerem um posicionamento estratégico que potencie as mais-valias que daí podemos retirar. Temos desde logo a vantagem de uma relação privilegiada com o Canadá, pela diáspora açoriana, que devemos tirar partido. É importante acompanhar a situação desde logo e implementar programas específicos que permitam aos empresários e investidores beneficiarem desta nova realidade, com mais formação, informação e apoios específicos no quadro do CETA.

Ao que tudo indica não teremos tão cedo avanços no acordo comercial UE-Estados Unidos, com o congelamento das negociações, temos por isso de investir no CETA. Este novo quadro político-comercial requer que se envide esforços no sentido de reforçar as relações com a diáspora (a nível económico e político acima de tudo) que coloque a região na dianteira das relações com o Canadá, a nível nacional, por um mundo mais aberto e mais interligado, sem perder de vista a salvaguarda do interesse dos açorianos dos dois lados do Atlântico.

* Lina F. Marques da Silveira é formada em Estudos Europeus e Política Internacional, com mestrado em Política Internacional do Centre Européen de Recherches Internationales et Stratégiques (CERIS) em Bruxelas. Conta no currículo com organizações como o Parlamento Europeu, a Bensaude SA. e a European Market Research Center (EMRC). A experiência profissional internacional proporcionou oportunidades de trabalhar na Guiné-Bissau, Uganda, Angola, Suíça, Holanda, Israel, entre outros.
Fundadora da plataforma de serviços PIC – Progress Inovation and Change (www.piccoaching.com), onde para além de serviços de Coaching oferece também serviços como consultora em projetos europeus, assim como de relações públicas e comunicação empresarial.

IN "AÇORIANO ORIENTAL"
27/02/17

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1155.UNIÃO



EUROPEIA



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2-ACESSO SECRETO

 O Vaticano


Além da sua enorme riqueza monetária e artística, o sempre inquietante Vaticano esconde segredos proibidos para o resto do mundo... até agora. Através deste video  irá percorrer as cúpulas abertas e as escavações deste patrimônio religioso e cultural do mundo, focar o olhar em documentos sigilosos da Guarda Suíça, livros que guardam conhecimentos não revelados, e até percorrer um misterioso cemitério onde dizem estar os ossos do próprio fundador da Igreja, São Pedro. Além disso,  conhecerá alguns dos  rígidos sistemas de segurança que protegem este legado incalculável da cultura e da tirania religiosa ocidental.

* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

FONTE: GUSTAVO RAMOS

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4-CAPITALISMO

UMA HISTÓRIA DE AMOR


* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.


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Daniela Mercury

Quero Ver o Mundo Sambar


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O DÉFICE CERTO
Não perca a prestação de Maria Luís Albuquerque 
neste empolgante concurso para toda a família



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 10 FUNÇÕES 
ESCONDIDAS NO SEU TECLADO!!



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60-NO GINÁSIO
"CIRCUITO DO CORPO INTEIRO"


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1170
Senso d'hoje
FIONNA MULLEN
ANALISTA POLÍTICA DA 
'SAPIENTA ECONOMICS' 
“Em Chipre, os jovens cresceram
a ver os outros como inimigos"


*A ilha de Chipre está dividida desde 1974. Recentemente, foram iniciadas negociações para debater a reunificação. Mas é um caminho frágil. O que está em jogo e que vantagens pode a aproximação trazer? 

 FONTE: EURONEWS

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 A INVASÃO DOS BABUÍNOS




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BOM DIA


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domingo, 26 de fevereiro de 2017

UMA GRAÇA PARA O FIM DO DIA

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12-TINTUREZAS


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VIII-PEDRAS QUE FALAM
1- DA PEDRA AO BETÃO



A RTP Madeira produziu um excelente documentário, numa série de 12 programas, sobra a temática dos recursos naturais com incidência nos recursos geológicos, a que denominou "Pedras que falam", de autoria do Engº Geólogo João Baptista Pereira Silva.
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11-TINTUREZAS


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X -ERA UMA VEZ O ESPAÇO


2- O PLANETA DESPEDAÇADO



* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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10-TINTUREZAS


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Deepika Kurup

A busca por água potável




Deepika Kurup está determinada a resolver a crise global de água desde que tinha 14 anos, depois de ver crianças perto da casa de seus avós na Índia bebendo água que parecia suja demais até para ser tocada. Sua pesquisa começou na cozinha de sua família e por fim a levou a um prêmio importante de ciências. 
Ouça como esta cientista adolescente desenvolveu uma maneira econômica e ecologicamente sustentável de purificar água.
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9-TINTUREZAS


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JOSÉ MORGADO

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O manual de instruções

As crianças continuam a ser “fornecidas” aos pais sem virem acompanhadas de um manual de instruções de preferência em várias línguas


 Um dia destes, um bom amigo cá de casa entusiasmado com a ideia de em breve integrar a comunidade dos avós e sabendo da minha ligação ao universo dos miúdos pedia, meio a brincar meio a sério, que lhe sugerisse alguma leitura. Também meio a brincar, meio a sério achei que uma boa e primeira opção seria ele estar disponível para ler atentamente e para compreender os gaiatos. Na maioria das situações é suficiente estar atento para os compreender. Eles também nos compreendem e a estrada faz-se com não mais do que os sobressaltos que todas as estradas apresentam.


Fiquei no entanto a pensar na solicitação do meu amigo e na frequência crescente com que estes pedidos surgem.

É verdade que, contrariamente ao que acontece com todos os bens até por imposição comunitária, as crianças continuam a ser “fornecidas” aos pais sem virem acompanhadas de um manual de instruções de preferência em várias línguas.

Algum excesso nos discursos sobre a "instrução" e "educação" e as questões novas que as mudanças nos valores e nos estilos de vida colocam, levam a que os pais sintam algumas dificuldades no seu trabalho de pais e a que muitos técnicos entendam providenciar um "manual de instruções" que promoverá a educação perfeita da criança perfeita.

Nos últimos anos tem-se verificado um aumento exponencial na publicação destes "manuais". Existem para todos os gostos, para todas as idades e escritos sob as mais variadas perspectivas. Tenho lido muitos, alguns parecem-me interessantes e uma eventual ajuda para alguns pais e para algumas questões, outros, devo confessar, deixam-me alguma inquietação, não passam de um enunciado de "orientações prescritivas" longe das circunstâncias de vida em que muitas famílias se movem.

Para além das ajudas que os pais possam encontrar nestes "manuais de instruções" creio ser importante sublinhar que, felizmente para todos nós a começar pelas crianças, os pais são, de uma forma geral, intuitivamente competentes. Mais "asneira", menos "asneira", mais uma "festinha", menos um "ralhete" e o caminho cumpre-se sem grandes problemas. Um discurso social excessivo em torno da "psicologização" ou induzindo a ideia de que só indo a uma "escola de pais" e lendo vários "manuais de instruções" poderemos ser bons pais, pode ser mais fonte de inquietação que de ajuda.

Parece-me sobretudo importante que os pais falem entre si sobre as suas experiências, sem receio de que os julguem maus pais. Importa ainda que na relação com os técnicos ligados à educação as conversas não incidam quase que exclusivamente sobre "se está bem ou mal na escola", mas que se abordem as questões educativas também no contexto familiar de forma aberta e serena. Os "manuais de instruções" não são a solução, são, alguns, apenas mais uma ajuda.

Pais atentos, pais confiantes, são pais que educam sem especiais problemas. Paradoxalmente, alguns "manuais" e alguns discursos "científicos" podem aumentar a insegurança e a ansiedade de alguns pais.


* Doutorado em Estudos da Criança. Professor no Departamento de Psicologia da Educação do ISPA - Instituto Universitário. Membro do Centro de Investigação em Educação do ISPA - Instituto Universitário. Colaborador e consultor regular de Programas de Formação de Professores e de Projectos de Investigação e Intervenção. Colaborador regular em Programas de Orientação Educativa para Pais. Autor de diversas publicações nas áreas da qualidade e educação inclusiva, diferenciação pedagógica, etc.

IN "VISÃO"
24/02/17

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1154.UNIÃO



EUROPEIA







8-TINTUREZAS


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IV-DESTINO EDUCAÇÃO

5- CHILE



* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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XIX-VISITA GUIADA


Paço Ducal de Vila Viçosa/1


ÉVORA - PORTUGAL




* Viagem extraordinária pelos tesouros da História de Portugal superiormente apresentados por Paula Moura Pinheiro.
Mais uma notável produção da RTP
* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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7-TINTUREZAS


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Sean Jackson

Toccata and Fugue in D minor



J. S. Bach

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HOJE  NA  
"VISÃO"

"Quem defende que as crianças têm de trabalhar mais, depois de um dia inteiro na escola, esqueceu-se do que é ser criança"

Entrevista a Cesar Bona, professor espanhol, eleito um dos 50 melhores do mundo

Saltou para a ribalta ao ser considerado um dos 50 melhores do mundo pelo Global Teacher Prize, uma espécie de prémio Nobel da Educação. Aos 45 anos, o espanhol Cesar Bona quer avisar o mundo que ser professor é um privilégio. Afinal, se uma pessoa tiver paixão pelo que faz, mais facilmente imprime esse gosto nos outros.
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Em Portugal para promover o seu mais recente livro A Nova Educação, este maestro, que em castelhano designa o professor dos primeiros anos de escolaridade, assume que, além de ensinar, a escola também existe para educar os adultos de amanhã, para os estimular a querer viver num mundo melhor.

"O importante é promover a cooperação, educar por empatia", salienta. Oriundo de uma pequena aldeia perto de Zaragoza, filho de um carpinteiro e de uma dona de casa, o professor que sabe de onde vem, e para onde vai, diz que foi o destino que o pôs neste papel: "Quando era mais novo queria ser futebolista."

Porque diz que ser professor é um privilégio?
Todos os dias são um desafio e também uma grande responsabilidade. É um privilégio porque podemos convidar as crianças a olhar para o mundo à sua volta e a tentar melhorá-lo. Para mim, ser professor não é só abrir um recipiente e enchê-lo de conhecimento. É a possibilidade de estimular a ser melhor e a querer mudar o que o rodeia. É também uma grande responsabilidade porque essa marca fica para sempre sobretudo quando se é o professor referência, o primeiro contacto com a escola e a aprendizagem. E se aqueles alunos se vão lembrar de mim para toda a vida, quero que seja uma lembrança positiva.

É o mesmo lema do Homem-Aranha: "Com um grande poder vem uma grande responsabilidade."
É por aí, exatamente. O professor tem esse poder imenso nas mãos: imprimir a melhor mensagem possível em milhares de crianças que lhe passam pela frente.

O que valoriza mais na sala de aula: que aprendam, que fiquem curiosos e queiram saber mais, que sejam pessoas bem formadas?
Há de facto muita coisa que hoje recai sobre a escola. Mas o desafio é esse: ensinar-lhes o que precisam, estimular-lhes a curiosidade para gostarem de aprender e irem à procura de mais conhecimentos, e ainda formar boas pessoas, gente que trate bem os outros, que respeite o meio ambiente, que tenha responsabilidade social.

Ter paixão pelo que faz é meio caminho andado?
Paixão e esperança. Se convives com quem está cheio de esperança na sua essência, porque as crianças são os adultos de amanhã, são ambas imprescindíveis. À mistura com a curiosidade e a criatividade, as possibilidades que se apresentam a um professor para provocar alterações nas vidas dos seus alunos são imensas. Temos de ensinar muitas coisas, mas temos de ser um abre-portas, para que todos tirem a curiosidade da caixinha e a ponham ao seu serviço, para que seja o motor do seu dia a dia. Uma criança que gosta de aprender vai fazê-lo a vida toda. Estimulando a curiosidade das crianças, alimenta-se ainda a criatividade, muito importante para resolver problemas e encontrar caminhos novos quando já ninguém sabe o que fazer. Porque lhes permite ver as coisas de outra maneira.

Parece então que subestimamos constantemente as crianças...
Sim, em todos os sentidos. Eles têm imensas coisas que podem partilhar connosco e não valorizamos. A nível social, isso também acontece. Faz falta perguntar às crianças como mudavam um parque, que alterações gostariam de ver no bairro onde vivem, o que gostariam que acontecesse para melhorar a vida dos outros. Quando uma pessoa arrisca fazê-lo, os resultados são sempre surpreendentes.

Regra número um: nunca esquecer a criança que há em nós. É isso?
Nunca. Nas crianças está toda essa maleabilidade, esse olhar sem preconceito, sem ideias feitas. Isso permite compreendê-las melhor e ajudá-las no seu percurso. Ao colocarmo-nos ao seu nível, olhos nos olhos, tudo fica mais fácil.

No livro A Nova Educação, alinham-se ideias como "Não faço nada de extraordinário, apenas me divirto na sala de aula" ou ainda "Sou professor mas não sei tudo. Vocês também podem ensinar-me". Como é que se faz isso ?
Quando me divirto, desfruto. E isso é muito importante porque à minha frente estão pessoas que, durante toda a infância e adolescência, não podem mudar de vida, como um adulto faria. Estão ali e têm de ali estar, na escola, na sala de aula, diante do professor. Daí a grande responsabilidade: conseguir que tenham ganas de voltar no dia seguinte. Todos os dias, aqueles miúdos são obrigados a estar sentados durante seis horas, apenas a escutar e a repetir, e isso é aborrecido para qualquer um. Para um adulto também, não?

Imagino que o desafio seja maior por vivermos numa zona do globo mais envelhecida e onde as crianças são cada vez mais raras e crescem superprotegidas...
É importante não cair nesse equívoco: nem sempre tudo corre bem e é importante ensiná-las a lidar com a frustração. É assim que se estimula a resiliência na circunstância em que você é diferente de mim, e temos todos de aprender a respeitar essas diferenças.

Como se educa para a cooperação e não para a competitividade se vivemos num mundo cada vez mais competitivo?
Daí a sua premência. Porque uma das maravilhas da escola é que ela pode mudar a sociedade. Se acreditamos que é a chave para mudar o mundo, então temos de educar para a cooperação. A escola é o lugar ideal para promover o que queremos para o mundo em que vivemos.
Muitas famílias mudam os seus hábitos e a suas rotinas por força das aprendizagens que os filhos trazem da escola: alteram o que compram, passam a fazer reciclagem... Imagine--se isso replicado por milhares de casas, em todo o mundo. É um poder extraordinário à nossa disposição.

A crise perturba esse processo? A escassez torna-nos mais competitivos?
Depende. Temos vivido em crise nos últimos anos, mas isso não nos tornou menos sensíveis, por exemplo, à questão dos refugiados. As crianças, e as escolas, têm promovido os valores da solidariedade com quem tem menos insistindo que juntos somos todos mais fortes. Claro que tanto podemos instigar uma criança a ter uma nota melhor do que a do companheiro como podemos estimulá-la a ajudar o outro para os dois terem notas melhores. Depende do que queremos.

E os pais, preocupados com o sucesso do seu filho, não perturbam esse processo?
Às vezes penso que temos de nos reeducar todos. Claro que cada pai quer o melhor para o seu filho. Mas às vezes o melhor para um filho é dar um passo atrás para ajudar o colega do lado e depois seguirem os dois em frente. Melhoramos a sociedade sempre que ajudamos um companheiro. E é uma maneira maravilhosa de aprender: aquele que ajuda o outro sente-se depois tão bem, tão orgulhoso, que nunca mais esquece o que se tratou ali. É disso que se trata: somos seres sociais, não podemos continuar a ensinar como se fossemos indivíduos que vivem isolados.

Ainda ouvimos muitas vezes que a escola ensina, a casa é que educa. O que pensa sobre isto?
Temos de apagar isso do discurso da educação. A casa e a escola são parceiros num projeto educativo. Há um ditado africano que diz que é preciso toda uma aldeia para educar uma criança e a escola é o melhor lugar para ajudar os pais a educarem os seus filhos. A aula funciona como uma espécie de micro sociedade. Se queremos mudar a sociedade, então devemos promover também essas alterações na sala de aula.

Recentemente, cresceram as críticas a uma instituição que está igual ao que era há 150 anos. Porque é que a Escola resiste tanto à mudança?
É uma forma de nos sentirmos mais tranquilos. Queremos educar os nossos filhos como fomos educados, esquecendo todas as transformações que o mundo conheceu. Há ainda um outro fenómeno: aplaudimos os exemplos de fora, mas não aceitamos mudanças cá dentro: por exemplo, a escola finlandesa anunciou que acabou com as paredes e todos aplaudem. Se eu, aqui, quiser derrubar um muro que seja, já me acusam de estar a querer fazer uma revolução. As escolas estão organizadas como fábricas, como locais de trabalho. Penso que quem desenha escolas devia saber tanto de arquitetura como de crianças. O meu objetivo é que, ao fim do dia, quando vão para casa, todos reflitam sobre o que aprenderam e como vão utilizar essa aprendizagem.

E tem sempre autonomia para fazer isso?
Nem sempre e não é fácil. Mas os professores têm estado muito à defesa. Optam demasiadas vezes por fechar a porta da sala, proclamando que a aula é deles e portanto fazem como querem. Defendo o contrário: deixar a porta aberta. Prefiro sempre partilhar o que faço. É neste processo que descobrimos que não somos ilhas e não estamos sozinhos na difícil tarefa de educar os outros.

Polémicas de Portugal que se repetem em Espanha. Como vê a questão dos TPC?
Quem defende que as crianças têm de trabalhar mais, depois de um dia inteiro na escola, esqueceu-se do que é ser criança e como, quando era mais pequeno, gostava de aprender mas também de estar com a família e de brincar. Eu gostava de ir ao parque e ao rio. Hoje, há milhares de crianças a fazer deveres horas a fio, depois da escola, até à hora do jantar. E não têm culpa que os currículos escolares sejam tão compridos. Todos os dias, segunda, terça, quarta, quinta, sexta. Quem é que, depois disto, tem vontade voltar de ir para a escola no dia seguinte e aprender? Os TPC são uma prática ultrapassada.

Mas esteve contra a greve aos TPC, que os pais promoveram em Espanha?
Sim, porque uma greve implica estar contra alguma coisa. No caso, opõe pais a professores, e eu acredito que esse caminho deve fazer-se antes pelo diálogo. Devemos pensar como chegar a um acordo, tendo em conta que no centro está a criança e temos de pensar é no que é melhor para ela. Sabemos que a força dos TPC e da obsessão dos resultados escolares assenta também no impacto que têm na elaboração de rankings de escolas... Vemos o que está a acontecer com o PISA: Parece uma competição desportiva. Ah, Espanha ficou em quinto lugar, ah, Portugal está à frente. E o quê? O que quer isso dizer? Qual o impacto disso? E tem muita importância para quem? Para os governos. Sei que Portugal melhorou mas Espanha está na mesma, em 15 anos a avaliar as competências matemáticas, científicas e domínio da língua materna. Então e a respeitarnos uns aos outros? E a ter consciência ambiental? E ser tolerante com o diferente?

E é possível manter essa aposta numa educação diferente mesmo com as piores turmas?
Sobretudo bom, e não dividiria as turmas em piores ou melhores. Há turmas menos fáceis, geralmente constituídas por crianças que têm milhares de razões para estarem tão descontentes, tão revoltadas. Primeiro, temos de tentar saber o que passam, nas horas em que não estão ali, e temos de ver isso como um investimento. Para lhes ganhar a confiança, o respeito e depois arrancar a alta velocidade para as outras aprendizagens.

Soa a provocação...
E é, um bocadinho. Mas a verdade é que todos temos algo para oferecer. Se nos focarmos no mal, só vemos o mal. Se desviarmos a atenção para o bom, então esse valor vem ao de cima. Estimula a sua autoestima e isso pode fazer maravilhas no futuro.

* Aprende-se muito com quem sabe.

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