segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

UMA GRAÇAPARA O FIM DO DIA

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1-AS CATORZINHAS
DE MOÇAMBIQUE
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* As "Catorzinhas de Moçambique" é uma ficção excelente que aborda a problemática da sedução de jovens adolescentes por adultos endinheirados que as compram com festas, prendas e dinheiro, valendo-se da precaridade em que as meninas vivem. A realidade da vida das jovens moçambicanas é preocupante.

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10-AN EVENING OF DANCE

University of California Television (UCTV)

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* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.


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  HOJE  NA
"SÁBADO"

Conheça as novas alterações
 na carta de condução

O novo Plano Estratégico Nacional de Segurança Rodoviária (PENSE2020) vai introduzir aulas de primeiros socorros nas escolas de condução e ainda formação obrigatória para renovar a carta aos 65 anos. Estas são apenas duas das 106 medidas incluídas no PENSE2020, da responsabilidade da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. A notícia avançada pelo Público esclarece que há várias associações a criticar o facto de ainda não existir qualquer informação sobre a data para aplicar as iniciativas, nem os custos que implicam estas alterações.
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O Programa pretende que a prestação de primeiros socorros passe a ser um dos conteúdos ensinados nas escolas de condução e vai introduzir formações obrigatórias para os condutores que revalidam a carta aos 65 anos. Esta última é uma iniciativa que faz parte do Programa de Acompanhamento do Envelhecimento dos Condutores. 

Além destas, o PENSE2020 propõe ainda a introdução de alcohol locks. Estes dispositivos obrigam o condutor a medir a taxa de álcool antes de iniciar a condução e bloqueiam o carro caso se verifique que o resultado é superior ao permitido por lei - em Portugal é 0,5 gr/l.  

O sistema eCall, que alerta os serviços de emergência automaticamente em caso de acidente, é também uma das alterações a ser aplicadas. Em Abril de 2018, prevê-se que todos os carros vendidos na União Europeia sejam obrigados a ter este novo sistema, cujo objectivo é reduzir o número de mortos e feridos nas estradas.

O presidente da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M), Manuel João Ramos, critica a falta de informação sobre as verbas a ser aplicadas e destaca a insuficiência de medidas na área da Educação. "Foi aprovado em 2012 um referencial de Educação para a cidadania rodoviária no ensino básico, mas o Ministério da Educação acabou com a cadeira de Educação para a Cidadania e deixou de haver lugar para abordar esta matéria", frisou Manuel Ramos. 


* Tudo o que for criado com bom senso para diminuir estragos é bem vindo, mas a educação é o mais importante, deve-se começar por ela.

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MINUTOS DE

CIÊNCIA/122


MATEMÁTICA DO BÊBADO

Se ontem fosse amanhã
hoje seria sexta-feira

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A  22/12  NA
"VISÃO"

Como a mentira do Pai Natal 
pode influenciar o seu filho

É nesta época que os pais mais aldrabam os filhos. Mas manter vivo o mito de que o Pai Natal existe é bom ou mau para as crianças? Têm a palavra os especialistas 
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Chegou a altura em que os miúdos endereçam uma carta ao velhote de barbas brancas, e muitos papás até os levam a conhecer um ou outro (quase sempre num centro comercial), na tentativa de prolongar a magia por mais um ano. Entre enfeites e presentes, os pais dividem-se. E na comunidade científica também as opiniões diferem - alguns acreditam favorecer a criança e outros que pode ser prejudicial, na medida em que influencia negativamente a confiança entre pais e filhos.

Num ensaio recente publicado por Christopher Boyle e Kathy McKay, um psicólogo da Universidade de Exter e uma investigadora de saúde mental, ouvidos pelo Washington Post, o veredito é que o mito do Pai Natal pode levar os miúdos a questionarem o que mais será mentira. Por outro lado, Jacqueline Wooley, psicóloga na Universidade do Texas, crê que as crianças têm ferramentas para descobrir a verdade, e que o envolvimento numa história como esta pode ser uma forma de praticar essa astúcia. Acrescenta ainda que não há evidência de que a crença no Pai Natal abale a confiança nos pais de forma significativa.

Mário Cordeiro, pediatra, comenta que a lenda do Natal deve continuar a fazer parte das vidas dos nossos pequenos: "Não é uma mentira. O Pai Natal existe, na bondade e nas virtudes humanas. É de carne e osso como nós, e é essa transição que as crianças fazem." Além disso, o especialista defende que as crianças de facto acreditam nele por ter um carácter lúdico e simbólico, tal como acreditam no papão e nas princesas encantadas. E mesmo quando descobrem ou já desconfiam que não é real, considera que é sempre bom saber que, não havendo Pai Natal de carne e osso, há-o dentro de nós.

Na verdade há até alguns estudos que comprovam que as crianças são consumidoras racionais de informação, tal como os adultos, e que quando acreditam em histórias como as do Pai Natal estão a aperfeiçoar as suas capacidades de pensamento científico, procurando provas e questionando tudo o que lhes é contado.

* Engraçado esta peça aborda o tema da ficção do Pai Natal com bonomia mas abstém-se de falar da mentira do nascimento do menino Jesus, sintomático!

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 V-MEGA MÁQUINAS

1 -Mack Trucks

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*Interessante série reveladora da quase perfeição mecânica, notável produção da NG.

**  As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores. 

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  HOJE  NO
"i"

Operação “Natal Tranquilo” registou
 mais acidentes mas menos mortos

A operação de fiscalização de trânsito da GNR contabilizou 587 acidentes e um morto.
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A operação “Natal Tranquilo” da GNR registou um aumento de acidentes, mas uma diminuição dos mortos.

587 acidentes, dos quais resultaram 243 feridos ligeiros e 6 graves, e um morto foi a conta final.
O dia com mais acidentes foi a passada sexta-feira, com 283 acidentes, e o acidente que fez a vítima mortar aconteceu no distrito do Porto.

O mesmo período do ano passado registou 460 acidentes e sete mortos.


* O Pai Natal foi bonzinho.

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DANIEL CARDOSO

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Abstinência sexual e morte

 Desculpem lá, mas há ideias que são criminosas. Há propostas políticas que são criminosas.

A notícia acima custou-me a engolir; cheguei a pensar que era um spoof qualquer. Parece que não.

Tenho visto pessoas, ironicamente, a perguntar se voltámos ao século XVIII ou XIX. Mas não é historicamente a melhor altura para fazer comparações. Na verdade, mais facilmente poderíamos era estar em 1996, nos EUA, quando o Congresso aprova, à altura, 250 milhões de dólares para financiar programas de “educação sexual” só com abstinência. Ou em 2004, quando a administração Bush Jr. colocou de lado 170 milhões de dólares para o mesmo fim.

Mas porque é que eu chamo a isto de “proposta criminosa”? Bem…

A investigação mostra, por exemplo, que estes programas incluem informação cientificamente errada e que promove estereótipos de género nocivos, que não ajuda em nada a baixar a incidência do VIH/SIDA (aqui, também aqui, também aqui), que geralmente não alteram em nada os comportamentos sexuais das pessoas jovens (aqui), e por aí em diante…

Ou seja: na melhor das hipóteses, a educação sexual para a abstinência é comprovadamente inútil ou, então, activamente prejudicial.

Sabem o que é que funciona para impedir gravidezes não desejadas, e abortos? Espanto dos espantos: contraceptivos!

Pessoas, não há outra forma de colocar a questão: os jotinhas do PP querem colocar a sua vontade ideológica de pureza à frente da própria saúde e bem-estar das pessoas que dizem defender e representar. Isto é criminoso.

E vocês dizem-me: “Mas, oh Daniel, esses estudos são dos Estados Unidos; nós estamos em Portugal”. Toda a razão. Olhemos então para Portugal, sim?

Em Portugal, 93% das acções de Educação Sexual nas escolas são feitas por elementos externos às escolas (aqui), o que frequentemente se traduz numa aprendizagem fragmentada e desconexa, sem estrutura nem acompanhamento – sendo isto dados de apenas metade das Escolas que foram convidadas a submeter informação. Portanto, o panorama pode ser ainda pior. A ajudar, claro, temos ainda em Portugal Associações de Pais que têm estado fortemente envolvidas em bloquear o acesso dos educandos e educandas a recursos de saúde sexual, acreditando falsamente (aqui) que isso os ajuda a iniciar a vida sexual mais tarde.

Muitos destes pânicos se sustentam numa ideia totalmente ficcional: a de que as pessoas jovens cada vez iniciam a sua actividade sexual mais cedo. Não… é… verdade…! O número de jovens que afirma já ter iniciado a sua vida sexual tem vindo a descer nos últimos anos (de 23,7% em 2002 para 21,8% em 2010 e 12,8% em 2014 – aqui e aqui).

Sabem o que é que está associado com um início mais tardio da actividade sexual? A existência de Educação Sexual de qualidade e um maior nível geral de escolaridade.

Portanto, repitam comigo: A “educação” para a abstinência não existe. Da mesma maneira que água seca, fogo frio e vida morta também não existem. Da mesma maneira que, nas escolas, não se ensina o não-homicídio, ensina-se o respeito pela vida humana.

O que existe, isso sim, é uma campanha dos jotinhas do CDS-PP para prejudicar activamente e propositadamente a saúde (sexual e não só) das pessoas jovens, com especial impacto em raparigas e pessoas não-heterossexuais. A abstinência sexual na “educação” é uma política de morte.
Dirão que a JP já “esclareceu” a questão, e que “apenas” queria que existissem referências à abstinência, a par do resto do conteúdo. Um olhar mais atento para a proposta tornada pública revela que tal não é verdade.

No seu primeiro ponto («Liberdade para educar»), é dada primazia à «Família», para que a escola não «corra o risco de contrariar ou desautorizar a esfera de valores que esta reservou para a educação dos seus filhos». Num país como Portugal, em que os pais têm pouquíssima literacia sobre sexualidade, este ponto deveria em boa verdade chamar-se “Liberdade para não educar”. A investigação demonstra claramente: os jovens não vêem e não têm nas famílias um bom recurso para educação sexual – permitir que as famílias bloqueiem o acesso a formação escolar é uma violação directa dos Direitos da Criança.

No seu terceiro ponto, a JP fala ao mesmo tempo da «dimensão biológica e natural», mas nega a fluidez sexual que tem vindo a emergir na investigação (aqui), ou o facto de que, ao nível dos cromossomas, existem cinco sexos, não dois (aqui). …Claro que, no topo do documento, a JP tem problemas, supostamente, com um discurso demasiado científico – a não ser quando acha que este lhe convém.

Eu poderia, honestamente, continuar, e desmontar todos os outros detalhes da proposta. Mas a verdade, mesmo depois do esclarecimento nas redes sociais da JP, continua a mesma: a JP propõe inserir no currículo algo que, está demonstrado, em nada ajuda as pessoas jovens. A JP propõe dar às famílias o poder de manter as pessoas jovens na ignorância. Propõe tornar a interrupção voluntária da gravidez um estigma.

Recordo uma entrevistada, no contexto do meu doutoramento, que necessitou de ver imagens pornográficas para descobrir que as vulvas são diferentes entre si – para usar as suas palavras, que umas são “innie” e outras são “outie”. Ou as várias pessoas que me disseram, em entrevista, que tinham medo – medo de que a família descobrisse que tinham andado à procura de informação sobre sexo e sexualidade.

Sabem uma coisa? Faz imensa falta tratar de forma central e aprofundada o conceito de “consentimento informado” e “pressão social”, em Educação Sexual. Mas nenhuma destas coisas pode ou deve ser confundida com “educação para a abstenção”, com educação para a ignorância, com educação para a transfobia e para o sexismo.

Repito: a “educação” para a abstinência da proposta da JP é uma política de morte.

* Professor Universitário

IN "GERINGONÇA"
22/12/16


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1092.UNIÃO



EUROPEIA



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HOJE  NO
"A BOLA"

Rui Patrício eleito 
o terceiro melhor guarda-redes do Mundo

O guarda-redes do Sporting e da Seleção Nacional, Rui Patrício, foi eleito pela Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) o terceiro melhor guardião do Mundo, com 50 pontos.
Na liderança da lista dos melhores guarda-redes ficou Manuel Neuer, pela quarta vez consecutiva, com 156 pontos, e Gianluigi Buffon foi segundo classificado, com 91 pontos.


Confira o ranking deste ano:

1- Manuel Neuer (Alemanha/Bayern) 156 pontos
2- Gianluigi Buffon (Itália/Juventus) 91 pontos

3- Rui Patricio (Portugal/Sporting) 50 pontos

4- Claudio Bravo (Chile/Barcelona/Manchester City) 45 pontos
5- David De Gea (Espanha/Manchester United) 37 pontos
6- Jan Oblak (Eslovénia/Atlético de Madrid) 31 pontos
7- Hugo Lloris (França/Tottenham) 29 pontos
8- Keylor Navas (Costa Rica/Real Madrid) 18 pontos
9- Thibaut Courtois (Bélgica/Chelsea) 13 pontos
10-Denis Onyango (Uganda/Mamelodi Sundowns) 5 pontos
11-Petr Cech (República Checa/Arsenal) 4 pontos
12-Samir Handanovic (Eslovénia/Inter) 2 pontos
13-Marc André Ter Stegen (Alemanha/Barcelona) 1 ponto

* Uma merecida distinção.

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4-O mundo secreto
do Sushi

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FONTE: SICNOTÍCIAS


* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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V- O FUTURO EM 2111
4-SUPER HUMANOS

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HOJE NO  
"DINHEIRO VIVO"

Este português colocou a palavra
 unfriend na boca do mundo

Nuno Ferreira é diretor criativo da 72andsunny de Los Angeles. Cria campanhas para o Google e já desenvolveu projetos com J. J. Abrams

Trabalhou com a Industrial Light and Magic de George Lucas numa série de projetos da Google para o lançamento de Star Wars: O Despertar da Força, colaborou com J. J. Abrams (o mesmo de Lost) para dar nome e promover uma webserie documental da Google com a Bad Robot Productions sobre sonhadores que querem ir à Lua. Já ganhou dois Titanium, o mais cobiçado prémio do festival internacional de publicidade Cannes Lions. 
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 Acaba de colocar na rua a Year in Search, do Google, o anúncio em que o motor de busca resume o ano que está a findar: mais de 5,7 milhões já viram o seu incentivo a que no mundo se continue a pesquisar por amor. E a Year in Search acaba de ser considerado um dos dez anúncios do ano pela Forbes. Nada mal, para um autodenominado nerd que, aos 13 anos, partiu de Caranguejeira rumo ao Canadá. Hoje, Nuno Ferreira, 39 anos, é diretor criativo da 72andSunny em Los Angeles. Trabalha a conta do Google.

Chegou há cerca de dois anos à Califórnia, vindo da Leo Burnett de Chicago. Dirigia a área digital da agência, tinha sob a sua responsabilidade uma “equipa enorme e talentosa”. Mas algo falou mais alto: o clima, que lhe faz lembrar Portugal. “Agora acordo em Los Angeles à beira-mar e sinto que estou em Portugal. O clima é idêntico. A saudade e a nostalgia é uma força bem poderosa”, diz Nuno Ferreira.

A sua história é a mesma de muitos outros emigrantes: esforço, suor e lágrimas. Chegou à América via Canadá. “Sempre sonhei com a América, mas o caminho até aqui teve muitas curvas e cruzamentos. Nasci numa aldeia perto de Fátima e os meus pais, sentindo que não havia muitas oportunidades, emigraram para o Canadá.” Aí continuou os estudos. “E com aquele espírito de emigrante estudei mais, trabalhei mais e dormi menos do que os outros. Dessa força de vontade e espírito emigrante vem todo o meu sucesso. Talento não tem nada que ver.” 
Mas talento parece não faltar. E compreensão sobre a mudança de comportamentos que está a ser gerada pelo digital e pelas redes sociais. Compreender esses comportamentos para depois os subverter em nome das marcas é uma das suas “coisas favoritas”. E em 2009 lançou um desafio que acaba por ser quase uma experiência social: que amigos estarias disposto a “desamigar” (unfriend) no Facebook para ganhares um hambúrguer? A campanha, Whopper Sacrifice, para o Burger King, gerou muita discussão e garantiu a Nuno Ferreira o primeiro Titanium no Cannes Lions (o segundo foi em 2014, com Allstate Social Savvy Burglar). A Whopper Sacrifice foi criada ainda estava na Crispin Porter & Bogusky: “Foi nomeada uma das ideias da década e o dicionário Webster considera-a uma das origens da palavra unfriend (desamigar)”, diz Nuno Ferreira.

Curiosamente, foi para uma marca concorrente, a McDonald’s, que o criativo diz ter tido “uma das experiências mais fantásticas” da carreira: “trabalhar num anúncio que tentou o impossível – que as pessoas amassem uma das marcas mais odiadas na América.” Criado em 2015, quando estava na Leo Burnett Chicago, Signs é de uma enorme simplicidade: um minuto ao som de Carry On, com mensagens de apoio que surgiam nos restaurantes da cadeia por baixo dos arcos dourados, apoiando causas locais ou nacionais. Mensagens como “Parabéns Woody” ou de patriotismo depois dos ataques de 11 de Setembro em 2001. 
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“O que era uma ideia simples – mostrar os sinais de esperança e amor nos restaurantes da McDonald’s por todo o país – foi tão falada, tão discutida, tão debatida que a determinada altura pensei que tinha exagerado”, confidencia Nuno Ferreira. “Um programa de rádio fez um fórum de uma hora para discutir o anúncio. Um anúncio!”, recorda. Desta campanha guarda uma lição. “Não trabalhamos para o negócio da publicidade. Trabalhamos no negócio da cultura.” 
 É talvez nessa categoria que se pode encaixar a webserie documental Moonshot. Desenvolvido para o Google e para a produtora Bad Robot, tendo J. J. Abrams como produtor executivo, a webserie de nove episódios conta a história de indivíduos que concorrem ao Google Lunar XPRIZE. O prémio de 30 milhões de dólares visa incentivar empreendedores e a nova geração de cientistas a encontrar formas financeiramente acessíveis de chegar à Lua. Para Moonshot, criou o nome, o branding e todo o marketing. Do contacto com J. J. Abrams ficou a memória. “É um original. Gostou muito dos posters que fizemos.”

Ainda para o Google fez várias campanhas para a promoção de Star Wars: O Despertar da Força, dando-lhe a oportunidade de trabalhar com a Industrial Light and Magic. Ou o Year in Search, o anúncio resumo do ano do motor de busca onde a Seleção portuguesa não entrou por uma unha negra: a UEFA não autorizou o uso de imagens da seleção vencedora do Euro 2016 em publicidade.

Oportunidades trazidas pela publicidade, setor que, acha, “já não atrai os melhores talentos: A compensação financeira é maior em empresas como Facebook, Google ou Apple. E isto vai forçar as agências a mudar a forma como trata os seus recursos humanos”, diz. 
O que também considera que mudou é o perfil da publicidade feita em Portugal ou por portugueses. “O fator João Coutinho [criador de Guns with History] e Hugo Veiga [Retratos de Beleza Real] mudou tudo. O perfil tem mudado imenso e espero que continue, seja o trabalho feito em Portugal ou fora. Quando era criança, em Portugal, notava um complexo de inferioridade relativo ao estrangeiro. Esse complexo é injustificado. Somos exploradores, inquietos e somos insaciáveis. Na música. No futebol. No criativo.” 

* Um valente português!

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Wham

Blue

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HOJE NO  
"CORREIO DA MANHÃ"

Advogada atravessa ponte 25 de Abril nua

Uma mulher de 33 anos, completamente nua, tentou atravessar a Ponte 25 de Abril a pé, este domingo de manhã, até que foi travada por elementos da PSP, em pleno tabuleiro, visivelmente transtornada. 
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O caso passou-se às primeiras horas da manhã de ontem. A mulher, advogada de profissão, terá ido a pé desde Almada e continuou a caminhar em direção a Lisboa sem que ninguém se tivesse apercebido. Terá usado um acesso junto ao Cristo- -rei e só foi detetada quando já estava numa das faixas de rodagem. 

Os elementos policiais chegaram rapidamente junto da mulher e quando a abordaram perceberam que estava "confusa" e "com muito frio". Depressa determinaram que não se tratava de uma tentativa de suicídio e que precisava de assistência médica urgente. 

A mulher acabou por ser transportada ao hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde ficou internada compulsivamente devido a transtornos psiquiátricos. Apesar do risco que correu, a vítima não sofreu qualquer ferimento. 

* Lamenta-se que a senhora estivesse perturbada, já agora um desafio, quando se organizar uma manifestação vai tudo nú, sugerimos uma peregrinação a fátima em trajes menores.

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HOJE  NO
"OBSERVADOR"


Como foi o Natal dos portugueses 
no país onde um quilo de bacalhau 
custa o salário mínimo

 A ceia de Natal foi difícil na Venezuela. O bacalhau custa um salário mínimo e para conseguir pão para rabanadas é preciso enfrentar filas de madrugada. Veja o que contam os portugueses de Caracas.

Na ceia de Natal de um português há coisas que não podem faltar, mesmo na Venezuela, uma das economias em pior estado no mundo. Uma delas é o bacalhau — mas, como as mercearias do governo não vendem esse produto, restam os supermercados privados ou o mercado negro e o mínimo que se paga por um quilo é um salário mínimo (90 mil bolívares venezuelanos), o que, segundo o câmbio oficial do governo, são mais ou menos 125 euros. “Nós já comprámos ‘o nosso fiel amigo’ há um mês. Agora, se ainda houver à venda, está mais caro que caviar”, diz ao Observador Cristina Marques, de 50 anos, há 33 a viver em Caracas.

Outra coisa que não pode faltar é o azeite, que custa cerca de 18 euros, e mais os ovos (que ainda não faltam) e, pelo menos, uma carcaça rija para cortar em fatias e fazer rabanadas. Só que as carcaças que ainda se encontram não têm tempo de enrijecer. São da mão para a boca. O pão, na Venezuela, tornou-se um bem escasso.

As filas madrugadoras à frente das padarias tornaram-se a imagem de um país que está a afundar-se, ancorado ao preço do petróleo. Nos jornais há centenas de fotografias que mostram as filas junto às lojas onde o governo ainda mantém os preços acessíveis. A comida é transportada até estes locais com escolta militar. A espera começa por vezes às três ou quatro da manhã e, ao longo do dia, os membros das famílias que esperam por pão ou farinha revezam-se para não perderem o lugar numa fila que muitas vezes os leva a corredores de prateleiras cheias de coisa nenhuma.
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É um cenário que angustia Cristina. “Não há farinha sempre que uma pessoa precisa, nem nos supermercados, nem nas mercearias. As padarias também nem sempre a têm para poderem fazer pão. Nos locais onde os preços são controlados pelo governo tudo esgota muito rápido e das coisas que mais me incomoda é a fila enorme que se forma duas vezes por dia à porta das padarias: as pessoas esperam seis, oito horas para depois na vez delas nem sempre terem pão”, conta.

Gil Andrade, que trabalha numa seguradora e vive em Caracas há 35 anos, diz que “não se lembra de uma época tão grave” como a que se vive agora no país. “De há quatro meses para cá as coisas pioraram muito”, diz. Os portugueses “têm uma base sólida de apoio” porque “têm muitos negócios ligados ao ramo da alimentação e acabam por conseguir sobreviver e ajudar ainda alguns que estejam numa situação pior”.

A duas semanas do Natal, a subida de preços nos produtos de primeira necessidade, como óleo, farinha ou arroz fixou-se entre os 20% e os 150%. No início de dezembro, um quilo de arroz custava à volta de 4.000 bolívares, ou cinco euros à taxa oficial, e dia 13 já custava 7.000, mais ou menos 10 euros, publicou na altura a Lusa.

“O que existe é vendido no mercado negro e aí os preços são incomportáveis para muitas famílias”, acrescenta Gil Andrade.


2,4 MILHÕES PROCURAM COMIDA NO LIXO
Segundo um estudo do Instituto de Investigações Económicas e Sociais da Universidade Católica Andrés Bello, em Caracas 80% dos 30 milhões de venezuelanos não ganham o suficiente para cobrir os gastos básicos e quase 2,4 milhões procuraram comida no lixo. “Já vi pessoas procurarem comida no lixo, isso é verdade”, diz Gil Andrade. Portugueses, que ele saiba, ainda não, mas isso não quer dizer que as dificuldades não se façam sentir também no seio da comunidade emigrante.
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O sociólogo que liderou o estudo, Luís Pedro España, disse, em declarações ao jornal argentino Clarín, que o instituto que dirige continua a medir os níveis de pobreza com inquéritos mensais nos quais pergunta às pessoas “se se alimentam de comida que outras pessoas deitam fora” e a conclusão é que “essa é de facto a situação de um número muito grande de pessoas”.

O académico chama também a atenção para a pobreza estrutural, que já chega perto de 35% dos venezuelanos, e para o facto de 68% dos entrevistados no seu estudo assumirem que já foram obrigados a pedir dinheiro emprestado para continuarem a comprar comida.

O Natal na família de Gil Andrade não foi de miséria, mas foi necessariamente menos português, “sem as passas de uva nem os frutos secos, que estão a preços proibitivos” diz, logo ressalvando que “há situações que são obviamente mais graves que isto”. O português fala de um fenómeno de “desmoralização geral, mesmo entre as pessoas que não estão a passar tantas necessidades” porque “têm consciência do que se passa num país que era um exemplo”.

“O Natal é mais pobre este ano porque a alma também come. Em nossa casa ainda há pernil, vinho e castanhas, mas a situação do país assombra tudo. Ao contrário do que se lê nos jornais, não falta comida nem variedade de produtos no país, mas ninguém com um ordenado remediado lhes tem acesso”, diz Maria José Ferreira, uma luso-descendente com 28 anos, que trata da comunicação da empresa de construção da família.

Maria José diz que “a classe média ainda vive dentro de uma bolha” e que “tentam por tudo não a rebentar”. A família dela “já viveu dentro dessa bolha”, mas no último ano, para manterem o nível de vida, “têm feito um grande esforço que não será possível manter para sempre”.

Petróleo vale 94% das exportações venezuelanas 
Segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), a economia venezuelana arrecadou 38 mil milhões de dólares com vendas para o exterior em 2015. Desses 38.010 milhões de euros, 35,8 mil milhões foram conseguidos com a venda de petróleo.
Nas contas da OPEP, a Venezuela tinha no final do ano passado reservas (comprovadas) de petróleo equivalentes a 300,9 mil milhões de barris e 5,7 biliões de metros cúbicos de reservas de gás natural.

COMO É QUE CHEGÁMOS AQUI?
A Venezuela foi durante décadas a economia que mais cresceu na América do Sul por uma única razão: petróleo. A Venezuela é o país com as maiores reservas de petróleo do mundo. O tipo de petróleo que tem no seu território exige uma maior refinação, o que implica necessariamente custos maiores. Nada disso foi um problema durante décadas, porque, com os preços a crescer constantemente, as receitas também chegavam em permanência e em maior volume, até porque o maior cliente da Venezuela é nada mais nada menos que os Estados Unidos.
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As receitas da venda de petróleo eram todas do Estado, porque a empresa que explorava essas reservas era pública. Essas receitas permitiram investimentos de grande envergadura, durante anos, na educação, na saúde e, especialmente, em programas sociais, tornando Hugo Chávez um presidente muito popular, apesar da corrupção e do autoritarismo na gestão do país.

A presença avassaladora do Estado na economia venezuelana fez com que a economia crescesse a grande ritmo durante muito tempo, mas também provocou dependências que se viriam a revelar fatais no caminho que levou à crise que agora se vive. A dependência das receitas do petróleo era (e é) extrema: 94% das receitas com exportações são oriundas da venda de petróleo. O país não tem produção própria em praticamente nada, incluindo comida. Nada disto seria um problema, se os preços do petróleo não descessem. Mas os preços desceram. E muito.

No final de abril de 2011, um barril de petróleo custava 110 dólares. Nos anos seguintes, o preço variou entre os 110 e os 80 dólares. Problemático, mas ainda não preocupante. Mas em 2014 as coisas mudaram. Muito por culpa do boom da exploração de petróleo e gás de xisto nos Estados Unidos, que começou finalmente a vender as suas reservas, os preços começaram a cair abruptamente e um barril passou a custar menos de 50 dólares no início de 2015, chegando a bater nos 26 dólares em fevereiro deste ano (entretanto recuperou para os 53 dólares).

Sem produção própria, e sem dinheiro para importar, Nicólas Maduro tomou uma decisão que tem limitado ainda mais os (curtos) fundos disponíveis do Estado. O pouco dinheiro que o Estado tem está a ser usado para pagar dívida pública a investidores estrangeiros, privando ainda mais os venezuelanos de bens essenciais nos seus supermercados, nas farmácias e nos hospitais. A falta de dinheiro e a escassez de bens provocaram uma subida de preços sem igual noutros países. A Venezuela tem agora a inflação mais alta do mundo, segundo o FMI, e vai piorar. Depois de ter visto os preços subirem mais de 120% no ano passado, o Fundo espera que os preços cresçam em média 475,8% este ano e disparem 1660,1% no próximo ano.
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A Venezuela é também, por tudo isto, a economia em pior estado no mundo. Em 2015, numa estimativa feita pelo FMI, a economia terá caído 6,2%. Este ano, nova recessão, mas agora a economia venezuelana deverá ter criado menos 10% da riqueza que em 2015, e em 2017 mais um ano de recessão, desta vez de 4,5%. A destruição de riqueza faz-se sentir naturalmente nos níveis de desemprego, que mais que duplicam de 2015 para 2016, passando de 7,4% para os 18,1%, respetivamente, e podendo superar os 21% em 2017.

QUANTO VALE UM BOLÍVAR?
A melhor e mais honesta resposta é…depende. Em boa parte, de quão rápido é a trocar notas. Mas também de quem está a trocar essas notas.

Depende de quando se troca o dinheiro:
Sem receitas oriundas do petróleo, o governo venezuelano tem recorrido a défices (superiores a 22% desde 2015) para continuar a funcionar e à emissão de nova moeda para os pagar.
Isto tem levado a aumentos catastróficos nos preços: em 2015 a inflação foi de 121,7%. Em 2016 deve crescer para os 475,8%. No caminho atual, diz o FMI, a inflação pode chegar a 4505% em 2021.
A taxa de inflação considerada apropriada é de à volta de 2%. Hiperinflação (de acordo com Phillip Cagan) acontece quando os preços crescem a um ritmo mensal de 50%. O que está a acontecer na Venezuela já se pode definir como um estado de hipervelocidade do dinheiro, em que o seu detentor percebe que enquanto o detém ele está a perder valor, optando por gastar, o que gera um ciclo de aumentos de preços, que levam a mais gastos, que levam a mais aumentos, e por aí fora.
Depende de quem troca o dinheiro:
O governo venezuelano tentou criar taxas de câmbio fixas e diferenciadas para controlar os preços nos bens essenciais, vendendo dólares a um preço para quem importa bens de primeira necessidade, como comida e medicamentos, e uma outra, onde o bolívar vale menos, para quem não tem autorização para usar as duas primeiras para trocar os seus bolívares por dólares.
Mas como estas taxas sobrevalorizam o bolívar, criou-se um mercado negro para a troca a preços considerados mais próximos da realidade. Resultado, há várias taxas, o que faz com que, dependendo do acesso de cada um a dólares, a vida possa ter custos muito diferentes para as pessoas.

Os números são maus, dos piores do mundo, mas a situação pode ser pior, até porque o FMI não tem forma de fazer esta projeção com grande certeza. A falta de estatísticas fiáveis, a recusa do governo venezuelano em colaborar com o FMI (que não faz a sua avaliação regular obrigatória da economia venezuelana há 12 anos) e a demora na apresentação dos números que ainda vão sendo publicados complicam a elaboração de qualquer previsão.
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No terreno, os venezuelanos estão a sentir todos os efeitos nefastos de um caso típico de hiperinflação. Os preços crescem a galope, de tal forma que os comerciantes já pesam os maços de notas em vez de os contarem devido à quantidade de notas necessárias para pagar um bem considerado barato. Os controlos impostos nas fronteiras e a tentativa do governo de fixar o preço do dinheiro não tem dado resultado, obrigando a gastar as reservas em moeda estrangeira e criando na prática três preços diferentes para o bolívar (sendo um deles o do mercado negro).

As decisões de Nicolás Maduro têm criado ainda mais agitação. Quando o presidente anunciou que iria retirar a nota de 100 bolívares do mercado, os venezuelanos correram às lojas com receio de não conseguirem usar as notas mais tarde e os comerciantes recusaram-se a aceitar as notas. Numa altura em que as lojas já pouco têm para vender, o resultado foram episódios de pilhagens, violência e protestos em várias partes do país. A situação continua crítica e sob vigilância apertada, como conta ao Observador Maria José.

“Muitas filas têm que ser vigiadas pela polícia porque mais cedo ou mais tarde é quase certo que irá chegar a violência, também é por isso que entram apenas algumas pessoas de cada vez e há grades a fechar as janelas das mercearias, porque por vezes as pessoas lutam pelos produtos”, explicou.

Nas redes sociais vão aparecendo fotografias de filas cada vez maiores que serpenteiam à volta das mercearias onde os preços são controlados pelo governo. A polícia está estacionada à porta das mercearias e mesmo assim há relatos de distúrbios. “Nos supermercados sobra a comida para cão”, como diz Maria José, partilhando com o Observador a foto abaixo.
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HOSPITAIS VENEZUELANOS
Apesar dos protestos e da revolta da população, Nicólas Maduro continua com bons níveis de popularidade. O herdeiro de Hugo Chávez acusa a “arbitrariedade” dos mercados internacionais e os valores “especulativos” do petróleo. A popularidade de Maduro anda à volta dos 25%, longe dos números de Chávez, mas ainda há quem tenha medo de ver ruir o regime e, com ele, o que resta dos empregos no setor público.

VALE TUDO
É fator decisivo para quem escolhe voltar e é igualmente o que mais preocupa quem ainda lá está: não há segurança. “A Venezuela sempre teve problemas a nível de segurança, mas nunca como hoje, em que o sequestro é um dos negócios mais rentáveis, a degradação moral chegou ao máximo, vale tudo”, diz Cristina que já teve que lidar com este problema de perto.

A segunda vez foi com o seu ex-marido, pai do seu filho. “Às seis da manhã, estava ele a ir para a fábrica trabalhar e vê uma carrinha da polícia atravessada no caminho e parou. Levaram-no a ele e a um empregado da fábrica. Tudo o que é português, espanhol, italiano, árabe, chinês, para os delinquentes é sinónimo de gente com dinheiro, ainda que esse não seja sempre o caso”, completa a portuguesa.

Quando Cristina conta que “hoje em dia é comum as pessoas roubarem os sacos de comida que outra pessoa acabou de comprar”, acrescenta logo a seguir que “os problemas de escassez estão a tornar impossível a vida de muitas pessoas, principalmente aquelas famílias com filhos, um aluguer de uma casa que não é delas”.

A situação é “desesperante para muitos” já que “a maior parte das pessoas já esgotaram as suas poupanças, outros têm mais dívidas que nunca e uma boa parte da população faz apenas uma refeição forte diária”, acrescenta ainda a portuguesa que tem uma fábrica de móveis para escritórios que gere em conjunto com o ex-marido.

“O Natal não foi triste e ainda deu para fazer filhoses e bolo rei porque somos cinco famílias juntas mas também nós, para podermos comprar estas coisas, que só existem no mercado negro, estamos sempre a cortar noutras.”

* E o Nicolás nunca mais cai de pôdre.

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