segunda-feira, 19 de setembro de 2016

UMA GRAÇA PARA O FIM DO DIA

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 2- A CIÊNCIA
 DO ABSURDO

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G L O R Y
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The first version of Glory premiered in 2003 at the Kitchen in New York City when Wade was based in New York City. The 2006 version described here continues to be performed by the now Berlin-based Wade with Marysia Stoklosa.

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HOJE NO 
"OBSERVADOR"

Fernando Medina: 
“As taxas e taxinhas vieram e
 foram elas que terminaram a obrazinha”

Foi assinado esta segunda-feira o protocolo firmado entre a Câmara Municipal de Lisboa, a Direção Geral do Património e a Associação de Turismo de Lisboa que permitirá terminar a construção do Palácio Nacional da Ajuda, iniciada há 200 anos. Um projeto “histórico” parcialmente financiado pelas “taxas e taxinhas” turísticas que “fizeram mais do que muitos governantes nos últimos anos”, frisou Fernando Medina.


O projeto de conclusão das alas norte e poente, da autoria do arquiteto João Carlos Santos, custará 15 milhões de euros, dos quais 11 milhões serão investidos pela autarquia de Lisboa e pela Associação de Turismo de Lisboa e quatro milhões pelo Ministério da Cultura. As obras serão iniciadas no decorrer do próximo ano, em julho, e deverão ficar concluídas em dezembro de 2018.

A zona poente, com uma fachada de expressão contemporânea, irá albergar as Joias da Coroa e a coleção de ourivesaria da Casa Real portuguesa, que passarão a estar em exposição permanente no Palácio da Ajuda. Na apresentação, João Carlos Santos afirmou que é impossível falar do projeto de conclusão do edifício “sem falar da importância do acervo” e da “fantástica história deste palácio, que se mantém um dos mais notáveis deste país”. “As joias e pratas são de uma extraordinária importância no contexto nacional e internacional. São símbolos notáveis da história de Portugal”, frisou o arquiteto.


De acordo com João Carlos Santos, a exposição irá incluir as 6.340 peças das Joias da Coroa, feitas entre os séculos XIV e XX e compostas por uma grande variedade de objetos, e 900 exemplares de ourivesaria, do final do século XVII ao final do século XIX. A nova zona do palácio terá quatro pisos, distribuídos da seguinte forma:
  • Piso 0 — entrada e áreas técnicas e de apoio
  • Piso 1 — no lado sul, ficará localizada a bilheteira, as casas de banhos e os novos acessos; no lado norte, ficará o bengaleiro e a loja
  • Piso 2 — no lado sul, ficará a administração; no lado norte, será construída uma sala de conferências com capacidade para 120 pessoas e o respetivo átrio
  • Piso 3 — área de exposição das Joias da Coroa, imaginada como uma caixa forte
  • Piso 4 — área de exposição da Ourivesaria da Casa Real; neste piso, será ainda construída uma cafetaria com vista para a cidade e para o Rio Tejo.
O Ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, adiantou que se espera que a nova exposição do Palácio da Ajuda receba 200 mil pessoas por ano. Durante a apresentação do projeto, realizada no pátio do Palácio, com a fachada inacabada como pano de fundo, o ministro frisou que se deu “hoje início a uma das mais aguardadas etapas da história do Palácio Nacional da Ajuda”, explicando que a gestão da nova área será partilhada pelo ministério e Câmara Municipal e a Associação de Turismo de Lisboa.

Um projeto “histórico” que não seria possível sem as “taxas e taxinhas”
Admitindo ser incapaz de encontrar uma explicação plausível para o atraso na conclusão do Palácio da Ajuda — a não ser o de falta de “força de vontade e energia para concluir esta obra” –, Fernando Medina explicou que, dos 11 milhões de euros disponibilizados pela Câmara Municipal de Lisboa, seis milhões são provenientes da taxa turística, em vigor desde janeiro deste ano.

“Há cerca de um ano, tínhamos aqui um debate sobre a introdução da taxa de turismo, que muitos criticaram. Mas depois, a onde é que ela nos levou? As taxas e taxinhas vieram e foram elas que terminaram a obrazinha“, afirmou o presidente da Câmara, acrescentando que estas “fizeram mais do que muitos governantes nos últimos anos”.

Afirmando ser “simbólico” a utilização das “primeiras verbas das taxas turísticas” num projeto na área da cultura, o presidente da câmara frisou que foi graças a elas que se tornou possível concluir um projeto de importância histórica e cultural. “O património cultural é o nosso grande ativo. Não é um investimento para o turismo — é um investimento que o turismo da cidade permite que façamos“, acrescentou.

Presente na cerimónia de apresentação, o primeiro-ministro António Costa frisou a importância do projeto que descreveu como “histórico”. Elogiando os resultados da taxa turística de Lisboa para o crescimento e sustentabilidade do turismo, “fundamental para a economia”, Costa afirmou que este permite valorizar o património e criar novas ofertas culturais.

“Este mecanismo da taxa turística e do fundo de desenvolvimento do turismo permite devolver ao setor a receita por si gerada, de forma a que, depois, possibilite a valorização do nosso património. Ao valorizar o nosso património, estamos também a criar nova atratividade e o desenvolvimento do próprio setor do turismo”, disse o primeiro-ministro. “O turismo em Portugal já não é praia e campo. O turismo representa já 15% das exportações nacionais, tendo aumentado na ordem dos 10% por cento este ano”, acrescentou.

A história do Palácio Nacional da Ajuda remonta ao século XVII. O local onde se encontra situado tornou-se no refúgio da família real depois do Terramoto de 1755. Conhecida pela “Real Barraca”, por ser feito de madeira, ardeu em 1794, dando lugar a um projeto barroco do arquiteto Manuel Caetano de Sousa, iniciado um ano depois, em novembro de 1795.

O Palácio sofreu novas alterações em 1802, seguindo uma estética neoclássica. Com as invasões francesas e a fuga da família real para o Brasil, as obras tiveram de ser interrompidas. Só 20 anos mais tarde, em 1826, é que o Palácio Nacional da Ajuda voltou a servir como residência real. Com a instauração da República, foi encerrado e o seu espólio protegido do saque.

Ao longo do século XX, foram vários os projetos que pretendiam terminar a construção do palácio, mas as obras nunca chegaram a andar para a frente. O edifício converteu-se em museu em 1968.

* Lisboa cumpre um projecto inacabado há mais de 200 anos e Portugal fica mais rico

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MINUTOS DE

CIÊNCIA/110


14-TRUQUE


Diferença

de Quadrados

Consecutivos

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FONTE: MATEMÁTICA RIO



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HOJE NO 
"DIÁRIO DE NOTÍCIAS"

O Japão tem um problema de virgens? 

Os resultados de um inquérito nacional indicam que a percentagem de jovens virgens tem vindo a aumentar

Mais de 40% dos japoneses solteiros entre os 18 e os 34 anos são virgens, segundo os resultados de um inquérito feito pelo governo japonês. O Instituto Nacional de População do país fez um inquérito a mais 5000 pessoas e 42% dos homens e 44% das mulheres declararam ser virgens.
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VIRGEMZÍSSIMA

O estudo mostra ainda que quase três quartos dos jovens do sexo masculino não têm qualquer tipo de relação amorosa. Além disso, os resultados ao longo dos anos mostram que a percentagem de jovens virgens tem vindo a aumentar.

Embora as comparações internacionais sejam complicadas, devido a diferenças de qualidade dos dados disponíveis, um estudo feito em 2010 na Europa pelo fabricante de preservativos Durex mostrou que as percentagens de virgens eram significativamente menores, lembra a agência AFP.

Mas o que realmente preocupa o governo japonês não é o facto de os jovens terem menos sexo, mas sim o de não pensarem numa relação e em terem filhos num futuro próximo - 30% dos homens e 26% das mulheres disseram não estar à procura de uma relação. Isto porque o país tem uma das taxas de fertilidade mais baixas do mundo (1,4 em 2014) e uma das populações mais envelhecidas.

* Sugerimos que se faça o "pagode dos segredos" na televisão japonesa e se convide José António Saraiva para pivot do programa, Passos Coelho poderia ser a "voz". 
Sugerimos ainda que a igreja católica contrate uma centena de virgens e as pendurem na azinheira durante as comemorações.

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 I-MEGA MÁQUINAS

3-Bugatti Veyron

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*Interessante série reveladora da quase perfeição mecânica, notável produção da NG.
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* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores. 

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HOJE NO 
"RECORD"

Novidades da situação de Schumacher
. reveladas em tribunal

Um processo da família de Michael Schumacher contra uma revista alemã, 'Bunte', relativamente a um artigo publicado em dezembro de 2015, já chegou a tribunal. O julgamento começou esta semana e segundo o que disse o advogado da família do antigo piloto alemão, Schumacher não consegue andar e não se levanta, nem com assistência dos médicos. 
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Felix Damm não quis entrar em pormenores sobre a lenta recuperação do antigo campeão mundial que sofreu um grave acidente de esqui em dezembro de 2013. No entanto, o advogado negou categoricamente a notícia da revista 'Bunte', que referia que Schumi era capaz de andar com a ajuda de terapeutas e também levantar os braços.

"Não podemos ser forçados, por meio de reportagens escabrosas como essa, a divulgar a condição dele. Schumacher tem direito à privacidade", argumentou o advogado.

* Claro que o ex-piloto tem direito à privacidade, mas quem o admirava tem direito a desejar a sua recuperação e as notícias são parcas.

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MIGUEL VALE DE ALMEIDA

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A gayringonça 
– os direitos LGBT 
e a esquerda em Portugal

No PREC ninguém queria saber de direitos dos homossexuais (a expressão LGBT não existia ainda e o sexismo dominante não especificava as lésbicas). Não é necessário sequer lembrar a frase de Galvão de Melo sobre o 25 de abril não ter sido feito para tal gente, já que ela foi proferida por alguém que provavelmente diria o mesmo em 2016. Através do silêncio ou da omissão, a frase – proferida em reação a um já histórico comunicado do CHOR, o Coletivo de Homossexuais Revolucionários – também poderia ter sido proferida por quase toda a esquerda, que se manteria a milhas de questões de orientação sexual e identidade de género. O 25 de abril, o PREC, a Constituição, tudo seria feito sob a égide de direitos vistos como valendo mais do que outros, ou como mais determinantes, e correspondendo a enquistadas cartilhas marxistas de então, centradas no económico, ou a suaves liberalismos centrados nos direitos políticos.

É certo que a igualdade de género teve um empurrão notável – ainda que a questão do aborto tenha sido, e durante muito mais tempo, o rubicão por transpor. Mas até a igualdade de género – para mim indissociável de questões de sexualidade e sempre condição fundamental para estas – terá decorrido mais da aplicação dos direitos civis e políticos democráticos, do que da ação de um forte movimento feminista ou da inclusão do feminismo na agenda e pensamento da maior parte da esquerda.

Com exceções marginais, claro. Em torno dos movimentos trotsquistas, os anos 80 viram surgir formulações políticas em torno das questões LGBT, à época glosadas em termos de “libertação gay” e de “esquerda gay”, de afirmação das identidades, de luta contra o patriarcado e não tanto em termos de exigências de igualdade legal. Nisto o PSR foi fulcral – mas a sua relativa marginalidade no sistema e a formatação ideológica terão impedido a expansão das causas para a sociedade em geral.

Sem dúvida que as transformações sociais decorrentes do desenvolvimento e da integração europeia fizeram sentir os seus efeitos nos meios urbanos dos finais dos anos 80, com crescentes vivências e consciências culturais e identitárias entrosadas com a globalidade gay e lésbica. Mas foi, como noutros países, a crise do HIV-Sida que paradoxalmente deu a volta à situação. Foi a partir do ativismo da Sida, da tomada de consciência das pessoas afetadas direta ou indiretamente pela pandemia e pelos seus efeitos simbólicos e políticos, que nasceu uma consciência identitária e posicional em torno da sexualidade. A fundação da ILGA-Portugal foi disso o marco mais óbvio e fundamental.

Em contextos onde o movimento gay e lésbico já existia há muito, e até constituindo centros de referência, quando não mesmo de hegemonia, como os EUA, a crise da sida possibilitou a mudança do paradigma da “libertação gay” para o do reconhecimento e igualdade de direitos. Portugal apanhou o comboio já nesta segunda fase do movimento mas apanhou um comboio expresso. E apanhou-o com a reivindicação da inclusão da orientação sexual no artigo 13º da Constituição. Ou seja, desde o início da ILGA-Portugal, aquela que seria a principal organização de direitos LGBT – e doravante assim chamados, em sintonia com as transformações internacionais no pós-crise da sida – as questões colocaram-se em Portugal no plano legal, constitucional, da igualdade. Em suma, como questões de toda a sociedade. Essa foi uma das principais razões para o sucesso da luta.

Que sucesso foi esse? A penetração da agenda LGBT nos partidos políticos e, por essa via, na comunicação social. Da esquerda à direita – por apoio, hesitação ou recusa. Se no verão quente de 1975 o problema era que nem se colocava a questão como pensável, a partir de meados dos anos 90 e inícios do século 21 não havia como não colocar a questão. Aquilo a que se assistiu a partir de então foi ao avanço da agenda dos direitos LGBT no leque político-partidário: a adesão já não só pelo trotsquismo mas, sobretudo, pelo nóvel Bloco de Esquerda – e também pelos Verdes; a hesitação por parte do PCP e do PS, ainda que neste a JS tenha tido um papel pioneiro na apresentação de propostas. Propostas que, durante muito tempo vindas do Bloco, dos Verdes ou da JS, na esquerda mais tradicional e da governação sempre acabavam tendo algum “mas” – como no caso das uniões de facto e da exceção no acesso à adoção por casais do mesmo sexo, exceção que depois se prolongaria na questão do casamento, ou nas hesitações do PCP face à procriação medicamente assistida.

A questão do casamento seria a questão simbólica chave para a total entrada da agenda LGBT na política nacional e sobretudo na esquerda. Após a vitória no referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, a esquerda encontrou-se perante uma barragem que ruiu – nem a Igreja Católica parecia mais ter o poder que se temia, nem (a julgar pelos resultados, que tinham necessariamente de dever-se também a muitos eleitores de direita) as questões de género e sexualidade pareciam seguir clivagens político-ideológicas claras e definidas. O país “pós-modernizava-se”. O debate sobre o casamento teve, aliás, a virtude de demonstrar novas e mais subtis clivagens: desde setores radicais de esquerda anti-casamento por razões ideológicas; passando por difíceis negociações internas no PS entre conservadores e progressistas, “resolvidas” com a exceção da adoção, ou hesitações entre os comunistas face a alguns temas na agenda LGBT; até ao surgimento de políticos de direita “mas liberais nos costumes”.

A igualdade no acesso ao casamento foi a aposta central e estratégica – e completamente vencedora e certeira – de associações na mesma área sociopolítica (a ILGA, a rede ex-aequo ou, mais tarde, a Amplos – abrangendo pessoas de várias esquerdas, muitas sem partido e algumas mesmo despolitizadas no sentido tradicional) e da sua aposta no trabalho de lobbying político, de aposta no legislativo como marca de um contrato social legitimador. Abertas as portas do casamento, assistiu-se a uma transformação interna no PS que, a partir da chegada de António Costa à direção, assumiu totalmente a agenda LGBT já sem hesitações, à semelhança do que já fazia o Bloco de Esquerda, bem como a um trabalho de criação crescente de consensos internos no PCP (cujo resultado final estava sempre, de qualquer modo, tornado claro nas posições dos Verdes).

Hoje Portugal avançou ao ponto de ser um dos principais países do mundo inteiro em termos de igualdade de género, orientação sexual e identidade de género no plano legal. Coexiste esta realidade com outra, a de uma sociedade fortemente familista e dependente de relações interpessoais de reconhecimento nos planos laboral, político e mediático, que constrangem quer processos de saída do armário, quer o usufruto dos direitos e a vigilância e punição da discriminação. Essa é mais uma característica de uma sociedade dual, que vive aspetos de pré-modernidade ao mesmo tempo que aspetos de pós-modernidade, parecendo às vezes ter saltado o que poderíamos abusivamente denominar como “modernidade” e a sua normalização da igualdade corporizada nos e vivida pelos indivíduos. Esse é todo o trabalho que falta fazer e que será a principal tarefa de um movimento social LGBT, que foi (e é), no seu segmento maioritário e mainstream (expressão que uso como descrição, e até elogio, e não como crítica) um autêntico caso de sucesso em Portugal. Parte do sucesso é ter transformado a esquerda – tendo inclusive ajudado a que ela se transformasse em algo de mais sedutor e de mais claramente distinto e distinguível de um “centrão”.

Quase se pode dizer que antes da geringonça, houve uma verdadeira e bem sucedida gayringonça.

IN "GERINGONÇA"
17/09/16

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995.UNIÃO


EUROPEIA



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HOJE NO  
"JORNAL DE NOTÍCIAS"

Quase 28 mil professores
 turcos despedidos

Quase 28 mil professores foram despedidos na Turquia, por suspeita de ligações aos rebeldes curdos ou ao grupo de Fethullah Gülen, considerado o instigador do golpe falhado de 15 julho.

Dos 850 mil professores na Turquia, "27715 foram despedidos, 9465 foram suspensos de funções temporariamente e 455 foram recolocados em funções", indicou o vice-primeiro-ministro, Nurettin Canikli, numa conferência de imprensa em Ancara, no dia em que recomeça o ano escolar turco.
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Durante a manhã, mais de 18 milhões de alunos turcos voltaram à escola após as férias de verão, marcado por um golpe de Estado falhado a 15 de julho, que causou a morte de pelo menos 270 pessoas e deixou feridas quase duas mil outras.

Um fotógrafo da agência France Presse relatou que à chegada à escola cada um dos alunos recebeu uma brochura sobre "o triunfo da democracia a 15 julho e em memória dos mártires", um documento preparado pelo Ministério da Educação.

Também cumpriram um minuto de silêncio "em homenagem aos mártires", antes de terem rezado por eles, seguindo as instruções do ministério.

É o primeiro regresso às aulas depois das purgas na administração turca que se seguiu ao golpe falhado, destinadas a "limpar" a influência dos elementos associados ao antigo pregador Fethullah Gülen, exilado nos Estados Unidos desde 1999.

* Europa e USA continuam a dar apoio ao fantoche Erdogan

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5- UM DIA NA VIDA
DE UM DITADOR

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* Impressionante relato da vida de três dos maiores assassinos do mundo


* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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II- O FUTURO EM 2111
2-LONGEVIDADE E
IMORTALIDADE

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* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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HOJE NO 
"JORNAL DE NEGÓCIOS"

Portugal será o último país da Europa
 com 100% de alfabetização

De acordo com as estimativas, só em 2046 é que será possível afirmar que todos os portugueses sabem, pelo menos, ler e escrever. E, no que respeita à conclusão “total” do ensino secundário, esta só será uma realidade daqui a 70 anos. No seguimento da publicação, pela UNESCO, do primeiro Relatório de Monitorização da Educação Global, que acompanhará os progressos desta no âmbito dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável, o VER traça os principais resultados – chocantes, por sinal – de um mundo que não consegue prover nem sequer a educação primária universal, quanto mais a secundária.

Em 1970, países tão diferentes como a Suécia, a Alemanha, a Ucrânia, a Jamaica, a Lituânia ou a República Checa já asseguravam a educação básica ou primária a todos os seus cidadãos. O nosso país só atingirá esta meta em 2046. Sim, leu bem. De acordo com as estimativas, Portugal será o último país da Europa e da Ásia central a atingir a meta da educação primária para todos, estabelecida nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM 2000-2015), com "apenas" 31 anos de atraso. O que significa que só nesta data é que o país poderá garantir que a sua população tenha completado, pelo menos, os primeiros quatro anos de escolaridade obrigatória (de acordo com os últimos Censos de 2011, a taxa de portugueses que não sabe ler nem escrever ascende aos 5,2%, ou a cerca de 500 mil cidadãos).
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Este é apenas um dos preocupantes resultados que figura no Relatório de Monitorização da Educação Global, publicado a 6 de Setembro último pela UNESCO, o organismo responsável pelo primeiro de um conjunto de 15, e que acompanhará os progressos, ou a sua ausência, da Educação integrada nos novos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), muito maiores em número e em ambição face aos seus antecessores.

E se apenas 64 países (cerca de 40%), dos 157 referenciados, atingiram o ODM número 2 – o do ensino primário universal – até 2015, são muitos os que duvidam, e com razões de sobra para tal, que o ODM 4 – a "educação com qualidade", e que inclui a primária e a secundária – seja passível de ser alcançado até 2030, o ano estabelecido para o final destes objectivos adoptados pela Assembleia Geral das Nações Unidas há exactamente um ano.

Nesta meta em particular, Portugal ocupa ainda uma posição mais desonrosa, na medida em que as estimativas apontam para que só em 2086 a população portuguesa tenha recebido, na sua totalidade, educação secundária em conjunto com países como o Kuwait, a China ou a Colômbia, e depois de gigantes como a Índia, por exemplo. São 56 anos de atraso (tendo como ano de referência 2030) e que colocam Portugal não muito longe de alguns países de baixo rendimento, como o Nepal ou o Zimbabué, que terão de esperar por 2090 para terem condições de oferecer o ensino secundário a todos os seus habitantes. Sobrarão ainda 11 países, todos eles africanos, que apenas chegarão a estes resultados, e se tudo correr "bem", em 2100. Em termos percentuais, estima-se assim que apenas 8% dos países consigam atingir a meta da educação secundária universal, sendo que mais de 40% só lá chegarão na viragem do novo século. Ou, em termos numéricos, apenas 12 países versus 145 que não atingirão este objectivo.

"Não deixar ninguém para trás" continua(rá) a ser uma gigantesca utopia
Em termos gerais, a comunidade internacional não só falhou em atingir o objectivo afecto à Educação estabelecido nos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio, como é mais do improvável que consiga ir ao encontro das novas metas agora estabelecidas nos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável que, só para este "item", o número 4 dos 17 que os integram, definiu sete novos propósitos, sendo que um dos mais importantes consiste em proporcionar "oportunidades de educação ao longo da vida", enquanto o processo que começa no nascimento e se prolongará ao longo dos demais ciclos da vida.

O presente e extenso relatório, denominado GEM, na sigla em inglês (Global Education Monitoring Report), explora as complexas relações existentes entre a educação e as demais facetas do desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo que monitoriza as implicações, progressos ou obstáculos inerentes ao ODS 4. Com uma secção temática que sublinha as evidências, práticas e políticas que demonstram como a educação pode servir como catalisador para o alcançar das 17 metas dos ODS, o relatório integra ainda recomendações concretas para a alteração urgente de políticas, analisando ainda, a nível nacional, regional e internacional, os obstáculos e potenciais sinergias para a sua consecução. Adicionalmente, tanto os sistemas educativos como os de financiamento são igualmente analisados.

De acordo com Irina Bokova, a directora-geral da UNESCO, são três as mensagens cruciais que o relatório pretende transmitir. E com urgência.
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A primeira prende-se exactamente com a necessidade premente de novas abordagens às questões educativas. Se as tendências actuais se mantiverem, apenas 70% das crianças residentes em países de baixo rendimento irão completar o ensino básico até 2030, objectivo que deveria ter sido atingido em 2015.

Como segunda mensagem, Irina Bokova alerta também para que, e se realmente o mundo pretende encarar com seriedade a questão crucial da educação, as acções para ir ao encontro do ODS 4, terão de exigir uma urgência “multiplicada” e um verdadeiro compromisso de longo prazo. A responsável da UNESCO recorda, mais uma vez, que o fracasso em atingir este objectivo não só afectará sobremaneira a educação, mas impedirá igualmente o progresso no que respeita aos demais objectivos: seja na redução da pobreza, na erradicação da fome, na melhoria da saúde, na igualdade de género e empowerment das mulheres, ou na produção e consumo sustentáveis, no aumento da resiliência das cidades e na criação de sociedades mais iguais e inclusivas.

Por último, é fundamental alterar a forma de “pensar a educação” por parte dos decisores nacionais e globais, apostando-se no papel crucial que esta desempenha no bem-estar humano e no desenvolvimento global. Para Bokova, agora e mais do que nunca, a educação acarreta a responsabilidade de promover o estilo “adequado” de competências, atitudes e comportamentos que possam conduzir ao crescimento inclusivo e sustentável.

Todavia, e se todos nós já conhecemos este discurso, o qual parece crescentemente vazio e impraticável, o relatório ajuda a ter uma ideia mais completa do estado de (des)graça da educação global, como se fosse necessário afastarmo-nos de um quadro pintado em tons carregados para melhor perceber os seus contornos.

Assim, e em termos gerais, o mundo acusará, no geral e em média, 50 anos de atraso no atingir dos seus compromissos globais de educação. Se as actuais tendências se mantiverem, a educação primária só estará “terminada” em 2042, a educação secundária (de primeiro nível) em 2059 e a educação secundária (de segundo nível ou 12 anos de escolaridade) em 2084, grupo em que Portugal está incluído. Em média, os países pobres irão atingir a educação primária universal um século mais tarde face aos países ricos.

Os efeitos-cascata da aposta séria na educação
Apesar de estes exercícios de projecção sugerirem que as (sete)metas relacionadas com o ODS relativo à Educação possam não vir a ser alcançadas, o relatório assegura também, numa espécie de “mal menor”, que mesmo os progressos considerados modestos poderão fazer uma enorme diferença no que respeita ao futuro da próxima geração. Assim e para transmitir um quadro menos abstracto de como a expansão da educação contribui para os demais ODS, o GEM analisa igualmente de que forma é que esta pode ajudar a salvar vidas (reduzindo a mortalidade infantil e aumentando a esperança de vida nos adultos), retirar as pessoas e respectivos países das malhas da pobreza (através do crescimento económico dos agregados e da redução das situações de pobreza extrema) ou reduzindo a vulnerabilidade aos desastres naturais, responsáveis pela morte de milhares pessoas todos os anos.

De acordo com o GEM e por exemplo, se a educação secundária completa fosse atingida em 2030, a taxa de mortalidade infantil para crianças com menos de cinco anos, na África subsaariana, passaria de 68 para 54 mortes por cada 1000 nascimentos até 2030, e de 51 para 38 mortes por cada 1000 nascimentos até 2050. Na medida em que a saúde infantil pode beneficiar, e muito, da difusão de práticas e comportamentos mais saudáveis ao nível comunitário (graças à educação), a mortalidade infantil poderia assinalar uma quebra ainda mais significativa do que sugerem estas estimativas.
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Em declarações ao The Guardian, o director do GEM, Aaron Benavot explica que, em particular para as mulheres, só o facto de estas (na África subsaariana) poderem completar o primeiro nível da educação secundária até 2030, poderia traduzir-se na prevenção de 3,5 milhões de mortes de crianças entre 2050 e 2060, pois as mulheres que têm maiores níveis de ensino aprendem a tomar medidas preventivas para proteger os seus filhos. “Elas sabem em que consiste uma dieta mais nutritiva, ao mesmo tempo que têm maiores probabilidades de possuírem competências básicas que lhes permitam encontrar um emprego decente, libertando-as da pobreza e abrindo caminho para um melhor sustento dos seus filhos”, acrescenta ainda.

Por outro lado, a educação tem também a capacidade de estimular o rendimento per capita através do aumento da produtividade laboral e da aceleração do desenvolvimento tecnológico. Nos países de baixo rendimento, a universalização do ensino secundário completo poderia traduzir-se num aumento do rendimento per capita na ordem dos 75% até 2050. Mesmo que o objectivo 4.1 dos ODS – “até 2030, garantir que todas as meninas e meninos completem o ensino primário e secundário livre, equitativo e de qualidade, que conduza a resultados de aprendizagem relevantes e eficazes” – não seja suficiente para eliminar a pobreza até 2030, poderá “acelerar” a sua supressão em 10 anos.

 Adicionalmente, a educação poderá também ajudar a reduzir as mortes relacionadas com desastres de ordem variada, definidos pela ONU como “choques abruptos que afectam os sistemas sociais, económicos e ambientais de uma população e que envolvem perda de vidas e/ou de propriedade”. Na medida em que pessoas com maiores níveis de educação tendem a exibir também uma maior consciência dos riscos a que estão sujeitas, em conjunto com um nível mais elevado de preparação e respostas apropriadas aos mesmos, na eventualidade de a educação secundária universal ser atingida até 2030, entre o período de 2040 e 2050, seriam evitadas entre 10 mil a 20 mil mortes relacionadas com estes tipos de desastres, maioritariamente naturais, comparativamente às 250 mil que ocorreram entre 2000 e 2010 (no caso de a sua frequência se manter constante).

Progresso educativo dependerá – e muito – da aceleração do financiamento
Quem o afirma é Jeffrey D. Sachs, conselheiro especial da ONU para os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável, no prefácio do GEM e que considera o presente relatório como “magistral e inquietante” mas e, sobretudo, “angustiante”. O reconhecido economista, autor, professor e director do The Earth Institute, na Columbia University, considera igualmente a educação como o factor-chave que permitirá ao mundo compreender por que motivo o desenvolvimento sustentável consiste num conceito vital para o futuro comum da humanidade.

Elencando os “frutos” diversificados de uma maior aposta na educação, seja ao nível de uma maior prosperidade, de avanços na agricultura, de melhores resultados na saúde, de menores níveis de violência, de maior igualdade de género, em conjunto com um capital social mais elevado e com a melhoria do ambiente natural, Sachs manifesta também o seu profundo descontentamento face aos alargados fossos que continuam a subsistir na educação que temos hoje e nas promessas que a mesma acarreta para 2030. “Os gaps existentes nos níveis de escolaridade entre ricos e pobres, no interior e entre países, são simplesmente chocantes”, escreve, recordando que em muitos países, as crianças pobres enfrentam obstáculos tão intransponíveis que nem sequer podem almejar a uma educação básica, quanto mais a uma educação de qualidade.

Apesar de conseguir compreender os “cínicos” que, de imediato, afirmaram não ser de todo possível atingir o ODS 4, sugerindo, ao invés, uma mera “aceitação da realidade”, Jeffrey Sachs afirma que este tipo de complacência não é apenas irresponsável, como imoral. “Se deixarmos a actual geração jovem sem um ensino adequado, estamos a condená-la – e ao mundo – a uma pobreza futura, a doenças ambientais e a situações de violência social e de instabilidade no decorrer das próximas décadas”.

Exortando a uma acção “imediata e urgente”, sem precedentes, para o economista norte-americano parecem não existir dúvidas quanto ao caminho a seguir: não só acelerar as vontades como, e sobretudo, acelerar o financiamento. Para Sachs, sobre a quebra brutal de ajuda ao desenvolvimento face, por exemplo, a níveis de 2009 (o ano que se seguiu ao deflagrar da crise financeira) recai a responsabilidade por estes gaps persistentes.

No relatório é sublinhado que, em 2014 e de acordo com dados relativos a 138 países, 51 destes gastaram menos de 4% do seu PIB em educação .

Complementarmente, o relatório destaca também o facto de este tipo de análises não só contribuir para chamar a atenção para os países nos quais os escassos gastos públicos em educação poderão contribuir para o fracasso dos objectivos em 2030, mas também por revelarem igualmente a inexistência, em muitos casos, de qualquer tipo de informação sobre esta questão em particular.

Como refere o relatório, não mais de 60% dos países têm disponíveis dados sobre os seus gastos totais em educação enquanto percentagem do PIB para qualquer que seja o ano desde 2000, sendo que as taxas de cobertura aumentam para cerca de 70% para os países que disponibilizam dados pelo menos uma vez em cada três anos. Mais ainda, alerta o relatório, os dados disponíveis apresentam, na generalidade, um desfasamento considerável: 45% dos países reportaram os seus dados relativos a 2012 apenas em 2016.


Para o conselheiro especial da ONU, esta quebra da ajuda ao desenvolvimento perpetrada pelos países ricos revela uma falta de visão surpreendente. “Será que estes países acreditam realmente que estão a ‘poupar dinheiro’ ao desinvestirem na ajuda para a educação nos países com níveis de rendimento mais baixos do mundo?”, questiona, acrescentando logo de seguida: “Depois de lerem este relatório, os líderes e os cidadãos do mundo de rendimentos elevados irão perceber, e de forma aprofundada, que investir na educação é fundamental para o bem-estar global, e que o nível actual de ajuda, que ronda os 5 mil milhões de dólares anuais para a educação primária – representando cinco dólares anuais por pessoa nos países ricos – é um investimento tragicamente baixo para o desenvolvimento sustentável e para a paz no futuro.

O director do GEM, Aaron Benavot, partilha uma visão comum face ao mesmo problema. Ao The Guardian afirma que depois do relatório ter analisado a ajuda recebida por 170 países desde 2003, o que se conclui é que o investimento em causa depende muito mais de interesses comerciais do que de verdadeiras necessidades. E exemplifica: “A Mongólia já alcançou a educação primária completa, mas recebe 15 vezes o valor de ajuda à educação, por criança, que é oferecido ao Chade, onde apenas um quarto das crianças está a completar a sua educação básica”. O que parece dispensar comentários.

Nota: Na medida em que os países não partilham de uma nomenclatura normalizada no que respeita aos seus graus de ensino, a UNESCO desenvolveu a denominada Classificação Internacional de Educação. Todavia, e no que respeita aos dados acima mencionados, não são relevantes as distinções, tendo-se optado por uma homogeneização dos termos sempre que possível.

* Pedimos-lhe para ler esta notícia com muita atenção, se o fizer será menos um iletrado, repita a leitura se achar necessário.

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HELDER MOUTINHO

Fado Bailado

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