domingo, 17 de julho de 2016

UMA GRAÇA PARA O FIM DO DIA

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3-MEU EU SECRETO

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ÚLTIMO EPISÓDIO

MEU EU SECRETO é um documentário que aborda as Histórias de Crianças Trans. ou classificadas pela psiquiatria como: Transtorno de Identidade de Gênero. O documentário é dividido em 3 partes.

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6-OUSADIAS DE ESTIO



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17-FAZER MAGIA

A MÁGICA DO PICKPOCKETING

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FONTE: ComoFaz

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5-OUSADIAS DE ESTIO




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XXII-ERA UMA VEZ O HOMEM


1- A BELLE EPOQUE

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* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.


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4-OUSADIAS DE ESTIO


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Prosanta Chakrabarty:


Pistas para tempos pré-históricos

encontradas em peixes-cegos



O bolsita TED Prosanta Chakrabarty explora partes escondidas do mundo em busca de novas espécies de peixes que vivem em cavernas. Essas criaturas subterrâneas desenvolveram adaptações fascinantes, e eles fornecem revelações biológicas sobre a cegueira, bem como indícios geológicos sobre como os continentes se separaram há milhões de anos. Contemple uma reflexão profunda nessa curta palestra.

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3-OUSADIAS DE ESTIO



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RUI ZINK

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A cor do crime

A América tem um problema para resolver e não o vai resolver. De rajada, dois jovens negros são mortos. Por polícias que não são negros. Pessoalmente, não acredito na teoria do racismo. Digo, do racismo bruto e óbvio. Acredito mais no medo. Os polícias serão (é a minha opinião) homens bons que, quando veem um negro, ficam cheios de medo. O medo é até certo ponto uma coisa normal. Um polícia é alguém que, por vocação, por profissão, arrisca ter a sua imaginação canalizada para a violência. Um polícia de giro imagina sempre: "E se? E se eu for atacado de repente, como vou reagir? Cobarde ou herói, vivo ou morto?" Polícia algum quer ser assassino. Um polícia normal quer, quando muito, ser herói: ajudar as pessoas, representar a lei e a ordem. Chegar ao fim do dia vivo, são e salvo, e mantendo os outros vivos, sãos e salvos. A maior parte do tempo isso acontece. Mas, quando vê um negro, por uma razão qualquer, um número demasiado grande de agentes da polícia ficam subitamente mais nervosos do que se tivessem encontrado uma mala sem dono numa estação. Não, não é racismo. Ou seja, não é racismo consciente. Maldoso, mal-intencionado, fruto de uma decisão de consciência e monstruosa por parte do agente da lei. Acredito piamente que, se perguntarem a estes agentes se são racistas, eles responderão não. E passariam (a maior parte, pelo menos) o teste do detetor de mentiras. Não são racistas. Simplesmente, têm mais medo quando veem um negro. Pode ser a andar ou a conduzir um carro ou simplesmente a beber um refrigerante. É involuntário, é natural, é normal, é assim. Tal como as pessoas que, quando veem o Renato Sanches, perguntam logo se ele nasceu mesmo no dia em que diz que nasceu. O angolano José Eduardo Agualusa já não terá esse problema, por razões que não vêm ao caso. Desculpem lá, mas isto é uma dúvida normal. É tão normal como perguntar a Obama se nasceu mesmo nos EUA, porque a cor dele não parece indicar isso. Por vezes, é certo, o resultado é dizer a alguém nascido na Amadora "vai para a tua terra". Mas um erro todos podemos cometer, não? Errar é humano.

O vídeo que, em direto, a namorada do homem assassinado fez antes que os polícias em estado de choque a pudessem impedir mostra uma coisa que não me choca assim tanto e outra que me choca mesmo muito. Começo pela que não me choca: um homem negro num carro gemendo e com sangue a empapar a camisola. Vi suficientes filmes de ação para a cena me ser familiar.

Não, o que me choca mesmo - me banza - é o modo articulado e bem-educado, usando sempre as frases certas, com que a moça fala ao polícia que fez os disparos. Essa parte eu não sabia, que uma mulher ao lado de um homem baleado pudesse ser tão calma e articulada. Fosse comigo e eu estaria aos berros, histérico, tal como todas as amigas brancas que eu tenho (e são muitas). Aos berros, chorando ou insultando o autor dos disparos. Mas a moça não. A jovem Diamond Reynolds fala com a maior calma possível, e usando as frases certas (aliás, expressões feitas, friamente burocrática, que reconheço de muitos formulários). E a sua calma denota um saber de experiência feito, como diria Camões. Ela fala com calma e usando sempre as frases certas, por duas razões básicas: para não levar ela própria um tiro e também para acalmar o polícia - o pobre, mesmo com o outro a esvair-se em sangue, ainda segura a arma nas trémulas mãos e continua a apontá-la tanto ao moribundo como a ela. O agente não tenta ajudar: está demasiado em pânico para se lembrar que salvar vidas também faz parte do protocolo. Ou então não faz parte do protocolo - essa parte caberá às ambulâncias, quando e se chegarem. A moça sabe - parece saber - que o autor dos disparos não é mau tipo. Talvez ele até nem seja racista. Provavelmente nem é - como poderia ser, se não aceitam racistas nas forças policiais? É apenas um homem com medo. Armado. Na academia ter-lhe-ão ensinado como reagir numa situação delicada. E ele, melhor ou pior, aplicou até onde pode o protocolo. E a verdade é que o negro podia estar armado. Aliás, segundo o vídeo de Reynolds, a vítima tinha dito ao agente que trazia uma arma no guarda-luvas, como qualquer americano normal, mas que tinha licença para ela. Estava tudo legal, como com qualquer americano normal. É verdade, no entanto, que ele podia ser um criminoso. Só fica a pergunta: acaso o polícia teria agido assim, disparando quatro tiros, se encontrasse na estrada com uma luz na traseira fundida Jeffrey Dahmer (17 vítimas), James Holmes (12 vítimas), Joseph Paul Franklin (pelo menos 14 vítimas)? Era bom, não era? Mas improvável. Esses homens podiam ser assassinos, podiam ter alma de assassinos, podiam até ter cara de assassinos - mas não tinham cor de assassinos.

A moça no vídeo fala com clareza e articulação porque foi treinada para isso. Quase parece uma lei antiga inscrita sob a pele: "Filha, quando falares com um polícia baixa a bola. Mesmo que, sendo tu gerente bancária, ele te confunda com uma prostituta, baixa a bola. Mesmo que ele tenha acabado de dar um tiro num inocente, mantém a calma. Usa só palavras formais. Frases feitas." Caramba, a dado momento ela até diz: "Sim, sir, sim, eu mantenho as mãos bem à vista. Mas o senhor acaba de disparar quatro tiros sem razão ou provocação contra o meu namorado. Importa-se de ver se ele está bem?" Porque ela sabe que as coisas normais numa mulher branca naquelas circunstâncias - deixar de ser articulada, "entrar em histeria", "desatar aos gritos", etc. - no caso dela e naquele contexto convém evitar. Podem assustar o homem armado.

O que eu vejo ali são anos de experiência interiorizada - décadas até. Não vou dizer que está no código genético, mas pelo código cultural já não ponho as mãos no fogo.

Uma amiga minha namora com um afroamericano. E diz: "Eu tenho medo quando ele sai à noite." Ir à mercearia comprar tabaco pode ser uma aventura letal.

E agora cinco agentes foram mortos. É uma tragédia inaceitável. Uma escalada impensável. Mas ocorreu. 

É que os agentes são fáceis de identificar - usam um uniforme. País algum pode tolerar que os seus agentes da ordem se tornem alvos móveis. País algum pode permitir a presunção de que usar uma farda policial se torne um risco. Ninguém - por maior sentimento de injustiça que sinta - pode regozijar-se com estas mortes. São uma acha mais numa tragédia. Vítimas inocentes numa espiral insana e estúpida. Não interessam as causas, o pretexto ou uma qualquer autoridade moral. "Vingar as mortes injustiçadas" não é justiça. Só cabeças perversas ou muito básicas podem ver estes atos bárbaros como justiça ou motivo para regozijo. Agora só podemos rezar pelas vítimas e que as mortes destes polícias não sejam um mini-incêndio do Reichstag - o pretexto que em 1933 faltava aos nazis para consumarem o seu plano.

Em algumas escolas americanas já há cursos a explicar "como agir" caso alguém armado decida começar aos tiros. Deliramos ou quê?

A América tem um problema a resolver. A cor do crime. E tem outro: as armas. Qual deles resolverá primeiro seria uma ótima pergunta. Infelizmente, a cada dia que passa, mais do que uma pergunta, está a tornar-se uma piada de mau gosto.

IN "DIÁRIO DE NOTÍCIAS"
13/07/16

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931.UNIÃO


EUROPEIA




A Selecção Nacional de Hoquei em Patins sagrou-se ontem Campeã Europeia da Modalidade, constatámos com agrado a ausência do Presidente da República, do 1º ministro e do Presidente da Assembleia ou de qualquer outra autoridade de relevo na vida nacional.

Está reposta a verdade de que os grandes intervenientes políticos estão verdadeiramente interessados no show-off dos media,  quando o regabofe é grande e se pode estar ao lado de quem, alheio à fantochada,  realmente dá sangue suor e lágrimas por Portugal.

Os hoquistas portugueses venceram todos os jogos da fase final  do torneio por 4 ou mais golos de diferença, "deram o litro" como os seus colegas do futebol, mas as personalidades mais importantes do país marimbaram-se, telegramas ou telefonemas são "zero", confirmou-se ontem que ao mais alto nível o que conta é o folclore, até pode ser um velório.

As melhores medalhas são as que se dão num abraço no momento certo.

O srs. Presidente da República, Presidente da A.R. e Primeiro-ministro evidenciaram o seu sentido de oportunidade, leia-se oportunismo, não mais nos iludem. 

A geografia atraiçoou os hoquistas, Oliveira de Azemeis é mais longe que Paris!   

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2-OUSADIAS DE ESTIO


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Robô entrega encomendas este 
verão em Londres Berna e Talim

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FONTE: EURONEWS

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VIII-VISITA GUIADA


CONVENTO DE CRISTO/2

TOMAR

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* Viagem extraordinária pelos tesouros da História de Portugal superiormente apresentados por Paula Moura Pinheiro.
Mais uma notável produção da RTP

* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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1-OUSADIAS DE ESTIO



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Tanja Sonc

Romance for Violin and Orchestra

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Antonin Dvořák

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ESTA SEMANA NO 
"EXPRESSO"
O que é que o Avillez tem?

O mais estrelado chefe português finaliza um novo e grande projeto, um bairro só de comida sua. É mais um passo no império

O sucesso é, por vezes, um conceito difícil de definir. Tem a ver com popularidade, bons resultados, boas vendas. José Avillez conjuga um pouco disso tudo. Ele está em todo o lado: na televisão, na rádio, nas revistas... Há dois anos que tem duas estrelas Michelin — é o único chefe português com tal distinção no currículo. Não para de criar projetos. De tal forma que os cinco restaurantes que tem no Chiado (tem mais um no Porto e o take-away em Cascais) são chamados de império gastronómico.
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Quase se pode dizer que possui uma espécie de toque de Midas. A metáfora para este sucesso vê-se num dia normal no Largo de São Carlos, no Chiado. Um jovem chefe alto e moreno aperta o avental, coloca um pano ao ombro e fala sobre menus com outro chefe ainda mais jovem. Um pasteleiro atravessa o largo, em passo apressado, com um tabuleiro vazio nas mãos. 

Na rua que sobe, vê-se um empregado de cozinha a caminhar de bloco na mão. Todos têm na jaleca (uma espécie de bata branca que os chefes vestem na cozinha) o nome de um dos restaurantes do Grupo José Avillez. Sem nunca se afastar do Belcanto, o restaurante onde detém as duas estrelas e onde faz a sua cozinha de autor, o chefe vai abrindo restaurantes paralelos. 

Em breve haverá novo espaço, que na realidade será muito mais do que isso. José Avillez está a cerca de um mês de abrir o seu bairro, a sua interpretação de um típico bairro lisboeta, recheado de detalhes. Um sítio de comida. Uma feira de diversões gastronómica. Mas também, e sobretudo, o seu maior investimento. Sobe assim mais um degrau no que toca à ideia de sucesso que lhe atribuem.

No país onde os chefes, mesmo os mais premiados e conhecidos, lutam ano a ano para manter o break even, onde sobrevivem melhor os restaurantes integrados em hotéis (dos 14 com estrela Michelin, sete fazem parte de um hotel), José Avillez dá-se ao luxo de arriscar. E vai acrescentando peças ao império que gira à sua volta. À volta da sua imagem e do seu nome. Ele é o próprio modelo de negócio.

Mas o que faz ele diferente dos outros? O que é que distingue um chefe? Ou melhor, qual é o fator diferenciador que o eleva do patamar de bom chefe de cozinha a bem sucedido dono de uma cadeia sem nunca deixar de fazer a dispendiosa cozinha de autor? Qual a diferença entre um chefe de cozinha de autor que se inspira para criar e um chefe que é todo ele o centro de um negócio? José Avillez é, na gastronomia, o equivalente a um atleta de alta competição. Está sempre pronto para competir, neste caso para cozinhar. 
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Dorme pouco, trabalha todos os dias e controla os mínimos detalhes — dos menus de grupo que serão servidos no Páteo do Bairro do Avillez aos aventais que farão parte do merchandising, às luzes que vão ficar por cima dos balcões do seu novo espaço. Como se fosse um polvo cujos tentáculos tocam em todas as pontas do negócio, apesar de aí ter os respetivos braços-direitos, os diretores de área, alguns deles que vêm desde o início da sua carreira.

Há algum tempo que deixou de ser apenas um chefe, é um gestor e o CEO. O Grupo José Avillez tem uma solidez que permite abrir novos restaurantes e continuar a desenvolver a cozinha de autor no Belcanto, de onde vêm os prémios e a fama. E é o sucesso aspiracional que o Belcanto cria que torna possível surgirem os espaços paralelos. É um ciclo interligado. Um homem, um modelo de negócio. 

Um caminho que, visto de fora, se fez rapidamente e sem sobressaltos. Nove anos bastaram para impor a sua marca. Para juntar ao negócio de take-away, o primeiro, mais de uma mão-cheia de restaurantes diferentes. Um percurso que começou em Cascais, a vila onde nasceu, a fazer eventos e se instalou, definitivamente, no Chiado, a zona mais nobre e cara de Lisboa.

O começo com as tramezzinis
Este sucesso não está apenas nas receitas que saem das mãos do chefe. Ou nas ideias criativas que brotam da sua cabeça. Para o compreender é precisar recuar até 2007. A história do império de José Avillez começa por causa de sanduíches. Foi num encontro de negócios para um projeto de consultadoria entre Ana Arié e o chefe que se começou a desenhar a parceria que viria a desembocar no tal império. “Eu queria montar uma empresa de sanduíches, de tramezzinis, e tive uma reunião com o Zé para ele fazer consultadoria. Depois da reunião percebemos que podíamos fazer algo mais e nasceu aí a ideia de fazermos uma sociedade para uma empresa de catering e take-away”, conta Ana Arié, hoje a diretora comercial. Ana pertence a uma destacada família judia que detém a Perfumes & Companhia. 
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O Grupo Arié SGPS esteve concentrado até 2015 na representação e distribuição grossista de marcas estrangeiras ligadas à cosmética, perfumaria e moda. Formado por Rudolph Arié em 1954, comprou no ano passado a Barreiros Faria e as 146 lojas a nível nacional, ficando com mil trabalhadores e vendas de 130 milhões de euros. Tornou-se a maior empresa de retalho da área. Um negócio que envolveu a Autoridade da Concorrência e que obrigou a nove meses de trabalho de consultadoria jurídica, entregue ao escritório de Vieira de Almeida. Ana tinha levado o pai, Charles Arié, à tal reunião e depois percebeu que o tio também teria de ser envolvido. A vida do chefe cruzava-se com os investidores perfeitos, que lhe iriam dão asas para voar. “Da parte da administração, de que eu não faço parte, o que posso dizer é que ainda são piores que o Zé [risos]. O Zé diz e a resposta é logo ‘vamos embora para a frente’. Há um grande grau de confiança”, conta Ana.

O casamento entre os dois parceiros acontece depois de José Avillez sair do restaurante do Hotel Albatroz, em Cascais, quando tinha um serviço de catering para eventos. Faltava menos de meio ano para estagiar no El Bulli, o famoso restaurante espanhol de Ferran Adrià, o responsável pelo estatuto que os chefes de cozinha adquiriram. E um ano para entrar no restaurante Tavares. “Fazíamos muitos eventos. E fazíamos tudo, tratávamos não só do catering mas também dos empregados. Estávamos em Cascais, então não nos poderíamos dar ao luxo de nos esquecermos de alguma coisa. Fizemos a bienal da Joana Vasconcelos, o jantar de apresentação do jornal ‘Sol’, o casamento da irmã do Zé”, diz Paulo Salvador, hoje o diretor operacional do grupo, braço-direito de Avillez desde 2005. O homem que fazia tudo o que não era cozinha. Paulo tratava das propostas, contratava os funcionários, levava a comida no carro até ao local do evento. É a pessoa que há mais tempo trabalha com José Avillez. Hoje são quase duzentos funcionários.
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A empresa cresceu muito desde aí, mas Paulo continua a ser das pessoas mais próximas. Recentemente, foi com o chefe até Paris para servir o catering dos 50 anos da Cartier. Uma das exceções que José Avillez abre no que diz respeito a eventos. “Fazemos pontualmente, só para alguns clientes mais antigos que já trabalham connosco há muito tempo”, explica Ana Arié.

Quando Ana se juntou a Paulo e José não se sonhava com estrelas Michelin. “Nunca foi um objetivo”, explica Mónica Bessone, colega de curso e a pessoa que Avillez foi buscar para tratar da comunicação. Foi o terceiro braço-direito a juntar-se ao grupo. Os três, num escritório diferente daquele que inauguraram há pouco tempo, deram com Avillez os primeiros passos da empresa. Por esta altura, José Avillez somava sucessos à frente do Tavares, cujo pico foi a estrela Michelin, que o restaurante entretanto perdeu, em 2010. Foi também com eles que tomou a decisão de sair. “Não foi uma decisão fácil. 
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O Tavares era um restaurante conhecido por triturar chefes. Mas estava na altura, o chefe queria muito ter os seus próprios projetos. Criar a sua própria marca. É uma pessoa muito criativa”, defende Mónica. É a essa vontade que vai buscar a justificação para tantos projetos, tantas ideias, tantas horas de trabalho.

Tomada a decisão, construída a equipa base e com o apoio dos investidores, o Grupo José Avillez foi crescendo com dois projetos de cada vez. Primeiro foi o Cantinho do Avillez, em 2011, enquanto se tratava do Belcanto, que abriu em 2012; a seguir, em 2013, a Pizzaria Lisboa e o Café Lisboa; no ano seguinte, o Mini Bar e o Cantinho do Avillez, no Porto. Pelo caminho vieram as estrelas — a primeira no ano de abertura e a segunda dois anos depois — e outros prémios, como um lugar no prestigiado “The World’s 50 Best Restaurants List”. Agora, é a renovação do Belcanto, cuja restruturação fez com que a sala ficasse com menos lugares, e o Bairro do Avillez. “Ele conta-nos a ideia, vê o que nós achamos, mas ele já tomou a decisão. Ele sabe quando deve fazer”, frisa Mónica.

Um bairro no centro da cidade 
O Bairro do Avillez impressiona, primeiro, pelo tamanho. Só quando se entra e se começa a dar uma volta pelo piso inferior é que dá para ver que não se trata de um restaurante ou de mais um mercado. Sem se dar por isso, por detrás daquela porta, na concorrida Rua Nova da Trindade, faz-se uma transição da caótica Lisboa para a bairrista e típica capital. E é aí que impressiona pelo detalhe. Entra-se e há uma taberna, com comida típica portuguesa e petiscos, uma mercearia, onde estarão à venda produtos, depois passa-se para uma zona comum, o páteo, onde ficarão mesas e um balcão em forma de L de onde sairão diferentes tipos de comida.
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Azulejos pintados à mão na taberna, peças de cerâmica de Cátia Pessoa, a ceramista de sempre e que costuma criar loiça para o chefe, muitas vezes a partir de desenhos do próprio Avillez, um envelope escrito à mão pendurado numa caixa de correio, uma janela portuguesa com um xaile e retratos antigos, um monóculo direcionado para um livro dentro de uma parede e focado na palavra “indulgência”, que significa satisfazer-se, entregar-se. “Uma ideia destas não nasce de um dia para o outro. Tinha-a há algum tempo, há muito tempo que namorava este sítio. Era um sonho que não sabia se podia realizar”, confessa o chefe depois de ter subido ao escadote para verificar a luz por detrás da bancada da cozinha. Do lado de dentro andam já equipas a fazer testes. Tal como o resto, também aqui tudo foi pensado ao pormenor, de modo a criar estações de cozinha que consigam tornar o trabalho mais eficaz. Do lado de fora, a arquiteta Ana Anahory — filha do arquiteto José Anahory, a quem o espaço, que antigamente era um ateliê, pertenceu — supervisiona os últimos detalhes. A decoradora testa as várias opções para uma janela no segundo andar: até agora ficará com uma bicicleta antiga.

“Fiz um bairro de Lisboa. A ideia é que as pessoas entrem aqui e se sintam num bairro e que depois, quando saírem, voltem para a agitação do dia a dia.” E o objetivo é ir muito além da cozinha, apesar de nos sentirmos num parque de diversões gastronómico ao entrar. “Apetecia-me fazer uma coisa muito inesperada e diferente do que há em Portugal. Era essa a minha única certeza.” A taberna é uma zona de comida mais rápida e descontraída, e no centro, no páteo, o foco vai para o produto, com destaque para o peixe e o marisco e com um serviço de mesa para uma experiência mais demorada. Entre as 12h e as 24h será possível fazer uma refeição.
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Vestido de forma casual e com os sapatos de cozinha nos pés (uma espécie de botins de plástico parecidos com os que os médicos costumam usar), José Avillez sobe e desce escadotes, certifica-se da ordem em que as peças de cerâmica serão colocadas, fala com os empregados de cozinha para ouvir as impressões deles. Diz que hoje em dia delega muito nos outros, fala sempre na equipa, mas a verdade é que controla todos os pormenores. Garante que não foi num abrir e fechar de olhos que ficou a saber tudo o que ali iria meter. Faz questão de dizer que está bem rodeado. “São muitos sacrifícios e uma grande equipa.”

Antes da visita (diária) ao bairro, esteve no escritório, foi ao Belcanto, respondeu a e-mails e ainda deu os parabéns a dois dos duzentos empregados que naquele dia faziam anos. “Eu tenho o número, obrigado”, diz a uma funcionária no novo escritório do Grupo Avillez, também no Chiado. Um apartamento amplo, decorado em tons de branco, sossegado e onde a maior força de trabalho é feminina. Mulheres bonitas e bem arranjadas. “É a minha sina, viver rodeado de mulheres. O meu pai morreu quando eu era muito pequeno, e eu fui criado pela minha mãe e com a minha irmã.”
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Maria Cerveira, irmã da apresentadora Sofia Cerveira, é a assistente pessoal, a pessoa que lhe gere a agenda diária, que faz com que não se esqueça dos eventos, das entrevistas e que com ele vê os projetos a que vai responder. Os pedidos são muitos e variados, de estudantes de gastronomia a bloggers, e chegam de Lisboa a Nova Iorque. “Eu sei que não é preciso avisar, mas eu aviso”, diz-lhe Maria, enquanto contabiliza o tempo de uma entrevista. 

Uma semana antes, andou com uma equipa de reportagem da CNN a mostrar Cascais, a fazer de embaixador de um produto, de um país. Apesar de ser natural desta vila, escolheu o Chiado para se instalar. “A minha namorada [agora mulher] morava aqui, e eu apaixonei-me também pelo sítio. Além disso, hoje faz todo o sentido.” Não é preciso andar muito para ir de uns espaços aos outros. 


Percorre-os a pé, mas é no Belcanto, onde estão as duas estrelas Michelin, que reside o centro da sua cozinha. Ao pé dele está sempre David Jesus, o jovem alto e moreno que costuma atravessar o Largo de São Carlos para ir ver outras cozinhas do grupo. Veio com ele do Tavares, sem saber como seria o futuro, e não lhe passa pela cabeça sair para abrir um restaurante seu. É o diretor de produção, o número dois de todas as cozinhas do grupo, chefe-executivo do Belcanto e braço-direito na gastronomia. Partilham o aniversário. E fazem do restaurante-estrela um laboratório criativo. Há muitas ideias que saem de lá.

“Vamos passar a ter uma reunião para falarmos de ideias. Peço-vos que tragam as vossas. Se provarem alguma coisa noutro lado que gostem, que achem que faça sentido, tragam também, mas digam que a ideia não é vossa. Não há mal nenhum, mas não podemos usar as ideias dos outros. Eu não posso ser enganado, temos de ter honestidade criativa. Não vou achar que vocês são piores por trazerem uma ideia de outro lado por isso”, diz a um grupo de jovens cozinheiros, no Belcanto, que quando ele chama se juntam, de agenda na mão, para o ouvir. Em uníssono, eles respondem-lhe: “Sim, chefe."

* Já nos deliciámos com ementas deste grande chefe, apenas lhe desejamos um enorme sucesso no futuro, é um combatente que admiramos.


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Rio 2016 Olympic Games Trailer

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BBC Sport

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ESTA SEMANA NO
  "DINHEIRO VIVO"
Wang Jianlin é o novo dono disto tudo
E ainda só está a começar

A fortuna de Jianlin está avaliada em 29 mil milhões de euros, o que faz dele o homem mais rico da China e o 18.º da lista de milionários da Forbes.

O seu nome começou a ser falado quando, em 2013, desembolsou mais de dois mil milhões de euros para comprar a segunda maior cadeia de salas de cinema nos EUA. A partir daí, Wang Jianlin passou a ser notícia constante nas primeiras páginas dos jornais: do desporto ao cinema, o homem mais rico da China já gastou milhares de milhões de dólares para fazer crescer o império. E não vai ficar por aqui. O próximo alvo? A Paramount Pictures. 
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Nascido em 1954, o mais velho de cinco irmãos, Wang Jianlin é filho de um militar considerado um herói do Exército Vermelho. Desde os 15 anos, e durante 16, Jianlin seguiu as pisadas do pai e serviu o exército, até ser dispensado, na década de 1980. Foi nessa altura que se tornou deputado pelo Partido Comunista da China, na cidade de Dalian, no norte do país, até decidir que fazer parte do governo também não era o que queria para si.

Aceitou então um emprego como promotor imobiliário e rapidamente chegou a gerente da empresa, fazendo fortuna a aproveitar a crise financeira para comprar propriedades a preços baixos, renová-las e vendê-las a preços superiores. Desde 1989 que é o chairman do Dalian Wanda Group, um conglomerado multinacional que atua em setores que vão desde o imobiliário ao entretenimento. 

Hoje faz parte de uma lista restrita de 62 pessoas que detêm a mesma riqueza que metade da população mundial, com uma fortuna estimada em 33 mil milhões de dólares. Ou seja, 29 mil milhões de euros, mais de um terço do resgate da troika a Portugal. 

5 mil milhões só na Europa 
Só na Europa, só nas aquisições mais mediáticas, o magnata chinês já investiu mais de 5 mil milhões de euros. Começou com o Atlético de Madrid, no arranque de 2015. Pagou 45 milhões de euros para ficar com 20% do capital do então campeão espanhol. Passado apenas um mês, adquiriu a Infosport Sports & Media, empresa que gere os direitos de media de eventos desportivos, por 1,05 mil milhões de euros. 
Mais recentemente, a AMC Theatres, detida pelo grupo Wanda, comprou o grupo britânico Odean & UCI Cinemas, presente em Portugal no El Corte Inglés de Lisboa, no Dolce Vita Tejo e no Arrábida 20, por 1,08 mil milhões. O maior investimento que fez até agora na Europa foi o Europacity. Anunciado no final de fevereiro, este mega complexo cultural de turismo e lazer será construído em Paris e vai custar 3 mil milhões de euros – é o maior investimento deste género em França, desde a construção da Eurodisney, em 1992. O complexo começa a ser construído em 2019 e cobre uma área de 760 mil m2 contando com um parque de diversões, palco para espetáculos, hotéis, centro de negócios e de conferências. 
Em carteira, tem ainda aquela que poderá ser a maior revolução no futebol dos últimos tempos. Jianlin está a negociar a criação de um novo campeonato de clubes europeus, para rivalizar com a Liga dos Campeões. A ideia é que o torneio conte com, pelo menos, 40 equipas, a maioria das principais ligas (Inglaterra, Alemanha, França, Espanha e Itália). O brinde? Garante ganhos financeiros superiores aos que a UEFA paga atualmente. 

Paramount é o novo alvo 
 Jianlin não se fica pela Europa. Nos EUA, além da AMC Entertainment Holdings, também já comprou o estúdio Legendary Entertainment, que está por trás de êxitos como Parque Jurássico, por 3,1 mil milhões de euros. E na China, o grupo inaugurou no mês passado o Wanda City, um parque temático na cidade de Nanchang, no sul do país, num investimento de 2,6 mil milhões de euros. Quer concorrer com o parque da Eurodisney em Xangai. 
 E não vai ficar por aqui. O próximo alvo é a Paramount Pictures, um dos maiores estúdios de Hollywood. O grupo Wanda está a negociar a compra de 49% da produtora de filmes como Titanic ou Forrest Gump numa operação que avalia a Paramount entre 7 e 9 mil milhões de euros. Jianlin irá pagar do seu bolso entre 3,5 e 4,9 mil milhões. 

* Um comunista exemplar, na melhor tradição do pragmatismo chinês.

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FILOSOFIA












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ESTA SEMANA NA 
  "DELAS"

Conselhos para os portugueses
 na Turquia

Viveu-se uma noite de caos em Istambul, na Turquia, na sexta-feira à noite. 

Uma tentativa de golpe de Estado levou a população à rua e o resultado foi dramático: 100 militares e 47 civis morreram e 1154 pessoas ficaram feridas. Atualmente estão cerca de 350 portugueses no país, entre os quais 270 que se encontram na capital onde tudo aconteceu, segundo a Secretaria de Estado das Comunidades.
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Preocupado com a situação, o Governo português já reagiu e aconselhou todos os portugueses que estão no país, a viver ou apenas de passagem, a manterem-se nas suas residências ou hotéis.
 
Recep Tayyip Erdogan, Presidente da Turquia, estava de férias em Marmaris, no sul do país, quando tudo aconteceu. A tentativa de golpe de Estado organizada por militares turcos obrigou-o a regressar ao país esta madrugada. À chegada foi saudado por centenas de pessoas e já reagiu ao ataque, afirmando que “a traição não será perdoada”.

O Presidente turco acusou o clérigo Fetulá Gulen, que vive nos EUA, de estar por trás da organização da tentativa de golpe de Estado, mas Gulen e o Hizmet – movimento que o apoia – não só negaram a envolvência no ataque como o condenaram.

“Tendo sido alvo de múltiplos golpes de estado militares ao longo de cinco décadas é especialmente insultuoso ser acusado de estar ligado a esta intentona. Nego categoricamente estas acusações”, garantiu Gulen em comunicado.

Ao todo foram detidos 1563 militares por estarem ligados à tentativa de golpe de Estado  

Viveu-se uma noite de caos em Istambul, na Turquia, na sexta-feira à noite. Uma tentativa de golpe de Estado levou a população à rua e o resultado foi dramático: 100 militares e 47 civis morreram e 1154 pessoas ficaram feridas. Atualmente estão cerca de 350 portugueses no país, entre os quais 270 que se encontram na capital onde tudo aconteceu, segundo a Secretaria de Estado das Comunidades.

Preocupado com a situação, o Governo português já reagiu e aconselhou todos os portugueses que estão no país, a viver ou apenas de passagem, a manterem-se nas suas residências ou hotéis.

* Somos contra golpes de estado da mesma maneira que somos contra o racista Erdogan.

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POSAR NÚ
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