segunda-feira, 13 de junho de 2016

UMA GRAÇA PARA O FIM DO DIA

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2-O caminho de ferro

impossível

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* Um documentário da RTP2

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1-BARBA AZUL

POR PINA BAUSCH

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BALLET MODERNO NUMA DAS SUAS MAIS BELAS EXPRESSÕES

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HOJE NO
  "i"

Microsoft compra LinkedIn 
por 26,2 mil milhões de dólares

Rede social continuará a ser uma empresa autónoma, com a mesma marca e o mesmo CEO.

A Microsoft  comprou o LinkedIn por 26,2 mil milhões de doláres, mas a rede social continuará a ser uma empresa autónoma, com a mesma marca e o mesmo CEO.
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De acordo com o comunicado divulgado esta segunda-feira pelo gigante norte-americano, as duas empresas chegaram “a um acordo definitivo” para a compra do LinkedIn por 196 dólares por ação num negócio avaliado em 26,2 mil milhões de dólares.

“A equipa do LinkedIn construiu um negócio fantástico centrado na ligação dos profissionais a nível mundial. Juntos vamos acelerar o seu crescimento”, afirmou o presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella.

Jeff Weiner, CEO da rede social, salientou, por seu lado, que a ligação com a Microsoft irá permitir “mudar a forma como o mundo trabalha”. “Nos últimos 13 anos, temos tido uma posição única na ligação entre profissionais para os tornar mais produtivos e mais bem sucedidos e estou ansioso para liderar a nossa equipa no próximo capítulo da nossa história”, acrescentou.


* Mega negócios não são o nosso forte, produzem megas assimetrias sociais.


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MINUTOS DE

CIÊNCIA/105


5-TRUQUE


RAIZ DIGITAL
E PROVA DOS NOVE

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FONTE: MATEMÁTICA RIO

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HOJE NO 
"A BOLA"
Liga
União pede à FPF para 
não homologar a classificação

A União terá entrado em contato com o Conselho de Disciplina da Federação portuguesa de futebol para que não seja homologado a classificação final da Liga, segundo revela a RTP Madeira.

Esta situação estará relacionada com a inscrição em janeiro e utilização irregular de seis jogadores por parte do Vitória de Setúbal, isto quando estava impedido de inscrever jogadores.

* Mais um imbróglio do futebol português.

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IV-TERRA SÚOR

E TRABALHO

3-LEITE

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* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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HOJE NO 
"DIÁRIO DE NOTÍCIAS
DA MADEIRA" 
Gestos pouco higiénicos do seleccionador da Alemanha captados em vídeo 

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Joachim Löw foi apanhado a fazer isto que o vídeo demonstra, ontem, durante o jogo contra a Ucrânia, que os alemães acabaram por vencer por 2-0

* O homem estava só a testar um desodorizante testicular.

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PAULO PINTO

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 Putas e santinhos

A história foi-me contada por um velho amigo, há já algum tempo. Um certo senhor chinês emitiu, em contexto social (melhor dizendo, institucional), a sua opinião acerca de Portugal e as diferenças com o seu país natal; mais especificamente, o facto de os portugueses gostarem muito de santinhos. Afirmou, portanto, que “em Portugal, muitos santos, santos, muitos. Na China, não há santos. Na China, só putas”. Perante o súbito silêncio de quem o ouvia, e percebendo que havia ali um mal-entendido, achou por bem repetir que “na China não há santos, só putas”. E como a cara de espanto dos convivas se acentuava, desenvolveu: “Putas, putas, muitas putas. Na China, só putas, não santos”. E fechou os olhos em pose estática, para se fazer compreender melhor. Embaraço geral. Subitamente, alguém mais sensível às diferenças fonéticas entre as línguas percebeu que o senhor queria dizer “budas”. Sim, na China há muitos budas, só budas, não há santos, é um facto.

Isto ocorreu há uns anos. Se fosse hoje, se fosse no domingo passado, o senhor chinês teria provavelmente menos dificuldade em fazer-se entender, porque talvez alguém que o estivesse a ouvir achasse que Portugal também está cheio disso. Até um primeiro-ministro assim, imaginem. Nem buda, nem santo, porém: puta mesmo. Foi isso que os amarelinhos dos colégios, como se viu por alguns dos cartazes que empunharam, queriam chamar a António Costa, mas não o fizeram porque é uma palavra feia e aquela gente, ninguém duvida, é muito respeitadora; sobretudo dos seus privilégios, do sagrado direito à “liberdade de escolha” e de colocarem os filhos em colégios particulares à conta do erário público, mas acredito que também da autoridade e dos preceitos da Santa Madre Igreja, sim, respeitadores de tudo isso. Obviamente, também de linguagem adequada. Nada de asneirices. “Fulano, és uma puta” sairia da boca de um qualquer esquerdalho ou comuna, nunca de gente bem educada como esta. Na verdade, seria uma falácia (“Passos – ou Portas –, és um cabrão” seria bem mais verosímil, como há anos gritavam os estudantes espanhóis, “Maravall, cabrón, viene al balcón!”), mas isso não importa agora.

N’a Crónica dos Bons Malandros do Mário Zambujal há uma passagem interessante que demonstra este respeitinho com a linguagem, quando o subchefe da polícia pergunta às mulheres a profissão e elas dizem “putas, senhor subchefe”, e ele responde “então isso diz-se assim? Meretrizes, queria a senhora dizer”. Ora nem mais. E mais adiante, “ando há 26 anos nesta vida e ainda não houve um filho da puta, perdão senhor subchefe, de meretriz, que se ficasse a rir da Lina Despachada”.

Pois bem, quem diz “meretriz” diz “rameira”. “Puta” não, embora as haja de todas as cores e feitios, em Portugal e no mundo, como cantam os Ena Pá 2000. As do interior chupam no prior, as do litoral chupam no industrial, etc. Ora, segundo a amarelagem, Costa é isso mesmo, uma rameira, porque não querem dizer puta. Se algum deles fosse à China, talvez contasse aos seus anfitriões que “em Portugal, não há putas, só rameiras. Rameiras, muitas rameiras”. E, se calhar, acrescentaria um caso concreto e politicamente relevante. Esclareça-se que Costa não é uma rameira qualquer. Primeiro, porque é um homem e a palavra não tem masculino. Chamá-lo de “rameiro” confundiria muitos icterícios presentes com a peça de Almeida Garrett, coisa inconveniente, sobretudo para quem não prima pelo rigor no português e escreve cartazes a dizer que tem os filhos “destabilizados”. Segundo, porque é uma rameira (ou meretriz, ou puta mesmo) especial, como diziam os cartazes: “Costa – rameira da esquerda”. Portanto, não de esquerda, mas a rameira da esquerda. Ou seja, alguém de quem a esquerda usa e abusa (e esperemos que pague convenientemente) de forma exclusiva.

Isto é estranho para quem é chefe de um governo, secretário-geral do respetivo partido e líder do primeiro acordo político à esquerda. Ora, chamá-lo de rameira da esquerda não faz sentido. Fá-lo-ia se vendesse os seus serviços a alguma coisa que não liderasse, a algo que fosse estranho aos interesses que está obrigado a defender ou incompatível com a função que desempenha. Por exemplo, à direita. Se os esquerdalhos tivessem, em tempos, escrito “Passos, puta da Alemanha” ou “Portas, puta da Troika” faria obviamente – estou a falar em teoria, claro – mais sentido. Assim, não. Talvez concubina – mantendo o género feminino, que é sempre o primeiro passo a dar quando se quer menorizar e humilhar alguém – fosse mais correto. “Costa, concubina da esquerda”, melhor, hein? Costa deita-se com a esquerda, Costa dorme com a esquerda, Costa fode com a esquerda. Já “Costa, esposa da esquerda” não, que horror, isso seria um intolerável paralelo com um sacramento, um elogio e não um insulto. Mas não foi isso. “Rameira” (ou meretriz, ou puta mesmo) foi o que saiu. Na verdade, o que o Homo amarelicus queria dizer é que Costa se vendeu à esquerda. Ironia interessante, porque o que está em causa é mesmo dinheiro, muito, o dos contribuintes, o que financia os ditos colégios. Costa vende-se à esquerda porque a esquerda compra e vende tudo (grande jeito para o negócio tem esta abrilada), sobretudo o país. Costa é a rameira, a grande rameira (nem sei como ninguém o chamou de Babilónia, que aquilo é decerto gente versada em cultura bíblica) e, pelo que deduzo, Jerónimo e Catarina são os chulos, os mestres do proxenetismo lusitano. A geringonça é, portanto, um infecto bar de alterne. “Em Portugal, não há santos à esquerda, só putas, muitas putas” seria a versão mais correta. À esquerda, esse saco sem fundo onde cabem as maiores malfeitorias que alguma vez se fizeram à nação.

Não sei se ocorre algum alinhamento astral por esta altura. Mas no firmamento nacional, garanto que sim. Eis a declaração política do ano, proferida há meses por Arnaldo Matos, esse grande líder das massas – no pun intended –, na Luta Popular, órgão do MRPP: a de que “isto” [a geringonça] “não é política de esquerda, isto é tudo um putedo! E é contra este putedo todo que se têm de erguer o povo trabalhador, a classe dos operários e os verdadeiros comunistas”. Agora podemos acrescentar “e os colégios privados”. Como é bom entender a harmonia do Universo, não é mesmo?

IN "GERINGONÇA"
08/06/16

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899.UNIÃO


EUROPEIA



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HOJE NO 
"DIÁRIO ECONÓMICO" 
Fundo da Noruega 
prepara planos de contingência

O Fundo Petrolífero da Noruega, o maior fundo soberano do mundo, com 850 mil milhões de dólares, está a elaborar planos de contingência para se proteger de eventos políticos extremos, servindo de exemplo para Angola e Moçambique.

O departamento de gestão do banco central da Noruega, que gere o maior fundo soberano do mundo, explicou ao "Financial Times" que o fundo petrolífero "desenhou vários planos de contingência para cenários que podem representar uma ameaça para os activos do fundo".

Embora escusando-se a elaborar sobre estes planos, o FT afirma que este fundo está a prestar assistência a outros fundos petrolíferos a nível mundial sobre como proteger os activos, principalmente em caso de eventos políticos extremos como invasões ou golpes militares.
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Angola constituiu em 2012 um Fundo Soberano, dotando-o de 5 mil milhões de dólares, e Moçambique já afirmou estar a preparar a criação de um instrumento financeiro semelhante para quando as receitas da exploração e exportação do gás natural líquido começarem a entrar nos cofres do Estado, provavelmente no início da próxima década.

A Líbia, um país em profunda crise política e militar há cinco anos, está a servir de alerta para os gestores do fundo, porque há duas facções rivais que reclamam o controlo do Fundo que tem 66 mil milhões de dólares em activos.

Países africanos como Angola e o Zimbabué, que já detêm estes fundos, ou outros como Moçambique ou a Tanzânia, enfrentam grandes desafios políticos, comentou uma investigadora do departamento de políticas públicas na Universidade de Oxford.

"Preparar-se para um golpe de Estados e potencialmente perder a capacidade de gerir os ativos é verdadeiramente importante por causa do que se passou na Líbia nos últimos cinco anos", disse ao FT Angela Cummine, reconhecendo que "há uma boa razão para os fundos soberanos instalarem os activos fora do seu país de origem" e que "existe uma ótima relação de trabalho destes fundos com as capitais financeiras como Nova Iorque, Londres ou a Suíça".

Destacando particularmente os fundos soberanos africanos como os mais problemáticos, Cummine exemplificou com o Zimbabué e Angola e lembrou que Moçambique e Tanzânia também já afirmaram querer estabelecer um instrumento financeiro semelhante para gerir a riqueza que virá da exploração dos recursos naturais.

Na edição de 3 de Junho, o semanário económico angolano "Expansão" deu conta de que o Fundo Soberano de Angola tinha perdido 5% do valor injectado no primeiro semestre de 2015, tendo agora 4.829 milhões de dólares sob gestão de José Filomeno dos Santos, nomeado pelo Presidente da República, seu pai, para gerir o Fundo.

"O Fundo que gere o dinheiro do petróleo teve prejuízos de 15 milhões de dólares", diz o Expansão, concluindo que "o problema é que os ganhos das aplicações financeiras não têm chegado sequer para cobrir os custos de estrutura".

O Fundo Soberano de Angola foi criado com o objectivo de investir domesticamente e no exterior do país os recursos gerados pelas exportações de petróleo, infraestruturas e outros projectos tendentes a diversificar a economia angolana, fortemente dependente dos hidrocarbonetos.

Em meados de Abril último, vários órgãos de comunicação social noticiaram que Angola, através do Fundo, surgiu na investigação internacional aos paraísos fiscais, conhecida por "Papéis do Panamá", factos negados pela própria direção do fundo a 22 do mesmo mês.

Em comunicado, o Fundo disse ser "vítima de alegações infundadas", garantindo que a legalidade das suas actividades vai ser "recomprovada" na próxima publicação do relatório de contas anual, "prática regulamentar observada" desde sempre.

* Cautela e caldos de galinha põem fundo na linha.

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6-OS PRISIONEIROS
 DA MAGREZA


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ÚLTIMO EPISÓDIO

ANOREXIA E BULIMIA EM DESTAQUE

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* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.
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4-SICKO

SOS SAÚDE

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O drama da assistência social nos E.U.A.

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HOJE NO 
"CORREIO DA MANHÃ"

Mais de 20 mil pessoas obtiveram nacionalidade portuguesa em 2014 

Em 2014, 21.124 pessoas adquiriram nacionalidade portuguesa, 95% das quais eram oriundas de países fora da União Europeia (UE), segundo dados esta segunda-feira divulgados pelo Eurostat. 


Portugal é um dos 15 Estados-membros onde pelo menos nove pessoas em cada dez das que obtiveram cidadania eram oriundas de países externos à UE, numa lista dominada pela Estónia (100%), Bulgária (99%), Espanha, Lituânia e Roménia (98% cada), Grécia e Letónia (97% cada), Dinamarca, Portugal e Eslovénia (95% cada), Polónia (94%), Itália (93%), Reino Unido (92%), Croácia (91% e França (90%). 

No extremo oposto encontra-se o Luxemburgo (82%) e a Hungria (77%), onde a maioria das concessões de nacionalidade foram para cidadãos de outro Estado-membro e, no primeiro caso, 37,8% eram portugueses. 

Depois dos portugueses, a segunda maior percentagem de cidadãos europeus a receberem nacionalidade luxemburguesa foram italianos (12,9%), seguindo-se franceses (9,6%). Dos estrangeiros que adquiriam nacionalidade portuguesa em 2014, 22% eram brasileiros, 15,7% ucranianos e 15,1% cabo-verdianos. 

Na média da UE, o maior número de nacionalidades foi concedida a cidadãos marroquino, num total de 92.700 pessoas, 88% das quais se nacionalizaram espanholas, italianas ou francesas, seguindo-se albaneses (41.000 pessoas), turcos (37.500), indianos (35.300) e equatorianos (34.800 pessoas).

* Sejam bem vindos quem vier por bem.

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Amália Rodrigues

Lá Vai Lisboa

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HOJE NO 
  "OBSERVADOR"

Pai de atirador de Orlando diz que
. “compete a Deus punir os homossexuais”

O pai do atirador que matou 49 pessoas numa discoteca em Orlando, nos Estados Unidos, transmitiu tristeza pela decisão do filho de efetuar o ataque, dizendo que "compete a Deus punir os homossexuais". 
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ASSASSINO
O pai do atirador que matou 49 pessoas numa discoteca em Orlando, nos Estados Unidos (EUA), transmitiu tristeza pela decisão do filho de efetuar o ataque, dizendo que “compete a Deus punir os homossexuais”. Num vídeo divulgado na rede social Facebook, Seddique Mateen refere estar triste pelo massacre que provocou 49 mortos numa discoteca principalmente destinada a homossexuais, e descreveu Omar Mateen como um “filho bom e educado”.

“Estou profundamente triste e transmiti isso ao povo da América”, declarou no vídeo de cerca de três minutos, em dari, o principal idioma falado no Afeganistão, mostrando-se incrédulo que o filho tenha efetuado o tiroteio durante o mês santo do ramadão. “Compete a Deus punir os homossexuais. Não aos servos”, defendeu o afegão que habita nos EUA, sentado em frente de uma bandeira do seu país natal.

Seddique Mateen é uma celebridade nos círculos políticos afegãos, através de um programa de televisão em que expressa opiniões, apresentando-se, por vezes, com vestuário militar. Num dos seus vídeos, sentado como estadista, em frente a uma bandeira, louva os talibãs como os seus “irmãos guerreiros”.

As autoridades afegãs optam por algum distanciamento da família Mateen, dizendo não saber quando o pai deixou o país de origem. “O que podemos dizer é que ele é um cidadão norte-americano de origem afegã. Vive nos EUA há décadas e é tudo o que sabemos pelos media”, disse à AFP uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que pediu anonimato.

* Esta interpretação homofóbica de muitas religiões potenciam crimes horrendos como o de Orlando.

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Conors Cummin

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Isle of Man TT 2016 classificações - Honda Superbike!

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HOJE NO 
"DIÁRIO DE NOTÍCIAS" 

O petróleo do mar do Norte:
 a desativação de 38 mil milhões de euros

Pela primeira vez, a indústria britânica de petróleo e gás offshore está a tamponar e abandonar mais poços do que aqueles que explora. A produção caiu já dois terços desde o seu auge de há 16 anos, de cerca de 4,5 milhões de barris de petróleo equivalente por dia

No próximo ano, o Pioneering Spirit ("espírito pioneiro"), um catamarã com o comprimento de cinco aviões Jumbo, vai aproximar-se da plataforma de petróleo Brent Delta da Royal Dutch Shell no mar do Norte, 115 milhas a nordeste das ilhas Shetland.

Os cascos do catamarã irão manobrar de ambos os lados das pernas da plataforma e ele ficará preso a esta com 16 vigas especialmente reforçadas. Então, num único movimento, irá arrancar as 24 000 toneladas da "parte de cima" da plataforma - bloco de alojamento, heliporto, torre de perfuração e tudo o resto - das suas pernas, antes de a levar de volta à costa para ser desmantelada.

Ao fazê-lo, o navio irá levar a cabo o levantamento mais pesado já alguma vez tentado no mar do Norte. Mais importante, será também o início daquilo que se espera vir a ser uma onda de desmantelamento por todo o mar do Norte, com as empresas de petróleo, que se debatem com preços baixos, a encerrar a produção e a desistir de uma das indústrias mais bem-sucedidas dos últimos 50 anos no Reino Unido.

A partir de agora e até meados da década de 2050, cerca de 470 plataformas, 5000 poços, 10 000 km de oleodutos e 40 000 blocos de betão terão de ser removidos do mar do Norte.

A desativação ocorre regularmente noutras bacias maduras, como o golfo do México, mas nunca na indústria do petróleo terá acontecido uma tão grande limpeza em tão pouco tempo.

As pessoas que passaram toda a vida nesta indústria estão a passar por aquilo a que alguns chamam "processo de luto".

Mal Hunter, que trabalha na plataforma Kittiwake, a leste de Aberdeen, diz: "Ouvimos falar do encerramento de plataformas, para nunca mais voltarem a produzir e as pessoas ficam desanimadas. Mas o desmantelamento proporciona a continuação do emprego, assim aqueles que permanecem no trabalho estão bastantes felizes."
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Muitos no Norte da Escócia esperam que o desmantelamento possa representar uma tábua de salvação para a economia local, que tem sido atingida pelo colapso dos preços do petróleo desde meados de 2014. Pode até transformar a área num centro de excelência de onde o conhecimento e a tecnologia possam ser exportados para todo o mundo, dizem os apoiantes. Mas, se correr mal, os custos vão aumentar, peças vitais de infraestrutura podem ser abandonadas com o petróleo deixado no fundo do mar, e os contribuintes do Reino Unido poderão ser responsáveis por dezenas de milhares de milhões de libras.

"O desmantelamento é uma pílula agridoce", diz Matt Betts, vice--presidente da Halliburton no Reino Unido, a maior empresa de serviços de petróleo do mundo. "Ninguém quer ter de fechar as plataformas, mas é inevitável que isso vá acontecer."

Pela primeira vez, a indústria britânica de petróleo e gás offshore está a tamponar e abandonar mais poços do que aqueles que explora. A produção, que caiu dois terços desde o seu auge de há 16 anos, de 4,5 milhões de barris de óleo equivalente por dia, vai parar em mais campos do que aqueles que estão a começar.

"O desmantelamento já aconteceu antes", acrescenta o Sr. Betts. "Mas nunca vimos nada na escala do que está prestes a acontecer no mar do Norte."

A indústria sempre soube que teria de encerrar plataformas envelhecidas, mas o processo foi acelerado pelo preço do petróleo, que caiu de 115 dólares no verão de 2014 para cerca de 50 dólares. Isto deixou metade dos operadores no mar do Norte - o lugar mais caro do mundo para a prospeção de petróleo - a operar com prejuízo, de acordo com dados da Company Watch, que monitoriza o risco financeiro das empresas.

Estas empresas enfrentam uma decisão difícil: deverão continuar a produzir petróleo e gás com prejuízo, na esperança de recuperar o dinheiro se e quando o preço subir, ou desistir totalmente, incorrendo em milhões de libras de custos de desmantelamento no processo? É proibitivamente caro voltar e recomeçar a perfurar depois de um poço ter sido abandonado, portanto qualquer decisão de saída é definitiva.

Quando uma empresa decide abandonar uma instalação, o trabalho duro começa. Primeiro, é necessário tornar o reservatório seguro, um processo que envolve a remoção de toneladas de aço do poço e a selagem deste, para garantir que não há fugas de petróleo ou de gás. Só então a empresa pode pensar sobre como remover as estruturas que ficam acima do poço, o processo que a Shell está prestes a levar a cabo na Brent Delta.

As empresas calculam que tapar e abandonar um poço complexo do mar do Norte vá custar uma média de 13 milhões de euros. A remoção das estruturas físicas pode ser muito mais cara. Na Brent Delta vai custar vários milhares de milhões de euros, de acordo com a Shell, e levar vários anos a centenas de trabalhadores para ser concluída.

Oil and Gas UK, o organismo da indústria, calcula que remover cerca de 80 plataformas e as infraestruturas associadas vá custar cerca de 22 mil milhões de euros ao longo dos próximos dez anos. O custo estimado para concluir todo o trabalho até 2050 varia entre 38 mil milhões e 76 mil milhões de euros, um número que tem vindo a aumentar conforme a dimensão da tarefa se tornou evidente.

"Continuamos a dizer que os gastos do desmantelamento vão ser cada vez mais altos", disse recentemente Davi Quintiere, um gestor de topo da consultora Accenture, numa conferência em Aberdeen. "As nossas previsões são terríveis e vão continuar a ser."

Parte do problema é que são poucas as empresas que o têm tentado, especialmente em condições como as do mar do Norte, onde as ondas podem alcançar os 40 metros de altura. "É difícil desmantelar uma plataforma", diz Betts. "É muito difícil fazê-lo em águas tão profundas e agitadas como as do mar do Norte."

A Shell devia remover a parte de cima da Brent Delta - que se eleva 160 metros acima do nível do mar - neste ano. Mas as dificuldades na construção das vigas reforçadas originaram um atraso, mostrando que a indústria do desmantelamento permanece na infância.

Outro travão no processo é o facto de as empresas não obterem nenhum retorno financeiro do desmantelamento de uma plataforma e muitas estarem hesitantes em tomar a decisão. Os operadores são obrigados por lei a desmantelar plataformas em determinado momento, mas, com a queda do preço do petróleo a exercer pressão nos balanços, muitos estão a adiar por tanto tempo quanto possível.

"O problema é que muitas empresas estão a tentar desmantelar usando a mesma tecnologia cara que usaram para perfurar os poços em primeiro lugar", diz Duncan Anderson, presidente executivo da Gulf Marine Services, uma empresa de serviços de petróleo.

Os operadores estão a estudar formas de reduzir os custos. Alguns estão a investigar maneiras de derreter o aço no poço, em vez de o remover. Outros estão a projetar lasers que possam ser controlados remotamente e cortar o metal.

Alguns estão a trabalhar em câmaras que possam ser descidas pelos oleodutos para verificar a integridade de poços fechados. Veolia, a empresa francesa de gestão de resíduos, que espera ganhar cerca de 150 milhões de euros nos trabalhos de desmantelamento do mar do Norte até 2018, comprou recentemente uma empresa que fabrica robôs de controlo remoto que conseguem desapertar pequenos pedaços de metal a uma distância segura.

"Não há nenhuma razão para que não possamos usar essa tecnologia offshore", diz Pat Gilroy, diretor de operações da Veolia para os clientes industriais.
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A esperança da indústria é que a experiência adquirida no mar do Norte seja exportável para outras partes do mundo, da Noruega à África ou à Ásia. Em muitos desses lugares o petróleo ainda é comercialmente extraível mas é expectável que o desmantelamento acelere à medida que os países avancem para indústrias renováveis.

Mark McAllister, presidente da Decommissioning Company, uma empresa de consultoria, diz: "Até à data, a atividade de desmantelamento noutras partes do mundo [especialmente no golfo do México] tem sido de plataformas muito pequenas. Houve pouca ou nenhuma atividade em qualquer outro lugar que seja semelhante às grandes plataformas do Reino Unido e da Noruega."

O governo do Reino Unido está empenhado em aproveitar a oportunidade e prometeu 318 milhões de euros para Aberdeen, em parte para expandir o seu porto e prepará-lo para o trabalho de desmantelamento, que também será feito por outras vilas e cidades na costa leste do Reino Unido.
No entanto, na indústria há quem tema que esta inovação tecnológica corra o risco de repetir os erros cometidos durante os anos de expansão, quando a especialização crescente tornou os custos no mar do Norte mais elevados do que em qualquer outro lugar do mundo.

"Existe o perigo de que se tente fazer coisas muito, muito extravagantes que não tragam qualquer valor acrescentado", diz McGregor. "Precisamos de pensar nisto não como um grande projeto de construção, mas como uma demolição."

Os custos crescentes não são apenas um problema para a indústria. Segundo as regras do Reino Unido, o contribuinte irá pagar metade da conta total do desmantelamento através de bonificações fiscais, o que está a deixar os ministros ansiosos em relação aos custos que acabarão por ser convidados a cobrir.

Se atingir o topo da atual escala de estimativas, o desmantelamento pode acabar por custar 1270 euros a cada contribuinte britânico, ao longo das próximas décadas - tanto quanto o controverso plano para renovar a frota de submarinos nucleares Trident da Grã-Bretanha.

"A pergunta mais frequente que recebo do Ministério das Finanças é sobre quanto isto vai custar", diz Jim Christie, chefe do desmantelamento da Autoridade do Petróleo e do Gás. "A variação é enorme e parece mudar todos os dias. Eu recuso-me a concretizar o valor que vamos despender no desmantelamento."

No golfo do México, onde o desmantelamento tem vindo a ocorrer, embora a um ritmo muito mais lento do que o esperado para o mar do Norte, os operadores executam um programa de "plataformas para os recifes". Isso significa que eles podem deixar grande parte das plataformas no fundo do mar para se tornarem habitats para a vida marinha, um método que está tecnicamente excluído sob as regras internacionais que cobrem o Atlântico Norte.

Mas é possível garantir uma isenção dessas regras, como é provável que a Shell faça com o sistema Brent. Fontes próximas da empresa dizem que esta se candidatará a deixar para trás três estruturas submarinas de betão, cada uma delas do tamanho do Empire State Building.

Os especialistas em desmantelamento estão a encorajar mais empresas a candidatarem-se a essas isenções, e a instar os reguladores e os governos a serem flexíveis na concessão. Eles argumentam que, sem essa medida, é provável que os custos de desmantelamento vão aumentar.

Se for tentada em larga escala é provável que a medida vá incorrer na ira dos ambientalistas, que temem que as empresas estejam a tentar fugir às suas responsabilidades. A plataforma Brent C da Shell, que pesa 36 000 toneladas, excluindo a sua cobertura de betão submersa, é apenas a quarta mais pesada na zona e Wood Mackenzie presume que os produtores vão solicitar e receber isenções para várias outras grandes plataformas.

Doug Parr, cientista-chefe da Greenpeace, a associação ambientalista, diz que, apesar de isenções às regras internacionais serem por vezes justificadas, não deve haver nenhuma autorização generalizada para as empresas deixarem estruturas no mar. "Toda a gente tem de se livrar dos seus resíduos, por que motivo os gigantes do petróleo do mar do Norte haveriam de ser diferentes? A perceção deve ser a de que os equipamentos abandonados devem ser trazidos para terra, da mesma forma que seria de esperar que qualquer indústria do mundo não deixasse os seus resíduos por limpar", diz ele.

Existe a preocupação na indústria sobre o que vai acontecer com as peças comuns de equipamentos - dos oleodutos aos terminais de gás -, caso saia uma ou mais das empresas que as financiaram conjuntamente.

"Se isso não for planeado de forma adequada, pode haver um efeito dominó, onde de repente nos vejamos a braços com redes inteiras a terem de encerrar imediatamente", adverte o Sr. McGregor. Por agora, muitas das maiores operadoras esperam que os aumentos do preço do petróleo lhes vá permitir adiar a caríssima tarefa de ter de encerrar as suas plataformas e os seus oleodutos. Quando se calcula que dois terços dos hidrocarbonetos disponíveis sob o mar do Norte já tenham sido extraídos, isso limita-se a ser uma suspensão da execução.

"Isto é algo sobre o que nem a indústria nem o governo estão ainda totalmente concentrados", diz Brian Twomey, diretor-geral da Reverse Engineering Services, especialista em desmantelamentos. "A indústria tem subestimado grosseiramente o verdadeiro custo do desmantelamento e os contribuintes vão ter de pagar."

* Tudo previsível, quando a ganância abunda a míngua fica à espreita.

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 ANTONICES










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