domingo, 5 de junho de 2016

UMA GRAÇA PARA O FIM DO DIA

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3-O OUTRO LADO


DA PASSERELLE

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* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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6-INCONVENIÊNCIAS
 

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11-FAZER MAGIA
A MÁGICA DAS DEZ CARTAS
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FONTE: ComoFaz


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5-INCONVENIÊNCIAS
 


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XIX

ERA UMA VEZ O HOMEM


3- PEDRO, O GRANDE

DA RÚSSIA

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* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.


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4-INCONVENIÊNCIAS
 

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Uri Hasson

Como o cérebro comunica



O neurocientista Uri Hasson pesquisa a base da comunicação humana, e experimencias no seu laboratório revelaram que, mesmo quando se trata de línguas diferentes, o nosso cérebro mostra atividade semelhante, ou se torna "alinhado", quando ouvimos a mesma ideia ou história. 
Esse mecanismo neural incrível nos permite transmitir padrões cerebrais, compartilhando assim memórias e conhecimentos. "Conseguimos nos comunicar porque temos um código em comum que apresenta significado", diz Hasson.

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3-INCONVENIÊNCIAS
 


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VITOR NORINHA

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No país, 
é tudo uma falácia

Os números do crescimento do PIB dados pelo FMI e OCDE desta semana revelam que a economia não está a correr nada bem, conclui o diretor do OJE, Vítor Norinha.

É tudo uma falácia mas ninguém se importa. Num país onde o partido que Governa, o PS, estará provavelmente mais à esquerda que o seu eleitorado, ou o maior partido da oposição, o PSD estará, como neoliberal, mais à direita do que aquilo que é a militância de base de cariz social-democrata, vale tudo.

Mas, tal como alguns detergentes (e passe a publicidade) diziam que não enganavam, os números também não enganam e, efetivamente, as projeções – que são projeções e não realidades – não costumam ficar muito longe da verdade. E os números do crescimento do Produto Interno que já tinham sido dados pelo FMI e os da OCDE desta semana contêm uma mensagem clara: a economia não está a correr nada bem.

E a agravar o drama está a falácia em que todos estamos a cair. Assobiamos para o lado e todas as forças tendem a esconder a dura realidade porque – parece – a verdade desanima e, por isso, vão-se mantendo as hostes desinformadas ou erradamente informadas. Duplamente grave é ainda o facto dos partidos mais à esquerda serem os grandes defensores das políticas de António Costa, do PSD ir mitigando a linguagem, e lembremos as declarações do presidente do partido, que diz esperar que este Governo mude a política económica! Com que apoios parlamentares se movimenta, perguntamos nós. Alguém acredita que seja possível mudar. E ainda as mais recentes declarações do PR Marcelo Rebelo de Sousa, que deixou antecipar o próximo orçamento retificativo, como se isso fosse algo banal. Aliás, para quem está um pouco fora da situação, até parece que este Governo tem um score positivo relativamente aos anteriores, porque todos apresentaram retificativos e ainda não o fez e, por isso, ganhou alguns pontos (está na moda o tema dos pontos e das cartas).

Marcelo, aliás, deixou bem claro que faz o discurso para fora do país e o Governo fá-lo para dentro. São dois linguajares do mesmo país e feitos por personalidades com uma matriz ideológica bem diferente mas que, no fundo, estão juntos no percurso.

Entretanto, há mudanças de fundo em termos ideológicos, com as decisões mais mediáticas, mas os temas de fundo para o país vão sendo empurrados. Os estivadores fecharam uma paz podre com os operadores; os contratos de associação esfarraparam a sociedade portuguesa e o setor bancário está um barril de pólvora. Fala-se em duas mil rescisões na Caixa, mais mil no BPI, para além dos mil no Novo Banco. E o investimento na economia está a cair como nunca. Estamos mal.

IN "OJE"
03/06/16

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891.UNIÃO


EUROPEIA



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2-INCONVENIÊNCIAS
 


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David Cameron 
"Saída do Reino Unido da UE
 será um salto para o desconhecido"

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FONTE: EURONEWS

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VII-VISITA GUIADA


MUSEU

SOARES DOS REIS/1

 PORTO

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* Viagem extraordinária pelos tesouros da História de Portugal superiormente apresentados por Paula Moura Pinheiro.
Mais uma notável produção da RTP

* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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1-INCONVENIÊNCIAS
 


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Maria Callas

Casta Diva


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Vincenzo Bellini)

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ESTA SEMANA NO
"EXPRESSO"

A forma como se nasce influencia 
a saúde futura

É no momento do nascimento e na primeira hora de vida que o bebé ganha as primeiras defesas. Ao passar pela vagina, o recém-nascido recebe as bactérias da mãe, que vão ser fundamentais para a composição da flora intestinal. Esta colonização por “bactérias boas”, a primeira de todas, só acontece uma vez. Quando os bebés nascem por cesariana, perdem essa oportunidade. 
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Nos últimos dez anos, a comunidade científica tem estudado a fundo o "microbiota intestinal" e chegou à conclusão que o tipo de parto influencia a saúde futura dos seres humanos. E estabeleceu uma relação entre a forma como se nasce e o risco de as crianças virem a ter problemas, que vão desde dificuldades do sistema respiratório, passando pela obesidade e diabetes tipo 2 e até autismo. 

Conceição Calhau, professora do departamento de Bioquímica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e investigadora do CINTESIS, explica melhor todo este processo.

Em que medida a forma como os bebés nascem vai influenciar a sua vida daí para a frente?
Há dois fatores que podem ser determinantes naquilo que é a saúde do bebé - e depois do adulto que será - no momento do nascimento. A primeira alimentação, ou seja, se vai ou não ter leite materno e também a forma de parto. Temos agora muito mais evidência de que o próprio microbiota, ou seja, as bactérias intestinais, o tipo de bactérias que o bebé tem, também é determinante na saúde. E esse tipo de bactérias que o bebé vai ter no intestino, a colonização, acontece durante o parto. A primeira colonização é logo no momento do nascimento. O que se sabe agora é que esse microbiota também é muito influenciado pelo tipo de parto, ou seja, se tivemos um parto vaginal ou não - isso vai influenciar a qualidade desse microbiota. Já temos aqui dois fatores que são determinantes na saúde futura, que é o ter ou não ter leite materno e a qualidade do microbiota, que é influenciado pelo tipo de parto.

O que é exatamente o microbiota?
Estamos a falar da flora microbiana, intestinal. Este ecossistema, esta quantidade e qualidade de múltiplas bactérias que nós temos, vivem numa família que tem que estar em harmonia. E essa harmonia é muito diferente se tivermos mais de um tipo de bactérias ou menos de outro tipo. Aquilo que já se sabe é que os bebés, principalmente durante o primeiro ano de vida, que tiveram um nascimento vaginal e o sucesso da amamentação — tiveram leite materno durante mais tempo —  têm de facto uma flora intestinal ou um microbiota muito mais rico nas boas bactérias. 
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São floras intestinais muito mais ricas em, por exemplo, bifidobactérias, aquelas bactérias saudáveis. E também se sabe que, por contraste, os que tiveram menos tempo de leite materno, os que tiveram mais precocemente o leite de fórmula ou menos sucesso na amamentação vão ter bactérias menos boas. Ou seja, vão ter outra qualidade de bactérias e isso depois vai ter impacto na saúde.

Que tipo de impacto? 
Esse impacto na saúde foi-se conhecendo sobretudo nos últimos dez anos. A comunidade científica tem dado muito mais relevância à importância do microbiota, principalmente porque, durante muito tempo, pensava-se que uma alteração da flora intestinal poderia significar uma inflamação intestinal, uma diarreia, uma disfunção gastrointestinal. Agora sabe-se que a influência vai muito além disso. Estamos a falar até na relação com a obesidade. O que se admitiu em 2005 foi que os indivíduos que têm obesidade têm bactérias intestinais muito diferentes dos magros. E isso alertou para a importância de estudarmos o microbiota e de tentarmos saber quais são, no fundo, os fatores que influenciam o microbiota do adulto, que já vem com a primeira colonização que se dá no momento do nascimento.

O que acontece num parto normal?
Ao passar pelo canal vaginal, o bebé vai estar logo em contacto com as bactérias da mãe e temos logo uma colonização à custa dessas bactérias. Se não tivermos a passagem pelo canal vaginal, isso será diferente. E depois o tal contributo do leite materno. Passar pelo canal vaginal, estar em contacto com a pele da mãe ao mamar e com o leite materno, tudo isso vai no fundo influenciar a composição do microbiota e depois a saúde do bebé.

E que problemas estão associados a essa questão da flora intestinal, do microbiota?
Atualmente já se dá importância ao microbiota até no autismo e na depressão. Há distúrbios a nível da saúde mental que podem relacionar-se com a saúde do microbiota. Em dez anos, houve muita evolução do conhecimento nessa área. A comunidade científica tem alertado para o primeiro momento do nascimento, do próprio parto. A mera escolha entre um parto vaginal ou um parto por cesariana... Provavelmente, as mães podem não ter consciência do que é que isso depois significa. Pode ser um bebé que depois tem muitas cólicas, pode ser um bebé que vai ter mais diarreias, mas também pode ser um bebé que vai ter muito mais risco de obesidade, de diabetes tipo 2 ou até de algumas perturbações a nível de saúde mental.

E em relação aos problemas respiratórios? Também há uma relação com o parto?
Sobretudo se pensarmos que o tipo de parto pode influenciar o sucesso do aleitamento materno que previne esse tipo de problemas. É um pouco a teoria da higienização. Ou seja, os bebés que têm muito pouco contacto com microrganismos são bebés com maior risco para atopias, para alergias, o que muitas vezes também pode estar associado a maior risco ou maior suscetibilidade de infeções respiratórias. 
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O contacto com o leite materno é completamente crucial. E é curioso como é que no ano passado, no relatório da Direção-Geral da Saúde de 2014, pudemos perceber que em Portugal as mães dão de mamar de forma exclusiva ainda muito poucos meses. O que a Organização Mundial de Saúde preconiza é que nos primeiros seis meses de vida os bebés sejam alimentados exclusivamente com leite materno e o que nós conseguimos perceber é que em Portugal há muito poucas mulheres a dar de mamar exclusivamente até aos quatro meses e ainda muito menos até aos seis meses, fazendo com que a introdução de alimentos sólidos seja feita precocemente. Isso leva-nos a pensar que, provavelmente, isto pode contribuir para o facto de depois nós encontrarmos crianças com excesso de peso e de obesidade até aos dois anos. Já encontramos isso nas nossas crianças. Muito provavelmente, uma coisa pode estar relacionada com a outra. Portanto, acho que tem de se rever a questão dos partos, mas também tudo aquilo que a própria mulher pode ter de facilidades relativamente ao que é o período de cuidar do bebé. E o programar um parto pode acontecer devido à própria pressão do trabalho, porque não é conveniente numa altura e tem de ser conveniente na outra. Isto vale para a amamentação também. Não é muito conveniente que a mulher se ausente do trabalho durante tantos meses, portanto acho que há um conjunto de revisões que devem ser feitas pelo Ministério da Saúde e do Trabalho. Tem de haver alguma reflexão sobre isso.

De que forma o tipo de parto influencia a amamentação?
O tipo de parto acaba por influenciar, ou ser muitas vezes determinante, para o sucesso da amamentação. É importante percebermos que um parto que não é vaginal pode ser a consequência de uma necessidade ou pode ser uma programação. E se pensarmos numa programação — eventualmente o menos biológico, já que é não era o momento ainda do nascimento, mas houve por razões várias uma necessidade de programar —,  muitas vezes pode significar que a mãe não estava ainda preparada para a própria produção do leite e depois há um atraso na subida do leite. Além de que, muitas vezes, o que acontece na cesariana é que o tipo de anestesia ou a quantidade de anestesia que é administrada faz com que o próprio bebé esteja um pouco anestesiado, o que significa que vai estar muito mais adormecido nas primeiras horas após o nascimento, menos reativo, o que significa que vai ter muito menos capacidade de sucção do leite. E, portanto, aquele primeiro contacto com a mãe para amamentar é fundamental e se temos um bebé mais adormecido vai haver essa dificuldade. Há muitas razões que podem explicar que a probabilidade do insucesso do leite materno com um parto não vaginal é muito maior.

Perante a necessidade de uma cesariana, há alguma coisa que possa ser otimizada?
O problema é logo o de base, é o não biológico, o programar. Há hormonas que a mulher tem de sintetizar para depois levar ao parto, para depois levar à subida do leite. Se isso não acontece de forma natural, não podemos estar à espera que, de uma forma natural, a mulher consiga produzir o leite logo no momento em que não era previsto o bebé nascer. E, claro, muitas vezes o que é que acontece? Acontece um outro fenómeno, que é o fenómeno do biberão escondido. Ou seja, uma mulher que está sonolenta, o bebé também está sonolento e aquela não comunicação, o facto de não subir o leite, a primeira refeição que é dada ao bebé é por exemplo leite de fórmula em biberão. E isso às vezes é escondido, muitas vezes as próprias mães não têm a consciência de que os bebés foram alimentados dessa forma logo no primeiro momento. Isso leva depois a perceber que o bebé que pegou na tetina já não é o bebé que vai pegar bem no mamilo. E este pode ser um dos fatores que vai condicionar o sucesso do aleitamento. A amamentação é um processo que tem de acontecer de forma muito natural, muito imediata e respeitando toda a biologia e toda a comunicação entre a mãe e o bebé.

* Devemos aprender com quem verdadeiramente sabe!

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O NOSSO

MARAVILHOSO

PLANETA

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ESTA SEMANA NO
"DINHEIRO VIVO"
Juristas prometem providência 
cautelar para travar nomeação de 
Isabel dos Santos

Grupo de juristas angolanos anunciou que vai avançar com providência cautelar para suspender a nomeação de Isabel dos Santos para Sonangol

Um grupo de 12 juristas angolanos anunciou que vai avançar na próxima quinta-feira com uma providência cautelar para suspender a nomeação da empresária Isabel dos Santos para presidente do conselho de administração da petrolífera estatal Sonangol. A decisão foi tomada hoje, após uma reunião destes juristas, em Luanda, alegando o advogado David Mendes, porta-voz deste grupo, que, ao nomear a filha para aquelas funções, o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, “violou” a Lei da Probidade Pública (sobre o exercício de funções públicas), de 2010, pelo que será feita igualmente uma queixa ao procurador-geral da República.

A providência cautelar será entregue no Tribunal Supremo. “Vai-se entrar com uma providência cautelar para suspensão do ato [de nomeação], para que não produza eficácia, como medida preliminar, nos temos da impugnação dos Atos Administrativos. Ao ter permitido que a sua filha fosse nomeada cometeu uma improbidade pública, ele devia ter-se abstido, como manda a lei”, explicou à Lusa o advogado David Mendes, também dirigente da associação cívica Mãos Livres. 

Após mais de duas horas de reunião, estes juristas nomearam um grupo de trabalho de seis pessoas, com a responsabilidade e elaborar até quarta-feira o texto final da providência cautelar para impugnar o ato administrativo de nomeação de Isabel dos Santos, a dar entrada no dia seguinte. “Ao mesmo tempo, seguindo as regras da impugnação dos Atos Administrativos, vai-se apresentar a competente reclamação ao chefe do Governo, seguidamente, nos termos da Lei da Probidade Pública, uma queixa junto do procurador-geral da República, para abrir investigação”, disse ainda David Mendes. 

O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, nomeou quinta-feira a empresária Isabel dos Santos, filha do chefe de Estado, para as funções de presidente do conselho de administração e administradora não executiva da petrolífera estatal Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), informou à Lusa a Casa Civil da Presidência. “A lei diz que o agente público não deve nomear ou permitir nomeações e contratos quando há intervenção de sua esposa, dos seus familiares em primeiro grau em linha reta e até ao segundo grau da linha colateral. 

A própria lei é que impõe esse impedimento”, observou, por seu turno, David Mendes, aludindo à lei da Probidade Pública, sobre o exercício de funções públicas e para travar o enriquecimento ilícito. Estes juristas pretendem ainda dirigir uma exposição ao Presidente angolano para que este “altere a sua própria decisão”, recordando que após a participação o avanço da investigação à decisão de nomeação ficará nas mãos do procurador-geral da República. “A lei implica até prisão, mas nós estamos apenas a atacar os efeitos da norma. E acima de tudo abrirmos um precedente desta natureza, de impugnar os atos do chefe de Governo. 

As pessoas comentam na rua e falam, mas não há coragem de assumirem e agirem. Independentemente de qual venha a ser a decisão [do tribunal], tem esse aspeto simbólico”, disse o advogado, contestatário do regime de José Eduardo dos Santos. A administração da Sonangol, liderada desde 2012 por Francisco de Lemos José Maria (presidente do conselho de administração) foi igualmente exonerada de funções na quinta-feira, passando a empresa a ser responsável apenas pela “gestão e monitorização dos contratos petrolíferos”. A designação de Isabel dos Santos surge no âmbito da reestruturação da empresa estatal e do setor petrolífero angolano, processo em que já tinha participado, conforme confirmou a 22 de janeiro, em comunicado, o comité que tratou o processo, alegando a sua experiência de 15 anos como empresária.

Para presidente da comissão executiva – novo órgão entretanto criado pelo Governo angolano para a petrolífera estatal -, e administrador executivo, foi nomeado, segundo a mesma informação da Casa Civil da Presidência, Paulino Fernando de Carvalho Gerónimo, que transita do conselho de administração anterior.

* Bem podem os juristas angolano lutar contra a "zeduzita" o paizinho não deixa.

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DEMOCRACIA
EM ANGOLA













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ESTE MÊS
 NA "PCGUIA"

Iniciativa do ISEP vai levar matemática
 às ruas do Porto

A iniciativa Matemática vai à Baixa, organizada pelo Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), em parceria com a Câmara Municipal do Porto, vai testar os conhecimentos matemáticos de mais de 350 alunos do Ensino Básico e Secundário.
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A ideia é que aquela carga negativa da disciplina de Matemática seja amenizada, com os alunos a responder a vários desafios matemáticos do quotidiano, com um circuito pela baixa do Porto.
Os alunos vão passar pela Câmara Municipal do Porto, pela Praça da Liberdade, Praça D. João I, terminando na estação de Metro da Trindade. A Aula está marcada para o dia 8 de Junho, das 14 às 17 horas.

Estão inscritos agrupamentos como o Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano, o Agrupamento de Escolas António Nobre, o Agrupamento de Escolas Garcia de Orta, o Agrupamento de Escolas Leonardo Coimbra e Agrupamento de Escolas Rodrigues de Freitas, que vão levar os seus alunos do 5.º ao 12.º ano de escolaridade.

* É deste tipo de iniciativas que o país precisa.

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ONU
Como posso ser um voluntário online
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FONTE: ONU

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ESTA SEMANA
 NA "SÁBADO"

Colégios acusados de pressionar alunos
. para participar em protestos

Dois colégios privados com contrato de associação estão a ser investigados pela Inspecção-Geral de Educação e da Ciência (IGEC). Os "processos de averiguações" têm origem em queixas de pais que acusam os colégios do filhos de estarem a exercer pressão para que os mesmos participem nas acções de protesto contra o fim dos apoios estatais.

 GENTE MADURA NA MANIFESTAÇÃO, 
NOVA VERSÃO DA MOCIDADE PORTUGUESA, OU MINI "OPUS DEI"?
Algumas denúncias foram tornadas públicas este domingo, 5 de Junho, pelo Diário de Notícias que cita o Jornal de Leiria. De acordo com a publicação, pais de alunos do Colégio Conciliar de Maria Imaculada, temem que os seus filhos estejam a ser vítimas de "instrumentalização", queixam-se também de "manipulação" e "pressão" para que participem na guerra contra os cortes de verbas anunciados pelo governo.

Ao Jornal de Leiria a directora do colégio negou ter conhecimento de consequências negativas da participação dos alunos nos protestos e garantiu que os alunos do pré-escolar e do 1º ciclo não participaram nessas acções por decisão da instituição de ensino.
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AULA DE FOLCLORE AO AR LIVRE!
O Ministério da Educação confirmou ao DN que estava a averiguar duas denúncias por considerar haver matéria de facto para a IGEC investigar, uma delas é respeitante a outra escola que não foi identificada "por razões que se prendem com esta investigação em concreto".

Entretanto, Luís Marinho, representante dos pais no Movimento Defesa da Escola Ponto, negou à TSF qualquer envolvimento do movimento em situações como as denunciadas e assegurou que "nunca ninguém, nem pais, nem alunos, nem docentes, é forçado a participar no que quer que seja".

Luís Marinho disse também à TSF ter "um palpite" que "não pode provar" sobre o motivo destas denúncias anónimas terem aparecido após a manifestação que juntou 40.000 pessoas em Lisboa em apoio à continuação dos contratos de associação e vai mais longe dizendo que "o Ministério da Educação tem feito tudo para poder descredibilizar a nossa luta. Esta é mais uma e existirão outras no futuro".

* Andam a "a marinhar" e não dão conta que ninguém lhes dá importância, o P.R. demarcou-se, a oposição de direita é titubeante, vai ser um voo cego a nada e não é o da vaca.
Ainda ninguém desmentiu o perigoso Pedro Marques Lopes.

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OPÇÕES

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ESTA SEMANA NA 
"VISÃO"
A história da fã de Springsteen que 
está a deixar os colégios amarelos

Garante não ser conflituosa, mas não recusa o confronto. Marcelo marcou o seu percurso académico, Salgueiro Maia é uma das referências e Springsteen outra. Sportinguista, tornou-se a fera do Governo na “guerra” dos contratos de associação. Quem é Alexandra Leitão, a secretária de Estado Adjunta e da Educação? Perfil e entrevista exclusiva com a governante de 43 anos, para quem a geringonça “funciona francamente bem”.

Marcelo Rebelo de Sousa aparece em tudo. Fala sobre tudo. O que ainda não se sabia é que o Presidente da República também previa o futuro. 
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Ora, quando a atual secretária de Estado Adjunta e da Educação se doutorou em Ciências Jurídico-Políticas pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, com 18 valores, só faltou ao professor dar-lhe a nota “20” no blogue de papel que então assinava no semanário Sol: “Jornada académica com sucesso. Na minha Faculdade. Mais uma professora virada para o futuro: Alexandra Leitão”, escreveu Marcelo a 21 de janeiro de 2011, antecipando então a realidade de hoje: “Vai ouvir-se falar dela, em vários tablados, universitários e institucionais”.

Por estes dias, quem ousará desmenti-lo?

Na verdade, a relação entre ambos é excelente e, até entrar para o Governo, Alexandra Ludomila Ribeiro Fernandes Leitão, 43 anos, fora colaboradora do inquilino de Belém na área do Direito Administrativo. Mas isso é algo que ela explica melhor na entrevista exclusiva à VISÃO que poderá ler mais abaixo. Para já, a sportinguista nascida na freguesia de Alvalade tem sido o para-choques do Ministério da Educação e do Governo na mais inflamada polémica que o executivo socialista enfrenta desde a tomada de posse: o diferendo sobre a redução dos contratos de associação do ensino particular.

O conflito não passou ainda o sinal vermelho, mas a contestação já chegou ao amarelo. É ver, pelo País, as concentrações e protestos de colégios e escolas privadas que, trajados a rigor, e envergando a mesma cor, denunciam as alegadas infrações cometidas pelo Governo. 

Ao ministério não chegam girassóis, mas há registo de cartas e postais a pincelar os gabinetes de tons que Van Gogh não desdenharia. Além, acrescente-se, de 374 cravos com a pigmentação oficial da oposição às políticas do ministério. O número representa, alegadamente, as turmas que deverão ser encerradas por este Governo.

Na Mealhada, em abril, a governante teve também uma espera de 300 pessoas, mas, no caso, em tons de amarelo-torrado, com insultos à mistura. Uma militar da GNR acabou ferida ligeiramente, mas as brasas do momento não aqueceram nem arrefeceram Alexandra Leitão, cuja presença era aguardada no 7º Encontro com a Educação.

Para Paulo Guinote, que manteve durante anos um blogue de referência na área educativa, é cedo para pesar a prestação da governante. “A avaliação ainda é muito preliminar”, assume o autor d´A Educação do Meu Umbigo.  

“A secretária de Estado tem feito intervenções praticamente sobre um tema, o dos contratos de associação, sendo que a defesa do que se designa por «escola pública» é muito mais do que a relação com os operadores privados do setor”, explica. 

Segundo aquele professor, “há aspetos relacionados com o modelo de gestão escolar, de transferência de competências, dos concursos de professores ou da carreira docente sobre a qual não lhe conhecemos qualquer intervenção digna de nota”. 

Quanto ao perfil público de Alexandra Leitão, lembra já ter existido “noutros mandatos, com outros protagonistas, só que raramente direcionado contra os operadores privados na área da Educação”, recorda. Apesar de se rever “na afirmação de alguns princípios com que concordo”, Paulo Guinote receia que a "«firmeza»" se possa tornar, como sistema, numa forma autoritária do exercício do poder e tomada de decisões”.

Killer instinct de menina rebelde?
Há quem assegure que a prestação da secretária de Estado no programa Prós e Contras, da RTP, a 16 de maio último, agitou ainda mais as águas. Pela amostra, a trincheira contestatária do Governo revelou-se mais indignada e assanhada, mas as redes sociais também mostraram o potencial da “desconhecida” Alexandra.

No programa, além do discurso claro e conciso, impressionou o cimento jurídico e o ar desassombrado de quem não teme mastigar o pó numa luta de galos. Com uma postura confiante, e até irónica, a governante atropelou, sem pestanejar, as regras da maquilhagem política: cabelo apanhado, remexeu-se na cadeira, moveu os ombros ao desafio e ergueu as sobrancelhas antes de uma estocada. Sempre imperturbável ao ruído de fundo, esgrimindo papelada em riste e capaz de encontrar rapidamente o artigo e a alínea concreta num redemoinho de legislação. Tudo, diga-se, em linguagem que qualquer espetador entenderia, mesmo sem dois dedos de testa. A new star is born, escreveu-se na blogosfera, elogiando o seu killer instinct e o ar de quem não tem medo “de dar e levar”.

Para a apresentadora do Prós e Contras, Fátima Campos Ferreira, a secretária de Estado revelou ainda “um perfil técnico de grande solidez jurídica. Foi uma boa surpresa. Não é frequente vermos governantes tão bem estruturados e genuínos”, reconhece à VISÃO. O programa atingiu níveis de audiência “bem acima da média”, prova de que o País “está muito dividido nesta matéria”. Mas uma parte do sucesso do debate tem, segundo a jornalista, de atribuir-se a duas figuras: “Tanto Alexandra Leitão como Rodrigo Queiroz e Melo, da associação que contesta as medidas do Governo, são grandes protagonistas. Trata-se de pessoas muito bem preparadas, com bases sólidas, que articulam muito bem o discurso e elevam bastante o nível da discussão”, reconhece Fátima. No caso da governante, Vitalino Canas, antigo secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros não fica pasmo. Pelo contrário: “É uma excelente jurista, do melhor que havia na Faculdade de Direito na época”, explica o atual deputado, responsável por recrutar Alexandra Leitão para adjunta do seu gabinete em novembro de 1997.
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Se dúvidas houvesse, estamos a falar da mesma pessoa que, aos 22 anos, conquistou a honraria de duas páginas do Expresso por causa do seu grito de revolta, em jeito de palavra de ordem, numa reunião geral de alunos do professor catedrático Soares Martinez. 
O antigo ministro de Salazar, identificado com o setor mais conservador do ensino, ficara famoso pela “tortura pedagógica” nas provas orais. Coube então a Alexandra Leitão, num impulso, ajudar a virar o rumo de uma reunião onde já se batia com a cabeça nas paredes, sem soluções à vista. Não foi premeditado, mas da primeira fila da assistência à liderança do conclave, foi um instantinho. Nem hoje nem na altura se lembra bem do que disse. Mas o que disse foi o seu minuto de fama na televisão.

A partir daí, a onda de indignação dos estudantes, que já vinha de trás, levou tudo à frente. As orais de Filosofia do Direito ministradas pelo incontornável Martinez foram suspensas e houve boicote aos exames. Jorge Miranda, então presidente do Conselho Diretivo da Faculdade, mostrou-se favorável à marcação de novos exames, mas opôs-se ao afastamento do professor contestado. Martinez atingiria a idade de reforma pouco depois.

Uma inevitabilidade, mais trivial, já tinha, entretanto, batido à porta do constitucionalista: o filho, João Miranda, e a atual secretária de Estado, ambos finalistas do 5º ano, tinham-se perdido de amores nos primeiros anos da faculdade. A refrega com Soares Martinez não iria alterar isso. Pelo contrário. Ambos militavam na JS e continuaram cúmplices na luta universitária. João Miranda, hoje reputado jurista na área urbanística e ambiental, foi mesmo um dos líderes da contestação, mas pai e filho mantiveram-se “cada um no seu lugar”, sem que as relações de parentesco fossem chamadas para o caso. 

Quanto a Alexandra Leitão, admitia, por essa altura, vontade em abraçar uma eventual carreira política, mas temia que a condição feminina fosse o caminho mais curto para o preconceito. “Quando têm de me escolher a mim ou ao meu namorado”, desabafara, “os meus colegas optam por ele. Eu acho que isso é injusto”, afirmara, mas dissipando amuos. “Eu sei que ele também é bom, porque se não fosse inteligente não era meu namorado!...”, explicara, perentória. “Mas sinto-me discriminada, pronto!”. Alexandra e João casaram-se e têm duas filhas, de 14 e 10 anos. Jorge Miranda é tido como um sogro babado.

Professora da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, com um percurso profissional que inclui o Conselho Superior de Magistratura e o Centro Jurídico da Presidência do Conselho de Ministros, Alexandra Leitão é também uma mulher de opiniões fortes. 

Em 2014, num debate sobre “Direitos e Deveres Fundamentais”, realizado em Lisboa, explanou muitas das suas convicções em relação à escola pública, relevando o seu papel “na correção das desigualdades”. Assumiu ser dever do Estado “consolidar o auxílio à vida familiar e profissional”, lamentou a falta de “soluções públicas” para as crianças até aos três anos e colocou-se ao lado de quem, mesmo não tendo a escolaridade desejável, luta por um sistema que permita aos filhos “igualdade e democratização” no ensino. 

“Os CEO´s”, ironizou, “dão menos atenção aos filhos do que, se calhar, quem tem falta de ensino formal”.

Mas se pensa já saber tudo sobre a vida e o pensamento da secretária de Estado, desengane-se. Em entrevista exclusiva à VISÃO, que poderá ler de seguida, descubra o lado B da governante. Uma mulher que teve a mãe presa pela PIDE, que é fã de escritores russos e, que, recentemente, foi ao Rock in Rio ver se ainda se lembrava das letras todas de Bruce Springsteen do seu tempo de juventude. E lembrava.

ALEXANDRA LEITÃO, SECRETÁRIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO:
“A geringonça funciona francamente bem” 
A governante reconhece que “ainda há muito para fazer” para melhorar a intervenção da mulher na vida política. Trabalha dez horas, em média, por dia. Mas está a gostar da experiência da geringonça: “Na vida, tudo é feito de consensos e de acertos...”, assume

Ainda se recorda do grito de que deu numa reunião de alunos no tempo em que estudava na Faculdade de Direito?
No meu 5º ano tivemos o doutor Soares Martinez como professor a uma disciplina obrigatória e, na fase das orais, no fim do primeiro semestre, houve uma série de situações que indignaram alguns de nós, um grupo bastante grande. Pedimos que as orais fossem feitas por outra pessoa, pois considerávamos que aquelas não estavam a ser justas. A contestação cresceu, começou a ter cobertura mediática e há uma altura em que apareço na televisão, por breves segundos, a dar um grito numa reunião de alunos em que estava muito barulho. Nessa altura discutíamos várias coisas, inclusive a possibilidade de fechar a faculdade...

Como é que isso acabou?
Chegou-se a bom porto. Éramos bons alunos, tínhamos um percurso académico considerável e o facto de já sermos um bocadinho respeitados ajudou a perceber que aquilo não era propriamente a contestação de um conjunto de meninos que não queria estudar. Acabou por se resolver de uma forma cordial, com o conselho cientifico a nomear um outro júri para fazer as orais. A disciplina [de Filosofia do Direito] foi transformada numa disciplina opcional até hoje. E o professor Martinez jubilou-se normalmente nesse ano.

Era militante da JS há muito tempo?
Desde setembro de 1991. Tinha uma militância ativa nesse período, mas a Faculdade de Direito também puxa isso, sobretudo para quem gosta de Direito Constitucional e Administrativo como eu. No 2º ano participei numa lista à Associação Académica, mas não ganhámos.
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 No 4º ou no 5º fizemos uma lista só para os órgãos da faculdade e fui eleita para o conselho pedagógico e para a assembleia de representantes. Enfim, pode dizer-se que, ao nível da faculdade, tive alguma militância ativa, mas sempre dei muita atenção aos estudos. Aderi ao PS em 1995. Estive depois com o doutor Vitalino Canas na secretaria de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e depois entrei numa fase de menos atividade. Também, entretanto, tive a primeira filha, fiz o mestrado e doutoramento, e o tempo não dá para tudo.


Conheceu o seu atual marido, João Miranda, aí?
Fomos colegas de curso. Namorávamos desde o 2º ano.

Sei que nasceu em Alvalade e é do Sporting. Ferrenha?
Ferrenha não. Já gostei mais de futebol, confesso.

Quais são as suas raízes familiares?
A minha mãe é nortenha, da zona de Braga. O meu pai da Sertã.

A família tinha uma costela de esquerda?
Sim, fortemente! Sobretudo a minha mãe, que esteve presa pela PIDE no Porto por causa do seu ativismo político, embora não partidário. Era enfermeira, hoje está aposentada. E o meu pai trabalhava com o meu avô numa empresa familiar. Éramos uma família de classe média baixa.

Essas raízes nortenhas têm algum peso em si?
Não. Eu sou mesmo lisboeta. Mesmo! Tenho família no norte de quem gosto muito, até por ter primos da mesma idade do lado da minha mãe, mas Lisboa é onde me sinto bem, sobretudo num certo anonimato da cidade grande. Sou mais da cidade do que do campo.

É verdade que, na juventude, passava férias com o atual ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, em Moledo?
Não exatamente. O ministro passava férias desde muito jovem com o meu marido. Depois conheci-o como amigo comum, sim.

Porque optou por Direito?
Sempre gostei de áreas relacionadas com Línguas e Filosofia e, para que tem esse perfil, o Direito é uma escolha mais ou menos natural. Na altura, concebia a possibilidade de ir para a diplomacia, mas quando entrei na faculdade percebi que já não queria. Gostei muito de Direito.

Teve Marcelo Rebelo de Sousa como seu professor?
Tive, tive! Foi meu professor de Direito Constitucional no primeiro e no segundo ano, presidente do júri do meu mestrado, arguente da minha tese de doutoramento e, desde que me doutorei, em 2011, e até entrar para o Governo, fui sempre colaboradora do professor Marcelo, em Direito Administrativo. Ele é talvez a pessoa mais incontornável do meu percurso académico.

Deu nas vistas no programa Prós e Contras, da RTP, quando se discutiu a questão dos contratos de associação. Foi elogiada a sua clareza, frontalidade e genuinidade. O que se pode esperar de si é aquilo ou já estão a tentar maquilhá-la?
Maquilhar-me não, sou súper avessa à maquilhagem! É das coisas que mais me aborrecem (risos). Mas falando mais a sério: sou aquilo que viu, falo mesmo assim, tenho dificuldade em ser de outra maneira. Os meus amigos fizeram-me chegar cópias de coisas que leram sobre mim, mas também deve ter havido coisas más e essas eles não me fizeram chegar, claro! (risos). Talvez as pessoas estejam fartas de quem faz o mesmo tipo de abordagem às coisas, mas, pela minha parte é assim: nunca tive a visibilidade que tenho agora. Nem sequer tenho experiência. Por isso, falei na televisão como falo normalmente.

Os gurus da imagem e do marketing não estão a tentar limá-la?
Porquê, acha que tenho falta de polimento? (risos) Agora a sério: não tentam e não conseguiriam (risos).

Quando deu uma pequena entrevista ao Expresso, em 1995, falava da discriminação em relação ao papel da mulher no espaço de intervenção público. Que distância se percorreu? Ainda há muito para fazer nesse aspeto?
Seria politicamente correto dizer o contrário, mas ainda há muito para fazer. Na área política, por exemplo, temos um tipo de vida que não é consentânea com a vida familiar. Num País como Portugal isso ainda penaliza, essencialmente, o lado feminino do casal, da família. Quando marcam uma reunião para as oito da noite num escritório de advogados, na Assembleia da República ou num ministério, quem, em princípio, diz “não posso”, é a mulher. E isso diz-se uma, duas, três, quatro vezes. Mas à quinta tem consequências. Porque quem não está e não aparece, também não fala, nem brilha. Também não erra, é verdade, mas estas funções e lugares, que dependem de escolhas e nomeações, passam muito por aparecer, por mostrar. E quem está a pensar na criança que tem em casa, não tem hipótese. Ainda há um caminho grande a percorrer, sinceramente...

Quantas horas passa, em média, por dia, no ministério?
Umas dez horas, em média. Das 10 às 20. Houve aí uns dias em que me destruíram a média, tive de estar até às duas da manhã, mas enfim...

“Um bom pai e um bom marido, ajuda. Um excelente pai e um excelente marido, ajuda muito. Que partilhem, isso conheço muito poucos. Seria já um suprassumo”. São palavras suas, em 2014, num debate. O que tem lá em casa?
Neste momento posso dizer que tenho uma verdadeira partilha com o meu marido. Até me atrevo a dizer que é desigual para o lado dele. Mas tento sempre passar tempo de qualidade com as minhas filhas ao fim de semana...

Ainda anota na agenda os dias dos testes das suas filhas?
Continuo a anotar, sim.

Não lhe vou perguntar se elas estudam numa escola pública...
Mas eu respondo: por acaso não estudam (risos). As minhas filhas fizeram o jardim-de-infância e a primária numa escola pública. E agora estão na Escola Alemã. E faço questão de explicar porquê. A opção pela Escola Alemã tem a ver com a opção por um currículo internacional. Para mim era importante que elas tivessem uma educação com duas línguas que funcionem quase como maternas, digamos assim. Se assim não fosse, andariam obviamente numa escola pública.

Quais são as suas referências políticas?
No plano internacional é muito fácil: Mandela. E também algumas figuras da social-democracia escandinava como Olof Palme, por exemplo. Mário Soares é incontornável. E Salgueiro Maia também.

E literárias?
Diria que o meu escritor favorito é o russo Turgueniev. Gosto muito dos autores russos, mas não vejam aqui conotações políticas, pois são todos anteriores à revolução russa (risos). Também não estou a dizer nada original se disser que um dos melhores romances de todos os tempos é Anna Karenina, de Tolstoi. E gosto da Doris Lessing. Dos portugueses, Eça de Queiroz. Sempre. Mas ando a ler menos desde que estou no Governo, é um problema grave...(risos).

Tem algum livro na mesinha de cabeceira, apesar de tudo?
Tenho, mas não consigo acabar. Chama-se “A arma da casa”, é da sul-africana Nadine Gordimer. Está na mesa-de-cabeceira há mais tempo do que gostaria. Duas paginazinhas à noite e pronto. Há uns meses já estaria na estante (risos).

É capaz de escolher um filme da sua vida?
Talvez Amarcord, do Fellini. Já o vi umas cinco vezes...É muito cómico.

Com a famosa cena da árvore...
A cena da árvore é o máximo! (risos) Aliás, tem várias cenas geniais...Também gostei muito do Beleza Americana, embora seja um bocado complicado para quem está a chegar à meia-idade (risos). E gosto do Tarantino, em geral. Menos do último, confesso...Durante muito tempo, mas aí era muito novinha, dizia que o meu filme preferido era o Cinema Paraíso.

E na música?
Pronto: agora é que não vou ser nada original. Eu gosto muito do Bruce Springsteen! Gosto mesmo! É uma referência de adolescência. Fui ao concerto e tudo. Chegar lá e ainda saber a maior parte das letras foi uma coisa fabulosa (risos). Na clássica, gosto de Bach, sobretudo de peças tocadas em violoncelo. É o meu instrumento favorito.

Já tinha trabalhado numa “geringonça”?
(Risos) Bom, o que há mais é geringonças! Na vida, tudo é feito de consensos e de acertos...

E funciona?
Funciona. Funciona francamente bem.

Uma das coisas que li sobre si nas redes sociais é que é uma governante preparada para o terreno, para “o dá e leva”. Reconhece-se nessa imagem?
Sou muito frontal. Não sou capaz de dizer na cara das pessoas aquilo que elas querem ouvir, digo sempre o que penso e o que vou fazer. Sou bastante determinada, mas não me considero conflituosa. Nada mesmo. Não procuro o confronto. Assumo-o se tiver de ser. Há certas situações de conflito que me incomodam mesmo que tenha de aguentá-las no momento. Mas depois fico triste.

* Que dizer duma pessoa que fala assim, que é uma senhora e bem portuguesa!

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