domingo, 13 de março de 2016

UMA GRAÇA PARA O FIM DO DIA

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"TOMADA DE


DECISÃO"!



4- FERRAMENTAS 
DE DIAGNÓSTICO/2

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Decidir não é tarefa fácil, esta série não é a solução para quem decide mas ajuda muito.


* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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6-AVANÇADAS
 

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Nuno Rodrigues


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IN "GOT TALENT" 2015 - RTP1

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5-AVANÇADAS
 


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XIV- ERA UMA VEZ O HOMEM


2-O RENASCIMENTO

ITALIANO

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* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.


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4-AVANÇADAS
 


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Susana Sargento


Comunicação entre veículos

um presente

com que futuro?


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Cofundadora da empresa tecnológica Veniam, venceu o 1.º prémio Mulheres Inovadoras da UE, que distingue mulheres com ideias de vanguarda. 
O trabalho de Susana Sargento na área das soluções para a "internet em movimento", transforma automóveis em pontos de acesso à internet sem fios, e cria redes móveis à escala das cidades que recolhem 'terabytes' de dados urbanos.

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3-AVANÇADAS
 


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PEDRO TADEU

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Maria Luís Albuquerque 
é incompatível com o quê?

Maria Luís Albuquerque tinha pouco mais de 25 dias como ministra quando mentiu aos deputados da Nação ao dizer não ter recebido informação suficiente para atuar na questão dos empréstimos de tipo swaps contraídos por empresas de transportes públicos. 

Uma troca de e-mails posteriormente tornada pública revelou que, dois anos antes, a Direção-Geral do Tesouro alertara a então secretária de Estado de Vítor Gaspar para perdas potenciais de 1,5 mil milhões de euros causados por esse tipo de contratos. Ela não ligou.

Maria Luís Albuquerque mentiu novamente no Parlamento quando disse que não teve contacto com swaps enquanto trabalhou, de 2007 a 2010, no IGCP, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública.

Uma auditoria da Direção-Geral do Tesouro veio desmenti-la, nomeadamente no caso da Estradas de Portugal, envolvendo-a como técnica superior no processo de aprovação desses empréstimos de gestão de risco que, por causa da incrível baixa das taxas de juro na Europa, acabaram por correr mal para o país.
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Maria Luís Albuquerque mentiu novamente sobre a Estradas de Portugal quando garantiu não ter mandado a empresa pública alterar o seu orçamento de 2012 para a "aliviar" dos prejuízos com maus créditos que eram do ex-BPN. Uma nova troca de e-mails confirmou-o.
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Maria Luís Albuquerque foi falaciosa, quase mentirosa, ao acenar ao país com a possibilidade de devolução de parte da sobretaxa de IRS: um mês antes das eleições o seu ministério atirou cá para fora uma estimativa de devolução de 35,3% daquilo que os contribuintes pagaram. Logo a seguir às eleições esse valor baixou para 9,7% e, semanas depois, chegou a zero.
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Maria Luís Albuquerque garantiu em Portugal que os cortes em salários e pensões eram provisórios mas nos gabinetes de Bruxelas, revelou a Comissão Europeia quando negociou o Orçamento do Estado de António Costa, disse que esses cortes eram permanentes. Em Lisboa ou em Bruxelas mentiu.
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Maria Luís Albuquerque disse que não se meteu na decisão que levou à resolução do BES e à criação do Novo Banco, foi tudo feito pelo Banco de Portugal. Jurou que esse processo não traria custos para os contribuintes. E depois admitiu que a Caixa Geral de Depósitos - ou seja, os contribuintes - poderia ter perdas com o Novo Banco.
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Maria Luís Albuquerque é competente, ótima para ajudar uma empresa como a Arrow Global, caçadora de dívida morta, onde quer ser administradora não executiva por uns modestos cinco mil euros brutos mensais. A incompatibilidade de Maria Luís não é com a vida entre abutres da finança. 

A incompatibilidade de Maria Luís é com a vida política sã.

IN "DIÁRIO DE NOTÍCIAS"
08/03/16

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807.UNIÃO


EUROPEIA



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2-AVANÇADAS
 


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O negócio rentável 
do tráfico de migrantes
TURQUIA

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II-VISITA GUIADA

CONVENTO DA

MADRE DE DEUS/1

LISBOA

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* Viagem extraordinária pelos tesouros da História de Portugal superiormente apresentados por Paula Moura Pinheiro.
Mais uma notável produção da RTP
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* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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1-AVANÇADAS
 


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Herbert von Karajan

LACRIMOSA

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MOZART-Requiem

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ESTA SEMANA NO
"EXPRESSO"
“Há Estados na União Europeia 
que estão a esquecer a História”

Nikos Xydakys, ministro-adjunto grego dos Assuntos Europeus avisa que crise dos refugiados é um problema político que põe em perigo a estabilidade europeia

Há dimensões que esmagam. Como este número: 851.319. São os refugiados que apenas um país, a Grécia, acolheu no ano passado. Vieram sobretudo da Síria, mas também do Afeganistão, Iraque e em menor número de outros países. “Nenhum país sozinho consegue lidar com isto.”
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Assim começou a conversa com o ministro-adjunto grego para os Assuntos Europeus, Nikos Xydakys, que esta semana esteve em Lisboa para conversações com o Governo português, tal como os seus homólogos alemão e britânico.

A Grécia, primeiro ponto de desembarque da chamada rota balcânica, está inundada de refugiados. Presentemente, disse o ministro, mantém no seu território 35 mil, dos quais 13 mil estão “presos” na fronteira norte, com a Macedónia. Este foi o último país a fechar a fronteira sul, encerrando assim a Rota dos Balcãs. O processo começou a norte, pela Hungria, descendo depois pela Croácia, Eslovénia, Sérvia e, finalmente Montenegro. Mas à Grécia continuam a chegar diariamente por mar entre dois mil e 2500 refugiados, e “só saem 300”, especificou Xydakys, ex-jornalista, eleito deputado pelo Syriza.

Agora, em cima da mesa, está o acordo da UE com a Turquia, o qual, segundo o ministro grego, apanhou muitos países de surpresa. A proposta de acordo apresentada na cimeira entre a União Europeia e a Turquia na segunda-feira, é uma espécie de “compacto, em que os turcos oferecem algumas soluções para a crise dos refugiados e pedem em troca algumas vantagens políticas e dinheiro”.

As divergências europeias são mais que muitas, tanto à esquerda como à direita, pelo que a aprovação do acordo, que entretanto deverá ser expurgado dos pontos mais polémicos, foi remetida para o Conselho Europeu da próxima semana. Basicamente a Turquia compromete-se a receber de volta cada refugiado sírio que tenha entrado ilegalmente na Europa, desde que esta receber outro vindo da Turquia. Ao mesmo tempo Ancara pede mais ajuda financeira, um regime de vistos gratuitos para cidadãos turcos e a abertura de cinco novos capítulos das negociações de adesão à UE.

Apesar dos aspetos polémicos (que Portugal também critica, como é o caso da salvaguarda dos direitos humanos e da convenção sobre o direto de asilo), para Nikos Xydakys o acordo pode ser um “início de solução”. Diz: “Se houver uma mensagem forte de que os refugiados só podem encontrar asilo na Europa de maneira legal, as viagens a partir da Turquia deixam de fazer sentido”.
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O ministro é taxativo ao afirmar que é preciso “cortar as rotas ilegais e as redes de tráfico, que são grandes e poderosas. No ano passado, a Europol estimou que renderam entre 4 e 6 mil milhões de euros”. Para Xydakys, isto significa um “enorme poder, não apenas económico, mas também político”.

O problema é a Europa. “Não vemos nisto apenas uma crise humana - e gigantesca - mas também uma grande desordem geopolítica e uma ameaça à paz e à estabilidade em toda a região. Com um Mediterrâneo instável, como pode a Europa ser estável?”, interroga-se o ministro. “Quando é que isso aconteceu na História? Se a Grécia ficar instável, a Itália ficará também sujeita a enorme pressão. Até a Espanha... Como é que a Hungria ou a República Checa poderão ter estabilidade? Se não estivessem na União, talvez, mas a UE é também uma união política”, reafirma, para destacar que “estes Estados dizem que o custo excede os benefícios e que é como se num restaurante pagassem pela salada o preço da carne”.

De facto, no Mediterrâneo leste há hoje o maior fluxo de refugiados desde a II Guerra Mundial e ninguém pode lidar sozinho com este problema. “Na Alemanha, há milhares de refugiados desaparecidos, pelo que temos todos de agir em conjunto. O Grupo de Visegrado (Hungria, República Checa, Eslováquia e Polónia) pensa que pode agir sozinho, erguendo muros e arame farpado, mas esquecem a História e não veem o futuro”, explica. “O que se está a passar põe em causa a experiência histórica comum da União. Há um perigo de fragmentação, de nacionalismos e de conflitos. Trabalhámos arduamente pela paz e agora a estabilidade está de novo em perigo”.

* A União Europeia recebeu há poucos anos o prémio Nobel da Paz, pede-se mais critério ao comité Nobel, para não nos envergonhar.

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Deserto Florido

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Death Valley

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ESTA SEMANA NO
"DINHEIRO VIVO"


Carol Rossetti
Mais do que ilustrações de mulheres

Com ilustrações traduzidas em 15 idiomas, Carol Rossetti lança o livro Mulheres, um contributo no diálogo sobre os direitos das mulheres

Quando, em 2014, iniciou a produção de ilustrações para se obrigar a fazer um desenho de uma mulher por dia, Carol Rossetti estava longe de imaginar o que a esperava. Centenas de pessoas identificaram-se ou viram nos desenhos a amiga, a vizinha, a colega, a filha, a prima, a irmã, a mãe… 
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“E a minha página do Facebook tornou-se um ambiente em que as mulheres de todo o mundo trocam ideias”, conta a ilustradora natural de Minas Gerais, a viver em Belo Horizonte, Brasil. Este trabalho foi destacado pelo Facebook Stories. Daí, até os media internacionais repararem nele, como a CNN, Huffington Post ou Cosmopolitan, foi um saltinho. E até ao livro, outro instante.

Apresentado em Portugal no Dia Mundial da Mulher pela Chá das Cinco, chancela da editora Saída de Emergência, o livro Mulheres – Retratos de Respeito, amor-próprio, direitos e dignidade já tem direitos vendidos para os EUA, Espanha e México. Mas adivinha-se que outros países se seguirão, pois a sua força está nas mulheres desenhadas com traço forte, acompanhadas de frases inspiradoras. 
“Elas quebraram tabus e espalharam a mensagem de que as mulheres são fortes, merecedoras de respeito tal como são, independentemente das opiniões e julgamentos dos outros”, defende Carol Rosseti. Uma mensagem adotada por diversos movimentos de defesa dos direitos das mulheres ou até feministas, e com os quais a ilustradora, de 27 anos, também se identifica. 

Porém, defende que não é pessoa para determinar o que é ou não é o feminismo. “Eu tenho uma voz, mas não sou a voz do movimento”, esclarece, citando José Saramago: “Aprendi a não convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro.” 
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Em vez disto, a ilustradora que descobriu o seu talento aos 4 anos, quando os pais lhe ofereceram um estojo de lápis de cor, prefere o diálogo, que ficou facilitado com as redes sociais. “Antes as pessoas conversavam entre amigos, em casa, em espaços pequenos, agora falam com pessoas do outro lado do mundo. Não é uma moda. É algo que vai crescendo, com pontos de vista diferentes, ficando mais rico por causa do contacto com outras culturas.” Prova disso é o seu projeto, que passados dois anos, “vai indo muito bem”. Sucesso extensível aos outros trabalhos de ilustração traduzidos em mais de 15 línguas. Insistindo que “o primeiro passo para qualquer mudança é o diálogo, Carol Rossetti acredita que isso pode ajudar a aprovar leis, por exemplo, a favor do aborto ou na proteção das mulheres contra a violência doméstica. 
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Mesmo que “algumas pessoas ou marcas se queiram apropriar desse discurso para autopromoção ou exploração comercial”. Neste sentido, a pergunta: O que acha da Mattel ter cedido à pressão de acabar com a Barbie com a imagem estereotipada da mulher e criar uma nova mais próxima da mulher real? “Se a marca fez isso com o objetivo de vender mais, não interessa, o que importa é que ela fez algo”, diz. E vai mais longe: “Todas as histórinhas contadas numa propaganda, filme ou novela formam a sociedade, dando as ideias do que é certo ou errado.” Dá um exemplo: “A minha tia não fala sobre feminismo, nunca pensou no assédio de rua, mas, quando vê propaganda que fala disso, começa a pensar no assunto.”

No seu livro, a ilustradora propõe algo bem mais complexo e difícil: o feminismo interseccional, ou seja, o diálogo que inclui pessoas de várias etnias, necessidades, trans, homossexuais, bissexuais, pobres, famintas, sem-abrigo, analfabetas ou até com doenças mentais. “Sim, é algo difícil, mas não temos como fugir disso”, diz entre risos, frisando que é preciso ultrapassar os obstáculos culturais, as referências que vêm do senso comum e que abrangem pessoas fora deste movimento, como o homem que faz assédio de rua ou que bate na mulher. 

Neste âmbito, Carol Rosseti lançou recentemente também a cartilha ilustrada Vamos Conversar, um projeto em que participou com a ONU Mulheres e várias instituições brasileiras sobre violência doméstica e familiar contra as mulheres. E em vias de se tornar um projeto maior da ilustradora criou as personagens Lila e Sú, destinadas a falar sobre esta temática com crianças em idade de formação. Tudo porque o diálogo tem de começar cedo.

* O mundo precisa destas mulheres.

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CLÁSSICAS
FAMEL ZUNDAPP 1977

CASAL BOSS

ZUNDAPP MACAL 1964

CASAL EFS 101M

ZUNDAPP EFS 220

SACHS LOTUS V6

FUNDADOR 50

FLANDRIA

CONFERSIL

FLORETT

BMW

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ESTA SEMANA NA
"DELAS"

Endometriose
“Estarei doida? Serei fraca?
 Serei mariquinhas?”

Sempre tive dores menstruais. Desde os 11 anos. Todos diziam que era normal. Aos 15, comecei a tomar a pílula para regular as menstruações e por picos anémicos devido à perda de sangue por longos períodos de tempo. Foram várias as pílulas. Mais tarde, para além das dores menstruais, comecei também a ter dores nas relações sexuais.
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Tinha 21 anos quando casei a 8 de março de 2008. Estava cheia de planos para o futuro. Sonhava ter filhos… Dois meses depois começaram as idas às urgências: dores abdominais e pélvicas muito fortes. Quando as dores coincidiam com a menstruação, os médicos diziam-me que a solução era engravidar; fora do período menstrual, as dores eram apendicite ou infeção urinária – doenças nunca confirmadas por análises ou exames. Fui encaminhada para um hospital público de referência em ginecologia. O médico disse que o que melhor se encaixava na minha sintomatologia era a endometriose. Fiz indução de menopausa durante seis meses.

Doença psiquiátrica?
Já em agosto de 2009 realizei uma cirurgia que viria a confirmar a endometriose. Cinco meses de melhorias e voltou tudo novamente: dores exuberantes, idas ao hospital, mais exames, novas terapêuticas. Como nada resultava, seguiu-se uma segunda cirurgia, em julho de 2010. Três meses depois dei entrada no hospital com hemorragias, imensas dores e ninguém me conseguia explicar como era possível. Continuei com a indução da menopausa. Nesta fase, as dores já se tinham alastrado para a coluna e para a perna direita. Todos os médicos diziam que não existiam causas plausíveis para estes sintomas e que não poderiam ser causados pela endometriose.

Nesta fase surgiam-me várias perguntas: Estarei doida? Serei fraca? Serei mariquinhas? Serei hipocondríaca?
No hospital decidiram que o melhor seria fazer um tratamento de fertilidade para engravidar. A lista de espera era muito grande e o desespero era muito. Decidi pedir uma segunda opinião. O médico particular que consultei achou muito estranha a minha história. Depois do exame ginecológico e de uma ressonância à coluna disse-me que engravidar não era o mais indicado e que achava que eu tinha endometriose do nervo ciático. Referiu ainda que em Portugal não havia forma de tratamento e que o único médico que operava este tipo de situação estava na Suíça.

Falei sobre tudo isto ao médico-cirurgião do hospitalar que me tinha operado. “A Tânia é muito nova, esta doença é muito perturbadora e às vezes as dores que permanecem são psicossomáticas, eu tenho um amigo psiquiatra e gostava muito que a visse” – foi a resposta dele. Será que o médico tinha razão? Eu estava era com problemas psíquicos?! Entretanto, a dor na perna piorou ao ponto de começar a coxear. Decidi regressar ao médico de infertilidade do hospital privado e pedir que me ajudasse. Como não tinha um diagnóstico certo e o meu médico-cirurgião do serviço público não concordava que eu tivesse qualquer tipo de problema, o estado português não financiaria o tratamento no estrangeiro.
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Desesperada, em março de 2011 decidi ir por minha conta a uma consulta na Suíça, com o Professor Doutor Marc Possover, neuropelveologista e ginecologista. Disse-me que tinha de ser operada, por ter uma compressão do nervo ciático, causada pela endometriose. Mandou-me parar com a terapêutica que estava a fazer de indução da menopausa e tomar um medicamento que só existia na Alemanha.

De volta a Portugal e com a ajuda do médico de infertilidade do hospital privado consegui comprovar este diagnóstico. Através de um centro hospitalar público e com o apoio de uma médica dedicada e especializada em endometriose, para quem fui encaminhada pelo médico privado, consegui ser operada em junho de 2011 na Suíça. O resultado da cirurgia foi estrangulamento do nervo ciático a nível do glúteo e da coluna, por varicoses, devido a mal formações vasculares e fibroses pela endometriose. Depois da cirurgia voltei a tomar pílula contínua e fiquei sem conseguir mexer a perna direita. Estive de cadeira de rodas durante uns meses, fiz reabilitação, recuperei parte dos movimentos da perna. Quando estava a retomar a minha vida normal, voltaram as crises de dores intensas. Em dezembro de 2011 dei entrada nas urgências devido a dores exuberantes e a fortes hemorragias.

Fui procurar a médica especialista em endometriose que tratou do meu processo para ir à Suíça. Após novos exames e terapêuticas, avançamos para uma nova cirurgia e fui então operada – a quarta vez – em fevereiro de 2012, onde me foram retiradas fibroses, aderências dos ligamentos útero-sagrados e diversos focos de endometriose.

Reforma aos 27 anos
Mais uma vez fiquei bem durante pouco tempo. Voltaram as dores fortes, as idas às urgências. No final do verão voltaram as dores na perna direita que foram sempre piorando. Em 2013, após meses de muita agonia, de dependência em morfina e de muita dependência física – ao ponto de necessitar de ajuda para tomar banho, não conseguia andar, não tolerar os lençóis, nem meias, nem sapatos, nem a água do duche –, decidi arriscar e colocar um neuroestimulador neuromedular com o objetivo de inibir a passagem de dor melhorando assim a mobilidade. Seguiram-se três cirurgias para ajudar a diminuir a intensidade das minhas dores e para eu voltar a andar, mesmo que com a ajuda de canadianas. No final de contas, fui reformada por invalidez. Com apenas 27 anos senti, mais uma vez, que a endometriose me estava a roubar tudo.

Além da situação extremamente dolorosa da perna, mantive sempre quadros agudos e bastante intensos de contrações pélvicas, como se estivesse em trabalho de parto. Foram imensas idas às urgências por dor excruciante no abdómen e pelve. No verão de 2014, desenvolvi ainda contrações intensas da bexiga e do intestino. O ponto crítico deu-se no final de agosto em que já tinha de ser algaliada e em que todos os dias perdia imenso sangue do intestino. Perante este quadro, decidimos avançar com uma cirurgia inovadora de bloqueio do plexo hipogástrico, que foi sem dúvida uma dádiva: consegui voltar a ter um funcionamento normal da bexiga e do intestino.

Na passagem de ano de 2014/2015 fiz outra intervenção inovadora de paralisação do meu útero com Toxina Botulina, o que também – finalmente e felizmente – teve um resultado excelente e permitiu, após tantos anos, o controlo das contrações uterinas.

Voltei foi a sentir dores intensas na perna direita. Concluiu-se que deveria haver novas compressões do nervo ciático e que o melhor seria regressar à Suíça. Mas após ouvir diversos médicos que acompanham o meu caso, decidiu-se que o mais sensato seria ir a uma consulta a Santander (norte de Espanha) a um médico especialista em tratar ciáticas de origem não discogénica.

Novamente, por minha iniciativa, fui à consulta com Dr. Perez Carros, em julho de 2015. Verificou-se que mais uma vez há compressão do nervo ciático e que necessitava de fazer uma artroscopia da anca, por síndrome do glúteo profundo, com o objetivo de melhorar em 75% a dor e em 30% a locomoção, sendo esta cirurgia mais simples e menos invasiva do que a que realizei na Suíça em 2011. Neste momento, se não tivesse o neuroestimulador não teria qualquer mobilidade da perna direita. Contudo, como o nervo estava extremamente estrangulado, o aparelho já não era suficiente para que não sentisse dores constantes e conseguisse movimentar-me devidamente. Era necessário recorrer a esta nova cirurgia.

Campanha solidária
Este tipo de intervenção não existe ainda em Portugal. Infelizmente, a equipa médica que me acompanha, por diversos motivos, não conseguiu enviar-me para Espanha, através do programa que há no SNS.
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Um grupo de amigos juntou-se e criou um movimento solidário chamado “APOIA A TÂNIA – DE SALVATERRA A SANTANDER COM A ENDOMETRIOSE”, para angariar o dinheiro necessário para fazer a cirurgia. Em um mês conseguiram mais do que esse valor.

Fui operada a 30 de setembro de 2015, em Santander. Na cirurgia descobriu-se que, afinal havia várias compressões e por isso a cirurgia foi mais extensa e era suposto ter uma recuperação muito lenta, muito dolorosa e prepararam-me para a possibilidade de ficar com perda total e permanente de movimentos no pé direito. Por indicação médica, às oito semanas, deveria iniciar a recuperação motora, mas apenas e somente em meio aquático. Mais uma vez, pelo SNS não havia possibilidade pois não havia nenhum centro capacitado de meios aquáticos e que me permitisse fazer uma recuperação intensiva ao estilo de Cuba.

Devido à grande onda de solidariedade, conseguiu-se ultrapassar significativamente o valor necessário para a cirurgia e, por isso, o dinheiro que sobrou seria para eu usar na minha recuperação. Após pesquisas intensivas, telefonemas e várias questões, decidi que o único sítio que poderia conceder-me tal recuperação seria um centro termal específico em Portugal.

Entrei nas termas de cadeira de rodas, sem qualquer tipo de movimento no membro inferior direito, com muitas alterações de retorno venoso e de sensibilidade. Hoje, após quatro meses, o milagre aconteceu: estou a andar sem qualquer tipo de apoio, sem qualquer tipo de ajuda! SIM, SOZINHA!!…

Infelizmente a endometriose é mais teimosa e chata do que eu – e acreditem que sou bastante teimosa – e já tenho novos focos. Num futuro próximo uma nova batalha irei travar com esta minha “amiga”.

Ainda procuro o meu final feliz e quero acreditar que um dia ele vai chegar. É esta esperança que me mantém de pé todos os dias e não me deixa baixar os braços na procura de respostas para o meu problema, que até ao momento, é único no país, devido à sua complexidade.

* Testemunho de Tânia Santos, 29 anos, de Foros de Salvaterra de Magos.
Uma senhora de muita coragem!

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Esta ponte em Portugal 
tem a espessura de dois dedos

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UMinho participa na construção 
de uma ponte sustentável

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