domingo, 13 de março de 2016

UMA GRAÇA PARA O FIM DO DIA

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"TOMADA DE


DECISÃO"!



4- FERRAMENTAS 
DE DIAGNÓSTICO/2

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Decidir não é tarefa fácil, esta série não é a solução para quem decide mas ajuda muito.


* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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6-AVANÇADAS
 

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Nuno Rodrigues


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IN "GOT TALENT" 2015 - RTP1

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5-AVANÇADAS
 


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XIV -ERA UMA VEZ

O HOMEM


2- O RENASCIMENTO
ITALIANO

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* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.


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4-AVANÇADAS
 


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Susana Sargento


Comunicação entre veículos

um presente

com que futuro?


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Cofundadora da empresa tecnológica Veniam, venceu o 1.º prémio Mulheres Inovadoras da UE, que distingue mulheres com ideias de vanguarda. 
O trabalho de Susana Sargento na área das soluções para a "internet em movimento", transforma automóveis em pontos de acesso à internet sem fios, e cria redes móveis à escala das cidades que recolhem 'terabytes' de dados urbanos.

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3-AVANÇADAS
 


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PEDRO TADEU

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Maria Luís Albuquerque 
é incompatível com o quê?

Maria Luís Albuquerque tinha pouco mais de 25 dias como ministra quando mentiu aos deputados da Nação ao dizer não ter recebido informação suficiente para atuar na questão dos empréstimos de tipo swaps contraídos por empresas de transportes públicos. 

Uma troca de e-mails posteriormente tornada pública revelou que, dois anos antes, a Direção-Geral do Tesouro alertara a então secretária de Estado de Vítor Gaspar para perdas potenciais de 1,5 mil milhões de euros causados por esse tipo de contratos. Ela não ligou.

Maria Luís Albuquerque mentiu novamente no Parlamento quando disse que não teve contacto com swaps enquanto trabalhou, de 2007 a 2010, no IGCP, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública.

Uma auditoria da Direção-Geral do Tesouro veio desmenti-la, nomeadamente no caso da Estradas de Portugal, envolvendo-a como técnica superior no processo de aprovação desses empréstimos de gestão de risco que, por causa da incrível baixa das taxas de juro na Europa, acabaram por correr mal para o país.
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Maria Luís Albuquerque mentiu novamente sobre a Estradas de Portugal quando garantiu não ter mandado a empresa pública alterar o seu orçamento de 2012 para a "aliviar" dos prejuízos com maus créditos que eram do ex-BPN. Uma nova troca de e-mails confirmou-o.
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Maria Luís Albuquerque foi falaciosa, quase mentirosa, ao acenar ao país com a possibilidade de devolução de parte da sobretaxa de IRS: um mês antes das eleições o seu ministério atirou cá para fora uma estimativa de devolução de 35,3% daquilo que os contribuintes pagaram. Logo a seguir às eleições esse valor baixou para 9,7% e, semanas depois, chegou a zero.
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Maria Luís Albuquerque garantiu em Portugal que os cortes em salários e pensões eram provisórios mas nos gabinetes de Bruxelas, revelou a Comissão Europeia quando negociou o Orçamento do Estado de António Costa, disse que esses cortes eram permanentes. Em Lisboa ou em Bruxelas mentiu.
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Maria Luís Albuquerque disse que não se meteu na decisão que levou à resolução do BES e à criação do Novo Banco, foi tudo feito pelo Banco de Portugal. Jurou que esse processo não traria custos para os contribuintes. E depois admitiu que a Caixa Geral de Depósitos - ou seja, os contribuintes - poderia ter perdas com o Novo Banco.
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Maria Luís Albuquerque é competente, ótima para ajudar uma empresa como a Arrow Global, caçadora de dívida morta, onde quer ser administradora não executiva por uns modestos cinco mil euros brutos mensais. A incompatibilidade de Maria Luís não é com a vida entre abutres da finança. 

A incompatibilidade de Maria Luís é com a vida política sã.

IN "DIÁRIO DE NOTÍCIAS"
08/03/16

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807.UNIÃO


EUROPEIA



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2-AVANÇADAS
 


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O negócio rentável 
do tráfico de migrantes
TURQUIA

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II-VISITA GUIADA

CONVENTO DA

MADRE DE DEUS/1

LISBOA

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* Viagem extraordinária pelos tesouros da História de Portugal superiormente apresentados por Paula Moura Pinheiro.
Mais uma notável produção da RTP
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* As nossas séries por episódios são editadas no mesmo dia da semana à mesma hora, assim torna-se fácil se quiser visionar episódios anteriores.

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1-AVANÇADAS
 


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Herbert von Karajan

LACRIMOSA

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MOZART-Requiem

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ESTA SEMANA NO
"EXPRESSO"
“Há Estados na União Europeia 
que estão a esquecer a História”

Nikos Xydakys, ministro-adjunto grego dos Assuntos Europeus avisa que crise dos refugiados é um problema político que põe em perigo a estabilidade europeia

Há dimensões que esmagam. Como este número: 851.319. São os refugiados que apenas um país, a Grécia, acolheu no ano passado. Vieram sobretudo da Síria, mas também do Afeganistão, Iraque e em menor número de outros países. “Nenhum país sozinho consegue lidar com isto.”
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Assim começou a conversa com o ministro-adjunto grego para os Assuntos Europeus, Nikos Xydakys, que esta semana esteve em Lisboa para conversações com o Governo português, tal como os seus homólogos alemão e britânico.

A Grécia, primeiro ponto de desembarque da chamada rota balcânica, está inundada de refugiados. Presentemente, disse o ministro, mantém no seu território 35 mil, dos quais 13 mil estão “presos” na fronteira norte, com a Macedónia. Este foi o último país a fechar a fronteira sul, encerrando assim a Rota dos Balcãs. O processo começou a norte, pela Hungria, descendo depois pela Croácia, Eslovénia, Sérvia e, finalmente Montenegro. Mas à Grécia continuam a chegar diariamente por mar entre dois mil e 2500 refugiados, e “só saem 300”, especificou Xydakys, ex-jornalista, eleito deputado pelo Syriza.

Agora, em cima da mesa, está o acordo da UE com a Turquia, o qual, segundo o ministro grego, apanhou muitos países de surpresa. A proposta de acordo apresentada na cimeira entre a União Europeia e a Turquia na segunda-feira, é uma espécie de “compacto, em que os turcos oferecem algumas soluções para a crise dos refugiados e pedem em troca algumas vantagens políticas e dinheiro”.

As divergências europeias são mais que muitas, tanto à esquerda como à direita, pelo que a aprovação do acordo, que entretanto deverá ser expurgado dos pontos mais polémicos, foi remetida para o Conselho Europeu da próxima semana. Basicamente a Turquia compromete-se a receber de volta cada refugiado sírio que tenha entrado ilegalmente na Europa, desde que esta receber outro vindo da Turquia. Ao mesmo tempo Ancara pede mais ajuda financeira, um regime de vistos gratuitos para cidadãos turcos e a abertura de cinco novos capítulos das negociações de adesão à UE.

Apesar dos aspetos polémicos (que Portugal também critica, como é o caso da salvaguarda dos direitos humanos e da convenção sobre o direto de asilo), para Nikos Xydakys o acordo pode ser um “início de solução”. Diz: “Se houver uma mensagem forte de que os refugiados só podem encontrar asilo na Europa de maneira legal, as viagens a partir da Turquia deixam de fazer sentido”.
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O ministro é taxativo ao afirmar que é preciso “cortar as rotas ilegais e as redes de tráfico, que são grandes e poderosas. No ano passado, a Europol estimou que renderam entre 4 e 6 mil milhões de euros”. Para Xydakys, isto significa um “enorme poder, não apenas económico, mas também político”.

O problema é a Europa. “Não vemos nisto apenas uma crise humana - e gigantesca - mas também uma grande desordem geopolítica e uma ameaça à paz e à estabilidade em toda a região. Com um Mediterrâneo instável, como pode a Europa ser estável?”, interroga-se o ministro. “Quando é que isso aconteceu na História? Se a Grécia ficar instável, a Itália ficará também sujeita a enorme pressão. Até a Espanha... Como é que a Hungria ou a República Checa poderão ter estabilidade? Se não estivessem na União, talvez, mas a UE é também uma união política”, reafirma, para destacar que “estes Estados dizem que o custo excede os benefícios e que é como se num restaurante pagassem pela salada o preço da carne”.

De facto, no Mediterrâneo leste há hoje o maior fluxo de refugiados desde a II Guerra Mundial e ninguém pode lidar sozinho com este problema. “Na Alemanha, há milhares de refugiados desaparecidos, pelo que temos todos de agir em conjunto. O Grupo de Visegrado (Hungria, República Checa, Eslováquia e Polónia) pensa que pode agir sozinho, erguendo muros e arame farpado, mas esquecem a História e não veem o futuro”, explica. “O que se está a passar põe em causa a experiência histórica comum da União. Há um perigo de fragmentação, de nacionalismos e de conflitos. Trabalhámos arduamente pela paz e agora a estabilidade está de novo em perigo”.

* A União Europeia recebeu há poucos anos o prémio Nobel da Paz, pede-se mais critério ao comité Nobel, para não nos envergonhar.

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Deserto Florido

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Death Valley

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ESTA SEMANA NO
"DINHEIRO VIVO"


Carol Rossetti
Mais do que ilustrações de mulheres

Com ilustrações traduzidas em 15 idiomas, Carol Rossetti lança o livro Mulheres, um contributo no diálogo sobre os direitos das mulheres

Quando, em 2014, iniciou a produção de ilustrações para se obrigar a fazer um desenho de uma mulher por dia, Carol Rossetti estava longe de imaginar o que a esperava. Centenas de pessoas identificaram-se ou viram nos desenhos a amiga, a vizinha, a colega, a filha, a prima, a irmã, a mãe… 
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“E a minha página do Facebook tornou-se um ambiente em que as mulheres de todo o mundo trocam ideias”, conta a ilustradora natural de Minas Gerais, a viver em Belo Horizonte, Brasil. Este trabalho foi destacado pelo Facebook Stories. Daí, até os media internacionais repararem nele, como a CNN, Huffington Post ou Cosmopolitan, foi um saltinho. E até ao livro, outro instante.

Apresentado em Portugal no Dia Mundial da Mulher pela Chá das Cinco, chancela da editora Saída de Emergência, o livro Mulheres – Retratos de Respeito, amor-próprio, direitos e dignidade já tem direitos vendidos para os EUA, Espanha e México. Mas adivinha-se que outros países se seguirão, pois a sua força está nas mulheres desenhadas com traço forte, acompanhadas de frases inspiradoras. 
“Elas quebraram tabus e espalharam a mensagem de que as mulheres são fortes, merecedoras de respeito tal como são, independentemente das opiniões e julgamentos dos outros”, defende Carol Rosseti. Uma mensagem adotada por diversos movimentos de defesa dos direitos das mulheres ou até feministas, e com os quais a ilustradora, de 27 anos, também se identifica. 

Porém, defende que não é pessoa para determinar o que é ou não é o feminismo. “Eu tenho uma voz, mas não sou a voz do movimento”, esclarece, citando José Saramago: “Aprendi a não convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro.” 
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Em vez disto, a ilustradora que descobriu o seu talento aos 4 anos, quando os pais lhe ofereceram um estojo de lápis de cor, prefere o diálogo, que ficou facilitado com as redes sociais. “Antes as pessoas conversavam entre amigos, em casa, em espaços pequenos, agora falam com pessoas do outro lado do mundo. Não é uma moda. É algo que vai crescendo, com pontos de vista diferentes, ficando mais rico por causa do contacto com outras culturas.” Prova disso é o seu projeto, que passados dois anos, “vai indo muito bem”. Sucesso extensível aos outros trabalhos de ilustração traduzidos em mais de 15 línguas. Insistindo que “o primeiro passo para qualquer mudança é o diálogo, Carol Rossetti acredita que isso pode ajudar a aprovar leis, por exemplo, a favor do aborto ou na proteção das mulheres contra a violência doméstica. 
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Mesmo que “algumas pessoas ou marcas se queiram apropriar desse discurso para autopromoção ou exploração comercial”. Neste sentido, a pergunta: O que acha da Mattel ter cedido à pressão de acabar com a Barbie com a imagem estereotipada da mulher e criar uma nova mais próxima da mulher real? “Se a marca fez isso com o objetivo de vender mais, não interessa, o que importa é que ela fez algo”, diz. E vai mais longe: “Todas as histórinhas contadas numa propaganda, filme ou novela formam a sociedade, dando as ideias do que é certo ou errado.” Dá um exemplo: “A minha tia não fala sobre feminismo, nunca pensou no assédio de rua, mas, quando vê propaganda que fala disso, começa a pensar no assunto.”

No seu livro, a ilustradora propõe algo bem mais complexo e difícil: o feminismo interseccional, ou seja, o diálogo que inclui pessoas de várias etnias, necessidades, trans, homossexuais, bissexuais, pobres, famintas, sem-abrigo, analfabetas ou até com doenças mentais. “Sim, é algo difícil, mas não temos como fugir disso”, diz entre risos, frisando que é preciso ultrapassar os obstáculos culturais, as referências que vêm do senso comum e que abrangem pessoas fora deste movimento, como o homem que faz assédio de rua ou que bate na mulher. 

Neste âmbito, Carol Rosseti lançou recentemente também a cartilha ilustrada Vamos Conversar, um projeto em que participou com a ONU Mulheres e várias instituições brasileiras sobre violência doméstica e familiar contra as mulheres. E em vias de se tornar um projeto maior da ilustradora criou as personagens Lila e Sú, destinadas a falar sobre esta temática com crianças em idade de formação. Tudo porque o diálogo tem de começar cedo.

* O mundo precisa destas mulheres.

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CLÁSSICAS
FAMEL ZUNDAPP 1977

CASAL BOSS

ZUNDAPP MACAL 1964

CASAL EFS 101M

ZUNDAPP EFS 220

SACHS LOTUS V6

FUNDADOR 50

FLANDRIA

CONFERSIL

FLORETT

BMW

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ESTA SEMANA NA
"DELAS"

Endometriose
“Estarei doida? Serei fraca?
 Serei mariquinhas?”

Sempre tive dores menstruais. Desde os 11 anos. Todos diziam que era normal. Aos 15, comecei a tomar a pílula para regular as menstruações e por picos anémicos devido à perda de sangue por longos períodos de tempo. Foram várias as pílulas. Mais tarde, para além das dores menstruais, comecei também a ter dores nas relações sexuais.
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Tinha 21 anos quando casei a 8 de março de 2008. Estava cheia de planos para o futuro. Sonhava ter filhos… Dois meses depois começaram as idas às urgências: dores abdominais e pélvicas muito fortes. Quando as dores coincidiam com a menstruação, os médicos diziam-me que a solução era engravidar; fora do período menstrual, as dores eram apendicite ou infeção urinária – doenças nunca confirmadas por análises ou exames. Fui encaminhada para um hospital público de referência em ginecologia. O médico disse que o que melhor se encaixava na minha sintomatologia era a endometriose. Fiz indução de menopausa durante seis meses.

Doença psiquiátrica?
Já em agosto de 2009 realizei uma cirurgia que viria a confirmar a endometriose. Cinco meses de melhorias e voltou tudo novamente: dores exuberantes, idas ao hospital, mais exames, novas terapêuticas. Como nada resultava, seguiu-se uma segunda cirurgia, em julho de 2010. Três meses depois dei entrada no hospital com hemorragias, imensas dores e ninguém me conseguia explicar como era possível. Continuei com a indução da menopausa. Nesta fase, as dores já se tinham alastrado para a coluna e para a perna direita. Todos os médicos diziam que não existiam causas plausíveis para estes sintomas e que não poderiam ser causados pela endometriose.

Nesta fase surgiam-me várias perguntas: Estarei doida? Serei fraca? Serei mariquinhas? Serei hipocondríaca?
No hospital decidiram que o melhor seria fazer um tratamento de fertilidade para engravidar. A lista de espera era muito grande e o desespero era muito. Decidi pedir uma segunda opinião. O médico particular que consultei achou muito estranha a minha história. Depois do exame ginecológico e de uma ressonância à coluna disse-me que engravidar não era o mais indicado e que achava que eu tinha endometriose do nervo ciático. Referiu ainda que em Portugal não havia forma de tratamento e que o único médico que operava este tipo de situação estava na Suíça.

Falei sobre tudo isto ao médico-cirurgião do hospitalar que me tinha operado. “A Tânia é muito nova, esta doença é muito perturbadora e às vezes as dores que permanecem são psicossomáticas, eu tenho um amigo psiquiatra e gostava muito que a visse” – foi a resposta dele. Será que o médico tinha razão? Eu estava era com problemas psíquicos?! Entretanto, a dor na perna piorou ao ponto de começar a coxear. Decidi regressar ao médico de infertilidade do hospital privado e pedir que me ajudasse. Como não tinha um diagnóstico certo e o meu médico-cirurgião do serviço público não concordava que eu tivesse qualquer tipo de problema, o estado português não financiaria o tratamento no estrangeiro.
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Desesperada, em março de 2011 decidi ir por minha conta a uma consulta na Suíça, com o Professor Doutor Marc Possover, neuropelveologista e ginecologista. Disse-me que tinha de ser operada, por ter uma compressão do nervo ciático, causada pela endometriose. Mandou-me parar com a terapêutica que estava a fazer de indução da menopausa e tomar um medicamento que só existia na Alemanha.

De volta a Portugal e com a ajuda do médico de infertilidade do hospital privado consegui comprovar este diagnóstico. Através de um centro hospitalar público e com o apoio de uma médica dedicada e especializada em endometriose, para quem fui encaminhada pelo médico privado, consegui ser operada em junho de 2011 na Suíça. O resultado da cirurgia foi estrangulamento do nervo ciático a nível do glúteo e da coluna, por varicoses, devido a mal formações vasculares e fibroses pela endometriose. Depois da cirurgia voltei a tomar pílula contínua e fiquei sem conseguir mexer a perna direita. Estive de cadeira de rodas durante uns meses, fiz reabilitação, recuperei parte dos movimentos da perna. Quando estava a retomar a minha vida normal, voltaram as crises de dores intensas. Em dezembro de 2011 dei entrada nas urgências devido a dores exuberantes e a fortes hemorragias.

Fui procurar a médica especialista em endometriose que tratou do meu processo para ir à Suíça. Após novos exames e terapêuticas, avançamos para uma nova cirurgia e fui então operada – a quarta vez – em fevereiro de 2012, onde me foram retiradas fibroses, aderências dos ligamentos útero-sagrados e diversos focos de endometriose.

Reforma aos 27 anos
Mais uma vez fiquei bem durante pouco tempo. Voltaram as dores fortes, as idas às urgências. No final do verão voltaram as dores na perna direita que foram sempre piorando. Em 2013, após meses de muita agonia, de dependência em morfina e de muita dependência física – ao ponto de necessitar de ajuda para tomar banho, não conseguia andar, não tolerar os lençóis, nem meias, nem sapatos, nem a água do duche –, decidi arriscar e colocar um neuroestimulador neuromedular com o objetivo de inibir a passagem de dor melhorando assim a mobilidade. Seguiram-se três cirurgias para ajudar a diminuir a intensidade das minhas dores e para eu voltar a andar, mesmo que com a ajuda de canadianas. No final de contas, fui reformada por invalidez. Com apenas 27 anos senti, mais uma vez, que a endometriose me estava a roubar tudo.

Além da situação extremamente dolorosa da perna, mantive sempre quadros agudos e bastante intensos de contrações pélvicas, como se estivesse em trabalho de parto. Foram imensas idas às urgências por dor excruciante no abdómen e pelve. No verão de 2014, desenvolvi ainda contrações intensas da bexiga e do intestino. O ponto crítico deu-se no final de agosto em que já tinha de ser algaliada e em que todos os dias perdia imenso sangue do intestino. Perante este quadro, decidimos avançar com uma cirurgia inovadora de bloqueio do plexo hipogástrico, que foi sem dúvida uma dádiva: consegui voltar a ter um funcionamento normal da bexiga e do intestino.

Na passagem de ano de 2014/2015 fiz outra intervenção inovadora de paralisação do meu útero com Toxina Botulina, o que também – finalmente e felizmente – teve um resultado excelente e permitiu, após tantos anos, o controlo das contrações uterinas.

Voltei foi a sentir dores intensas na perna direita. Concluiu-se que deveria haver novas compressões do nervo ciático e que o melhor seria regressar à Suíça. Mas após ouvir diversos médicos que acompanham o meu caso, decidiu-se que o mais sensato seria ir a uma consulta a Santander (norte de Espanha) a um médico especialista em tratar ciáticas de origem não discogénica.

Novamente, por minha iniciativa, fui à consulta com Dr. Perez Carros, em julho de 2015. Verificou-se que mais uma vez há compressão do nervo ciático e que necessitava de fazer uma artroscopia da anca, por síndrome do glúteo profundo, com o objetivo de melhorar em 75% a dor e em 30% a locomoção, sendo esta cirurgia mais simples e menos invasiva do que a que realizei na Suíça em 2011. Neste momento, se não tivesse o neuroestimulador não teria qualquer mobilidade da perna direita. Contudo, como o nervo estava extremamente estrangulado, o aparelho já não era suficiente para que não sentisse dores constantes e conseguisse movimentar-me devidamente. Era necessário recorrer a esta nova cirurgia.

Campanha solidária
Este tipo de intervenção não existe ainda em Portugal. Infelizmente, a equipa médica que me acompanha, por diversos motivos, não conseguiu enviar-me para Espanha, através do programa que há no SNS.
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Um grupo de amigos juntou-se e criou um movimento solidário chamado “APOIA A TÂNIA – DE SALVATERRA A SANTANDER COM A ENDOMETRIOSE”, para angariar o dinheiro necessário para fazer a cirurgia. Em um mês conseguiram mais do que esse valor.

Fui operada a 30 de setembro de 2015, em Santander. Na cirurgia descobriu-se que, afinal havia várias compressões e por isso a cirurgia foi mais extensa e era suposto ter uma recuperação muito lenta, muito dolorosa e prepararam-me para a possibilidade de ficar com perda total e permanente de movimentos no pé direito. Por indicação médica, às oito semanas, deveria iniciar a recuperação motora, mas apenas e somente em meio aquático. Mais uma vez, pelo SNS não havia possibilidade pois não havia nenhum centro capacitado de meios aquáticos e que me permitisse fazer uma recuperação intensiva ao estilo de Cuba.

Devido à grande onda de solidariedade, conseguiu-se ultrapassar significativamente o valor necessário para a cirurgia e, por isso, o dinheiro que sobrou seria para eu usar na minha recuperação. Após pesquisas intensivas, telefonemas e várias questões, decidi que o único sítio que poderia conceder-me tal recuperação seria um centro termal específico em Portugal.

Entrei nas termas de cadeira de rodas, sem qualquer tipo de movimento no membro inferior direito, com muitas alterações de retorno venoso e de sensibilidade. Hoje, após quatro meses, o milagre aconteceu: estou a andar sem qualquer tipo de apoio, sem qualquer tipo de ajuda! SIM, SOZINHA!!…

Infelizmente a endometriose é mais teimosa e chata do que eu – e acreditem que sou bastante teimosa – e já tenho novos focos. Num futuro próximo uma nova batalha irei travar com esta minha “amiga”.

Ainda procuro o meu final feliz e quero acreditar que um dia ele vai chegar. É esta esperança que me mantém de pé todos os dias e não me deixa baixar os braços na procura de respostas para o meu problema, que até ao momento, é único no país, devido à sua complexidade.

* Testemunho de Tânia Santos, 29 anos, de Foros de Salvaterra de Magos.
Uma senhora de muita coragem!

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Esta ponte em Portugal 
tem a espessura de dois dedos

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UMinho participa na construção 
de uma ponte sustentável

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ESTA SEMANA NA
"SÁBADO"

Quem é a mulher que não quer ser primeira-dama?

Filme a preto e branco: anos pré-revolucionários. Marcelo Rebelo de Sousa era assistente de Direito Internacional Público, na Faculdade de Direito de Lisboa (FDL), quando pela frente lhe apareceu uma estudante chamada Rita Amaral Cabral. A jovem tinha obtido apenas 11 valores na prova escrita e queria melhorar a nota em exame oral. Alegava que a correcção da frequência estava errada, porque tinha citado a posição do regente da cadeira, o professor André Gonçalves Pereira. Como, porém, o assistente Rebelo de Sousa tinha uma opinião diferente sobre a mesma matéria, por mera teimosia manteve-lhe o 11. Mau começo. Mas havia de piorar…
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Voltaram a encontrar-se noutra prova oral, desta vez a uma cadeira de Economia. Marcelo era o examinador, com ordens expressas do professor regente para não dar mais do que 15 valores à mesma jovem, uma vez que o 16 estava reservado para o melhor aluno da turma. Para cumprir as ordens, Rebelo de Sousa, então com uns 24 anos, sacou de um truque comum: confrontou a aluna com um exame difícil, mas ela correspondeu. O juiz conselheiro Pinheiro Farinha, presidente do júri da oral (antes do 25 de Abril havia juízes a acompanhar as orais na FDL), achou que a rapariga merecia 18 valores. Aflito, Marcelo disse-lhe ter instruções para lhe dar apenas 15, portanto, mesmo desrespeitando as ordens que recebera, não iria além do 17. Assim foi. No dia seguinte, Marcelo foi repreendido pelo regente da disciplina.

Filme a cores: eleições para Presidente da República, em Janeiro de 2016. Rita Amaral Cabral não entra na campanha eleitoral de Marcelo Rebelo de Sousa para o Palácio de Belém. Ou melhor, entra. Mas sai. Vai com amigos a uma acção em Lisboa, na estação de Santa Apolónia, e vai-se embora de fugida para não falar aos jornalistas. Não faz campanha. Não será primeira­-dama. Marcelo Rebelo de Sousa e Rita Amaral Cabral não são casados. Não vivem juntos. A situação do casal configura mais uma originalidade por entre todas as da personalidade do Presidente eleito. Ele nunca deixou a casa que habita desde 1975, na Rua Conde Ferreira em Cascais. Ela vive em casa dos pais, no Estoril, hoje apenas com o pai de 90 anos. A mãe já morreu.

Oficialmente, trata-se de um namoro. Rita Amaral Cabral aparece frequentemente nas revistas sociais ao lado de Marcelo, apresentada como "a namorada", seja em casamentos de cerimónia, jogos de ténis, inaugurações, ou tão simplesmente quando surgem ambos de fato­-de­-banho a apanhar sol na praia. É a namorada de Marcelo desde 1982. Resultado: pela primeira vez desde 1974 não haverá primeira-dama, ou cônjuge do Presidente, uma figura que desde a presidência de  Jorge Sampaio passou a ter enquadramento legal. Marcelo explicou à SÁBADO porque prescindia desse resquício monárquico ou influência norte-americana: "Acho que nem é o problema jurídico da Constituição não prever [a existência da primeira-dama]. Tornou-se consensual nesta campanha e é um ponto relativamente novo na democracia portuguesa. Foi consensual achar-se que o Presidente é o Presidente e que, como a figura da primeira-dama não existe constitucionalmente, não tem de existir na prática." Apesar da insistência da SÁBADO, não quis dizer uma única palavra sobre Rita Amaral Cabral que, por sua vez, não respondeu aos nossos contactos.

Juntos mas separados por obediência religiosa
A relação entre os dois tem quase 35 anos. No início dos anos 80, depois daqueles exames orais falhados, voltariam a encontrar-se. Ele participava na comissão de restruturação do curso de Direito. Ela já era advogada e assistente na faculdade. Seriam ambos eleitos para a Assembleia de Representantes da Universidade de Lisboa. Ela mais à direita do que ele, proveniente de uma sensibilidade próxima do CDS. Aproximaram-se no Outono de 1981, depois de umas eleições para o Conselho Directivo da Faculdade, em que ficaram sozinhos a fiscalizar a urna de voto, enquanto os representantes das listas de esquerda foram jantar. Fiscalizar eleições não será um momento de sonho romântico para a maioria das pessoas, mas acabaram por cear nesse dia. E começaram a sair.
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Marcelo Rebelo de Sousa tinha-se separado definitivamente da mulher nas vésperas da morte de Sá Carneiro: a separação judicial de pessoas e bens foi declarada a 2 de Dezembro de 1980. Casara em 1972 com Cristina Motta Veiga. Tinham dois filhos. Não se divorciaram de facto por causa das convicções religiosas de Marcelo. Segundo a lei, a separação consumava-se natural e juridicamente em divórcio três anos depois, em 1983. Mesmo mantendo a relação com Rita Amaral Cabral, Rebelo de Sousa dirá ao juiz que está disposto a refazer a vida com a ex-mulher. O catolicismo de ambos é uma espécie de estoicismo. Marcelo costuma dizer que Rita esteve sempre disponível para aceitar que a prioridade dele era a família, por ser católica, desde que ele entendesse refazer a relação. Mas Cristina Motta Veiga recusou: estava à espera do papel do divórcio para se poder casar de novo e também seguir com a sua vida.

Apesar de livres, Rita e Marcelo nunca se uniram pelo sacramento do matrimónio. "Não me voltarei a casar nunca mais", disse Marcelo a Clara Ferreira Alves  numa entrevista ao Expresso em 1996, quando era líder do PSD. "A Igreja Católica não aceita o divórcio e eu concordo. E recuso-me, pelas mesmas razões de princípio a pedir a anulação do casamento." Falava também por Rita Amaral Cabral, que jamais se pronunciou publicamente sobre o assunto e nunca deu entrevistas: "Tive a sorte de encontrá-la [à Rita] porque ambos partilhamos da minha convicção católica de que o matrimónio dura até à morte. Tive a sorte de que a mulher a quem tive de pedir sacrifícios concordasse inteiramente."

Dadas as circunstâncias, a família Amaral Cabral, tradicional e conservadora, teve dificuldade em aceitá-lo. Apesar de tudo, os anos fizeram o seu trabalho e Marcelo acabou por ser adoptado e até foi um tio de Rita que o levou para a Fundação da Casa de Bragança. Do lado Rebelo de Sousa, apesar de ter apresentado a nova namorada a familiares e aos amigos mais próximos logo em 1982 –  "ela é a minha sensação espiritual", dizia ele –, Rita frequentava pouco os eventos da família. A mãe dele, Maria das Neves, chegou porém a confidenciar que gostava de ver Marcelo e Rita casados. Nunca aconteceu, apesar de Rebelo de Sousa ter feito uma declaração sentida, pública e marcante sobre o que Rita Amaral Cabral significava na sua vida, na festa de casamento do filho Nuno.

Seis anos mais nova do que Marcelo, Rita Maria Lagos do Amaral Cabral nasceu a 21 de Março de 1954. É a mais velha dos quatro filhos de Maria Elisabeth da Silva Lagos e de Joaquim Emílio do Amaral Cabral. Não admira que a família não apreciasse a originalidade da re lação com Marcelo. Os dois filhos homens, João Paulo e Manuel Gonçalo, casaram com duas filhas do empresário José Manuel de Mello (Rita pertence ao conselho de ética do Grupo Mello Saúde). Maria da Luz, a filha mais nova, casaria com um primo afastado: o empresário Miguel Pais do Amaral (conde de Anadia), de quem viria a separar-se recentemente.

Uma herdeira milionária
Lagos de um lado e Amaral Cabral do outro, Rita é riquíssima da parte Lagos e fidalga – mas apenas rica – da parte Amaral Cabral. As duas famílias são de Oliveira do Hospital, distrito de Coimbra, onde se mantêm as propriedades e a casa agrícola familiar de que Rita é uma das sócias e gerentes. Ainda há quem se lembre de a ver por lá a montar a cavalo nas férias de Verão. É um daqueles casos em que a nobreza se junta ao dinheiro novo. Entre os Cabrais há toda uma linhagem de advogados e juristas. Joaquim Emílio, o pai, formou-se em Direito em Coimbra, assim como o avô Aníbal, que chegou a ser assistente na mesma universidade. 

Um tio-avô chamado Armando Amaral Cabral ascendeu a juiz do Supremo Tribunal de Justiça durante a ditadura. Teve outras figuras curiosas na família: Alberto Madureira, tio paterno, foi um ferrenho nazi. Ofereceu-se para médico de Hitler, foi condecorado pela Alemanha nazi, e voluntariou-se para a frente russa.
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A parte maior da fortuna – de que foi herdeira parcial – foi acumulada pelo avô João Rodrigues Lagos e pelo seu irmão Manuel. Eram de Lagos da Beira, no concelho de Oliveira do Hospital, e ficaram ricos com o volfrâmio que Salazar vendia aos dois lados do conflito durante a II Guerra Mundial. A seguir, investiram na Companhia dos Algodões de Moçambique. Era um monopólio protegido. Todo o algodão produzido no território devia ser vendido à firma de que o grupo Espírito Santo também era sócio. As relações com a família Espírito Santo são antigas e prolongam-se até ao presente. Rita Amaral Cabral é uma das melhores amigas de Maria João Salgado, mulher de Ricardo Salgado. "A minha mãe já era amiga dos pais da Rita", diz à SÁBADO Mary Salgado, irmã do ex-presidente do BES.

Rita era uma jovem "séria, sisuda", recorda um amigo de infância, "sempre muito bem arranjadinha e bastante reservada". Continuou discreta pela vida fora. Na faculdade, recorda o colega de turma Ricardo Sá Fernandes, mantinha o perfil: "Muito boa aluna, muito inteligente, muito educada, acessível e discreta." E sem actividade política. Paulo Portas, parente afastado (via família Sacadura Cabral) e antigo aluno de Rita Amaral Cabral a Direito das Obrigações na Universidade Católica, recorda: "Excelente professora, inteligente, segura e didáctica." Sofia Galvão, advogada e ex-dirigente do PSD: "Foi minha professora em 1985/86 e era irrepreensível. Os alunos gostavam dela e respeitavam-na. Quando dei aulas era a pessoa que tinha como modelo. Até há quem diga que nunca entregou o doutoramento por excesso de perfeccionismo." Nuno Morais Sarmento, ex-ministro e dirigente do PSD, foi outro antigo aluno na Católica: "Era uma pessoa aberta, que interagia bem connosco, de sorriso fácil, mas ao mesmo tempo com um lado fechado e duro."

Apesar de avessa a olhares públicos, ocupou lugares com alguma relevância. Primeiro como membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, indicada pela Ordem dos Advogados (entre 2003 e 2008), quando o bastonário era José Miguel Júdice. Depois, a partir de 2012 e até ao colapso do banco em 2014, foi administradora não executiva do Banco Espírito Santo. Era íntima da família Salgado. Aliás, são vários os amigos que dizem à SÁBADO que Marcelo estreitou as relações com Ricardo Salgado exactamente através de Rita Amaral Cabral. Passaram férias várias vezes com Ricardo e Maria João no Tivoli Eco Resort que pertencia ao Grupo Espírito Santo, em Txai, na Baía. Pelo menos em 2009 e 2011 foi lá que comemoraram a passagem de ano. Alugavam barcos na Turquia, embora cada um pagasse os seus. Marcelo dirige­-se a Ricardo Salgado por tu – travaram conhecimento ainda jovens – mas trata Rita por você.

A advogada, da Amaral Cabral & Associados, tinha assento em vários órgãos do extinto BES. Pertencia ao Conselho de Administração como administradora não executiva, onde ganhava uma média anual de 42 mil euros, como em 2013, segundo o relatório e contas do banco. Fazia ainda parte da Comissão de Governo da Sociedade, onde era suposto garantir que não havia conflitos de interesses nas decisões, assim como deveria emitir opinião sobre "princípios e práticas de conduta". Também integrava a Comissão de Operações e Partes Relacionadas, ou seja, fazia parte das suas incumbências acompanhar a relação do BES com as empresas do Grupo Espírito Santo, por exemplo. No dia 13 de Julho de 2014, quando o império se desmoronou e Ricardo Salgado participou na última reunião do conselho de administração, Rita Amaral Cabral fez questão de propor um voto de louvor, que consta da acta a que a SÁBADO teve acesso: "A senhora drª Rita Amaral Cabral tomou seguidamente a palavra para realçar a honra que constituiu integrar o conselho de administração do BES", manifestando uma "honra acrescida em ter tido como presidente da comissão executiva o senhor dr. Ricardo Salgado".
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Na sequência da resolução do banco, Rita Amaral Cabral pôs um dos 19 processos contra o Banco de Portugal devido à decisão de separar o BES em banco bom e banco mau. "É uma pessoa hipercontrolada, inteligente, mas que nunca emitia uma opinião sem antes perceber como se desenvolvia a correlação de forças", diz um antigo administrador. Falava pouco. Não deixava transparecer qualquer intimidade que tivesse com Salgado. Quando começaram os problemas "não mudou a atitude". Mesmo quando toda a gente percebeu que o banco ia acabar, "ninguém fez o mínimo comentário", garante a mesma fonte. Rita Amaral Cabral incluída.

Numa entrevista de pré-campanha ao Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu-a: "O facto de a Rita ter exercido funções de gestão no BES não me cria qualquer embaraço. Em primeiro lugar, considero-a uma pessoa de honestidade, rigor e transparência a toda a prova. Em segundo, não há qualquer processo que a envolva. Terceiro, como é próprio de uma sociedade democrática e culta, as nossas vidas profissionais e patrimoniais são separadas."

Também era administradora não executiva da Semapa (grupo industrial na área dos cimentos, energia e pasta de papel), da Cimigest e da Sodim, tudo empresas do grupo liderado por Pedro Queirós Pereira, que entrou em conflito com Ricardo Salgado. Do lado da cimenteira, ficou a percepção de que Rita teria tido um papel na estratégia de Maude Queirós Pereira – que era casada com João Lagos, um dos melhores amigos de Marcelo – contra o irmão Pedro Queirós Pereira, para passar o controlo do grupo para a família Espírito Santo. "Foi uma peça fundamental por ser próxima da Maudezinha", diz uma fonte ligada a Queirós Pereira. Se ficasse maioritário na Semapa, Ricardo Salgado poderia eventualmente conseguir consolidar as contas e tapar os prejuízos da Rioforte.

Sempre dentro e sempre fora da política
Rita Amaral Cabral poderia ter iniciado uma carreira política que nunca quis ter quando Francisco Pinto Balsemão chamou Marcelo para secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, em 1981. Ele precisava de um ajudante. A primeira pessoa a ser sondada para o lugar de subsecretária de Estado foi Rita Amaral Cabral. A ex-aluna e namorada, recusou. A escolha recaiu em Luísa Antas, de 25 anos, outra jovem antiga aluna.

Em Junho de 1982, Balsemão remodelou o Governo. Marcelo tinha pedido para sair. No dia em que foi a São Bento despedir-se, pediu a Rita Amaral Cabral para o ir buscar, pois ia deixar de ter motorista. Segundo a versão de Marcelo Rebelo de Sousa, quando ele saiu da residência oficial, um funcionário chamou-o. Afinal Balsemão queria voltar a falar com ele. Nascimento Rodrigues recusara o lugar de ministro adjunto e não havia tempo para procurar outro. Tinha de ser Marcelo. Em vez de sair, ficou como ministro dos Assuntos Parlamentares. Quando entrou no carro, Rita perguntou: "Finalmente livres?" Nada disso. "Não. Agora sou ministro." Ela empertigou-se: "Está a brincar comigo?... Então combinámos que saía…" A explicação não era, de facto, muito convincente.

Embora tenha sempre preferido a sombra às luzes da ribalta, Rita Amaral Cabral seguiu de muito perto a vida política de Marcelo Rebelo de Sousa. Em 1985, no mítico congresso da Figueira da Foz, ele estava preparado para chegar a líder. Mas acabou por ser a tendência por ele liderada, a Nova Esperança, a dar a vitória a Cavaco Silva. No fim do congresso, Marcelo partilhava as suas angústias com a namorada ao auscultador de um telefone fixo: "Rita, vamos ter este homem 10 anos como primeiro-ministro e 10 como Presidente da República." Ela não estava a ver o filme: "Ó Marcelo, você está perturbado..." Não estava.

Em 1988 a jurista ganhou uma bolsa para fazer uma investigação na área do Direito em Munique. Passou lá três anos. Nesse período, Marcelo viajava para a Alemanha quase de 15 em 15 dias e aproveitava as bibliotecas alemãs – falam ambos alemão – para preparar as suas provas académicas de agregação. Ela estudava Direito Privado. Ele aprofundava os conhecimentos em Direito Público. Mas também procurava inspiração. Foi em Munique que teve notícia de que Walter Momper, o burgomestre social-democrata de Berlim, mergulhara com toda a sua equipa nas águas geladas de um rio em defesa do ambiente. Plagiou a ideia para a aplicar como candidato às eleições autárquicas para a câmara de Lisboa em 1989. Aqui nasceu o famoso mergulho no Tejo poluído. Ela achou que era uma ideia de doidos e a iniciativa eleitoral mais famosa da democracia portuguesa foi decidida com Rita a protestar pelo telefone: "Mas quem é que lhe vende essas ideias? Isso é uma loucura..."
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O regresso a Lisboa aconteceu em 1991. Mantiveram o estilo de vida: juntos, mas separados. A queda do cavaquismo teve influência na vida de ambos. Nogueira sucedeu a Cavaco e Marcelo sucedeu a Nogueira, em 1996. Tal como não apareceu agora na campanha para Belém, Rita não acompanhou Marcelo no primeiro congresso da sua liderança, em Santa Maria da Feira. Começou a dar a cara com maior frequência em 1998, no congresso de Tavira. Quando os barrosistas desertaram do núcleo duro de Marcelo por causa da Alternativa Democrática com Paulo Portas, Rita reagiu com mais emoção do que o seu racionalismo poderia sugerir.

Quando se trata de Marcelo, perde a racionalidade, diz um amigo. Num dos camarins ocupados pelo líder, ela dirigiu-se a Nuno Morais Sarmento: "Consigo não tenho problema nenhum, porque foi claro e disse o que tinha a dizer frontalmente, mas ao Zé Luís [Arnaut] não perdoo..."

Embora distante, esteve sempre presente. Foi ela que contou pelo telefone a Marcelo, que estava em Roma, o que Paulo Portas ia dizendo numa entrevista que acabaria por matar a aliança pré-eleitoral com o PSD. Foi ela que disse aos amigos que não valia a pena tentar demovê-lo, porque ele estava mesmo decidido a demitir-se da liderança do partido. Nesse dia fatídico, em que Marcelo caiu e Portas ficou, jantaram juntos no Visconde da Luz, em Cascais. Encontraram Daniel Proença de Carvalho com a mulher numa mesa e juntaram-se ao casal.

Uma influência determinante
Ninguém duvida que Marcelo só avançou para a candidatura a Presidente porque ela aceitou o sacrifício. Houve outros momentos em que foi acelerador ou travão na vida política ou de comentador do namorado.

Quando Durão Barroso deixou o Governo para ir para a Comissão Europeia, em Junho de 2004, foi freio. A reunião dos apoiantes de Marcelo realizou-se em casa da própria Rita, com Leonor Beleza, Isabel Mota, Marques Mendes e Manuela Ferreira Leite. Ela argumentou que não havia nada a fazer senão ficarem quietinhos. Santana Lopes estava há dois anos a trabalhar para o partido e os membros do Conselho Nacional esmagariam qualquer hipótese de alternativa.

Se aqui Rita foi gelo para arrefecer o entusiasmo marcelista, noutras circunstâncias combinou-se com amigos para o levar a avançar. Em Abril de 2008, quando Luís Filipe Menezes se demitiu da liderança do PSD, José Miguel Júdice, amigo de ambos, quis convencer Marcelo a regressar à sede na rua de São Caetano. Havia uma indefinição, sobretudo entre Rui Rio e Manuela Ferreira Leite. "Convidei-os para jantar para o convencer a candidatar-se à liderança do PSD e ela entrou na minha conspiração para o tentar entusiasmar", recorda o advogado e antigo dirigente do PSD à SÁBADO. "Ela ajudou-me, não porque gostasse da ideia, mas por achar que era uma coisa que o Marcelo Rebelo de Sousa devia dar ao País." Dessa vez foi  mesmo o professor que não quis.
São vários os amigos a dizer que ela preferia vê-lo arredado do palco político. Tudo o que fosse para além do comentário era demais. "Por ela, o Marcelo não fazia carreira política", garante Júdice. Até nas presidenciais terá pesado o mesmo argumento: o facto de Rita achar que a candidatura dele era importante para Portugal, apesar dos transtornos para a vida dos dois.

Na carreira de Marcelo no comentário político foi ainda mais determinante. Rebelo de Sousa chegou a ter tudo acertado com Emídio Rangel para se inaugurar a fazer comentário televisivo na SIC, onde à partida tinha audiências e influência garantida. Mas Miguel Pais do Amaral, que era casado com a irmã mais nova de Rita, Maria da Luz Amaral Cabral, e que passava férias em comum, pediu à cunhada  para o influenciar. Foi a própria Rita, durante um jantar em sua casa com Emídio Rangel e Margarida Marante, que argu mentou com o então director da SIC, explicando­-lhe, delicadamente, que o analista político devia ir para a TVI. O projecto estava a ser relançado e havia ali uma obrigação de ajudar o cunhado. Era uma questão familiar, que havia de acabar mal em 2004. Marcelo sairia da estação zangado com Pais do Amaral e com corte de relações familiares por causa das críticas ao Governo de Pedro Santana Lopes.

Nos comentários televisivos, Marcelo tinha em Rita Amaral Cabral a sua principal crítica e conselheira. Sempre que pôde, acompanhou-o nas idas aos estúdios ao longo dos anos, fosse na TVI, na RTP ou na TVI de novo. Advertia-o quando achava que os temas eram demasiados. Aconselhava-o a defender-se quando ele estava muito cansado. Sugeria temas. Por vezes discordava dele. Ajudava-o a escolher as gravatas. Achava tenebrosas as de riscas. "Ia muitas vezes com o professor à RTP", recorda a jornalista Maria Flor Pedroso, e confirma: "Percebi que ela tem uma enorme influência sobre ele, o que é normal."

O direito das pessoas à intimidade
Os amigos corroboram que essa influência acontece em todos os aspectos da vida do casal. "É uma voz muitas vezes decisiva, muito escutada. Ela tem enorme influência sobre ele", repete um grande amigo de Marcelo. Quando acha que o frenético companheiro está a passar das marcas do engraçadismo, é capaz de lhe dizer: "Você parece que é parvo!" Mas acha-lhe uma graça infinita. Outro amigo do casal: "É uma pessoa fundamental, porque tem o poder de o fazer descer à terra constantemente. É muito importante para o equilíbrio dele." Um velho conhecido é menos complacente: "Não é a pessoa mais aberta do mundo. Comporta-se como sendo fria e distante e é muito difícil tocá-la emocionalmente, mas ele tem uma grande dependência emocional dela."
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A reserva da intimidade e a discrição mediática de Rita Amaral Cabral não é apenas uma forma de vida. Em 1989, a jurista escreveu um ensaio intitulado O Direito à Intimidade da Vida Privada, que foi publicado num volume de estudos em memória do professor Paulo Cunha. Reconhecia a existência do confronto entre o "interesse público versus interesse privado". E especificava que a "extensão da reserva" da vida íntima das figuras públicas face à exposição mediática variava conforme o caso e a condição das pessoas. Dava exemplos: "Tem de aceitar-se que os eleitores devem ter a possibilidade de conhecer se um candidato educa os seus filhos em conformidade com a fé que proclama confessar." E acrescentava: "Muitas vezes o próprio estado dessas pessoas exige que elas exibam a sua vida e sobre elas concentrem a atenção popular". Embora também defenda que a vontade de uma determinada pessoa de estar afastada da vida pública aumente o espaço dessa intimidade, Rita Amaral Cabral tem a consciência de que ser mulher ou namorada – ou quase as duas coisas – de um Presidente da República a coloca no centro do espaço público sujeito ao escrutínio. 

Mesmo que não queira ser primeira-dama.

* Sem comentários.

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