segunda-feira, 6 de outubro de 2014

UMA GRAÇA PARA O FIM DO DIA

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PORQUE NÓS

NOS INDIGNAMOS!




Como os investidores 
foram iludidos no BES

Fez nesta sexta-feira dois meses que o BES foi resgatado. Enquanto prepara o futuro do Novo Banco, a equipa de Eduardo Stock da Cunha tem de enfrentar os problemas de uma herança pesada.

A bolsa de Lisboa não gostou que Paulo Portas apresentasse a demissão de ministro dos Negócios Estrangeiros ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho na primeira terça-feira de julho de 2013. O índice PSI 20, que reflete as cotações das principais ações portuguesas, caiu 1,5% nesse dia.

Emília Vieira aproveitou a fraqueza da bolsa de Lisboa para comprar ações do Banco Espírito Santo (BES) nessa altura. Entre junho e julho, comprou títulos do BES a preços entre 62 e 70 cêntimos. “Investimos, à luz da informação disponível na altura, com grande margem de segurança”, conta a presidente da Casa de Investimentos, que gere patrimónios a partir de Braga. “A cotação de mercado do banco, a posição acionista tão elevada da família, que eram também os gestores do banco, e o facto de não ter recorrido à ajuda do Estado foram os motivos que nos levaram a investir 1,5% do valor das carteiras dos nossos clientes”, revela Emília Vieira.

Emília Vieira não estava sozinha a investir no BES. No final de junho de 2013, os gestores de fundos portugueses tinham 10,7 milhões de euros aplicados no segundo maior banco nacional, o equivalente a 0,9% dos capitais totais investidos pelos fundos em ações. O BES estava na terceira posição das ações favoritas do setor financeiro, a seguir ao espanhol Bankia. No primeiro lugar estava o luxemburguês Espírito Santo Financial Group (ESFG), que, apesar de deter 27,6% do capital do BES, controlava o banco português. Todavia, 99,5% das ações do ESFG detidas pelos gestores portugueses estavam na mão de um único fundo: o Espírito Santo Premium.

“Pela positiva, destaca-se o nosso investimento em ações nomeadamente na estratégia adotada ao nível do investimento no setor financeiro nacional”, escreveram os gestores do Espírito Santo Premium sobre o desempenho do fundo no primeiro semestre de 2013. O relatório não mencionava, todavia, que, ao longo desses seis meses, a ESAF, a entidade gestora controlada pela ESFG, apenas investiu em duas ações: do BES e da ESFG. No final de junho 2013, o Espírito Santo Premium tinha 40,2 milhões de euros em ações da ESFG, o equivalente a 20,7% do seu património. Na altura já se sabia que a exposição ao Grupo Espírito Santo (GES) não poderia durar muito mais tempo.
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Crónica de um resgate antecipado

Quatro anos antes, em 2009, o Parlamento Europeu aprovou novas regras para os fundos de investimento. Entre elas, os fundos especiais de investimento, como o Espírito Santo Premium, teriam de limitar a exposição aos títulos emitidos pelo grupo da entidade gestora. Esperava-se que a transposição da diretiva europeia fosse efetuada até ao verão de 2011, mas foi só em maio de 2013 que o Governo publicou o novo regime jurídico dos fundos. Na prática, as novas regras só entraram em vigor em novembro do ano passado.
Até ao final de outubro de 2013, a ESAF teve de despachar não só as ações do ESFG que detinha através dos seus fundos, mas também os títulos de dívida emitidos por empresas do grupo. Esse era um problema muito maior.

A maior parte das obrigações estavam noutro fundo, o Espírito Santo Liquidez. Ao contrário do Espírito Santo Premium, que não era vendido na rede de retalho do BES, o Espírito Santo Liquidez estava espalhado por cerca de 15 mil investidores, segundo o relatório do fundo do final de 2012. No verão de 2013, o Espírito Santo Premium só tinha cinco investidores institucionais.

A pressão para a alienação da dívida começou a notar-se no mercado. Em apenas dois meses, a ESAF teve de vender mais de 1,8 mil milhões de euros de dívida ligada ao Grupo Espírito Santo que o Espírito Santo Liquidez tinha na carteira. Não se sabe exatamente quem comprou os títulos. “É um mistério”, conta um corretor de obrigações de um banco português. “Fala-se que parte foi empacotada e foi vendida na rede comercial [do BES], parte foi para grandes investidores estrangeiros, na Suíça e no Dubai, por exemplo, e outra parte ficou na PT.”

Em agosto, o Wall Street Journal (WSJ) relatou que uma pequena firma suíça, a Eurofin, criada há 15 anos para administrar o património da família Espírito Santo e das suas empresas, ajudava o grupo a vender dívida. “Por vezes, um veículo gerido pela Eurofin era o único comprador de certas obrigações do BES”, escreveu o WSJ. “A Eurofin ajudava a empacotar grandes somas de dívida de várias empresas Espírito Santo, que eram então vendidas aos clientes do banco.”

As relações entre a Eurofin e a família Espírito Santo ficaram evidentes quando a empresa suíça comprou a Nau Capital em fevereiro de 2012, uma gestora de fundos criada com dinheiro dos Espírito Santo e que tinha como líder João Poppe, sobrinho de Ricardo Salgado. João Moreira Rato, que foi administrador financeiro do BES e depois do Novo Banco, também tinha ligações à Nau Capital.
Outras firmas financeiras, muitas com reputados nomes, facilitaram a venda de títulos do grupo. 
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Sair na altura certa

Apesar de saírem muitas notícias sobre as dificuldades de financiamento do BES, a cotação do banco continuou a subir. Foi então que Emília Vieira começou a vender. “Decidimos vender 80% da posição dos nossos clientes na primeira semana de janeiro [de 2014] a 1,198 euros”, conta a presidente da Casa de Investimento, que agora gere cerca de 60 milhões de euros. “A restante posição foi vendida no início de fevereiro a 1,179 euros na sequência do adiamento das contas do banco.” A cotação continuou a subir até 1,46 euros no início de abril e, depois, começou a derrocada.

“Houve um entusiasmo exagerado”, recorda Emília Vieira, que, antes de fundar a Casa de Investimentos, trabalhou nas principais capitais do mundo financeiro e dirigiu o Mestrado em Finanças da Universidade Católica Portuguesa. A área de investigação preferida de Emília Vieira, que divide as decisões de investimento com o diretor de gestão de ativos, Hugo Roque, é na modelização da probabilidade de solvência. O “entusiasmo exagerado” levou-a a escrever um artigo para a Vida Económica a chamar a atenção dos investidores para a banca. Começava assim: “Às vezes os ‘investidores’ estão dispostos a pagar qualquer preço para entrarem na ‘festa’, convencidos que conseguem sair cinco minutos antes da meia-noite.”

 A análise do Observador às carteiras dos fundos de investimento geridos em Portugal mostra que os gestores de fundos demoraram um pouco mais do que a Casa de Investimentos a abandonar as ações do BES. Os fundos dedicados exclusivamente à bolsa lisboeta, que, em meados de 2013, tinham pouco mais de 4,2% dos seus ativos nas ações do banco, reduziram para 3,5% em março passado e, no final de junho, para 1,4%. No final de julho, no penúltimo dia em que o BES cotou em Lisboa, ainda havia fundos com ações. O Barclays FPA, um plano de poupança em ações, era o que mais tinha: 500 mil ações que valiam o equivalente a 2,1% do capital disponível. Este é o fundo de ações portuguesas que menos ganhou nos últimos 12 meses, segundo a Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios.
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Grandes a sair, pequenos a entrar

Enquanto os gestores profissionais abandonavam o barco, o Banco Espírito Santo convencia os pequenos investidores a participar num aumento de capital, anunciado em maio de 2014. O aumento de capital do BES suscitou uma procura elevada entre os investidores, desde os financeiros da City londrina até aos investidores nacionais que, respondendo à campanha de marketing habitual nestas operações, se dirigiram aos balcões do BES para subscrever as novas ações. O “aumento de capital foi uma ilusão montada em torno da solidez e da estabilidade do banco”, diz o advogado Alberto Vaz, que representa um grupo de pequenos acionistas que agora quer travar a venda de ativos do BES.

 A procura total pelos novos títulos do aumento de capital superou em quase duas vezes os 1.045 milhões de euros que foram colocados em novo capital. Ricardo Salgado, na altura presidente do BES, afirmou após a operação: “dos dez aumentos de capital que fizemos desde a reprivatização, em 1992, este foi o de maior sucesso”. Para o banqueiro, “o êxito deveu-se à elevada confiança, robustez e credibilidade que o banco goza nos mercados financeiros”, uma robustez que “sai ainda mais reforçada com esta operação”, afirmou. Cerca de quatro meses volvidos, “os pequenos investidores que foram ao aumento de capital sentem-se defraudados”, diz Alberto Vaz.

 Os problemas com o GES avolumaram-se logo após o aumento de capital e o banco ressentiu-se na bolsa. As ações do banco caíram de forma acentuada em vários dias consecutivos, uma hemorragia que só foi estancada – temporariamente – quando o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, tentou tranquilizar o mercado. “Se algum capital adicional fosse necessário, por força de riscos que neste momento não estamos a ver, seguramente que há acionistas interessados em participar num aumento de capital do BES”, afirmou Carlos Costa, defendendo: “a solvabilidade é sólida e o BES está capitalizado, tem uma almofada de capital para fazer face aos riscos com que está confrontado, que tem a ver com a evolução da área não financeira da família”.

Estas declarações, proferidas a 15 de julho, continuam a ser alvo de críticas por quem terá aproveitado a queda das ações para investir. Uma semana depois, o Presidente da República, Cavaco Silva, disse, durante uma visita à Coreia do Sul: “o Banco de Portugal tem sido perentório e categórico a afirmar que os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo dado que as folgas de capital são mais do que suficientes para cumprir a exposição que o banco tem à parte não financeira [do GES], mesmo na situação mais adversa.”

Estas declarações, proferidas a 15 de julho, continuam a ser alvo de críticas por quem terá aproveitado a queda das ações para investir. Uma semana depois, o Presidente da República, Cavaco Silva, disse, durante uma visita à Coreia do Sul: “o Banco de Portugal tem sido perentório e categórico a afirmar que os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo dado que as folgas de capital são mais do que suficientes para cumprir a exposição que o banco tem à parte não financeira [do GES], mesmo na situação mais adversa.”

A 1 de agosto, a sexta-feira antes da intervenção, a negociação das ações do BES foi suspensa pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o supervisor do mercado de capitais português, quando os títulos valiam 12 cêntimos e caíam mais de 50%. No aumento de capital, as novas ações tinham sido vendidas a 65 cêntimos cada uma. O Financial Times considerou, recentemente, o aumento de capital do BES como “um dos piores negócios de sempre” na história financeira.

Investidores qualificados?

Alberto Vaz é advogado, um dos que representam os pequenos acionistas que criaram a ABESD – Associação de Defesa dos Clientes Bancários. Esta associação quer não só travar a venda de ativos do BES para que, antes de isso acontecer, se possa passar a pente fino a documentação existente e obter “informação sobre o que existe e o que não existe em termos de património. E saber o que vai ser reembolsado e em que termos”, diz o advogado. “Este está a ser um processo demasiado confuso e com demasiado segredo”, acusa.

A ABESD encomendou um parecer jurídico a uma firma de advogados, que analisou as queixas apresentadas pelos associados. São várias as ilegalidades detetadas. Terá havido violação do perfil de risco do cliente na comercialização de produtos financeiros e, ao mesmo tempo, foi prestada informação incorreta ou insuficiente sobre as características dessas aplicações.

Mais: os clientes queixam-se de que terão sido subscritos ou renovados investimentos sem a sua autorização ou, sequer, o seu conhecimento. “Parece ter havido uma atuação concertada pelos bancos da família Espírito Santo com vista a colocar, a todo o custo, o papel comercial do GES junto dos pequenos investidores”, relata a associação criada no final de junho para reunir casos de pequenos investidores lesados no investimento em papel comercial das empresas do GES.

Mais de 200 clientes tinham, em agosto, pedido ajuda a esta associação, entre os mais de mil contactos feitos. Alberto Vaz, que agora quer inviabilizar a venda dos ativos do BES, relata a mesma situação. “Sabe-se que os funcionários do banco receberam instruções para vender um conjunto de ativos junto dos clientes de retalho que, na maioria das situações, adquiriram esses produtos sem total consciência dos seus riscos. Esses investidores, que confiaram nos seus gestores de conta, foram levados a crer que seria um bom investimento.” Muitos deles serão, contudo, considerados investidores qualificados, por terem investimentos superiores a 50 mil euros, como lembrou no início de agosto a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque.


Também a Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor quer ajudar os investidores lesados. Para isso, lançou um formulário de denúncia que, até esta sexta-feira, recolheu 2.755 informações. “A maioria destes processos encontra-se ainda sob avaliação por parte da associação, para saber se é possível avançar para uma solução judicial”, lê-se no comunicado publicado hoje. Em setembro, André Gouveia, supervisor do serviço de informação, revelou na Proteste Investe, a publicação financeira da associação, que 80% das reclamações prendiam-se com o investimento em ações do BES.
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Arrumar a casa

Enquanto trabalha na venda do Novo Banco, a gestão está a decidir o que faz com os diversos instrumentos financeiros que foram comercializados junto dos clientes. A administração liderada por Eduardo Stock da Cunha propõe a conversão da dívida sénior – ou seja, títulos com menor risco e que transitaram do BES para o Novo Banco – em depósitos a prazo que poderão ser mobilizados pelos clientes dentro de um ano. A solução foi encontrada em acordo entre o Novo Banco, o Banco de Portugal e a CMVM. Os clientes que não querem ficar presos ao Novo Banco durante um ano, vendem os títulos ao balcão com perdas de 10%.

Entretanto, o Diário Económico adiantou que também para o papel comercial das empresas do GES vendido aos balcões do BES haverá uma solução. Ao contrário do que era o plano de Vítor Bento, primeiro sucessor de Ricardo Salgado na liderança executiva do banco, que queria uma solução única para esta questão, Stock da Cunha prefere, segundo o jornal, uma abordagem diferenciada, ou seja, procurando resolver um problema de cada vez. Trata-se, aqui, de cerca de mil milhões de euros em dívida de curto prazo de empresas do GES.

Além disso, segundo noticiou o Jornal de Negócios, clientes de retalho do Novo Banco ainda têm mais de 1.400 milhões de euros bloqueados em produtos comercializados pelo BES e que terão sido vendidos como aplicações de capital garantido. Esta é conhecida como a “dívida oculta” do BES: recursos de clientes que foram aplicados em ações preferenciais do universo BES e contratos de gestão discricionária de carteiras que o banco usou para comprar obrigações suas e instrumentos financeiros do GES. A nova administração quer ajudar estes clientes a recuperar o capital investido e, também aqui, a equipa liderada por Eduardo Stock da Cunha está a trabalhar com o Banco de Portugal e a CMVM no desenho das propostas comerciais para solucionar esta situação.
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Vender quando? E por quanto?

O governador do Banco de Portugal esteve no último fim de semana de setembro em Madrid para contactos com possíveis interessados na compra do Novo Banco. A notícia foi avançada pela imprensa espanhola, citando fontes que notam, contudo, que uma possível operação de venda “está ainda muito verde”. O BNP Paribas é o consultor contratado pelo Banco de Portugal para vender o Novo Banco, o que o ministro da Economia, António Pires de Lima, antecipa para um “prazo razoável”, isto é, “durante 2015″.

O Sabadell, parceiro histórico do Banco Comercial Português (BCP) em Portugal, é um dos nomes citados pela imprensa espanhola como interessado em investir no Novo Banco, apesar de o banco espanhol desmentir que esteja a olhar para as operações do Novo Banco em Portugal. “O nosso sócio de referência em Portugal é o BCP, como ficou evidente pela participação no recente aumento de capital e de termos aumentado ligeiramente a participação. Neste momento, não analisamos nenhuma operação [do Novo Banco] neste país”, garantiu o Sabadell em resposta ao Cinco Días.

O BBVA, que suspendeu o plano de saída do mercado português quando começaram a surgir os problemas no BES, é outra das entidades vistas como interessadas. O Diário Económico adiantou, contudo, que são o Santander e o Banco BPI que estão mais bem posicionados para vir a adquirir o Novo Banco. O BPI contaria com o apoio do também espanhol La Caixa e da empresária angolana Isabel dos Santos, acionista do banco português que poderia, eventualmente, absorver na sua estrutura as operações e os ativos e passivos do Novo Banco. O modelo de venda, dizia o jornal, estará fechado até ao final do ano.

Antes disso, falta ainda a conclusão da auditoria da PwC e espera-se ainda o desfecho da análise do Banco Central Europeu (BCE) à qualidade dos ativos bancários europeus. O que parece ter sido garantido é que não será necessário um reforço de capital do Novo Banco antes da venda. O chamado balanço “base zero” já está fechado e isso torna mais fácil o contacto com potenciais investidores na instituição criada a 4 de agosto.

Será possível vender o Novo Banco pelos mesmos 4,9 mil milhões de euros com que foi capitalizado pelo Fundo de Resolução? “Penso que essa possibilidade está completamente fora de questão”, afirma um analista do setor. Não parece haver muito interesse, diz o especialista, realçando: “a necessidade de o governador do Banco de Portugal ter de ir a Madrid, com uma pasta debaixo do braço, atrair investidores para o banco é revelador disso mesmo”.

Do ponto de vista dos investidores, continua a existir muito pouca visibilidade quanto ao risco de perdas adicionais e possíveis litigações. Mesmo depois da auditoria da PwC e do exame do BCE à banca europeia, é muito difícil que o banco seja vendido ao valor dos seus capitais próprios, ou seja, aqueles que foram injetados pelo Fundo de Resolução. “Se olharmos para os outros bancos portugueses na bolsa, todos estão a negociar a valores inferiores aos seus capitais próprios. E, apesar de tudo, não é comparável a situação dos outros bancos com as dificuldades e os riscos que o Novo Banco ainda enfrenta.”

O BES foi alvo de uma medida de resolução há dois meses. Dentro de 30 dias, os juros pagos pelo Novo Banco pelo empréstimo que recebeu da linha de recapitalização da troika vão sofrer o primeiro agravamento. O custo do empréstimo foi inicialmente definido em 2,95%, mas este valor sofre um agravamento de cinco pontos base à passagem de cada período de três meses. Assim, no início de novembro, a taxa subirá para 3%.

Trata-se, ainda assim, de uma fração do custo de mais de 8% cobrado aos outros bancos (BCP, BPI e Banif) que foram recapitalizados com dinheiro da troika, mas através da emissão de obrigações de capital contingente, ou seja, empréstimos que se transformariam em capital e, portanto, numa nacionalização, caso não fossem reembolsados. Aqui, explicou a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, “não há risco para os contribuintes”, porque se o Novo Banco for vendido abaixo do preço do empréstimo, os outros bancos a operar em Portugal – acionistas do Fundo de Resolução – têm de devolver a diferença.

Se o banco for vendido a um preço inferior a 4,9 mil milhões de euros, terão de ser os outros bancos a suportar a diferença. O impacto, para estes, será “gerível”, acredita o analista. “Mesmo que o Novo Banco seja vendido a zero euros, o pior cenário possível, as imparidades a registar por um banco como o BCP, por exemplo, rondariam os mil milhões de euros, um valor elevado mas gerível”, nota o especialista, que não exclui que haja algum programa de benefício fiscal diferido que suavize, a prazo, o impacto para os bancos. “Há risco de perda de dinheiro de contribuintes?”, pergunta o Observador. “Tudo isto foi estruturado de forma a isso não acontecer, mas nunca se deve dizer nunca.”

IN "OBSERVADOR"
03/10/14


JORNALISMO DE INVESTIGAÇÃO


                                      DAVID ALMAS                     EDGAR CAETANO


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ESMOLA


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 COUNTER WORLD


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〜混沌と秩序、相反するものが共存し錯綜する今、
このCounter World(対比の世界)のなかで生き抜くためには?〜

ー創作ノートー
様々な舞踊ジャンルのバックグラウンドを持つダンサー24名。
まず各々と向き合い対話する。そして各々にとっての未見の、またはありのままの表現を
­探る。
それらをごちゃ混ぜにする。まるで交錯する現代の様に。
それを注意深く見つめたとき、そこからわずかな秩序を見いだすことが出来る。
混沌から見いだす秩序は虚しくもありそして美しい。
各々がそれぞれの美しさを見いだしたとき、私たちの世界には光が差すことだろう。
これは真に美しいものとは何かを問い直すための作品である。


* São estes os caracteres que, pensamos,  descrevem as características desta peça de bailado. 
Alguém que nos ajude a traduzir, obrigada.

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HOJE NO
"A BOLA"

Felipe Massa pediu suspensão da prova
. antes do acidente de Bianchi

Felipe Massa alertou, via rádio, para os perigos que a pista de Suzuka apresentava, tendo pedido, ainda antes do acidente de Jules Bianchi, que o Grande Prémio do Japão fosse suspenso:

«Eu já estava a gritar pelo rádio, cinco voltas antes, que a pista estava com muita água, mas demoraram muito a agir e estava perigoso.»

O piloto brasileiro que, em 2009, sofreu também um grave acidente, durante a qualificação para o Grande Prémio da Hungria, revelou estar «muito preocupado» com a situação do piloto francês da Marussia, que continua em estado grave.

Bianchi despistou-se na 43ª volta da prova e embateu violentamente contra o trator que retirava o carro de Adrian Sutil (Sauber) que, na volta anterior, tinha perdido o controlo do veículo na mesma curva.

* "O que por aí há mais são pilotos", é assim que pensam os donos do circo.

** Hoje, às 23h40, saiba quase tudo sobre as trafulhices no "BES", não perca! Vá a "PORQUE NÓS NOS INDIGNAMOS"
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FORÇA AÉREA
PORTUGUESA

FROTA C-295M DA FAP


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Este filme, realizado por ocasião das 10.000 horas de voo da Frota C-295M ao serviço da Força Aérea Portuguesa, retrata a história desta aeronave, desde o início da sua atividade operacional até aos dias de hoje. Conheça as principais missões do C-295M, operado pela Esquadra 502, sediada na Base Aérea Nº6 - Montijo.


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HOJE NO
"AÇORIANO ORIENTAL"

Dia Mundial da Arquitetura celebra cidades saudáveis e felizes

A Ordem dos Arquitetos (OA) assinala esta segunda-feira o Dia Mundial da Arquitetura com uma programação nacional dedicada ao tema da sustentabilidade das cidades, através de um programa de exposições, debates e conferências, a realizar até ao final de outubro.
 
"Cidades Saudáveis, Cidades Felizes" foi o tema escolhido pela União Internacional dos Arquitetos (UIA) para ser usado como mote nos vários países que aderem às comemorações.
Este tema visa mostrar como o desenvolvimento de práticas sustentáveis tem impacto no espaço urbano.

O Dia Mundial da Arquitetura é assinalado anualmente na primeira segunda-feira de outubro, que este ano é o dia 06, mas as iniciativas, em parceria com as secções regionais e outras instituições associadas ao evento, decorrem ao longo de todo o mês, e algumas exposições ficam patentes até novembro.

De acordo com a programação, hoje será assinado um protocolo entre a OA e a Casa da Arquitetura em Leça da Palmeira, com vista à criação de um museu de arquitetura de âmbito nacional, e é inaugurada a exposição "12 serigrafias de arquitetos" conhecidos pelo desenho, com obras de Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto de Moura, Alexandre Alves Costa, João Carrilho da Graça e Manuel Graça Dias, entre outros.

Em Matosinhos, a vencedora da 9.ª edição do Prémio Fernando Távora, Susana Ventura, apresentará a conferência sobre a viagem realizada, no âmbito do galardão, ao Japão, Noruega, Finlândia, Suécia, República Checa, Áustria e Suíça.

Esta conferência assinala também a abertura da 10.ª edição do galardão, com a apresentação pública dos elementos do júri e do novo regulamento do Prémio Fernando Távora, instituído pela Ordem dos Arquitetos da Secção Regional Norte em 2005.

* Um bom arquitecto é quase sempre um bom ser humano, porque as suas preocupações estão muito para além do bonitinho.

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 MINUTOS DE


CIÊNCIA/16


QUAL O LUGAR MAIS FRIO DO
UNIVERSO?

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HOJE NO
"DIÁRIO ECONÓMICO"


Estradas e ferrovias perderam entre 
20% e 30% dos passageiros

Quebra de procura registou-se apesar de o País ter investido cerca de 1,1 mil milhões de euros anuais nestas duas redes desde 2003, dois terços em rodovias.

 As redes rodoviária e ferroviária nacionais perderam entre 20% e 30% dos respectivos passageiros nos últimos cinco anos. De acordo com uma análise efectuada pela comissão de acompanhamento do processo de fusão da Estradas de Portugal (EP)/Refer, a que o Diário Económico teve acesso, entre 2009 e o final do ano passado registou-se uma perda de clientes nos dois sistemas das redes de transportes: cerca de 20% na rodovia, medidos em tráfego médio diário anual (TMDA) e cerca de 30% na ferrovia, medidos em passageiros/quilómetro. 

A mesma análise da comissão presidida por António Ramalho sublinha que estas quebras de procura nas redes rodoviária e ferroviária nacionais ocorreram apesar de ter ocorrido um forte investimento nos dois sistemas de transportes. "Nos últimos onze anos, entre 2003 e 2013, o investimento nas redes rodoviárias e ferroviárias geridas pela Refer/EP atingiu um montante superior a 12 mil milhões de euros, o equivalente a 1,1 mil milhões por ano", explica uma nota da comissão de acompanhamento do processo de fusão das duas empresas. Nestes valores não estão incluídos os montantes dos investimentos efectuados na rede de infra-estruturas dos metros e nas redes rodoviárias municipais.

Dos investimentos efectuados nas redes da EP e da Refer, a grande maioria, cerca de dois terços - cerca de nove mil milhões de euros - foi destinada às estradas. O restante terço, cerca de 3,1 mil milhões de euros, foi aplicado em investimentos no caminho-de-ferro. "Os maiores investimentos líquidos registaram-se em 2008 na rodovia, com 978 milhões de euros, e em 2004 na ferrovia, num montante de 428 milhões de euros", avança a mesma análise.

O organismo liderado por António Ramalho destaca que este volume de investimento, justifica em parte a dívida das duas empresas, que se situava em cerca de dez mil milhões de euros no final de 2013, concluindo que "são números como estes que merecem reflexão". A sustentabilidade e a análise custo-benefício dos investimentos são dois objectivos do processo de fusão em curso EP/Refer.

* Isto acontece por tanto a Estradas de Portugal como a Refer terem administradores de excelência.

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DANIEL OLIVEIRA

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Tecnoforma e 
o copo meio cheio

Todos sabemos do que estamos a falar quando falamos da Tecnoforma. De tal forma é claro que a empresa moribunda ameaça com processos contra quem disser o evidente. E o evidente que, nos belos e saudosos anos 90, havia dinheiro em barda. Dinheiro europeu, bem fresco, para estourar em "formação". 

Quem não teve um amigo que fez mais do que um curso de informática da CEE? Apesar de tanta gente se fazer desentendida, não estamos propriamente a falar de uma ciência oculta. E era isso que a Tecnoforma fazia, como empresa de referência no setor. E para chegar ao pote era preciso pessoas que conhecessem outras pessoas que tomavam decisões vantajosas. Ou era isso que Passos Coelho fazia ou é um especialista espontâneo na área da formação e um benemérito que trabalha à borla. É escolher.


Tenho lido e ouvido várias pessoas espantadas com o facto de Passos, como Socrates, Cavaco e tantos outros, não darem a sensação de não se terem preparado toda a vida para a possibilidade de serem governantes. Se estivessem a trabalhar para isso não tinham deixado tantas pontas soltas, sejam apenas sinais, suspeitas ou pecados reais. Enganam-se. Pensaram. Só que neste passado, quando muitos dos escândalos de que falamos agora aconteceram, estas pontas soltas não tinham qualquer importância. 

Teriam, em casos extremos, se chegassem à  primeira página de O Independente. Fora esse risco, tudo estava relativamente seguro. Primeiro, porque os cidadãos não davam a estes comportamentos muita importância. Havia dinheiro e a democracia, com a sua exigência, ainda era jovem. Depois, porque em geral eles não se sabiam. O jornalismo era um pouco mais temeroso.


Esta é uma das lições que estes casos nos oferecem e que são sistematicamente ignorada. Não é verdade que haja cada vez mais impunidade. É ao contrário. O que não nos chocava então choca-nos agora, o que não se sabia na altura sabe-se agora. Isso dá uma sensação de degradação da polí­tica quando, na realidade, essa sensação é o resultado de uma exigência democrática acrescida. Com muitos dos escândalos que vão surgindo, alguns já prescritos do ponto de vista judicial, estamos a ser vigilantes com retroativos. Apanhando com a boca na botija políticos que estão hoje preparados para este ambiente mas não o estavam há vinte anos.


Pode ser difícil de engolir, mas o nosso choque com o passado de alguns políticos deve ser também um choque com o nosso passado enquanto comunidade. E, perante isso, percebermos que, com todas as imperfeições, com todos os corruptores e corrompidos, com toda a impunidade e desfaçatez, já estivemos bem pior. Houve um tempo em que o que Passos Coelho fazia na Tecnoforma e o que a Tecnoforma fazia com os dinheiros europeus ou era ignorado ou encarado com naturalidade. Por Passos Coelho, claro. Mas também pela maioria dos cidadãos. Esse tempo não passou completamente. Mas já vamos sabendo um pouco mais e já nos vamos indignando. Como se vê no caso da comissão de inquérito ao negócio dos submarinos, falta que a maioria dos deputados se adapte a este tempo. 

IN "EXPRESSO"
03/10/14

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294.UNIÃO


EUROPEIA







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HOJE NO
"CORREIO DA MANHÃ"

Mãe vende filhas por comida

Duas irmãs, crianças de 12 e 13 anos, foram vendidas pela mãe a um sucateiro a troco de comida e dinheiro, entre 5 e 50 euros. 

Os abusos ocorriam em Paredes, numa zona rural – e a mulher, tal como o pedófilo, foi acusada por abuso sexual de crianças e atos sexuais com adolescentes, mas vai ainda responder em tribunal, sozinha, por lenocínio de menores e maus-tratos.

O caso foi denunciado nos primeiros meses do ano passado por uma vizinha, que suspeitou da presença do homem, de 73 anos, junto à casa da família. Segundo a acusação, desde 2012 que a mãe das meninas lhes batia com as mãos ou com vassouras. Quando a mulher teve relações sexuais com o sucateiro, que vivia nas redondezas, este comentou o aspeto físico das menores e disse que lhe pagaria para estar com ambas.
"Com a autorização da arguida", de 38 anos, as meninas andavam de carro com o sucateiro e iam , à vez, no banco da frente – para que aquele as pudesse apalpar e beijar. A mulher mandava as filhas telefonarem ao pedófilo e marcarem encontros. Dizia que precisavam de comida e de dinheiro. A filha mais velha, hoje com 15 anos, foi quem sofreu mais, já que a mais nova dizia ter "nojo".
Foram retiradas da casa e estão numa instituição. No processo consta ainda uma terceira vítima, de 13 anos, vizinha do sucateiro, com quem este manteve conversas "pornográficas".
O pedófilo ainda lhe apalpou as pernas e, para pagar, carregou-lhe o telemóvel. O homem responde por quatro crimes de abuso sexual de crianças e 36 de atos sexuais com adolescentes, tal como a mãe das menores. Por "instrumentalizar as filhas para a prostituição" e por lhes bater, a mulher está também acusada de dois crimes de maus-tratos e dois de lenocínio de menores agravado. Ambos estão a aguardar julgamento em liberdade. 

* Notícias como esta são de "faca e alguidar"mas reais e nós neste blogue não assobiamos para o lado. Temos a certeza que, apesar de nada justificar esta sordidez,  a miséria com que esta mãe foi "fuzilada" lhe fez perder qualquer sentido de respeito humano. 
Agora o "cabrão" do sucateiro, que por ter dinheiro percebeu que podia "comprar" aquela família de esfomeadas e abusar das meninas, aguarda julgamento em liberdade, não há ninguém naquela terra que lhe enfie um clister de açorda?

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 CONSERVAR ALIMENTOS 
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* Uma informação "EURONEWS"


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17- A HISTÓRIA



DO AUTOMÓVEL



MAIS HISTÓRIAS NA HISTÓRIA


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ATENÇÃO SRS./AS VISITADORES/AS

Esta série foi difundida pela TVE, Rede Minas, em 1986, é portanto muito datada. No entanto até à data indicada, o seu conteúdo tem rigor histórico.


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HOJE NO
"PÚBLICO"

Tele-rastreio diminuiu lista de espera
 de dois anos para apenas um dia

Quando o programa de tele-rastreio dermatológico arrancou no Nordeste transmontano, no início deste ano, a lista de espera para consultas hospitalares da especialidade era de quase dois anos. Hoje a espera é de um dia, afirma Luís Gonçalves, coordenador do Grupo de Trabalho de Telemedicina, que explica que estão a estender o sistema a todo o país e que há mais especialidades na calha. O objectivo é que possa haver uma redução de 70% nas listas de espera de algumas consultas, como a dermatologia, em que a ferramenta pode ser usada. O vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, Jorge Cardoso, considera que a medida poupa recursos, mas que nada em medicina é isento de riscos.


Desde Janeiro deste ano arrancou em Portugal o chamado “tele-rastreio dermatológico”, ou seja, utentes que vão aos centros de saúde com lesões na pele são vistos pelos médicos de família, que avaliam se o doente precisa de ser visto por um dermatologista e se o pode fazer à distância. É no centro de saúde que as lesões na pele são fotografadas, de acordo com regras definidas numa norma da Direcção-Geral da Saúde, e depois enviadas para dermatologistas dos grandes hospitais que decidem se a pessoa precisa de ser vista numa teleconsulta (através de videoconferência) ou de forma presencial no hospital. O que havia até agora em telemedicina no país centrava-se sobretudo num sistema de teleconsultas de várias especialidades no Alentejo e numa consulta de telemedicina de cardiologia pediátrica do Hospital Pediático de Coimbra para países africanos de língua portuguesa. De resto, “houve algumas experiências pontuais que não se consolidaram”, resume. 

Avançar com o tele-rastreio no Nordeste transmontano teve a ver com o facto de não haver na região nenhum dermatologista residente, diz. As pessoas de Bragança tinham que se deslocar ao Hospital de Vila Real, explica o responsável. “Os que tinham recursos iam a uma consulta privada ou tinham de esperar.” A lista de espera andava nos 600 dias, refere. Avançou-se com o tele-rastreio em 14 centros de saúde da região de Bragança. Esperavam que em cerca de metade dos casos se concluísse que não havia justificação clínica para os pacientes serem vistos por um médico num hospital central, mas o número foi  superior, explica Luís Gonçalves, responsável pelo programa, que funciona na alçada dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, uma empresa pública a que cabe gerir várias valências tecnológicas do Serviço Nacional de Saúde. No Nordeste transmontano 90% dos casos ficaram resolvidos, só 10% foram encaminhados para cirurgia no hospital da região, em situações mais simples, ou, quando havia suspeita de cancro, para o Hospital de S. João, no Porto. “Resolveu-se o caso de 400 pessoas.”

O sucesso do programa na região levou ao seu alargamento progressivo — o Hospital de Gaia já o faz, assim como o de Viana de Castelo, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Hospital de Setúbal está a analisar casos do litoral alentejano. O programa está prestes a começar na região centro, com Viseu, Guarda, Covilhã, depois serão Leiria e Castelo Branco. O arranque está a fazer-se com três a quatro centros de saúde por hospital, nota o responsável. Nesse sentido as administrações regionais de Saúde estão a distribuir máquinas fotográficas em centros de saúde de todo o país, “algo barato e útil”.

O que havia antes era o pedido de consulta com o envio de dados clínicos, agora acrescem as imagens e a informação circula de forma segura através do sistema informático do programa Consulta a Tempo e Horas, explica. O médico faz a triagem clínica com base nas fotografias. Os doentes têm de aceitar o procedimento através de um consentimento informado e até agora não tem conhecimento de recusas de doentes, adianta. “Só 20% dos pedidos de consulta de dermatologia justificam uma ida a um hospital central.”

O objectivo é agora avançar com o mesmo sistema para a especialidade de angiologia cirurgia vascular, isto, porque se verifica que 80% das pessoas que vão a consultas desta especialidade em hospitais centrais fazem-no devido a varizes. “Se forem mandadas fotos, as lesões podem ser observadas para compreender o seu estádio. Antes de uma cirurgia há indicações que podem prolongar o bem-estar sem cirurgia”, diz. Na oftalmologia quer-se avançar com o tele-rastreio da retinopatia diabética, uma complicação ocular que surge nos diabéticos e pode causar cegueira, através da realização de retinografias nos centros de saúde e que depois serão enviados por via informática para os médicos em hospitais.

Luís Gonçalves diz que é verdade que, por enquanto, ainda só têm os números de Bragança, mas que “os doentes poupam pelo facto de não terem que se deslocar”. “Se a informação circula porque é que as pessoas hão-de circular?” E garante que “não existe perda de qualidade”.

O vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venerologia diz que o tele-rastreio dermatológico “é uma boa medida que poupa recursos”, em que é o dermatologista a decidir as situações “em que não dispensa uma consulta presencial”. Admite, porém, que “na medicina não há nada que não tenha riscos, os médicos também se enganam mesmo com o doente à frente”; por isso, “o médico que tem dúvidas manda vir o doente”.

O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, diz que “a telemedicina pode ser muito útil na boa organização e gestão do Sistema Nacional de Saúde”, desde que sejam cumpridas algumas regras que estão definidas no quadro deontológico dos médicos. “No caso das teleconsultas têm de ser solicitadas pelo médico de família do doente, que é a quem cabe a decisão última.” No caso da dermatologia, “a maioria dos sinais são benignos e um diagnóstico destes pode ser feito por quem tem grande experiência”. “É uma situação em que a telemedicina faz sentido”, tal como no caso do rastreio da retinopatia diabética, “em que se tira uma foto ao fundo do olho para que seja lida por um oftalmologista”.    

* Mais uma ferramenta para beneficiar a população doente e também, em alguns casos, como rastreio na medicina preventiva.

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