15/08/2014

FRANCISCO MADURO DIAS

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A terceira idade

Sem dúvida que a gente está com muito melhores equipamentos e programas, na área do turismo, do que antes tinha.

Os percursos, os lugares a visitar, as coisas a ver e a fazer são, hoje em dia, mais que muitas e tendem a aumentar.

Por outro lado, os equipamentos de alojamento crescem em variedade e quantidade todos os dias, seja quanto a preços diferentes seja quanto a tipologias.

Pode dizer-se que, mesmo com solavancos ou apesar deles, existe um caminho feito.

Entretanto, a questão de quem, como, onde, quando, o quê, e durante quanto tempo, precisa ser refinada, sobretudo quanto aos públicos-alvo.

Não me refiro aos países de origem, nem sequer aos grupos sociais ou de interesse. Refiro-me à média de idades dos que, presumivelmente, irão visitar os Açores por estes anos em diante.

De facto, depois do “baby boom” dos anos 60/70, estamos a assistir ao crescimento da quantidade de gente com mais idade. É uma simples questão de verificar as estatísticas e fazer contas.

E isso interessa por várias razões, seja ao nível da produção de bens, seja ao nível da construção e criação de produtos turísticos, para além da óbvia necessidade da configuração de equipamentos.
Desde logo essas pessoas podem ter menor juventude de movimentos, apesar de gostarem de dar os seus passeios a pé, nadar e fazerem exercício físico.

Convém saber que nem todos são ou pretendem ser atletas, embora todos possam e devam ser incentivados a aumentar a sua atividade física.

Igualmente, os interesses dos membros dessas faixas etárias são diferentes dos da juventude, misturando interesse consolidado pela natureza e cultura, costumes locais e gostos.

Trago o assunto aqui porque os impactos gerados podem ser vistos como benéficos ou maléficos num variadíssimo leque de situações ou, então, serem entendidos da forma mais tradicional e básica, isto é, rampas nas escadas, elevadores em edifícios maiores, soja em vez de leite, e ponto final.

Importa criar percursos de natureza e paisagem que misturem, sabiamente, lazer, fruição, cultura e natura, sugerindo passeios tranquilos e não necessariamente atléticos.

Interessa perceber que estas faixas etárias têm uma apetência grande pela culinária tradicional, mas que, para a divulgar bem, é conveniente colocar as refeições nos seus horários corretos e realizar os pratos como deve ser, o que não quer dizer necessariamente substituir gorduras, deixar de por vinho, etc., etc.

O facto de todos eles, pelas décadas de vida que transportam consigo, trazerem também, memórias várias, permite a construção de produtos onde a curiosidade pela natureza seja complementada com a qualidade das atividades culturais proporcionadas, permitindo um diálogo cultural rico.

Enfim, numa perspetiva de sustentabilidade do território e da cultura, a Terceira Idade no turismo é um bem! Saibamos nós usar dele, com o cuidado que merece.

IN "AÇORIANO ORIENTAL"
11/08/14

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