03/10/2012

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HOJE NO
"DIÁRIO ECONÓMICO"

Sobre-endividados que recorrem à Deco vivem apenas com 4% do ordenado 

 Os sobre-endividados que recorreram à DECO, em Setembro, estão a viver com apenas 4% do ordenado, usando os restantes 96% do rendimento para pagar créditos, segundo dados da associação.

 A taxa de esforço média dos consumidores que pediram em Setembro ajuda à Associação para a Defesa do Consumidor (Deco) foi de 95,52%, tendo o crédito pessoal e o crédito à habitação o maior peso na carteira, de 42,81% e 40,81% respectivamente, seguindo-se o crédito automóvel com 20,25%, revela o boletim estatístico de Setembro de 2012 do Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado (GAS) da DECO. Isto significa que os consumidores apenas têm os restantes 4,48% para viver.

"As famílias têm taxas de esforço muito elevadas quando nos pedem ajuda. O crédito à habitação é um problema mas não é o único, pois enquanto existe um crédito à habitação, as pessoas têm em regra seis créditos pessoais, que são muito mais caros e de curto prazo", disse
à Lusa a coordenadora do GAS, Natália Nunes.
De acordo com a responsável, esta foi a primeira vez que a DECO fez o tratamento estatístico das taxas de esforço das famílias.

Quanto aos valores totais em dívida por tipo de crédito, destaca-se a habitação representando 70,6%, seguida pelo crédito automóvel com 11,8%. Em terceiro lugar encontra-se o crédito pessoal (11,5%) e o cartão de crédito (6,2%).
Aquando do pedido de intervenção verificou-se ainda que 52% do crédito estava regularizado, encontrando-se os remanescentes 48% em incumprimento, ao contrário do que se verificava anteriormente.
Uma situação que Natália Nunes espera "que se torne uma tendência" e que mostra que as pessoas estão a cumprir os créditos.

Natália Nunes adiantou também que, em Setembro, o número de pedidos das famílias de informações sobre o GAS e as possibilidades de reestruturação registou "uma grande subida", o que mostra que são famílias que já estão a ter algumas dificuldades e querem actuar preventivamente.

No mesmo mês, chegaram à Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor 434 processos de sobre-endividamento, menos 113 que no mês anterior.

Ao todo, de janeiro a 30 de setembro, chegaram à DECO 4.010 processos, o que compara com os 3.238 recebidos em 2011 e os 2.139 em 2010. Em 2000 o número rondava os 152 processos.
O desemprego voltou em Setembro a ser principal razão do sobre-endividamento, representando 35% dos casos enviados à DECO. 

* É destes portugueses que o governo não quer saber, ignora-os quando lhes impõe uma vida miserável.

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