domingo, 9 de janeiro de 2011

7 - UMA GRAÇA PARA O FIM DO DIA



OBSTETRÍCIA
- Doutor, quando eu era solteira tive que abortar 6 vezes.
Agora que casei, não consigo engravidar. Qual é a razão?
- É muito comum. O problema é que você não reproduz em cativeiro.

ADULTOS »»»»»» DOMINGO DESPORTIVO NA TV ITALIANA

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6 - TOP TEN


TOU TRAMADA


One Night Stand from Jack Tew on Vimeo.

EXPLICAÇÃO DA CRISE

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OBRIGADO J.V.A.

MANUELA MOURA GUEDES


Um BPN, 2 imprensas

Concluí, há muito, que Portugal é um territoriozinho domesticado com uma comunicação social que se deixa ir pela mão de quem a conduza.


Parece claro que, para além de um coelho há, nestas presidenciais, uma lebre, do PS.

Defensor de Moura serviu para lançar as questões sujas contra Cavaco Silva para Manuel Alegre vir depois fazer disso o seu cavalo de batalha. E os jornalistas enchem páginas, dão antena.

Gastamos dias com a questão dos ganhos com as acções da SLN, que Cavaco comprou e vendeu. Mas isto não é novo. Porquê só agora e a reboque de mais uma campanha socialista, que conta com o eco dos jornalistas e que só vive deles? Antes, quando se conheceu o assunto, questionaram assim Cavaco? Investigaram? Não vi nada. E também não vejo o mesmo afinco dos jornalistas em relação à maior asneira de Sócrates, até agora: a nacionalização do BPN. 5 mil milhões de euros que os contribuintes terão de pagar. Na Islândia, o parlamento, pelo mesmo, decidiu que o primeiro–ministro seria julgado por negligência.

E diz Manuel Alegre que quer o país limpo! Onde estava ele nas legislativas? Cavaco também não é inocente no silêncio que manteve perante as mais diversas situações. Agora está a saber, de facto, o que é uma imprensa "muito suave".

JORNALISTA

IN "CORREIO DA MANHÃ"
07/01/11

2 - A VIDA SECRETA DAS PLANTAS

PARACETAMOXYFRUSEBENDRONEOMYCIN

TERAPIA SEXUAL

Uma mulher chegou em casa e disse ao marido:

- Lembras-te das enxaquecas que eu costumava ter sempre que íamos fazer amor? Estou curada! Não tenho mais dor de cabeça! Minha amiga Eliza me indicou um terapeuta que me hipnotizou! O médico disse-me para ir para a frente do espelho, me olhar bem e repetir para mim mesma:

Não tenho dor de cabeça!
Não tenho dor de cabeça!
Não tenho dor de cabeça!
Fiz isso e a dor de cabeça parece que sumiu!

O maridinho respondeu:
- Que maravilha!

Então a esposa disse:
- Nos últimos anos você não anda muito interessado em sexo! Por que você não vai a esse terapeuta e tenta ver se ele te ajuda a ter novamente interesse por sexo?

O marido concordou, marcou uma consulta e alguns dias depois estava todo fogoso para uma noite de amor com a esposa.

Então foi correndo para casa e entrou arrancando as roupas e arrastando a esposa para o quarto.

Colocou a mulher na cama e disse-lhe:
- Não se mova que já volto!

Foi ao banheiro e voltou logo depois, pulou na cama e fez amor de maneira muito apaixonada, como nunca tinha feito com a esposa antes.

A esposa disse-lhe:
- Chico, foi maravilhoso! Você nunca me deu tanto prazer!

O marido disse novamente à esposa:
- Não saia daí que eu volto logo!

Foi ao banheiro e a segunda vez foi muito melhor que a primeira.


A mulher sentou-se na cama, a cabeça girando em êxtase com a experiência.

O marido disse outra vez:
- Não saia que eu volto logo!

Foi ao banheiro.

Desta vez a esposa foi silenciosamente atrás dele e quando chegou lá o marido olhava para o espelho e dizia:
- Não é minha esposa!
- Não é minha esposa!
- Não é minha esposa!

O velório de CHICO será amanhã, na capela do cemitério do Santo Amaro, às 16 horas.

MONTMARTRE

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TIGRES NO TIBETE

4 - ILUSÃO DE ÓPTICA


CLIQUE PARA AMPLIAR

1 - CÁLCULO DE PROBABILIDADE

UM BOM FIM-DE-SEMANA


... defenda-se do poder como puder


COMPRE JORNAIS

"El Mundo" coloca Portugal 
à beira do resgate financeiro
Jornal espanhol diz que Governo português deverá recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira.

"Portugal à beira do resgate, mercados apontam para Espanha" é o título que faz manchete na edição de hoje do "El Mundo" .
O jornal espanhol baseia-se na previsão de analistas e destaca a subida dos juros da dívida portuguesa a 10 anos que atingiram ontem uma taxa recorde de 7,2%.
De acordo com o "El Mundo", o Governo de Espanha prepara-se para ajudar Portugal, que na próxima quarta feira, dia 12, volta a emitir obrigações do Tesouro.
Portugal é visto como tendo maior probabilidade de recorrer a ajuda do que Espanha, que também não escapa à mira dos mercados. A consultora britânica CMA colocou Espanha no ranking dos dez países do mundo que apresentam o maior risco de imcumprimento da dívida soberana, após registar a segunda pior evolução financeira no último trimestre de 2010.
Grécia encabeça a lista, seguida pela Venezuela, Irlanda, Portugal, Argentina, Ucrânia, Espanha, Dubai, Hungria e Iraque, escreve ainda o "El Mundo".
"EXPRESSO"

TRISTE NÚMERO
A Liga Contra o Cancro divulgou este sábado que a...
Cancro mata 30 mil em 2010
A Liga Contra o Cancro divulgou este sábado que a doença vitimou cerca de 30 mil pessoas em Portugal no ano de 2010, o que significa um aumento de 20 por cento em relação ao ano anterior. O presidente da associação, Carlos de Oliveira, aponta que "dentro de cinco a seis anos" o cancro deverá ser a principal causa de morte no país, ultrapassando as mortes por doenças cardiovasculares que "continuam a descer"..
Segundo o presidente da Liga Contra o Cancro, aparecem 50 mil novos casos de cancro por ano, em Portugal. Carlos de Oliveira alerta para a "grande disparidade nas verbas do Estado para cada área. Do total gasto em Saúde, a percentagem afecta ao cancro é de 3,9 por cento, enquanto que para as doenças cardiovasculares ultrapassa os dez por cento."Para o presidente da Liga, o aumento de casos de cancro "está directamente ligado ao envelhecimento da população, mas também aos estilos de vida e ao meio ambiente".Os cancros do pulmão, do estômago, do cólon e recto são os mais mortais em ambos os sexos. Já nas mulheres, o cancro da mama é o mais mortal.
"SÁBADO"

SÃO-NOS IMPOSTOS
São os impostos que encarecem 
gasolina em Portugal
A gasolina em Portugal seria mais barata do que em Espanha se a carga fiscal aplicada sobre os produtos petrolíferos fosse igual nos dois países, indicam dados divulgados esta sexta-feira pela Comissão Europeia, que revelou também que 60 litros de gasolina sem chumbo 95 custam mais 13 euros deste lado da fronteira
Sem impostos cada litro de gasolina 95 em Portugal custaria 62,03 cêntimos, ou seja 0,21 cêntimos mais barata do que os 62,24 cêntimos em Espanha.
De acordo com a Direção Geral de Geologia e Energia, a 03 de janeiro cada litro de gasolina 95 passou a custar em média 1,48 euros, dos quais 58,3 cêntimos são imposto sobre produtos petrolíferos (ISP) e 27,7 cêntimos de IVA (que aumentou no início do ano), ou seja, os impostos têm um peso de 58 por cento no valor total de cada litro.
"VISÃO"

COM PISTOLAS DE ÁGUA
Costa declara guerra a Teixeira dos Santos
CML ameaça entregar ao Fisco os bairros sociais como garantia de pagamento de 16 milhões de dívidas da Gebalis. Finanças não cedem a pressão.

A guerra fria entre António Costa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), e Teixeira dos Santos, ministro de Estado e das Finanças, vai transformar-se em conflito aberto.
Costa quer que Teixeira dos Santos anule os dois processos de execução fiscal abertos pela Direcção-Geral de Contribuições e Impostos (DGCI) contra a Gebalis, empresa municipal gestora dos bairros sociais, por dívidas de 16 milhões de euros, relativas a IVA e IRC dos anos de 2006 a 2008.
Mas o ministro das Finanças não está pelos ajustes. Questionado pelo SOL sobre se pondera tal anulação Teixeira dos Santos afirmou, através da sua porta-voz: «Não deu entrada no gabinete do ministro ou do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais qualquer recurso hierárquico relativo aos processos em causa. Razão pela qual não se suscita a necessidade de semelhante ponderação».
Em resposta, segundo fontes da CML, António Costa já afirmou na autarquia que não pagará um cêntimo. E ameaça mesmo entregar os prédios dos bairros sociais (propriedade da autarquia) como garantia de pagamento da dívida. Baseado em pareceres de fiscalistas, o edil considera a acção do Fisco ilegal.
Esta eventual entrega dos prédios de habitação social como garantia faria com que o Fisco passasse a ser o novo proprietário dos bairros sociais de Lisboa.
"SOL"

ETIQUETA DE QUALIDADE
Marca Mourinho avaliada em 12 milhões
A FIFA anuncia dentro de dias o melhor treinador do Mundo em 2010 e naturalmente que José Mourinho é o mais forte candidato, a par de Pep Guardiola e Vicente del Bosque. Mas numa coisa já o português do Real Madrid é campeão: é, segundo um estudo do Instituto Português de Administração e Marketing(IPAM), o treinador do mundo com mais elevado valor de marca, qualquer coisa como 12 milhões de euros.
O 'Special One' é verdadeiro campeão de popularidade e isso traduz-se, naturalmente, em valor de marca. A imagem do treinador está avaliada em 12 milhões anuais e não deixa de ser curioso que José Mourinho compete com alguns dos mais reconhecidos desportistas do Mundo. Segundo a revista Forbes, a imagem de Tiger Woods está avaliada em 59 milhões e a seguir aparece David Beckham, com 14 milhões.
Não haverá muitos fenómenos do desporto que tenham imagem tão valiosa, não deixando de ser paradigmático que o valor da marca de Roger Federer não passe dos 11 milhões.
"A BOLA"

JÁ TODA A GENTE SABE...
Militares ocultam roubo de armas
Exército escondeu o crime ao Departamento de Investigação e Acção Penal. Diligências da Polícia Judiciária Militar podem ser consideradas nulas.
Depois de cinco dias de intenso interrogatório aos militares do Centro de Tropas Comandos da Carregueira, a Polícia Judiciária Militar não sabe como é que desapareceram as dez armas de guerra das instalações daquela Unidade nem o dia exacto do roubo. Ao que o CM conseguiu apurar, nenhum dos 350 militares retidos no quartel foi detido.
A entrada em cena da Polícia Judiciária Militar desencadeou, de resto, um indisfarçável mal-estar no Ministério Público. O Exército deveria ter participado o caso do desaparecimento das armas ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP). Apenas este departamento – através da 10ª Secção, criada precisamente para tratar de crimes militares – tem competências para delegar a investigação da Polícia Judiciária (civil) na PSP ou, até, na GNR.
O CM sabe que a situação está a causar incómodo entre os magistrados do DIAP: entendem os procuradores que as diligências efectuadas pela Polícia Judiciária Militar, sem qualquer inquérito judicial, podem vir a ser consideradas nulas. Os magistrados do Ministério Público só ficaram a conhecer o crime depois de o CM o ter revelado, na última quinta-feira.
"CORREIO DA MANHÃ"

O FADO DO BLINDADO
Fornecedor de blindados pede indemnização 
de mais de um milhão
A empresa Milícia, que celebrou o contrato para venda de seis carros blindados à PSP, vai entregar na próxima segunda-feira uma providência cautelar para travar a rescisão do contrato. O Ministério da Administração Interna (MAI), através do Governo Civil de Lisboa, notificou a empresa, no dia 28 de Dezembro, da rescisão do acordo por falta de cumprimento. Em causa estavam os atrasos na entrega de quatro das seis viaturas blindadas.
O responsável da Milícia explicou ao i que a acção vai ter uma componente financeira. "Calculamos os custos de compra e transporte em um milhão de euros, valor que terá de ser acrescido dos danos patrimoniais e não patrimoniais que este negócio causou à empresa", refere António Amaro. Porém, o responsável reforça que "a empresa não fecha a porta a qualquer tipo de negociação, uma vez que o objectivo da providência cautelar é que o contrato seja retomado e que os blindados possam ser entregues à PSP".
A empresa irá justificar os atrasos na entrega "com motivos de força maior previstos no contrato" - que se prendem com o mau tempo que assolou a Europa e o Canadá nos últimos dias de Dezembro, impossibilitando o transporte dos blindados. Será ainda referido o facto de a Milícia ter proposto ao Governo Civil de Lisboa a entrega em fábrica - que se localiza no Canadá - das viaturas, não tendo tido resposta a este pedido.
"i"

CAVAQUISTÃO
Cavaco comprou acções da SLN a um 
preço mais baixo que os accionistas
A polémica compra de acções da SLN por Cavaco Silva tem estado centrada no valor de venda; mas é sobre o valor de compra que ainda subsistem dúvidas.
Meses antes de Cavaco Silva ter comprado acções da Sociedade Lusa de Negócios (SLN, que controlava o capital do BPN), a empresa tinha realizado um aumento de capital. Aí, no dia 24 de Novembro de 2000, o valor dos títulos foi fixado em três categorias: a 1,8 euros para venda aos accionistas, a 2,2 euros a outros investidores e a um euro para um lote de acções que Oliveira Costa reservou para si e para algumas sociedades do grupo, entre as quais a SLN Valor. Deste lote de acções a um preço inferior ao que fora fixado para os accionistas, 105.378 acabaram por ser vendidas a Cavaco Silva, que na altura estava afastado de qualquer cargo de responsabilidade política.
Dado que a SLN Valor não estava cotada em bolsa, a referência para o preço de compra das acções realizada por Cavaco Silva acaba por ser o do último aumento de capital da SLN. Uma vez que o investimento do candidato foi realizado em 2001, desconhecendo-se o mês e dia em concreto, e o último aumento de capital foi realizado em Dezembro de 2000, regista-se uma proximidade temporal muito grande.
"PÚBLICO"

Dakar'2011: Organização revê penalização 
de Ruben Faria
PORTUGUÊS "RECUPERA" DE 4 MINUTOS

O motard português Ruben Faria, penalizado na etapa de sexta-feira do Dakar'2011 por desrespeitar o tempo de paragem obrigatório num reabastecimento, desceu na classificação "não devido a um erro seu, mas sim de cronometragem".
Segundo um comunicado da assessoria de imprensa do piloto, que cita um documento da organização da prova, "contrariamente ao divulgado sexta-feira, Ruben Faria não desceu na classificação devido a um erro seu, mas sim a um erro de cronometragem no ponto de reabastecimento de combustível, onde os comissários da corrida o deixaram partir quatro minutos cedo demais (e não 9.47 minutos como foi ontem anunciado)".
O piloto da KTM viu os quatro minutos "serem creditados ao seu tempo total", pelo que fica "classificado na terceira posição da etapa, a 3.10 do vencedor, Hélder Rodrigues", ocupando o "quinto posto da classificação geral, a 33.54 minutos do líder atual, Marc Coma", e logo atrás do compatriota.
"A organização repôs a verdade desportiva da especial e da corrida. O erro foi deles e não meu como se poderia pensar após as primeiras informações divulgadas. Sempre estive de consciência tranquila, mas, tal como todos os outros pilotos, gosto de vencer pelas minhas faculdades e não com 'ajudas' exteriores", afirmou o piloto à sua assessoria de imprensa.
"RECORD"

 É UM DESPACHO
Liga pede nulidade de despacho 
de transporte de doentes
A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) pediu este sábado que seja declarado nulo um despacho do secretário de Estado da Saúde sobre transporte de doentes não urgentes e admitiu avançar com uma petição e um congresso extraordinário.
"Solicitar a nulidade imediata do despacho, face à sua natureza socialmente injusta para com os cidadãos portugueses e desleal para com o parceiro bombeiros", é o decisão referida no comunicado final da reunião que juntou, em Pombal, durante quase quatro horas, o conselho executivo da LBP e os presidentes das 18 federações distritais de bombeiros.O despacho, publicado em Dezembro, define as condições em que os cidadãos têm acesso ao transporte pago pelo Ministério da Saúde (MS), estabelecendo duas condições cumulativas: a prescrição clínica e que o utente tenha insuficiência económica.
Na sexta-feira, uma circular informativa da Administração Central do Sistema de Saúde esclarece que razões de "natureza técnica" impedem a verificação da condição de insuficiência económica, pelo que "o direito ao transporte é garantido" desde que clinicamente justificado. Para o presidente da LBP, Duarte Caldeira, "nenhuma circular de qualquer administração intermédia pode suspender os efeitos de qualquer medida constante de um despacho de um secretário de Estado".
"DIÁRIO DE NOTÍCIAS"

QUANTOS MAIS PINTOS, OU ETC ???
João Pinto guarda seis milhões num 'off-shore'
João Vieira Pinto, José Veiga e dois ex--dirigentes do Sporting vão ser julgados por fraude fiscal agravada devido a mais de quatro milhões de euros clandestinamente pagos àquele ex-futebolista aquando da transferência, em 2000, do Benfica para o Sporting.
Os dirigentes do clube de Alvalade são Luís Duque, ex-líder da SAD, e Rui Meireles, director financeiro na altura dos factos. O DIAP do Ministério Público (MP) de Lisboa exige ao agora comentador de futebol uma indemnização ao Estado de 678 mil euros, acusando-o, ainda, por branqueamento de capitais, a par de Veiga.
No final da investigação dos inspectores do combate ao crime económico da PJ, foi concluído que João Pinto só declarou os seus rendimentos ao Fisco após saber que as autoridades se aperceberam do negócio paralelo.
"JORNAL DE NOTÍCIAS"

A B R A Ç O

Um Abraço por dia... ajuda-nos a sobreviver !

Dois Abraços por dia... ajudam-nos a viver !

Três abraços por dia... elevam-nos o Espírito !

4 - ILUSTRES PORTUGUESES DE SEMPRE »»» padre antónio vieira

António Vieira

Retrato do Padre António Vieira, de autor desconhecido do início do século XVIII.
Nascimento 6 de Fevereiro de 1608
Lisboa
Morte 18 de julho de 1697 (89 anos)
Bahia
Nacionalidade Portugal português
Ocupação religioso, escritor e orador

António Vieira (português europeu) ou Antônio Vieira (português brasileiro) (Lisboa, 6 de fevereiro de 1608Bahia, 18 de Julho de 1697) foi um religioso, escritor e orador português da Companhia de Jesus. Um dos mais influentes personagens do século XVII em termos de política e Oratória, destacou-se como missionário em terras brasileiras. Nesta qualidade, defendeu infatigavelmente os direitos humanos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização e fazendo a sua evangelização. Era por eles chamado de "Paiaçu" (Grande Padre/Pai, em tupi).
António Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (os católicos tradicionais), e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição.
Na literatura, seus sermões possuem considerável importância no barroco brasileiro e português. As universidades frequentemente exigem sua leitura.

Biografia

Nascido em lar humilde, na Rua do Cónego, perto da Sé, em Lisboa, foi o primogénito de quatro filhos de Cristóvão Vieira Ravasco, de origem alentejana cuja mãe era filha de uma mulata ou africana, e de Maria de Azevedo, lisboeta. Cristóvão serviu na Marinha Portuguesa e foi, por dois anos, escrivão da Inquisição. Mudou-se para o Brasil em 1614, para assumir cargo de escrivão em Salvador, na Bahia, mandando vir a família em 1618.

 No Brasil
António Vieira chegou à Bahia, onde em 1609 seu pai passou a trabalhar como escrivão no Tribunal da Relação da Bahia, o que motivou a vinda de toda a família. Em 1614, iniciou os primeiros estudos no Colégio dos Jesuítas de Salvador[1], onde, principiando com dificuldades, veio a tornar-se um brilhante aluno. Ingressou na Companhia de Jesus como noviço em maio de 1623.
Em 1624, quando na invasão holandesa de Salvador, refugiou-se no interior da capitania, onde se iniciou a sua vocação missionária. Um ano depois tomou os votos de castidade, pobreza e obediência, abandonando o noviciado. Prosseguiu os seus estudos em Teologia, tendo estudado ainda Lógica, Metafísica e Matemática, obtendo o mestrado em Artes. Foi professor de Retórica em Olinda, ordenando-se sacerdote em 1634. Nesta época já era conhecido pelos seus primeiros sermões, tendo fama de notável pregador.
Quando a segunda invasão holandesa ao Nordeste do Brasil (1630-1654), defendeu que Portugal entregasse a região aos Países Baixos, pois gastava dez vezes mais com sua manutenção e defesa do que o que obtinha em contrapartida, além do facto de que os Países Baixos eram um inimigo militarmente muito superior à época. Quando eclodiu uma disputa entre Dominicanos (membros da Inquisição) e Jesuítas (catequistas), Vieira, defensor dos judeus, caiu em desgraça, enfraquecido pela derrota de sua posição quanto à questão da guerra.

 Em Portugal
Após a Restauração da Independência (1640), em 1641 regressou a Lisboa iniciando uma carreira diplomática, pois integrava a missão que ia ao Reino prestar obediência ao novo monarca. Sobressaindo pela vivacidade de espírito e como orador, conquistou a amizade e a confiança de João IV de Portugal, sendo por ele nomeado embaixador e posteriormente pregador régio. Ainda como diplomata, foi enviado em 1646 aos Países Baixos para negociar a devolução do Nordeste do Brasil, e, no ano seguinte, à França. Caloroso adepto de obter para a Coroa a ajuda financeira dos cristãos-novos, entrou em conflito com o Santo Ofício, mas viu fundada a Companhia Geral do Comércio do Brasil. O pai, antes pobre, foi nomeado pensionista real.

 No Brasil, outra vez
Em Portugal, havia quem não gostasse de suas pregações em favor dos judeus. Após tempos conturbados acabou voltando ao Brasil, de 1652 a 1661, missionário no Maranhão e no Grão-Pará, sempre defendendo a liberdade dos índios.
Diz o Padre Serafim Leite em Novas Cartas Jesuíticas, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1940, página 12, que Vieira tem "para o norte do Brasil, de formação tardia, só no século XVII, papel idêntico ao dos primeiros jesuítas no centro e no sul», na «defesa dos índios e crítica de costumes". "Manoel da Nóbrega e António Vieira são, efectivamente, os mais altos representantes, no Brasil, do criticismo colonial. Viam justo - e clamavam!"

 Naufrágio nos Açores
Em 1654, pouco depois de proferir o célebre "Sermão de Santo António aos Peixes" em São Luís, no Estado do Maranhão, o padre António Vieira partiu para Lisboa, junto com dois companheiros, a bordo de um navio da Companhia de Comércio, carregado de açúcar. Tinha como missão defender junto ao monarca os direitos dos indígenas escravizados, contra a cobiça dos colonos portugueses. Após cerca de dois meses de viagem, já à vista da ilha do Corvo, a Oeste dos Açores, abateu-se sobre a embarcação uma violenta tempestade. Mesmo recolhidas as velas, à exceção do traquete, correndo o navio à capa, uma rajada mais forte arrancou esta vela, fazendo a embarcação adernar a estibordo. Em pleno mar revolto, na iminência do naufrágio, o padre concedeu a todos absolvição geral, bradando aos ventos:
"Anjos da guarda das almas do Maranhão, lembrai-vos que vai este navio buscar o remédio e salvação delas. Fazei agora o que podeis e deveis, não a nós, que o não merecemos, mas àquelas tão desamparadas almas, que tendes a vosso cargo; olhai que aqui se perdem connosco."
Após essa exortação, obteve de todos a bordo um voto a Nossa Senhora de que lhe rezariam um terço todos os dias, caso escapassem à morte iminente. Ainda por um quarto de hora o navio permaneceu adernado até que os mastros se partiram. Com o peso da carga, estivada até às escotilhas, o navio voltou à posição normal, permanecendo à deriva, ao sabor dos elementos.
Nesse transe uma outra embarcação foi avistada, mas sem que prestasse qualquer auxílio. Ao cair da noite a mesma retornou, mas tratava-se de um corsário neerlandês que recolheu os náufragos a bordo e pilhou a embarcação à deriva, que acabou por ser afundada. Nove dias mais tarde, quarenta e um portugueses, despojados de seus pertences pessoais, foram desembarcados na Graciosa, onde o padre António Vieira, com o auxílio dos religiosos da Companhia de Jesus, procurou providenciar-lhes roupas, calçado e dinheiro durante os dois meses que permaneceram na ilha. Dali, também, creditou Jerónimo Nunes da Costa para que este fosse a Amesterdão resgatar os papéis e livros que lhe haviam sido tomados pelos corsários, o que se acredita tenha sido cumprido uma vez que dispomos hoje de cerca de duzentos sermões (este naufrágio é relatado no vigésimo-sexto) e cerca de 500 cartas do religioso, muitas das quais anteriores ao naufrágio.
O grupo passou em seguida à Ilha Terceira, onde Vieira obteve o aprestamento de uma embarcação para que os seus companheiros de infortúnio pudessem seguir para Lisboa. Instalado no Colégio dos Jesuítas em Angra, ele aqui permaneceu mais algum tempo, tendo instituído a devoção do terço, que pela primeira vez foi cantado na Ermida da Boa Nova. Entre os sermões que pregou em diversos locais da ilha, destacou-se o que proferiu na Igreja da Sé, na Festa do Rosário, celebrada anualmente a 7 de Outubro, com aquele templo repleto.
Uma semana mais tarde, Vieira passou à Ilha de São Miguel, onde proferiu o sermão de Santa Teresa, um dos mais destacados de sua autoria. Dali partiu para Lisboa, a bordo de um navio inglês, a 24 de Outubro. Após atravessar nova tempestade, o religioso chegou finalmente ao destino, em Novembro de 1654.

 Em Portugal, outra vez
Em Portugal, António Vieira tornou-se confessor da “regente”, D. Luisa de Gusmão que foi a primeira rainha de Portugal da quarta dinastia. Com a ascesão ao trono de D. Afonso VI, Vieira não encontrou apoio.
Abraçou a profecia Sebastiana e por isso entrou em novo conflito com a Inquisição que o acusou de heresia com base numa carta de 1659 ao bispo do Japão na qual expunha sua teoria do quinto império seguido a qual Portugal estaria predestinado a ser cabeça de um grande império do futuro.

 Em Roma
Em Roma, ficou 6 anos, encontrou o Papa a beira da morte, mas deslumbrou a Cúria com seus discursos e sermões. Com apoios poderosos, renovou a luta contra a Inquisição, cuja actuação considerava nefasta para o equilíbrio da sociedade portuguesa. Obteve um breve pontifício que o tornava apenas dependente do Tribunal romano. A mesma extraordinária capacidade oratória que seduzira, primeiro, o governo geral do Brasil, a corte de Dom João IV, e que depois, iria convencer o Papa e garantir assim a anulação das suas penas e condenações. Entre 1675 e 1681, a actividade da Inquisição esteve suspensa por determinação papal em Portugal e no império, uma determinação que encontrou o seu maior fundamento nos relatórios sobre os múltiplos abusos de poder que o jesuíta deixou em Roma, nas mãos do Sumo Pontífice. Desta forma conseguia dois feitos raros e históricos, por um lado conseguia parar pela primeira vez durante sete anos a actividade do Santo Oficio em Portugal e, feito não menor, lograva escapulir da perigosa malha que inquisidores derramavam sobre si.

 Em Portugal
Regressou a Lisboa seguro de não ser mais importunado. Quando, em 1671, uma nova expulsão dos judeus foi promovida, novamente os defendeu. Mas o Príncipe Regente passara a protector do Santo Ofício e recebeu-o friamente. Em 1675, absolvido pela Inquisição, voltou para Lisboa por ordem de D. Pedro, mas afastou-se dos negócios públicos.

 No Brasil, pela última vez
Decidiu voltar outra vez para o Brasil, em 1681. Dedicou-se à tarefa de continuar a coligir os seus escritos, visando à edição completa em 16 volumes dos seus Sermões, iniciada em 1679, e à conclusão da Clavis Prophetarum. Possuía cerca de 500 Cartas que foram publicadas em 3 volumes. As suas obras começaram a ser publicadas na Europa, onde foram elogiadas até pela Inquisição.
Já velho e doente, teve que espalhar circulares sobre a sua saúde para poder manter em dia a sua vasta correspondência. Em 1694, já não conseguia escrever pelo seu próprio punho. Em 10 de junho começou a agonia, perdeu a voz, silenciaram-se seus discursos. Morre na Bahia a 18 de julho de 1697, com 89 anos.

 Obra
Deixou uma obra complexa que exprime as suas opiniões políticas, não sendo propriamente um escritor, mas sim um orador. Além dos Sermões redigiu o Clavis Prophetarum, livro de profecias que nunca concluiu. Entre os inúmeros sermões, alguns dos mais célebres: o "Sermão da Quinta Dominga da Quaresma", o "Sermão da Sexagésima", o "Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda", o "Sermão do Bom Ladrão","Sermão de Santo António aos Peixes" entre outros. Vieira deixou para trás cerca de 200 cartas e 700 sermões.

 Lendas
Existem muitas lendas sobre o padre António Vieira, incluindo a que afirma que, na juventude, a sua genialidade lhe fora concedida por Nossa Senhora, e a que, uma vez, um anjo lhe indicou o caminho de volta à escola quando estava perdido.

 Cronologia
* 1608 – Nasce a 6 de Fevereiro em Lisboa, na freguesia da Sé, António Vieira, filho primogénito de Cristóvão Vieira Ravasco e de Maria de Azevedo.
* 1614 – Desembarca com a família em Salvador da Bahia, onde frequentará as aulas do Colégio dos Jesuítas.
* 1624 - Em Maio, as forças holandesas ocupam a cidade do Salvador.
* 1626 – Com 18 anos de idade, o noviço António Vieira é encarregue de redigir a Carta Annua ao Geral dos Jesuítas, relatório anual da Companhia de Jesus no Brasil. Constitui o seu primeiro escrito.
* 1627 – Transfere-se para o Colégio dos Jesuítas de Olinda, onde passa a ministrar aulas de Retórica.
* 1633 – Prega o primeiro sermão público, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, em Salvador.
* 1634 – É ordenado sacerdote, a 10 de Dezembro, celebrando a 13 do mesmo mês a sua primeira missa.
* 1638 – É nomeado Lente em Teologia.
* 1640 – Prega o "Sermão Pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal, contra as da Holanda", na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, em Salvador.
* 1641 – Vieira viaja para Lisboa, onde residirá até 1646.
* 1642-1644 – Prega pela primeira vez na Capela Real, em Lisboa, o "Sermão dos Bons Anos". Em atenção ao brilhantismo das suas prédicas recebe, em 1644, o título de Pregador de Sua Majestade e alguns dos seus sermões são publicados separadamente. É, igualmente, nomeado Tribuno da Restauração.
* 1645 – Prega o "Sermão do Mandato", na Capela Real, em Lisboa.
* 1646-1652 – Profissão solene na Igreja de São Roque, em Lisboa. Pregador e conselheiro de D. João IV, é por este enviado como embaixador em diversas missões diplomáticas aos Países Baixos e à França, negociando Pernambuco, a paz europeia, o financiamento da guerra contra Castela e a futura Companhia Geral do Comércio do Brasil. É o período de grande actividade diplomática e política de Vieira, que se desloca por grande parte da Europa, representando e defendendo os interesses portugueses. Faz, ainda, parte da embaixada portuguesa nas negociações da Paz de Münster, cujo objectivo era pôr fim à Guerra dos Trinta Anos. Em Ruão e Amsterdão encontra-se e negoceia com representantes da comunidade judaica portuguesa aí refugiada, o que lhe valeria, desde então, a hostilidade do Santo Ofício.
* 1652 – Em Novembro parte de volta para a América Portuguesa, a fim de se dedicar às missões junto dos indígenas do Estado do Maranhão, dos quais assumirá corajosamente a defesa, contra os interesses esclavagistas dos colonos.
* 1654 – Prega o "Sermão de Santo António aos Peixes", na véspera de embarcar para Lisboa, onde, em breve visita, pedirá providências favoráveis aos índios e às missões jesuítas no Estado do Maranhão.
* 1655 – Antes de retornar às missões do Estado do Maranhão, em Abril, prega na Capela Real, em Lisboa, durante a Quaresma: abre com o "Sermão da Sexagésima" e fecha com o "Sermão do Bom Ladrão".
* 1657 – Prega o "Sermão do Espírito Santo", no Maranhão.
* 1659 – Visita cinco aldeias da etnia Nheengaíba. No regresso a Belém do Pará, encontrando-se doente em Cametá, redige o seu primeiro tratado futurológico "Esperanças de Portugal, V Império do Mundo".
* 1661 – Em resultado do seu combate à escravidão dos índios, Vieira e os seus companheiros jesuítas são expulsos do Estado do Maranhão e embarcados para Lisboa.
* 1662 – Prega o importante "Sermão da Epifania" diante da rainha-regente.
* 1663-1667 – É desterrado para Coimbra e começam os interrogatórios da Inquisição, que o persegue devido às suas ideias milenaristas e messiânicas inspiradas no profetismo de António Gonçalves Annes Bandarra ("Quinto Império") e, também, por causa das suas alegadas simpatias pela "gente da nação", os judeus. Em 1666, a Inquisição ordena que seja retirado da cela de religioso, a que estava confinado, e colocado em cárcere de custódia. Apesar de praticamente desprovido de livros para consultas, redige duas Representações da Defesa e, em segredo, parte do livro "História do Futuro" e da "Apologia". Em 1667 é proferida a sentença: "... seja privado para sempre da voz activa e passiva e do poder de pregar..."
* 1668 – É amnistiado a 12 de Junho.
* 1669 – Prega o "Sermão do Cego", na Capela Real, em Lisboa. Parte para Roma em busca de revisão da sua sentença, onde permanece seis anos, pregando, em italiano, aos cardeais da Cúria romana e à exilada rainha Cristina da Suécia.
* 1675 – Regressa a Lisboa munido de um Breve do Papa Clemente X, isentando-o "por toda a vida de qualquer jurisdição, poder e autoridade dos inquisidores presentes e futuros de Portugal", mas permanecendo sujeito à autoridade da Cúria romana.
* 1679 – Declina o convite da rainha Cristina da Suécia para ser seu confessor.
* 1681 – Regressa à América Portuguesa, a Salvador, na Bahia, em Janeiro, e passa a residir na Quinta do Tanque, casa de campo do Colégio dos Jesuítas, onde prepara a publicação dos seus Sermões e redige a "Clavis Prophetarum".
* 1686 – Vieira é um dos poucos a não ser afectado pela epidemia de "mal da bicha" (febre amarela). Devido a essa calamidade, a Câmara de Salvador faz votos a São Francisco Xavier, proclamando-o Padroeiro da Cidade do Salvador, em 10 de Maio.
* 1688 – É nomeado Visitador-Geral da Província do Brasil (até 1691).
* 1690 – Promove a Missão entre os índios Cariri da Bahia, financiando-a com o lucro da venda dos seus livros.
* 1694 – Emite parecer a favor da liberdade dos índios, contra as administrações particulares na Capitania de São Paulo.
* 1695 – Envia carta-circular de despedida à nobreza de Portugal e amigos, por não poder escrever a todos.
* 1969 – É transferido da Quinta do Tanque para o Colégio dos Jesuítas, no Terreiro de Jesus.
* 1697 – Termina a revisão do tomo XII dos Sermões; dita a sua última carta ao Geral da Companhia de Jesus, Tirso Gonzalez, a 12 de Julho. Falece a 18 de Julho, no Colégio, aos 89 anos. Os ofícios fúnebres realizam-se na Igreja da Sé, oficiados pelos Cónegos. É sepultado na Igreja do Colégio.

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6 - VULTOS DA CULTURA DA PRIMEIRA REPÚBLICA »»» afonso lopes vieira


Afonso Lopes Vieira em criança
Afonso Lopes Vieira (Leiria, 26 de janeiro de 1878[1]Lisboa, 1946) foi um poeta português.
Bacharel em Direito, pela Universidade de Coimbra (1894-1900), radicou-se em Lisboa, exercendo durante dezasseis anos as funções de redactor na Câmara dos Deputados (1900-1916). Passou depois a dedicar-se exclusivamente à escrita literária. Durante a juventude participou na redacção alguns jornais manuscritos, de que são exemplos A Vespa e O Estudante . Com a publicação do livro Para Quê? (1897) marca a sua estreia poética, iniciando um período de intensa actividade literária — Ar Livre (1906), O Pão e as Rosas1908), Canções do Vento e do Sol (1911), Poesias sobre as Cenas Infantis de Shumann (1915), Ilhas de Bruma (1917), País Lilás, Desterro Azul (1922) — encerrando a sua actividade poética, assim julgava, com a antologia Versos de Afonso Lopes Vieira (1927). A obra poética culmina com o inovador e epigonal livro Onde a terra se acaba e o mar começa (1940). (
O carácter activo e multifacetado do escritor tem expressão na sua colaboração em A Campanha Vicentina, na multiplicação de conferências em nome dos valores artísticos e culturais nacionais, recolhidas nos volumes Em demanda do Graal (1922) e Nova demanda do Graal (1942). A sua acção não se encerra, porém, aqui, sendo de considerar a dedicação à causa infantil, iniciada com Animais Nossos Amigos (1911), o filme infantil O Afilhado de Santo António (1928), entre outros. Por fim, assinale-se a sua demarcação face ao despontar do Salazarismo, expressa no texto Éclogas de Agora (1935).
Cidadão do mundo, Afonso Lopes Vieira não esqueceu as suas origens, conservando as imagens de uma Leiria de paisagem bucólica e romântica, rodeada de maciços verdejantes plantados de vinhedos e rasgados pelo rio Lis, mas, sobretudo, de São Pedro de Moel, paisagem de eleição do escritor, enquanto inspiração e génese da sua obra. O Mar e o Pinhal são os principais motivos da sua poética.
Nestas paisagens o poeta confessa sentir-se «[…] mais em família com o chão e com a gente», evidenciando no seu tratamento uma apetência para motivos líricos populares e nacionais. Essencialmente panteísta, leu e fixou as gentes, as crenças, os costumes, e as paisagens de uma Estremadura que interpretou como «o coração de Portugal, onde o próprio chão, o das praias, da floresta, da planície ou das serras, exala o fluido evocador da história pátria; província heróica, povoada de mosteiros e castelos…» (Nova demanda do Graal, 1942: 65).
Actualmente a Biblioteca Municipal em Leiria tem o seu nome. A sua casa de São Pedro de Moel foi transformada em Museu. Lopes Vieira é considerado um eminente poeta, um dos primeiros representantes do Neogarretismo e esteve ligado à corrente conhecida como Renascença Portuguesa.

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Afonso Lopes Vieira 

Afonso Lopes Vieira  
[Leiria, 1878 - Lisboa, 1946] 
Filho de um advogado, cursou Direito em Coimbra de 1895 a 1900 e praticou a advocacia em Lisboa. Em 1902 encontra-se a exercer o cargo de redactor da Câmara dos Deputados. Em 1916 passa a dedicar-se exclusivamente à literatura, empenhando-se num admirável esforço de divulgação e valorização de obras e escritores clássicos portugueses, aqueles que, de acordo com o seu nacionalismo esclarecido, melhor traduzem o espírito e a sensibilidade lusitanos.
Não foi por certo alheio a este voluntário apostolado cultural o facto de Afonso Lopes Vieira ter pertencido a uma geração de homens animados por ideais renascentistas, homens para quem literatura e Pátria eram realidades co-naturais, a uma cabendo uma missão orientadora e sendo a outra uma entidade fundamentalmente espiritual e linguística.
Afonso Lopes Vieira contribuiu profundamente para o refortalecimento do nosso património literário e cultural ao promover o gosto pelo teatro vicentino, adaptando algumas peças (Monólogo do Vaqueiro, Auto da Barca do Inferno) e proferindo diversas conferências (A Campanha Vicentina. Conferências & Outros Escritos, 1914), ao restituir à língua portuguesa duas obras que corriam em versão castelhana, o Amadis de Gaula (O Romance de Amadis, 1922) e a Diana de Montemor (A Diana de Jorge de Montemor em Português, 1924), ao interessar-se por uma edição nacional d' Os Lusíadas, com a reprodução do texto da edição princeps de 1572, e por uma edição crítica da Lírica, ao escrever livros de comovida singeleza para crianças e adultos, ilustrados e musicados por artistas como Raul Lino e Tomás Borba (Animais Nossos Amigos, 1911; Bartolomeu Marinheiro, 1912; Poesias sobre as Cenas Infantis de Schumann, 1915).
Nomes como os de Francisco Rodrigues Lobo e João de Deus suscitam-lhe igual atenção, tendo seleccionado, anotado e prefaciado parte das suas obras (Poesias de Francisco Rodrigues Lobo, 1940; Corte na Aldeia de Francisco Rodrigues Lobo, 1946; O Livro de Amor de João de Deus, 1921).
Mas a importância de Afonso Lopes Vieira na história da nossa literatura não se resume a esta actividade intensa de investigador, divulgador e animador cultural. Também foi poeta e prosador.
Como poeta colaborou com outros neo-românticos na 1ª. série da revista A Águia (1911). Teixeira de Pascoaes dá como exemplo da «nova poesia portuguesa» um livro seu, Canções do Vento e do Sol, publicado em 1911. Mas já antes, em 1905, ele provara uma inclinação, aliás muito em voga neste período, pela literatura de tradição sebastianista, com a escolha de O Encoberto para título de um poema (um ano antes Sampaio Bruno publicara um livro com o mesmo título e em 1902 tinha vindo postumamente a público o poema sebastianista O Desejado, incluído no livro Despedidas de António Nobre).
O sebastianismo viria a tornar-se um dado essencial para a vivêncla do grupo da Renascença Portuguesa como a de outros saudosistas, a poesia de Afonso Lopes Vieira é evocativa (de pessoas, lugares, tradições e lendas), especialmente voltada para a exploração de temas nacionais e para a glosa de formas e ritmos tradicionais, de origem culta e popular. Acusa, no entanto, uma invulgar consciência estética, pouco comum na poesia que então se praticava, patente desde logo no apuro da forma e do estilo e no modo como o poeta explora a possibilidade de encontro da sua voz com a de outros poetas nacionais (as de Bernardim e Camões, por exemplo).
Como prosador, os títulos das suas obras são por si esclarecedores do interesse que sempre demonstrou pelos assuntos nacionais: tratamento de temas da tradição histórica e literária (Inês de Castro na Poesia e na Lenda, 1913; A Paixão de Pedro o Cru, 1940;A Poesia nos Painéis de S. Vicente, 1914; O Canto Coral e o Orfeão de Condeixa, 1916); problemática em torno da nossa arte ( indagação do nosso ser e espiritualidade (Em Demanda do Graal, 1922; Nova Demanda do Graal, 1942).
O nacionalismo tradicionalista de Afonso Lopes Vieira não se reconhece no Integralismo Lusitano da Nação Portuguesa, a cujo órgão o seu nome anda ligado por nele ter desempenhado breves funções directivas, mas tão-pouco se impõe como um nacionalismo conservador junto do Grupo da Biblioteca Nacional, ao qual o escritor pertence, com Jaime Cortesão, António Sérgio, Aquilino Ribeiro e Raul Proença. O seu nacionalismo assentava na ideia do «reaportuguesar Portugal, tornando-o europeu», para o que contribuiu, quer como cidadão esclarecido (opôs-se ao regime de ditadura saído do golpe militar de 1926), quer como erudito inspirado (criou, traduziu, adaptou, proferiu conferências, participou em campanhas de civismo estético), quer ainda como homem viajado (visitou a Espanha, França, Bélgica, Itália, Norte de África, Angola, Brasil) que soube criar uma atmosfera de sadio cosmopolitismo no pequeno círculo intelectual da sua casa de São Pedro de Moel. 
 
 
in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. III, Lisboa, 1994

2 - O PAPEL MOEDA PORTUGUÊS DESDE 1779


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