domingo, 2 de janeiro de 2011

JUÍZ DE FUTEBOL

5 - TOP TEN


VULTO A VULTO





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ALMORRÓIDA JUSTIÇEIRA

Enriquecimento ilícito: Leia a petição CM

"O titular de cargo político ou equiparado que, durante o período de exercício das suas funções ou nos três anos seguintes à respectiva cessação, adquirir, por si ou por interposta pessoa, quaisquer bens cujo valor esteja em manifesta desproporção com o seu rendimento declarado para efeitos de liquidação do imposto sobre o rendimento de pessoas singulares e com os bens e seu rendimento constantes da declaração, aditamentos e renovações, apresentados no Tribunal Constitucional, nos termos e prazos legalmente estabelecidos, é punido com pena de prisão de 1 a 5 anos. O infractor será isento de pena se for feita prova da proveniência lícita do meio de aquisição dos bens e de que a omissão da sua comunicação ao Tribunal Constitucional se deveu a negligência."

Nota: Os interessados vão poder assinar a petição a partir de 12 de Janeiro.

IN "CORREIO DA MANHÃ"
02/12/11

FÁBRICA DA VISTA ALEGRE

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ÁUREA SAMPAIO






As leis e a corrupção

Ao deixar passar a lei sobre o financiamento do partidos, o PR defraudou todos os que se empenham na luta contra a corrupção

No regresso aos debates quinzenais no Parlamento, a semana passada, após o interregno forçado pela saga do Orçamento do Estado, o primeiro-ministro escolheu falar dos resultados obtidos pelos alunos portugueses de 15 anos, nos testes organizados pelo PISA (Programme for International Student Assessment). É impossível escamotear: foram resultados muito positivos. Pela primeira vez, alcançámos a média da tabela dos países da OCDE no que respeita à literacia da leitura e subimos, consideravelmente, em disciplinas como a Matemática e as Ciências. Em tempo de vacas magras e em que a catadupa de notícias negativas é a regra, nada melhor do que um presente destes para animar as hostes.

Só é pena que José Sócrates seja tão previsível e não tenha tido a ousadia de levar ao hemiciclo um outro tema não menos importante e para o qual se exigem soluções urgentes e combate igualmente vigoroso: a corrupção. Curiosamente, uma outra instituição estrangeira, a Transparência Internacional, divulgou, também na semana passada, o Barómetro Global da Corrupção, de que Portugal não sai nada bem. Piorámos em vários aspetos, como no índice de transparência, mas o que impressiona é a perceção que os portugueses têm sobre a evolução do fenómeno. Face a 2007, 75% dos inquiridos no estudo acham que a luta contra o fenómeno é ineficaz e 83% pensam que a corrupção aumentou, nos últimos três anos. Partidos, Parlamento e setor privado são tidos como os mais corruptos, sendo que, basicamente, a maioria dos portugueses acredita que os principais corruptores se situam no setor privado e que os corrompidos fazem parte do setor público.

Tem-se feito muito pouco para resolver este problema. O PS de Sócrates revelou-se, de resto, muito timorato na elaboração da última legislação aprovada, com as propostas mais avançadas e notoriamente mais eficazes de João Cravinho, defendidas por um restrito grupo da ala mais à esquerda, a serem derrotadas em toda a linha, depois de muitos contorcionismos e episódios pouco edificantes, na bancada socialista. Também o Presidente da República acabou de promulgar a nova Lei de Financiamento dos Partidos, um diploma muito pouco claro em aspetos cruciais como "a transparência e controlo" (palavras dele) dos dinheiros privados que entram nos cofres partidários. Cavaco Silva vetou, em junho de 2009, a anterior proposta, mas, sem se perceber porquê, deixou agora passar a nova versão, à qual prodigalizou numerosas críticas, em mensagem ao Parlamento. Ou seja, o Presidente subscreveu a lei, apesar de ele próprio considerar que se mantém o essencial dos problemas que, antes, justificaram o veto. Ao deixar passar esta lei, o PR defraudou todos os que, no terreno, se empenham na luta contra a corrupção.

Um dos aspetos que chama a atenção neste diploma é a falta de clareza na forma como está escrito. É a velha questão subjacente a códigos e legislação avulsa: as leis não são percetíveis pelos cidadãos, estão propositadamente formuladas para permitirem interpretações e escapatórias a quem as quer violar. São uma estrada aberta para a corrupção, pois a sua opacidade propicia caminhos ínvios, como seja a introdução discreta de pontuação que lhe altera o sentido inicial. Quem não se lembra do famoso "caso da vírgula", passado nos anos noventa? E ainda no ano passado houve uma pequena tempestade justamente por causa da Lei do Financiamento dos Partidos, à qual cirurgicamente alguém surripiou duas palavrinhas, no meio do diploma do Orçamento do Estado. Descobriu-se a tempo e as palavrinhas foram repostas, mas nunca se soube quem foi. Nem no "caso da vírgula".

Ora, o Governo, se tiver vontade política, pode alterar este estado de coisas. Legislação clara e transparente precisa-se... com caráter de urgência. E, quem sabe, talvez surjam resultados positivos para Sócrates exibir no Parlamento. Desta vez, em matéria de corrupção.

IN "VISÁO"
16/12/10

ALMORRÓIDA ACELERA

Activado o Controlo por Radar na Via Verde - IMPORTANTE

ATENÇÃO

HOJE INAUGUROU O CONTROLO NA VIA VERDE

Atenção Foram hoje inaugurados, os radares de controlo de velocidade, em todas as vias verdes.
Não esquecer que o LIMITE de VELOCIDADE é 60 Kms/hora!!!
Senão... carta apreendida e 150.00 euros.·

enviado por T. GOMES

1 - A VIDA SECRETA DAS PLANTAS

ROBBIE WILLIAMS



Neste divertido vídeo, o cantor Robbie Williams é convidado a interpretar um tema de Natal durante um programa televisivo. Um coro promete acompanhá-lo, mas não vai ser fácil para Robbie.

"Canta o que quiseres que nós seguimos-te", dizem os elementos do coro, mas quando Robbie Williams começa a cantar percebe-se que, afinal, a "coisa" não vai ser fácil. Veja aqui este momento televisivo hilariante.

Texto IN "DIÁRIO DE NOTÍCIAS"
15/12/10

FOI DE CANA MAS DEU SHOW

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SEREIA OU BALEIA

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MALUCOS


Num manicómio, um maluco cai na piscina e começa a afogar-se.

Imediatamente, outro maluco atira-se para a piscina e salva-o da morte.

No dia seguinte, o director do manicómio vai ao quarto do maluco salva-vidas e diz:

- Aceite os meus parabéns!! Vim pessoalmente para lhe dar duas notícias.

A primeira notícia é óptima: Você vai ter alta. Depois do seu gesto heróico de salvar um interno, a nossa equipa concluiu que você está curado.

Já a segunda notícia, infelizmente, não é boa: Aquele interno que você salvou, foi encontrado morto hoje de manhã...Suicidou-se, enforcado com um cinto.

Diz então o maluco herói:

- Não, senhor director, ele não se enforcou. Eu pendurei-o para ele secar!

3 - ILUSÃO DE ÓPTICA

3 - A PROPÓSITO DO "EXERCÍCIO FÍSICO"


Gosto de longos passeios, especialmente quando são dados por pessoas que me chateiam. 

Tenho ancas flácidas, mas felizmente o meu estômago esconde-as.

A vantagem de nos exercitarmos diariamente é que se morre mais saudável.

 Se vai percorrer um país a pé, escolha um país pequeno.

JORNAIS DE HOJE E SEMANÁRIOS


COMPRE JORNAIS










SERRA DA ESTRELA

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3 - ILUSTRES PORTUGUESES DE SEMPRE »»» eça de queiroz


Nascido na Póvoa do Varzim (25 de Novembro de 1845), Eça de Queiroz desenvolveu a sua vida literária entre meados dos anos 1860 e 1900, quando, a 16 de Agosto, morreu em Paris. Nesse lapso temporal, Eça marcou a cena literária portuguesa com uma produção de alta qualidade, parte dela deixada inédita à data da sua morte... 
Nasce José Maria de Eça de Queiroz, na Póvoa de Varzim. Filho natural do magistrado José Maria de Almeida Teixeira de Queiroz e D. Carolina Augusta Pereira de Eça, é registado como filho de mãe incógnita. Baptizado em Vila do Conde, viverá até 1855 em Verdemilho, em casa dos avós paternos, apesar de o casamento dos seus pais se ter realizado quatro anos depois do seu nascimento.
1855 É matriculado no Colégio da Lapa, na cidade do Porto, dirigido pelo pai de Ramalho Ortigão. Aí fará a escolaridade obrigatória até ao seu ingresso na Universidade.
1861 Matricula-se no primeiro ano da Faculdade de Direito de Coimbra, onde conheceu Teófilo Braga e Antero de Quental, entre outros.
1866 Envia ao Teatro D. Maria I a tradução de uma peça de José Bouchardy, intitulada Filidor.- Forma-se em Direito e instala-se em Lisboa, em casa dos pais, no Rossio, 26, 4º andar, inscrevendo-se como advogado no Supremo Tribunal de Justiça.

Inicia a publicação de folhetins no jornal
Gazeta de Portugal num total de dez artigos que serão reunidos no volume Prosas Bárbaras em 1909.
Conhece Jaime Batalha Reis na Redacção da
Gazeta de Portugal.
Parte para Évora no final do ano, onde irá fundar e dirigir o jornal da oposição
Distrito de Évora.
1867 Inicia a sua actividade como advogado.
Em Julho deixa a direcção do
Distrito de Évora, regressa a Lisboa e retoma a sua colaboração na Gazeta de Portugal de Outubro a Dezembro.
 
No final do ano forma-se o «Cenáculo», contando-se Eça de Queiroz entre os primeiros membros; do «Cenáculo» farão parte Antero de Quental, Salomão Saragga, Jaime Batalha Reis, Augusto Fuschini, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, José Fontana, entre outros.
1869 São publicados no jornal Revolução de Setembro os primeiros versos de Carlos Fradique Mendes, "poeta satânico", criação conjunta de Eça, Antero e Batalha Reis,.
Viagem pela Palestina, Síria e Egipto, onde assiste à inauguração do Canal de Suez em companhia de Luís de Castro, conde de Resende.
1870 Regressado a Lisboa, publica no Diário de Notícias os relatos da viagem ao Médio-oriente com o título «De Port-Said a Suez».
Publicação no mesmo jornal de
O Mistério da Estrada de Sintra, em colaboração com Ramalho Ortigão (de Julho a Setembro).
É nomeado Administrador do Concelho de Leiria.
Em Setembro presta provas para cônsul de 1ª classe no Ministério dos Negócios Estrangeiros, ficando classificado em primeiro lugar.
1871 É publicado o primeiro número d'As Farpas dirigido por Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão.
Realizam-se as Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, não se tendo cumprido a totalidade do programa previsto devido à proibição governamental ter impedido a sua continuação. Eça profere a quarta conferência intitulada «A Nova Literatura ou O Realismo como Expressão de Arte».
1872 É nomeado cônsul de 1ª classe nas Antilhas espanholas. No final do ano será empossado no seu cargo em Havana, aí permanecendo durante dois anos.
1873 Viagem pelo Canadá, Estados Unidos e América Central.
1874 Publicação do conto«Singularidades de Uma Rapariga Loura» no Brinde aos senhores assinantes do "Diário de Notícias" para 1873.


Transferência para o consulado de Newcastle-upon-Tyne.
1875 Publicação na Revista Ocidental, dirigida por Antero de Quental e Jaime Batalha Reis, da primeira versão de O Crime do Padre Amaro.

Conclusão da escrita de
O Primo Basilio em Newcastle.
1877 Publicação no jornal portuense A Actualidade das crónicas «Cartas de Inglaterra», mantendo-se a colaboração até 1878.
Inícia a escrita de
A Capital!, publicada vinte e cinco anos após a sua morte.
1878 Contactos com o editor Chardron apresentando Cenas da Vida Portuguesa, projecto para 12 volumes de novelas.- Publicação de O Primo Basílio (1.' e 2.' ed.) - Transferência para o consulado de Bristol.
Inicia a sua colaboração com um jornal do Rio de Janeiro, a
Gazeta de Notícias, que só terminará em 1897.
1879 Escrita de O conde de Abranhos e de A Catástrofe, publicados em 1925
1880 Segunda edição em livro de O Crime do Padre Amaro.
Publicação da novela
O Mandarim em folhentins do Diário de Portugal.
Publicação dos contos «Um Poeta Lírico» e «No Moinho», em O Atlântico.
1883 É eleito sócio correspondente da Academia Real das Ciências.
Reescreve
O Mistério da Estrada de Sintra.
1884 Visita a Costa Nova na companhia da condessa de Resende e das suas filhas Emília e Benedita.
Publicação na
Revue universelle internationale da tradução francesa de O Mandarim, com um prefácio de Eça, escrito em francês.
Segunda edição de
O Mistério da Estrada de Sintra.
1885 Visita Zola em Paris.
A sua legitimação é tornada oficial pelos pais.
1886 Casamento com Emília de Castro Pamplona (Resende), no oratório particular da Quinta de Santo Ovídio no Porto.
Prefacia os livros
Azulejos do conde de Arnoso e O Brasileiro Soares de Luís de Magalhães.
1887 Concorre com A Relíquia ao Prémio D. Luís da Academia Real das Ciências, perdendo a favor de Henrique Lopes de Mendonça com a obra O Duque de Viseu.
Publicação de
A Relíquia.
Data provável de escrita de
Alves & C.ª.
1888 Nomeado cônsul em Paris.
Polémica com Pinheiro Chagas a propósito da atribuição do Prémio D. Luís.
Publicação de
Os Maias.
Publicação no jornal portuense
O Repórter, dirigido por Oliveira Martins, de algumas «Cartas de Fradique Mendes».
Forma-se em Lisboa o grupo d'Os Vencidos da Vida.
1889 Prefacia o livro de poemas Aguarelas de João Dinis.
Sai o primeiro número da
Revista de Portugal, de que é director.
1990 Publicação do primeiro volume de Uma Campanha Alegre, reunindo a colaboração de Eça n'As Farpas.
1891 Traduz As Minas de Salomão, de Henry Rider Haggard.
1892 Publicação do conto «Civilização», na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro.
1893 Publica na Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro a Crónica «Tema para Versos», que inclui o conto «A Aia».
1894 Inicia a escrita de A Ilustre Casa de Ramires.

 


Publicação de «As histórias: O Tesouro» e «As histórias: frei Genebro», na Gazeta de Notícias.
1895 Organiza, em colaboração com José Sarmento e Henrique Marques, o Almanaque Enciclopédico para 1896 .

Publicação de «O Defunto» na
Gazeta de Notícias.
1896 Organiza, com os mesmos colaboradores, o Almanaque Enciclopédico para 1897.
Publicação de
Antero de Quental - In Memoriam em que Eça colabora com o texto «Um génio que era um santo».
1897 Começa a publicação em Paris da Revista Moderna. Nos dois primeiros números publica os contos «A Perfeição» e «José Matias».
A Ilustre Casa de Ramires começa a ser publicado na mesma Revista, no número de Novembro, dedicado a Eça de Queiroz.
1898 Publicação na Revista Moderna do conto «O Suave Milagre».
1899 Prepara, em simultâneo, a publicação de três romances: A correspondência de Fradique Mendes, A Cidade e as Serras e A Ilustre Casa de Ramires.
1900 Morte após prolongada doença a 16 de Agosto, em Neully. Em Setembro, o corpo é trasladado para Portugal, realizando-se os funerais para o cemitério do Alto de S. João em Lisboa.

Publicação, em volume, já depois da sua morte, de
A Correspondência de Fradique Mendes e A Ilustre Casa de Ramires.

Adaptado de: MATOS, A.C. (1988)Diccionário de Eça de Queiroz, Ed. Caminho 

5 - VULTOS DA CULTURA DA PRIMEIRA REPÚBLICA »»» florbela espanca



Florbela Espanca
Florbela Espanca

Retrato de Florbela Espanca
Nascimento 8 de Dezembro de 1894
Vila Viçosa
Morte 8 de dezembro de 1930 (36 anos)
Matosinhos
Nacionalidade Portugal português(a)


Filha de Antónia da Conceição Lobo e do republicano João Maria Espanca nasceu no dia 8 de Dezembro1894 em Vila Viçosa, no Alentejo. O seu pai herdou a profissão do sapateiro, mas passou a trabalhar como antiquário, negociante de cabedais, desenhista, pintor, fotógrafo e cinematografista. Foi um dos introdutores do “Vitascópio de Edison” em Portugal[2].
Seu pai era casado com Mariana do Carmo Toscano[3]. A sua esposa não pôde dar-lhe filhos. Porém, João Maria resolveu tê-los – Florbela e Apeles, três anos mais novo – com outra mulher, Antónia da Conceição Lobo, de condição humilde. Ambos os irmãos foram registados como filhos ilegítimos de pai incógnito[4]. Entretanto, João Maria Espanca criou-os na sua casa, e Mariana passou a ser madrinha de baptismo dos dois. João Maria nunca lhes recusou apoio nem carinho paternal, mas reconheceu Florbela como a sua filha em cartório só dezoito anos depois da morte dela[2].
Entre 1899 e 1908, Florbela frequentou a escola primária em Vila Viçosa[4]. Foi naquele tempo que passou a assinar os seus textos Flor d’Alma da Conceição[5]. As suas primeiras composições poéticas datam dos anos 1903-1904[2]: o poema “A Vida e a Morte”, o soneto em redondilha maior em homenagem ao irmão Apeles, e um poema escrito por ocasião do aniversário do pai. Em 1907, Florbela escreveu o seu primeiro conto: “Mamã!” No ano seguinte, faleceu a sua mãe, Antónia, com apenas vinte e nove anos[2].
Flor ingressou então no Liceu Masculino André de Gouveia em Évora, onde permaneceu até 1912[6]. Foi uma das primeiras mulheres em Portugal a frequentar o curso secundário[5]. Devido à Revolução republicana5 de Outubro de 1910, os Espanca mudaram-se para Lisboa[2]. Florbela interrompeu os estudos mas aproveitou o tempo para leituras (Balzac, Dumas, Camilo Castelo Branco, Guerra Junqueiro, Garrett)[2]. de
Em 1913 casou-se em Évora com Alberto de Jesus Silva Moutinho, seu colega da escola. O casal morou primeiro em Redondo[2]. Em 1915 instalou-se na casa dos Espanca em Évora, por causa das dificuldades financeiras[5].
Em 1916, de volta a Redondo, a poetisa reuniu uma selecção da sua produção poética desde 1915, inaugurando assim o projeto Trocando Olhares[2]. A coletânea de oitenta e cinco poemas e três contos serviu-lhe mais tarde como ponto de partida para futuras publicações[7]. Na época, as primeiras tentativas de promover as suas poesias falharam.
No mesmo ano, Florbela iniciou a colaborar como jornalista em Modas & Bordados (suplemento de O Século de Lisboa), em Notícias de Évora e em A Voz Pública, também evorense[2]. A poetisa regressou de novo a esta cidade em 1917. Completou o 11º ano do Curso Complementar de Letras e matriculou-se na faculdade de Direito da Universidade de Lisboa[5]. Foi uma das catorze mulheres entre trezentos e quarenta e sete alunos inscritos[4].
Um ano mais tarde a escritora sofreu as consequências de um aborto involuntário, que lhe teria infectado os ovários e os pulmões[2]. Mudou-se para Quelfes (Olhão), onde apresentou os primeiros sinais sérios de neurose[5].
Em 1919 saiu finalmente a sua primeira obra, Livro de Mágoas, antologia de poemas. A tiragem (duzentos exemplares[2]) esgotou-se rapidamente[5]. No mesmo ano, sendo ainda casada, a escritora passou a viver com António José Marques Guimarães[5], alferes de Artilharia da Guarda Republicana.
Em meados do 1920 abandonou os estudos na faculdade do Direito. No ano seguinte, divorciou-se de Moutinho para casar com o amante. O casal passou a residir no Porto, mas, no ano seguinte, transferiu-se para Lisboa, onde Guimarães se tornou chefe de gabinete do Ministro do Exército[2].
Em 1922, a 1 de Agosto, a recém fundada Seara Nova publicou o seu soneto “Prince charmant...”, dedicado a Raul Proença[2]. Em Janeiro de 1923 veio a lume a sua segunda coletânea de sonetos, Livro de Sóror Saudade, edição paga pelo pai da poetisa. Para sobreviver, Florbela começou a dar aulas particulares de português[2].
Em 1925, após mais um aborto, divorciou-se pela segunda vez[5]. Esta situação abalou-a muito. O seu ex-marido, António Guimarães, abriu mais tarde uma agência, “Recortes”, que coleccionava notas e artigos sobre vários autores. O seu espólio pessoal reúne o mais abundante material que foi publicado sobre Florbela, desde 1945 até 1981. Ao todo são 133 recortes[5].


Florbela Espanca, por Bottelho (2008).

Ainda em 1925, a poetisa casou com o médico Mário Pereira Lage, que conhecia desde 1921 e com quem vivia desde 1924. O casamento decorreu em Matosinhos, no Distrito do Porto, onde o casal passou a morar a partir de 1926[2].
Em 1927 a autora principiou a sua colaboração no jornal D. Nuno de Vila Viçosa, dirigido por José Emídio Amaro[2]. Naquele tempo não encontrava editor para a coletânea Charneca em Flor. Preparava também um volume de contos, provavelmente O Dominó Preto, publicado postumamente apenas em 1982. Começou a traduzir romances para as editoras Civilização e Figueirinhas do Porto[2].
No mesmo ano, Apeles, o irmão da escritora, faleceu num trágico acidente de avião[2]. A sua morte foi para a autora realmente dolorosa. Em homenagem ao irmão, Florbela escreveu o conjunto de contos de As Máscaras do Destino, volume publicado postumamente em 1931. Entretanto, a sua doença mental agravou-se bastante[5]. Em 1928 ela teria tentado o suicídio pela primeira vez [2].
Em 1930 Florbela começou a escrever o seu Diário do Último Ano, pubicado só em 1981. A 18 de Junho principiou a correspondência com Guido Battelli, professor italiano, visitante na Universidade de Coimbra, responsável pela publicação da Charneca em Flor em 1931[2]. Na altura, a poetisa colaborou também no Portugal feminino de Lisboa, na revista Civilização e no Primeiro de Janeiro, ambos do Porto[2].
Florbela tentou o suicídio por duas vezes mais em Outubro e Novembro de 1930, na véspera da publicação da sua obra-prima, Charneca em Flor[5]. Após o diagnóstico de um edema pulmonar[5], a poetisa perdeu o resto da vontade de viver. Não resistiu à terceira tentativa do suicídio. Faleceu em Matosinhos, no dia do seu 36º aniversário, a 8 de Dezembro de 1930. A causa da morte foi a sobredose de barbitúricos[2].
A poetisa teria deixado uma carta confidencial com as suas últimas disposições, entre elas, o pedido de colocar no seu caixão os restos do avião pilotado por Apeles na hora do acidente[2]. O corpo dela jaz, desde 17 de Maio de 1964, no cemitério de Vila Viçosa, a sua terra natal[4].

Obra

Autora de poemas, artigos na imprensa, traduções, epístolas e um diário, Florbela Espanca antes de tudo foi poetisa. É à sua poesia, quase sempre em forma de soneto, que ela deve a fama e o reconhecimento. A temática abordada é principalmente amorosa. O que preocupa mais a autora é o amor e os ingredientes que romanticamente lhe são inerentes: solidão, tristeza, saudade, sedução, desejo e morte. A sua obra abrange também poemas de sentido patriótico, inclusive alguns em que é visível o seu patriotismo local: o soneto “No meu Alentejo” é uma glorificação da terra natal da autora.
Somente duas antologias, Livro de Mágoas (1919) e Livro de Sóror Saudade (1923), foram publicadas em vida da poetisa. Outras, Charneca em Flor (1931), Juvenília (1931) e Reliquiae (1934) sairam só após o seu falecimento. Toda a obra poética de Florbela foi reunida por Guido Battelli num volume chamado Sonetos Completos, publicado pela primeira vez em 1934. Em 1978 tinham saído 23 edições do livro[8]. As peças anteriores às primeias publicações da poetisa foram reconstituídas por Mária Lúcia Dal Farra, que em 1994 editou o texto de Trocando Olhares.
A prosa de Florbela exprime-se através do conto (em que domina a figura do irmão da poetisa), de um diário, que antecede a sua morte, e em cartas várias. Algumas peças da sua correspondência são de natureza familiar, outras tratam de questões relacionadas com a sua produção literária, quer num sentido interrogativo quanto à sua qualidade, quer quanto a aspectos mais práticos, como a sua publicação. Nas diferentes manifestações epistolares sobressaem qualidades que nem sempre estão presentes na restante produção em prosa - naturalidade e simplicidade[1].
António José Saraiva e Óscar Lopes na sua História da Literatura Portuguesa[8] descrevem Florbela Espanca como sonetista de “laivos anterianos”[8] e semelhante a António Nobre. Admitem que foi “uma das mais notáveis personalidades líricas isoladas, pela intensidade de um emotivo erotismo feminino, sem precedentes entre nós [portugueses], com tonalidades ora egoístas ora de uma sublimada abnegação que ainda lembra Sóror Mariana, ora de uma expansão de amor intenso e instável(...)”[8].
A obra da Florbela “precede de longe e estimula um mais recente movimento de emancipação literária da mulher, exprimindo nos seus acentos mais patéticos a imensa frustração feminina das (...) opressivas tradições patriarcais.”[8]
Rolando Galvão, autor de um artigo sobre Florbela Espanca publicado na página electrónica Vidas Lusófonas[1], caracteriza assim a obra florbeliana:
“Como dizem vários estudiosos da sua pessoa e obra, Florbela surge desligada de preocupações de conteúdo humanista ou social. Inserida no seu mundo pequeno burguês, como evidencia nos vários retratos que de si faz ao longo dos seus escritos. Não manifesta interesse pela política ou pelos problemas sociais. Diz-se conservadora. (...) O seu egocentrismo, que não retira beleza à sua poesia, é por demais evidente para não ser referenciado praticamente por todos. Sedenta de glória, diz Henrique Lopes de Mendonça, transcrito por Carlos Sombrio.
Na sua escrita há um certo número de palavras em que insiste incessantemente. Antes de mais, o EU, presente, dir-se-á, em quase todas as peças poéticas. Largamente repetidos vocábulos reflexos da paixão: alma, amor, saudade, beijos, versos, poeta, e vários outros, e os que deles derivam. Escritos de âmbito para além dos que caracterizam essa paixão não são abundantes, particularmente na obra poética. Salvo no que se refere ao seu Alentejo. Não se coloca como observadora distante, mesmo quando tal parece, exterior a factos, ideias, acontecimentos.”[1]
O autor do artigo lembra também a correspondência da poetisa com o irmão, Apeles, e com uma amiga próxima, que apenas viu em retrato. Repara que os excessos verbais da escritora são provocados pela sua imoderação para exprimir uma paixão. A sua exaltação do amor fraternal é considerada fora do comum. Galvão repara que esses limites alargados na expressão do amor, da amizade e das afeições, são na obra florbeliana uma constante[1].

 Florbela Espanca por outros poetas

Florbela Espanca causou grande impressão entre seus pares e entre literatos e público de seu tempo e de tempos posteriores. Além da influência que seus versos tiveram nos versos de tantos outros poetas, são aferidas também algumas homenagens prestadas por outros eminentes poetas à pessoa humana e lírica da poetisa. Manuel da Fonseca, em seu "Para um poema a Florbela" de 1941, cantava "(...)«E Florbela, de negro,/ esguia como quem era,/ seus longos braços abria/ esbanjando braçados cheios/ da grande vida que tinha!»". Também Fernando Pessoa, em um poema datilografado e não datado de nome "À memória de Florbela Espanca", descreve-a como "«alma sonhadora/ Irmã gêmea da minha!»".[9]

 Curiosidades

O grupo musical português Trovante musicou o soneto “Ser poeta”, incluído no volume Charneca em Flor. A canção intitulada “Perdidamente”, com música de João Gil, tornou-se numa das músicas mais populares da banda. Faz parte do álbum Terra Firme, lançado em 1987[10].

WIKIPÉDIA

1 - O PAPEL MOEDA PORTUGUÊS DESDE 1779


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A BAIXA DE LISBOA ANTES DO TERRAMOTO

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City and Spectacle: A Vision of Pre-Earthquake Lisbon from Lisbon Pre 1755 Earthquake on Vimeo.