domingo, 21 de novembro de 2010

QUANDO TUDO VAI MAL

2 - CORPOS PINTADOS

SAÚDE MENTAL - EXCERTOS

01 - ANOREXIA

CAMILO LOURENÇO

 
 


 
A gente não tem mesmo juízo
 
 O ministro das Obras Públicas diz no Parlamento que o projecto do TGV é para "reavaliar", esclarecendo que isso não significa "parar".
No mesmo dia o ministro das Finanças admite que Portugal pode precisar de ajuda internacional (dias depois de outro ministro ter dito que podemos ser corridos do euro). Horas mais tarde diz que o que disse não significa que há contactos para solicitar essa ajuda.

Está tudo doido? Num momento em que o País precisa de fazer tudo para merecer o respeito dos mercados é esta a imagem que estamos a passar? Não bate certo. Mas sejamos honestos: há alguma coisa certa em tudo o que fizemos nos últimos 12 meses?

Valha-nos que em Bruxelas ainda vai havendo gente que tenta cavar uma trincheira entre nós e a Irlanda, lembrando que a situação dos dois países é diferente (como fez ontem Jean-Claude Juncker), esperando evitar o efeito dominó. É verdade que são. E é sobre essa diferença que deveríamos ter capitalizado nos últimos meses. E o que fizemos? Deixámos derrapar vergonhosamente a despesa, sem qualquer explicação sobre o que se passou.

Se o leitor se puser do outro lado, de quem já nos emprestou dinheiro e a quem pedimos para emprestar mais, e olhar para este cenário o que pensa? Pois, é isso mesmo... Só não se percebe porque continua a haver jornalistas, economistas, políticos banqueiros (a lista é longa) que vão dizendo que não precisamos do FMI. Porque, supostamente, somos capazes de resolver, sozinhos os nossos problemas. Não somos não. E quanto mais tempo levarmos a perceber isso, pior. 

IN "JORNAL DE NEGÓCIOS"
16/11/10

A VEDETA

2 - EXPLOSÃO SOLAR

NEY MATOGROSSO - TICO-TICO NO FUBÁ

A maior python de sempre...cuidado pode morder!!



enviado por JU

ANDAR EM CIMA DE ÁGUA »»» GERÊS

MATAR O URSO??????

3 - MUSEU D'ORSAY






TAPA OU DESTAPA?

3 - FIGURAS MARAVILHOSAS DA TERCEIRA REPÚBLICA


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3 - VULTOS DA CULTURA DA PRIMEIRA REPÚBLICA »»» mário de sá carneiro

 Mário de Sá-Carneiro (Lisboa, 19 de Maio de 1890Paris, 26 de Abril de 1916) foi um poeta, contista e ficcionistaportuguês, um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.

 

Biografia

Nasceu, no seio de uma abastada família alto-burguesa, sendo filho e neto de militares. Órfão de mãe com apenas dois anos (1892), ficou entregue ao cuidado dos avós, indo viver para a Quinta da Vitória, na freguesia de Camarate, às portas de Lisboa, aí passando grande parte da infância.
Inicia-se na poesia com doze anos, sendo que aos quinze já traduzia Victor Hugo, e com dezesseis, Goethe e Schiller. No liceu teve ainda algumas experiências episódicas como ator, e começa a escrever.
Em 1911, com dezenove anos, vai para Coimbra, onde se matricula na Faculdade de Direito, mas não conclui sequer o ano. Em 1912 veio a conhecer aquele que foi, sem dúvida, o seu melhor amigo – Fernando Pessoa.
Desiludido com a «cidade dos estudantes», segue para Paris a fim de prosseguir os estudos superiores, com o auxílio financeiro do pai. Cedo, porém, deixou de frequentar as aulas na Sorbonne, dedicando-se a uma vida boémia, deambulando pelos cafés e salas de espectáculo, chegando a passar fome e debatendo-se com os seus desesperos, situação que culminou na ligação emocional a uma prostituta, a fim de combater as suas frustrações e desesperos.
Na capital francesa viria a conhecer Guilherme de Santa-Rita (Santa-Rita Pintor). Inadaptado socialmente e psicologicamente instável, foi neste ambiente que compôs grande parte da sua obra poética e a correspondência com o seu confidente Pessoa; é, pois, entre 1912 e 1916 (o ano da sua morte), que se inscreve a sua fugaz – e no entanto assaz profícua – carreira literária.
Entre 1913 e 1914 vem a Lisboa com certa regularidade, regressando à capital devido à deflagração do conflito entre a Sérvia e a Áustria-Hungria, o qual a breve trecho se tornou uma conflagração à escala europeia – a I Guerra Mundial. Com Pessoa e ainda Almada-Negreiros integrou o primeiro grupo modernista português (o qual, influenciado pelo cosmopolitismo e pelas vanguardas culturais europeias, pretendia escandalizar a sociedade burguesa e urbana da época), sendo responsável pela edição da revista literária Orpheu (e que por isso mesmo ficou sendo conhecido como a Geração d’Orpheu ou Grupo d’Orpheu), um verdadeiro escândalo literário à época, motivo pelo qual apenas saíram dois números (Março e Junho1915; o terceiro, embora impresso, não foi publicado, tendo os seus autores sido alvo da chacota social) – ainda que hoje seja, reconhecidamente, um dos marcos da história da literatura portuguesa, responsável pela agitação do meio cultural português, bem como pela introdução do modernismo em Portugal. de
Em Julho de 1915 regressa a Paris, escrevendo a Pessoa cartas de uma crescente angústia, das quais ressalta não apenas a imagem lancinante de um homem perdido no «labirinto de si próprio», mas também a evolução e maturidade do processo de escrita de Sá-Carneiro.
Uma vez que a vida que trazia não lhe agradava, e aquela que idealizava tardava em se concretizar, Sá-Carneiro entrou numa cada vez maior angústia, que viria a conduzi-lo ao seu suicídio prematuro, perpetrado no Hôtel de Nice, no bairro de Montmartre em Paris, com o recurso a cinco frascos de arseniatoestricnina. de
Contava tão-só vinte e seis anos. Extravagante tanto na morte como em vida (de que o poema Fim é um dos mais belos exemplos), convidou para presenciar a sua agonia o seu amigo José de Araújo. E apesar de o grupo modernista português ter perdido um dos seus mais significativos colaboradores, nem por isso o entusiasmo dos restantes membros esmoreceu – no segundo número da revista Athena, Pessoa dedicou-lhe um belo texto, apelidando-o de «génio não só da arte como da inovação dela», e dizendo dele, retomando um aforismo das Báquides (IV, 7, 18), de Plauto, que «Morre jovem o que os Deuses amam» (tradução literal de Quem di diligunt adulescens moritur).
Verdadeiro insatisfeito e inconformista (nunca se conseguiu entender com a maior parte dos que o rodeavam, nem tão pouco ajustar-se à vida prática, devido às suas dificuldades emocionais), mas também incompreendido (pelo modo com os contemporâneos olhavam o seu jeito poético), profetizou acertadamente que no futuro se faria jus à sua obra, no que não falhou.
Com efeito, reconhecido no seu tempo apenas por uma fina élite, à medida que a sua obra e correspondência foi publicada, ao longo dos anos, tornou-se acessível ao grande público, sendo atualmente considerado um dos maiores expoentes da literatura moderna em língua portuguesa. Embora não tenha a mesma repercussão de Fernando Pessoa, a sua genialidade é tão grande (senão mesmo maior) que a de Pessoa, mas porém muito mais próxima da loucura que a do seu amigo.
A terra que o acolheu na infância – Camarate –, e a quem ele dedicou também algumas das suas poesias, homenageou-o, conferindo o seu nome a uma escola local. O seu poema Fim foi musicado por um grupo português no final dos anos 1980, os Trovante. Mais tarde, o seu poema O Outro foi também musicado pela cantora brasileira Adriana Calcanhotto.
As suas influências literárias são de Edgar Allan Poe, Oscar Wilde, Charles Baudelaire, Stéphane Mallarmé, Fiódor Dostoievski, Cesário Verde e António Nobre. Este escritor influenciou vários escritores, entre eles Eugénio de Andrade.

Obra

Na fase inicial da sua obra, Mário de Sá-Carneiro revela influências de várias correntes literárias, como o decadentismo, o simbolismo, ou o saudosismo, então em franco declínio; posteriormente, por influência de Pessoa, viria a aderir a correntes de vanguarda, como o interseccionismo, o paulismo ou o futurismo.
Nessas pôde exprimir com vontade a sua personalidade, sendo notórios a confusão dos sentidos, o delírio, quase a raiar a alucinação; ao mesmo tempo, revela um certo narcisismo e egolatria, ao procurar exprimir o seu inconsciente e a dispersão que sentia do seu «eu» no mundo – revelando a mais profunda incapacidade de se assumir como adulto consistente.
O narcisismo, motivado certamente pelas carências emocionais (era órfão de mãe desde a mais terna puerícia), levou-o ao sentimento da solidão, do abandono e da frustração, traduzível numa poesia onde surge o retrato de um inútil e inapto. A crise de personalidade levá-lo-ia, mais tarde, a abraçar uma poesia onde se nota o frenesi de experiências sensórias, pervertendo e subvertendo a ordem lógica das coisas, demonstrando a sua incapacidade de viver aquilo que sonhava – sonhando por isso cada vez mais com a aniquilação do eu, o que acabaria por o conduzir, em última análise, ao seu suicídio.
Embora não se afaste da metrificação tradicional (redondilhas, decassílabos, alexandrinos), torna-se singular a sua escrita pelos seus ataques à gramática, e pelos jogos de palavras. Se numa primeira fase se nota ainda esse estilo clássico, numa segunda, claramente niilista, a sua poesia fica impregnada de uma humanidade autêntica, triste e trágica.
Por fim, as cartas que trocou com Pessoa, entre 1912 e o seu suicídio, são como que um autêntico diário onde se nota paralelamente o crescimento das suas frustrações interiores.

Obras

Amizade (1912)

Publicada em 1912, Amizade, é a primeira peça que escreve. Mário de Sá-Carneiro divide a autoria desta obra com Tomás Cabreira Júnior, seu colega do Liceu Camões em Lisboa. O fato de hoje podermos ler esta peça deve-se a um acaso. Dos dois colegas e autores da peça Amizade, Tomás Cabreira Júnior era o único dos dois que tinha os manuscritos. Por qualquer motivo era Sá-Carneiro quem os tinha consigo aquando do suicídio de Tomás Cabreira Júnior, que antes de cometer tal ato destruiu toda a sua obra.

Princípio (1912)

No ano de 1912, o autor dá à estampa um conjunto de novelas que reune sob o título Princípio.

A Confissão de Lúcio (1913)

Inaugurando um estilo até então em si desconhecido, o romance, Mário de Sá-Carneiro publica, em 1913, A Confissão de Lúcio. A temática desta obra gira em torno do fantástico e é um ótimo espelho da época de vanguarda que foi o modernismo português.

Dispersão (1914)

O ano de 1913 veio a revelar-se de uma pujança criativa inigualável. Não só variou dentro da prosa, como apresenta ao público a sua primeira obra de poesia: Dispersão. Esta obra é composta por doze poemas e a sua primeira edição foi revista quer pelo autor quer pelo seu grande amigo, e também poeta, Fernando Pessoa.

Céu em Fogo (1915)

Em 1915, volta a reunir novelas, mais precisamente oito, num volume a que dá o título de Céu em Fogo. Estas novelas revelam igualmente as mesmas perturbações e obsessões que já a sua poesia expressava.

Obras Póstumas

Nem tudo aquilo que Sá-Carneiro produziu em vida viu ser publicado, ainda que muitas coisas, além dos seus livros, tenha deixado espalhadas pelas publicações em que participou, como as revistas Orpheu ou Portugal Futurista.

Indícios de Oiro (1937)

Do que Mário de Sá-Carneiro não chegou a publicar em vida Indícios de Oiro, publicada em 1937 pela revista Presença, é o conjunto de trabalhos seus mais significativo do conjunto da sua obra.

Correspondência

A sua correspondência com outros membros do Orpheu foi também reunida em volumes póstumos: Cartas a Fernando Pessoa (2 vols., 1958-1959), Cartas de Mário de Sá-Carneiro a Luís de Montalvor, Cândia Ramos, Alfredo Guisado e José Pacheco (1977), Correspondência Inédita de Mário de Sá-Carneiro a Fernando Pessoa (1980).

Traduções

De Sá-Carneiro existe ainda uma tradução da peça Les Fossiles, de François de Curel, em parceria com António Ponce de Leão.

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5 - FIGURAS DA PRIMEIRA REPÚBLICA »»» liberato pinto


Liberato Damião Ribeiro Pinto (Lisboa, 29 de Setembro de 1880 — Lisboa, 4 de Setembro de 1949) foi um militar e político da esquerda republicana, ligado ao Partido Democrático, que atingiu o posto de coronel do Exército Português, comandando a Guarda Nacional Republicana entre 1917 e 1922 e exercendo as funções de Presidente do Conselho de Ministros de um dos governos da Primeira República Portuguesa.

Biografia

Liberato Pinto estudou no Colégio Jesuíta de Campolide, em Lisboa, onde concluiu a sua formação inicial. Concluídos os estudos secundários, ingressou na Escola de Guerra onde concluiu os cursos de Infantaria e de Estado-Maior.
Iniciou seguidamente uma carreira profissional como oficial do Exército Português que culminou no posto de coronel, obtido em 1927, já depois de passar à reserva. Paralelamente foi docente no Colégio Jesuíta de Campolide e na Escola de Desenho Industrial Marquês de Pombal.
No seu percurso militar foi regente de uma das secções do Instituto Militar dos Pupilos do Exército, chefe e subchefe do Estado-Maior das Forças Expedicionárias a Moçambique comandadas por Moura MendesFerreira Gil (1916-1917) e finalmente como chefe do Estado-Maior da Guarda Nacional Republicana, força que comandou entre 1917 e 1922. (1915-1916) e por
Considerado um democrático ortodoxo, afirmou-se como um dos pilares do poder do Partido Democrático, no qual se filiara em Janeiro de 1915. Como comandante da Guarda Nacional Republicana, cargo para que foi nomeado por um dos governos do Partido Democrático, conseguiu transformar a força no bastião do poder daquele partido, instrumentalizando-a ao ponto de a transformar numa verdadeira guarda pretoriana dos governos dominados pelo partido e num feroz núcleo de oposição e num perigoso foco de desestabilização sempre que o poder dos democráticos parecia ameaçado.
A sua ligação ao Partido Democrático levou a que em 1919 fosse eleito deputado ao Congresso da República nas listas do partido pelo círculo eleitoral de Aljustrel.
Com a intensificação da instabilidade política que marcou o aproximar do fim da Primeira República Portuguesa, a 29 de Novembro de 1920 foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros do 24.º Governo da República. A nomeação foi da iniciativa de António José de Almeida, então Presidente da República, que aconselhou Liberato Pinto a formar um governo de geral concentração republicana. A escolha foi apoiada por Álvaro Xavier de Castro e pela esquerda republicana, e resultou da recusa do convite para formar governo por parte do general Abel Hipólito, afecto aos liberais, e da necessidade de acalmar a Guarda Nacional Republicana, então o verdadeiro baluarte do poder republicano.
O seu Governo, que terminou a 2 de Março de 1921, foi marcado por sucessivos apelos para governar de forma militarizada, ou seja para que assumisse o poder em ditadura, face à crescente instabilidade social, marcada pelas greves e pela violência bombista. No decurso do mandato acumulou a pasta de Ministro do Interior e exerceu interinamente os cargos de Ministro da Marinha e Ultramar (de 4 de Fevereiro de 1921 ao fim do mandato) e de Ministro das Finanças (de 22 de Fevereiro de 1921 ao fim do mandato).
Pouco depois de abandonar o Governo, foi demitido da chefia do Estado-Maior da Guarda Nacional Republicana, em resultado dos actos de indisciplina e de aberta contestação ao novo Governo que foram protagonizados por aquela força. A demissão levou a que caísse em desgraça política, chegando mesmo a ser preso em Janeiro de 1922, acusado de desvio de fundos da corporação.
A demissão de Liberato Pinto causou grande agitação na GNR e nos meios ligados ao Partido Democrático, estando na origem de várias intentonas, entre as quais a que levou à Noite Sangrenta de 19 de Outubro de 1921 e ao assassínio de António Granjo, então Presidente do Conselho de Ministros.
Com a vitória da Revolução Nacional de 28 de Maio de 1926 a subsequente implantação do governo da Ditadura Nacional, foi forçado a abandonar a vida pública e impedido de leccionar nas escolas oficiais, recorrendo à actividade de professor particular. Acabou os seus dias em grandes privações.
Casou com Maria Augusta Supico, com quem teve um filho, Clotário Luís Supico Ribeiro PintoMinistro da Economia de um dos governos do Estado Novo. Este filho casou em segundas núpcias com Cecília Maria de Castro Pereira de Carvalho Supico Pinto, fundadora do Movimento Nacional Feminino.

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4 - CARTILHA DE HIGIENE 1912


Um visitador e bom amigo enviou-nos este precioso documento "CARTILHA DE HIGIENE" datado de 1912, início da Primeira República e editado pelo Regimento de Infantaria nº13, constituindo um verdadeiro manual da saúde pública que, dada a sua notória actualidade, deveria ser distribuído ainda hoje pelas casernas deste País.

Vamos editá-la faseadamente.

Hoje pode saborear o "ALIMENTAÇÃO" e "BEBIDA"

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(continua próximo domingo)

Se algum visitador possuir documentos interessantes que goste de ver editados, envie para "apxxdxdocorreio@gmail.com", que muito gratos ficaremos.

Muito Obrigado E. FRANÇA por este contributo valioso

2 - OS CELTIBEROS



El texto es una versión actualizada del artículo del mismo título publicado en M. Almagro-Gorbea, M. Mariné y J. R. Álvarez Sanchís (eds.), Celtas y Vettones, Diputación Provincial de Ávila, Ávila, 2001, pp. 182-199. 


La fase inicial o Celtibérico Antiguo (ca. mediados del siglo VI-mediados del V a. C.)

En torno al siglo VI a. C. se documentan en las altas tierras de la Meseta oriental y el Sistema Ibérico una serie de importantes novedades que afectan a los patrones de asentamiento, al ritual funerario y a la tecnología, con la adopción de la metalurgia del hierro. Como novedades surgen ahora un buen número de poblados de nueva planta y los primeros asentamientos que se pueden calificar de estables en este territorio. Los poblados, generalmente de tipo castreño red, pueden estar protegidos por murallas, aunque también se documenten otros carentes de defensas salvo la que supone el propio emplazamiento. Corresponden también a este momento, los más antiguos cementerios de incineración de la Meseta oriental, en uso, a veces, de forma continuada desde el siglo VI hasta el II a. C., o incluso después. Ofrecen, en ocasiones, una ordenación interna característica, con sepulturas alineadas, generalmente con estelas, formando calles. A través de los ajuares funerarios se plantea la existencia de una sociedad guerrera, con indicios de jerarquización social, en la que el armamento es un signo exterior de prestigio, destacando las largas puntas de lanza y la ausencia de espadas o puñales.
 

Fotografía del castro de Riosalido
Vista del castro de Riosalido (Guadalajara). (Foto Lorrio)

Fotografía de la necrópolis de Centenares
Tumbas con estela alineadas de la necrópolis de Centenares (Luzaga, Guadalajara). (Foto Museo Cerralbo)

Como ha señalado Almagro-Gorbea, la aparición de las élites celtibéricas podría deberse a la evolución de los grupos dominantes de la Cultura de Cogotas I, aunque sin excluir los aportes demográficos externos, cuya incidencia real en este proceso resulta en cualquier caso difícil de valorar. Así, la llegada y el desarrollo de una organización de tipo gentilicio en la Meseta, entendida como una organización familiar aristocrática basada en la transmisión hereditaria, que se refleja en una onomástica específica, contribuyó a reforzar la jerarquización latente en la estructura socioeconómica existente desde Cogotas I.
La nueva organización socioeconómica impulsaría el crecimiento demográfico y llevaría a una creciente concentración de riqueza y poder por parte de quienes controlan las zonas de pastos, las salinas -abundantes en toda la zona y esenciales para la ganadería y la conservación de alimentos- y la producción de hierro, favorecida por la proximidad de los importantes afloramientos del Sistema Ibérico, que permitió desarrollar con prontitud en estas regiones un eficaz armamento, lo que explicaría la aparición de una organización social de tipo guerrero progresivamente jerarquizada, uno de los elementos fundamentales para entender el desarrollo de la Cultura Celtibérica y en cuyo proceso de etnogénesis debió jugar un papel esencial como factor de cohesión.
Este proceso se potenciaría indirectamente por el influjo del comercio colonial -cuyo impacto real en estas fechas en el territorio celtibérico no debió ser muy importante- que, dirigido hacia las élites sociales y controlado por ellas, tendería a reforzar el sistema social gentilicio.
Sobre los lugares de hábitat, pocos son los datos con que se cuenta para las fases iniciales. De forma general, puede señalarse la ausencia de jerarquización interna y la orientación preferentemente agro-pecuaria de la sociedad celtibérica, aunque los datos sean demasiado parciales pues la falta de excavaciones en extensión dificulta la posibilidad de obtener mayor información sobre el particular, impidiendo asimismo la contrastación con los datos proporcionados por las necrópolis, que coinciden en destacar el papel de las élites de tipo guerrero dentro de la sociedad celtibérica.
Del análisis de la cultura material de las necrópolis y poblados de la fase inicial de la Cultura Celtibérica se desprende la existencia de aportaciones de diversa procedencia y tradiciones culturales variadas. En cuanto a los objetos hallados en los ajuares funerarios, se plantea un origen meridional para algunos de ellos, como las fíbulas de doble resorte de puente filiforme y de cinta, los broches de cinturón de escotaduras y de uno a tres garfios, o los primeros objetos realizados en hierro, que incluyen las largas puntas de lanza y los cuchillos curvos, perfectamente documentados desde los siglos VII-VI a. C. en ambientes orientalizantes del mediodía de la Península. Otra posibilidad, en absoluto excluyente, es plantear la llegada de algunos de estos elementos desde las áreas próximas al mundo colonial del noreste peninsular a través del Valle del Ebro, junto al propio ritual, la incineración, y a las urnas que formarían parte de él, como lo confirmarían sus perfiles, que cabe vincular con los Campos de Urnas, al igual que ocurre con las cerámicas procedentes de los lugares de habitación, de evidente semejanza con las documentadas en yacimientos de Campos de Urnas del Hierro. Diferente podía ser el caso de algunas de las cerámicas pintadas, de posible origen meridional.
Para los encachados tumulares de las necrópolis de Molina de Aragón y Sigüenza, muy mal documentados, no habiéndose podido estudiar su estructura constructiva, se ha señalado su procedencia del Bajo Aragón. En cuanto a las calles de estelas se trata de un rasgo local, que no aparece en el ámbito de los Campos de Urnas.
Por su parte, el tipo de poblado con casas rectangulares adosadas con muros cerrados hacia el exterior a modo de muralla, que es característico del mundo celtibérico desde esta fase inicial, aunque no exclusivo de él, está bien documentado en los poblados de Campos de Urnas del Noreste.
El hallazgo de chevaux de frise en el poblado leridano de Els Vilars (Arbeca), en el noreste peninsular, asociándose a una muralla y a torreones rectangulares, ha venido a replantear el origen de este sistema defensivo característico de los castros del reborde montañoso oriental, meridional y occidental de la Meseta consistente en franjas anchas de piedras clavadas en el terreno natural. El conjunto se inscribe en un ambiente de Campos de Urnas del Hierro, fechándose en la segunda mitad del siglo VII a. C. Esta datación, más elevada que las normalmente admitidas para el ámbito celtibérico, así como su localización geográfica en el Bajo Segre, vendría a confirmar su filiación centroeuropea con las estacadas de madera del Hallstatt C.
La documentación existente, pues, parece indicar que la eclosión del mundo celtibérico se produjo en un ámbito geográfico mucho menor que el de la Celtiberia histórica, configurando lo que puede considerarse como el territorio nuclear de la misma, que se localiza en las tierras altas del oriente de la Meseta y el Sistema Ibérico, en torno a los cursos altos del Tajo, del Jalón y del Duero, excluyéndose otras áreas cuya pertenencia a la Celtiberia en época histórica está sobradamente contrastada, como sería buena parte de la margen derecha del Ebro Medio o, posiblemente, los cursos superiores del Cigüela y el Záncara, subsidiarios del Guadiana, en la zona centro-occidental de la provincia de Cuenca.


La fase de desarrollo o Celtibérico Pleno 
(ca. mediados del siglo V- finales del III a. C.)
Un nuevo período se desarrolla a partir del siglo V a. C., durante el cual se ponen de manifiesto variaciones regionales que permiten definir grupos culturales vinculables, a veces, con los populi conocidos por las fuentes literarias. El estudio de los cementerios y, especialmente, de los objetos metálicos depositados en las tumbas, principalmente las armas, ha proporcionado un buen conocimiento de los mismos y de su evolución, aunque la periodización propuesta no es fácil de correlacionar con la información procedente de los poblados, en muchos casos únicamente conocidos a través de materiales recogidos en superficie.

Ajuares funerarios celtibéricos
Cuadro evolutivo de los ajuares funerarios celtibéricos. (Según Lorrio, 1997)

La creciente diferenciación social se manifiesta en las necrópolis, con la aparición de tumbas aristocráticas cuyos ajuares están integrados por un buen número de objetos, algunos de los cuales pueden ser considerados excepcionales, como es el caso de las armas broncíneas de parada o las cerámicas a torno. Este importante desarrollo aparece inicialmente circunscrito al Alto Henares-Alto Tajuña, afluentes del Tajo, así como a las tierras meridionales de la provincia de Soria correspondientes al Alto Duero y al Alto Jalón, como resultado de la riqueza ganadera de la zona, el control de las salinas, la producción de hierro, o debido a su privilegiada situación geográfica, al tratarse del paso natural entre el Valle de Ebro y la Meseta. El mayor número de necrópolis en la zona puede asociarse con el aumento en la densidad de población, que conllevaría una ocupación más sistemática del territorio.
En este período la espada se incorpora a los ajuares de las tumbas de guerrero. Se trata de modelos de antenas y de frontón, que se documentan conjuntamente en el mediodía peninsular desde inicios del siglo V a. C. También se hallan puntas de lanza, que en ocasiones alcanzan los 40 cm. de longitud, usualmente acompañadas de sus regatones, soliferrea y, posiblemente, pila. El escudo, con umbos de bronce o hierro, el cuchillo de dorso curvo, y, en ciertos casos, el disco-coraza y el casco, ambos realizados en bronce, completan la panoplia. Es frecuente encontrar, junto a ellos, arreos de caballo, un signo más de la categoría del personaje al que acompañan. Un buen ejemplo de ello lo constituye las necrópolis de Aguilar de Anguita (Guadalajara) y Alpanseque (Soria), en las que está presente la ordenación característica del espacio funerario en calles paralelas. Los ajuares de estos cementerios, adscritos a los momentos iniciales del Celtibérico Pleno, muestran una sociedad fuertemente jerarquizada, en las que las tumbas de mayor riqueza se vincularían con grupos aristocráticos. 


Tumba de la necrópolis de Carratiermes
Tumba aristocrática de la necrópolis de Carratiermes (Montejo de Tiermes, Soria). (Foto Argente)

En cuanto a la representatividad de los diferentes sectores sociales en los cementerios del Celtibérico Pleno, se sabe que tan sólo un pequeño número de tumbas de Aguilar de Anguita poseía ajuares «ricos», lo que supone menos del 1% del total según los datos proporcionados por su excavador, el Marqués de Cerralbo, entre los que, con bastante verosimilitud, se incluirían todos o por lo menos una parte importante de las tumbas conocidas. Los conjuntos funerarios provistos de espada o puñal, que se relacionarían con los individuos de más alto estatus de la comunidad, como lo confirma asimismo su asociación con arreos de caballo, debieron constituir igualmente una parte muy pequeña del total de enterramientos con armas que, en su mayoría, corresponderían a guerreros provistos de una o varias puntas de lanza o jabalina, aunque la práctica ausencia de noticias sobre la composición de los ajuares de «riqueza intermedia» no permita determinar hasta qué punto las tumbas que presentan lanzas y jabalinas como principales armas ofensivas formarían el conjunto más importante, según queda evidenciado en otros cementerios mucho mejor conocidos. Sin embargo, el uso no ya de la panoplia comentada, con la presencia de elementos broncíneos de prestigio como las corazas o los cascos, sino del armamento en general, estaría restringido a un sector de la población. No obstante, la atracción que el armamento ejerció en quienes inicialmente procedieron al estudio de las necrópolis celtibéricas ha condicionado el conocimiento que se tiene de las tumbas sin armas, aunque se sabe de algunas notables excepciones con una importante acumulación de objetos presentes en las mismas, lo que supone un indicio de que se trataría de personajes relevantes, cuyos ajuares estarían formados, entre otros elementos, por fíbulas, broches de cinturón, collares y pectorales
Diversas influencias se ponen de manifiesto en cuanto a la procedencia de los diferentes tipos de objetos hallados en las sepulturas: norpirenaicas, a través del Valle del Ebro, y con las tierras del mediodía y el Levante peninsular, de inspiración mediterránea. Las armas, como elemento más significativo de los que constituyen el ajuar, ofrecen un buen ejemplo de lo dicho.
De esta forma, los diversos modelos de espadas de antenas responden a una doble influencia: del Languedoc, seguramente a través de Cataluña, como parece ser el caso del tipo Aguilar de Anguita, y de Aquitania, como lo confirmarían los escasos ejemplares de tipo aquitano, seguramente piezas importadas, y las espadas de tipo Echauri. Hay que señalar que algunos de los principales tipos de espadas de antenas de esta fase serían de producción local, lo que da idea del importante desarrollo metalúrgico que alcanzó la Meseta oriental desde época temprana. Otro tipo, como son las espadas de frontón, a las que cabe atribuir un origen mediterráneo, se documenta en el mediodía peninsular desde los inicios del siglo V a. C.
Un carácter foráneo cabe plantear, igualmente, para los elementos broncíneos de parada, es decir, los cascos, corazas y grandes umbos, y pensar, por la coincidencia en la temática y en la técnica decorativa, en un origen común, no debiendo descartar su realización en talleres locales. Los discos-coraza constituyen un buen ejemplo de lo dicho, dada su distribución geográfica centrada en el sureste peninsular; están inspirados en piezas itálicas y tienen una cronología del siglo V a. C.
Paralelos muy diversos en el tiempo y el espacio, evidenciando diferentes orígenes y vías de llegada, ofrecen el resto de los materiales, como es el caso de los distintos modelos de fíbulas, los broches de cinturón, los adornos de espirales o los pectorales de placas de bronce, aunque, como lo prueba la dispersión de los hallazgos, en muchos casos se trate de producciones locales. Por último, resulta evidente la procedencia del área ibérica de las primeras piezas fabricadas a torno, llegadas a la Meseta oriental ya en la fase precedente.
Desde finales del siglo V se observa un desplazamiento progresivo de los centros de riqueza hacia las tierras del Alto Duero que puede relacionarse con la eclosión de uno de los principales populi celtibéricos, los Arévacos, lo que queda probado por la elevada proporción de sepulturas con armas en los cementerios adscribibles a este período localizados en la margen derecha del Alto Duero, entre las que destacan La Mercadera (44%) y Ucero (34,7%), y cuyo carácter preferentemente militar es señalado también con respecto a los peor conocidos de La Revilla, Osma o La Requijada de Gormaz. Todo ello viene a coincidir con el empobrecimiento de los ajuares, incluso con la práctica desaparición de las armas, en otras zonas de la Celtiberia, fenómeno que se pone de relieve desde finales del siglo IV a. C. en las necrópolis situadas en la cuenca alta del Tajuña, al norte de la provincia de Guadalajara, como Riba de Saelices, Aguilar de Anguita, en su fase más reciente, carentes todas ellas de armamento, o Luzaga. Lo mismo es observado en La Yunta, en el curso alto del río Piedra, que, al igual que Luzaga, proporcionó algún elemento armamentístico, y en Molina de Aragón, en la cuenca del Gallo, en la que, junto a materiales de cronología antigua, se documentaron otros relativamente modernos aparecidos fuera de contexto, no hallándose entre ellos resto alguno de armamento. La cronología de estas necrópolis oscila entre finales del siglo IV y el II a. C., o aun después.
Las armas de tipo ibérico no son habituales en el Alto Duero, quedando reducidas a alguna falcata o a las manillas de escudo del modelo de aletas. Las relaciones con las tierras del Duero Medio y el Alto Ebro gozaron de una mayor importancia, lo que queda constatado por la presencia en la zona celtibérica de ciertos objetos de gran personalidad, como los puñales y algún umbo de escudo de tipo Monte Bernorio, los tahalíes metálicos, o los broches de tipo Miraveche y Bureba. Por su parte, desde mediados del siglo IV a. C.a. C.. aparecen en los cementerios del Alto Henares-Alto Jalón las espadas de tipo La Tène, que alcanzarán su máximo desarrollo en la centuria siguiente, habiéndose documentado auténticas piezas de procedencia norpirenaica, como lo prueba el hallazgo de ciertas vainas de espada. En consideración a las características plenamente indígenas de las panoplias en las que se integran estas armas, puede interpretarse su llegada de la mano de mercenarios celtibéricos o tratarse de piezas exóticas obtenidas por intercambios de prestigio. Destaca, igualmente, la aparición de los puñales biglobulares, arma típicamente celtibérica, caracterizada por su empuñadura con remate discoidal y por el engrosamiento localizado en su zona central. Se trata de un tipo de arma, de origen celtibérico, cuya presencia resulta frecuente en buena parte de la Hispania céltica desde desde el siglo III hasta el I

Puñales de la necrópolis de Carratiermes
Puñales biglobulares de la necrópolis de Carratiermes (Montejo de Tiermes, Soria). (Foto Museo Numantino)

Por lo que se refiere a los poblados, se generaliza a partir de la Segunda Edad del Hierro el esquema urbanístico de calle o de plaza central, incorporándose nuevos sistemas defensivos consistentes en murallas acodadas y torreones rectangulares, que convivirán con los característicos campos de piedras hincadas, ya documentados desde el Primer Hierro en los castros de la serranía de Soria.
Durante este período se produce lo que cabría interpretar como «celtiberización» de determinadas zonas adyacentes a los territorios nucleares del Alto Tajo-Alto Jalón-Alto Duero, que, al final de la fase plena, presentarán características uniformes con el resto del territorio celtibérico. Así ocurre con el sector septentrional de la actual provincia de Soria, área montañosa perteneciente al Sistema Ibérico, donde se individualiza la llamada «cultura castreña soriana», que constituye uno de los grupos castreños peninsulares de mayor personalidad, perfectamente caracterizado desde el punto de vista geográfico-cultural y cronológico. Se fechan entre los siglos VI-V a. C., siendo abandonados en su mayoría hacia mediados del siglo IV a. C., aunque en algunos casos pudieran haber sido ocupados posteriormente de forma ocasional. Hay, no obstante, suficientes evidencias de una ocupación estable de algunos de ellos durante el Celtibérico Pleno, no quedando claras las condiciones de esta transición. Podría hablarse de celtiberización del territorio serrano al correlacionar el fenómeno de abandono y posibles transiciones violentas de los asentamientos castreños de la Serranía con el desarrollo que muestran a lo largo del período las necrópolis y poblados de la zona central de la cuenca alta del Duero, celtiberización que no llega a completarse, como lo prueba el hecho de que el territorio se mantuviera al margen de las manifestaciones funerarias propias del ámbito arévaco. De modo similar, da la sensación de asistir a un proceso de celtiberización de la margen derecha del Valle Medio del Ebro a partir de finales del siglo IV-inicios del III a. C., o incluso después, toda vez que este territorio, durante los estadios iniciales de la Cultura Celtibérica, aparece vinculado al mundo del Hierro de tradición de Campos de Urnas del Ebro. 

Alberto J. Lorrio
Universidad de Alicante

 NR: Este texto em castelhano contém a melhor explicação histórico-científica sobre estes nossos antepassados, não encontrámos nada semelhante em língua portuguesa.


OS TARTESSOS



Tartessos, distribuição
Tartessos (Τάρτησσος) era o nome pelo qual os gregos conheciam a primeira civilização do Ocidente. Herdeira da cultura megalítica andaluza, que se desenvolveu no triângulo formado pelas actuais cidades de Huelva, Sevilha e São Fernando (Cádiz), pela costa sudoeste da Península Ibérica, teve por linha central o rio Tartessos, que os romanos chamaram logo de Baetis e os árabes Guadalquivir. Os tartessos poderão ter desenvolvido uma língua e escrita distinta da dos povos vizinhos, com influências culturais de egípcios e fenícios.
Não é certo que tenha existido uma cidade com este nome, dado que ainda não se encontrou sua localização, ainda que estejam perfeitamente documentados outros povoados ao longo do vale do Guadalquivir, território de expansão da civilização dos Tartessos. A sua provável capital talvez fosse Turpa, no lugar que hoje ocupa o porto de Santa Maria, na desembocadura do Guadalete, de cuja raiz “tr” sairiam todas as formas de Tartessos. Provavelmente, a cidade e a civilização já existiam antes de 1000 a.C., dedicadas ao comércio, a metalurgia e a pesca. A posterior chegada dos fenícios e seu establecimento em Gadir (actual Cádis), talvez tenha estimulado o seu imperialismo sobre as terras e cidades ao seu redor, a intensificação da exportação das minas de cobre e prata (Os Tartessos converteram-se nos principais provedores de bronze e prata do Mediterrâneo), assim como a navegação até às ilhas Cassitérides(Ilhas Britânicas ou mais concretamente as ilhas da Sicília), de onde importaram o estanho necessário para a produção de bronze, ainda que também o obtivessem pela lavagem de areias que continham estanho.
A sua forma de governo era a monarquia, e possuiam leis escritas em tábuas de bronze. Heródoto fala de 6.000 anos.

Jarro de Valdegamas (M.A.N. Madrid).
No século VI a.C., Tartessos desaparece abruptamente da História, seguramente varrida por Cartago que, depois da batalha de Alalia, o fez pagar assim sua aliança com os gregos. Outros dizem que foi refundada, sob condições pouco claras, com o nome de Carpia. Os romanos chamaram à ampla Baia de Cádiz Tartessius Sinus, mas o reino já não existia mais. 
Quando o viajante Pausanias visitou a Grécia no século II a.C. (Paus. Desc. 6.XIX.3) viu duas câmaras num santuário de Olímpia, que a gente de Elis afirmava realizadas con bronze tartesso.
«Dizem que Tartessos é um rio na terra dos Iberos, chegando ao mar por duas desembocaduras e que entre esses dois locais se encontra uma cidade desse mesmo nome. O rio, que é o mais longo da Ibéria, e tem marés, chamado em dias mais recentes Baetis, e há alguns que pensam que Tartessos foi o nome antigo de Carpia, uma cidade dos Iberos»
O solar de Tartessos se perdeu e provavelmente está enterrado sob camadas de sal marinho que substituiram antigos estuários e dunas na moderna desembocadura única do Guadalquivir. Actualmente o delta fluvial foi bloqueado gradualmente por uma enorme faixa de areia que se estende desde o rio Tinto, próximo de Palos de la Frontera, até a ribeira oposta em Sanlúcar de Barrameda. A área está protegida actualmente sob o nome de Parque Nacional de Doñana.
O nome de Carpia sobrevive em um lugar num dos meandros do Guadalquivir. De todas as formas, o nome foi associado ao seu monumento mais característico, uma torre mourisca erguida em 1325 pelo construtor responsável do Alcázar de Sevilha.
Na Bíblia aparecem referências a um lugar chamado "Tarshish", também conhecido como Tarsis ou Tarsisch.
"De facto, o Rei Salomão tinha naves de Tarsis no mar junto com as naves de Hirão. As naves de Tarsis vinham uma vez a cada três anos e traziam ouro, prata, marfim, bugios e pavões." Antigo Testamento, Livro dos Reis I, 10-22
Este lugar se tem relacionado com Tartessos, ainda que exista uma árdua discussão sobre o assunto.
Apesar de existirem numerosos restos arqueológicos no sul da Espanha, como o tesouro do Carambolo, que se considera pertencente à cultura tartessa, a cidade de Tartessos ainda não foi encontrada. A sua possível localização foi objeto de estudo pelo arqueólogo e hispanista alemão Adolf Schulten (1870-1960), que morreu sem ver cumprido seu sonho de encontrar a cidade.

Reis de Tartessos


Peitoral.
Através de gerações nos chegaram documentos que falam dos lendários líderes de Tartessos.
  • Gerião - Primeiro rei mitológico de Tartessos. Segundo a lenda, era um gigante tricéfalo, que pastoreava suas ovelhas pelas proximidades do Guadalquivir.
  • Norax - Neto de Gerião, conquistou o sul da Sardenha, onde fundou a cidade de Nora.
  • Habidis - Descobriu a agricultura, atando dois bois a um arado. Formulou as primeiras leis, dividiu a sociedade em sete classes e proibiu o trabalho aos nobres. Sob seu reinado se estabelece um sistema social em que uns poucos vivem às custas do trabalho e da miséria de uma maioria pobre.
Sobre estes dois monarcas se escreveu a Tragicomédia de Gárgoris e Habidis, que menciona um sistema social baseado na exploração do homem pelo homem, nascido depois do descobrimento da agricultura. Trata-se de personagens mitológicos, cuja existência real é tão duvidosa como a de Héracles.
  • Argantonio - Primeiro rei do qual se tem referências históricas. Último rei de Tartessos. Viveu 110 anos, segundo Heródoto, ainda que alguns historiadores pensem que possam referir-se a vários reis conhecidos pelo mesmo nome. Propiciou o comércio com os gregos, que criaram várias colónias costeiras durante seu reinado.
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