domingo, 27 de junho de 2010

SER DO CONTRA

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EUROGENDFOR - sabia que existe???????????????

Existe um EXÉRCITO SECRETO EUROPEU,
que também pode ser chamado de
FORÇA SECRETA POLICIAL DE INTERVENÇÃO PARA O ESMAGAMENTO DE REVOLTAS NA EUROPA.

Já se encontra dentro da União Europeia, porém apenas muito poucos sabem disso.
A força possui os mais amplos direitos, tem de momento 3.000 homens e responde pelo nome de "EURO GENDFOR (EUROPEAN GENDARMERIE FORCE)", ou seja, TROPA DE POLÍCIA EUROPEIA. O seu comando encontra-se em Vicenza, na Itália, longe do Centro da UE. Quem deu vida a este projecto foi a Ministra da Defesa Francesa, Alliot-Marie, com o objectivo de mais facilmente esmagar levantamentos populares, como os que têm surgido frequentemente em cidades francesas. Esta força, já existente, pode agora ser empregue por toda a União Europeia, anulando os direitos nacionais e as soberanias dos Estados Membros! O Tratado de Velsen (Holanda), decidiu de forma inequívoca, que vai ser um CONSELHO DE GUERRA, que vai decidir sobre a sua actuação. Este conselho compõe-se dos Ministérios de Defesa e de Segurança dos países membros da UE, inclusivamente do país onde vai ser aplicado. Aos olhos dos observadores trata-se de uma clara manifestação de um DIREITO DE OCUPAÇÃO DA EUROPA. Porque, desde que tenha sido decidido por unidades da EURO GENDFOR a ocupação de edifícios e regiões, ficam estas debaixo da sua alçada, já não podendo sequer ser visitadas pelos organismos oficiais do país a que territorialmente pertencem. De facto, existe assim um DIREITO DE OCUPAÇÃO EUROPEU. Porém, a situação pode vir a piorar ainda mais. A EURO GENDFOR não possui apenas os direitos policiais, mas também a competência sobre os serviços secretos, e, pode, em estreita colaboração com forças militares, restabelecer a lei e a ordem nas zonas consideradas convenientes. Em caso de necessidade, deve esta tropa possuir todos os direitos e acessos a todos os meios considerados necessários, para executar o respectivo mandato. Graças à EURO GENDFOR encontram-se os governos europeus à vontade. Desta forma podem ordenar o abrir fogo contra as próprias populações em caso de demonstrações de massas, colocar regiões inteiras sobre quarentena militar e prender os principais cabecilhas, sem ter de chamar militares, ou polícias, da sua própria nação, visto existir o perigo destes se solidarizarem com os revoltosos. A EURO GENDFOR, por sua vez, graças às suas excepcionais atribuições de direitos civis e militares, não pode ser responsabilizada por ninguém. Este cenário, que parece incrível, tornou-se agora possível através da entrada em vigor do TRATADO DE LISBOA, que não é mais do que a Constituição da UE sob novo título. A European Gendarmerie Force (EGF) é uma iniciativa de 5 Estados Membros - França, Italia, Holanda, Portugal and Espanha Iniciativa de Portugal? Porque nunca ouvimos falar disto antes? As suas funções são: - Responder á necessidade imediata de conduzir todo o espectro da acções de segurançaa civil. Como? - Sozinhos ou em cooperação cm as forças militares intervenientes. Reparem que são uma força multinacional. O quartel general (HQ) está em Vicenza, Italia e reforçam a prontidão das forças. Olhem só o objectivo: O objectivo da EGF goal é providenciar a Comunidade Internacional com um instrumento valido e operacional para gestão de crises, prioritariamente à disposição da EU, mas também de outras Organizações Internacionais, como NATO, UN e OSCE, e suas coligações. Mas ainda há mais! Vejam quem é o Comandante da Força!


Português>Coronel Jorge Esteves da GNR É português?! E nunca passou nas noticias nacionais uma coisa destas? Segundo o site ele comanda desde 26/6/2009, cargo que deixará em 2011. É da GNR! Agora se percebe porque é que escolhem a GNR para ir para manutenção de paz (como Bósnia, Timor, Afeganistão, Iraque, etc.) em vez das tropas mais especializadas.... Estão a treina-los em situações reais. O homem é de Abrantes, tem 52 anos e veio do Regimento de Cavalaria. Ora bem vamos lá analisar o que podem fazer! A ní­vel estratégico: - Fazer policiamento em operações de gestão de crise, com base nas conclusões dos Conselhos de Santa Maria da Feira e de Nice:UE, ONU, OSCE, NATO, outras e coligações. Sites de consulta: - www.eurogendfor.eu - Quem ordena? A Estrutura de Comando é a CIMIN (Comité InterMinistiriel de haut Niveau) composta pelos representantes dos responsáveis pelos Ministérios de cada Pais, que assegura coordenação poli­tico-militar, nomeia o Comandante da Força e provisiona-lhe directivas e orientações para o emprego. Qual a estrutura da Força?


E a ni­vel táctico? - A Força pode ser posta sob o comando quer tanto de autoridades militares como de civis, por forma, a assegurar a segurança publica, ordem publica e o funcionamento pleno das tarefas judiciais. (Entrega de alimentos, cuidados médicos não interessa!) - Não é uma força permanente (é só para repor a ordem... a ordem deles, é uma Força de Intervenção). - A força é formada num máximo de 800 oficiais de poli­cia, em menos de 30 dias. Para quem ainda não perceba como é que funciona, explicamos: existe um HQ permanente em Itália e, quando necessitam, formam uma força e essa é enviada para a crise, depois de fazer o que tem a fazer esta força é desmantelada. Mas afinal o que é que eles tem a fazer? - Missões gerais de segurança pública; - Missões de manutenção da ordem publica, Combate ao crime; - Investigação criminal (detecção, recolha, analise de informação); - Processamento, protecção e assistencia de indivi­duos; - Controlo de tráfego; - Desactivação de explosivos; - Combate ao terrorismo e crimes maiores e outros especializados; - Armazenamento, gestão, recuperação e evacuaçao de equipamentos, transportes, ajuda médica (não se deixem enganar por este último ponto, pois reparem que não existe distribuição nem de propriamente a ajuda, apenas a organizam); - Monitorizar e aconselhar a policia local no seu trabalho do dia-a-dia; - Vigilância do público; - Policiamento das fronteiras; - Serviços secretos; - Protecção de pessoas e propriedades (esta até é cómica! Vamos ver quem são essas pessoas e propriedades...); - Treino de oficiais de poli­cia e de instrutores.


Por fim vamos aos sí­mbolos, este é o logotipo da força em questão: - O mote "Lex Paciferat" (A Lei trará a Paz); - A espada como cruz invertida; - O louro maçónico; - A granada a rebentar (parece uma planta, mas é uma granada e as chamas a sair dela) - Sendo tudo isto tão interessante porque não passou nos média nacionais e europeus?»

enviado por E. FRANÇA

RELATÓRIO ATÉ 25/06/10

Com a modéstia que nos caracteriza, mas confessamos com alguma alegria, publicamos resultados das visitas à "a peida é um regalo do nariz a gente trata" desde o seu início.
A fonte é a empresa citada já a seguir

reports@sitemeter.com




      a peida é um regalo...do nariz agente trata      
(s18pencaxeirante)

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http://s18.sitemeter.com/stats.asp?site=s18pencaxeirante


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20 1 0 0 4 1 3 5 14
21 0 1 7 3 1 0 0 12
22 0 0 3 3 9 19 0 34
23 0 2 1 27 2 7 2 41
24 1 1 5 19 9 0 18 53
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MANUEL TAVARES



in "O REGIONAL"
24/06/10

PREVINA-SE



URGENTE... 2 sites a não utilizar

1. www..
portugalmovel.com
NÃO ENTREM NESTE LINK. É uma página de Toques, bonecos, etc. Para telemóveis...Para aceder a este site é necessário instalar um ficheiro. Este ficheiro, quando instalado, substitui a ligação telefónica normalmente utilizada clix, iol, Netc, Telepac, etc., por outra ligação, pela módica quantia de 3 € por minuto. Esta situação é gravíssima, atendendo a que ninguém se apercebe de nada, até aparecer a factura do telefone. O mais escandaloso é que o programa tenta constantemente ligar à Internet, pelo que, se alguém desligar o computador cortando a ligação, não imagina a que computador se vai voltar a ligar, ficando a gastar 3,30€ por minuto.·

2. www..geocities..com/adsl_netfast
NÃO o utilizem!!! Existe com o único propósito de vos ROUBAR as passwords! . O assunto é mesmo GRAVE!

NR: Confiamos em quem nos mandou esta informação, publicamo-la como a recebemos

enviado por J. COUTO

SALVA VIDAS

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enviada por NÔNÔ

AL BANO & ROMINA POWER

TREINO

ERA ASSIM QUE TREINAVA A SELECÇÃO AUSTRALIANA,
VALEU DE POUCO

O FIM DE SEMANA ESTÁ A ACABAR...

... E AS NOTÍCIAS NÃO SÃO DAS MELHORES

COMPRE JORNAIS


Expo Xangai: Portugal contempla visitante um milhão

O visitante um milhão do pavilhão de Portugal na Expo 2010 em Xangai, foi presenteado este domingo, com uma garrafa do Vinho do Porto.
As estimativas apontavam para três milhões de visitas no pavilhão de Portugal ao longo dos seis meses da feira mas o número pode ser ultrapassado. José Fragoso, que dirige o espaço revelou que o visitante um milhão aconteceu antes do previsto.
"CORREIO DA MANHÃ"

Fisco falha encaixe de 3,5 milhões
Venda de imóveis do Estado rendeu apenas 4% do esperado pelo Ministério das Finanças.
Não correu como esperado a venda de 15 imóveis do Estado em hasta pública realizada na semana passada, que rendeu apenas 4% do previsto. De acordo com as informações avançadas pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças, a venda em hasta pública destes imóveis, realizada nos dias 22 e 23, rendeu ao Estado apenas 158 mil euros. Um valor muito abaixo dos mais de 3,5 milhões de euros esperados pelo Ministério das Finanças. Apesar do fracasso da operação, os mais de 300 milhões de euros que o Estado prevê arrecadar com a venda de imóveis em 2010 não estão em perigo, uma vez que serão garantidos pela empresa estatal Parpública.
"DIÁRIO DE NOTÍCIAS"

Quatro praias da linha de Cascais com água imprópria para banhistas
O responsável da divisão ambiental da Direcção Geral de Saúde (DGS) revelou, este domingo, que quatro praias do concelho de Cascais continuam a não ter água própria para banhistas. As praias dos Pescadores, Duquesa, Rainha e Conceição não «reúnem condições».
«Continuam a não estar próprias para os banhistas, porque não reúnem as condições necessárias (em termos de qualidade da água) para que sejam consideradas zonas balneares», declarou Paulo Diegues.
As quatro praias não constam da lista da «Praias e banhos marítimos para o ano de 2010”, publicada a 18 de Junho em Diário da República, apesar de o vereador do ambiente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, ter dito que todas as praias do concelho têm «excelente» qualidade de água.
"A BOLA"

Estado gasta com partidos mais de 83 milhões por ano
Contas feitas para o período entre 1993 e 2013, com base na subvenção pública prevista na lei
Estão aprovadas pelo Parlamento, na generalidade, reduções nas subvenções públicas para os partidos previstas na actual lei, que se cifram nos 83,5 milhões de euros por ano. A necessidade de reduzir a despesa do Estado é o argumento, mas os efeitos serão, para já, poucos.
O cálculo do montante da média anual de subvenções do Estado para os partidos (83,5 milhões de euros entre 1993 e 2013) foi elaborado por Manuel Meirinho, docente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) que tem vindo a dedicar-se ao aprofundamento da questão do financiamento partidário.
Os dados mais recentes, que Meirinho integrou no seu estudo sobre "Os custos da democracia eleitoral portuguesa", permitem concluir que a maior fatia do bolo das subvenções públicas, em peso relativo, se destina à actividade corrente dos partidos. O que desmistifica a ideia feita de que são as campanhas eleitorais que mais recursos absorvem (ler caixa com números). Na opinião de Meirinho, os partidos "não sabem ou não querem saber" do que falam, quando falam em cortes nas despesas com campanhas eleitorais, com o argumento da redução da despesa do Estado em tempo de crise económica.
"JORNAL DE NOTÍCIAS"

Portimão. Urgências no Verão só com um médico "para conter despesas"
O conselho de administração do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio, em Portimão, deu ordens para que, a partir do próximo mês, as urgências funcionem apenas com um especialista de medicina interna, cirurgia e ortopedia. A escala de médicos passa a ser composta por apenas um clínico das 8h00 às 16h00. E a decisão, comunicada num ofício enviado aos directores de serviço a que o i teve acesso, é justificada como uma "forma de dar resposta ao plano de contenção para redução de despesas em horas extraordinárias".
A ordem, que não é motivada pela falta de médicos, mas pela vontade de cortar nas despesas, está a criar um verdadeiro terremoto. O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e a Ordem dos Médicos já manifestaram o seu "veemente protesto" junto da ministra da Saúde, Ana Jorge. E usam palavras como "irresponsabilidade", "gravidade", "desrespeito" e "violação das recomendações" de qualidade e segurança no atendimento aos doentes para descrever esta decisão.
"i"

Casa Pia: Leitura de acórdão adiada para 5 de agosto
A leitura do acórdão no processo Casa Pia foi adiada esta sexta-feira para 5 de agosto, disse à Lusa fonte judicial. A leitura do acórdão do processo de abuso sexual de menores esteve marcada para 9 de julho, mas o coletivo emitiu um despacho marcando a nova data.
A sessão do dia 9 de julho servirá para analisar o relatório social do principal arguido, Carlos Silvino.
O coletivo de juízes só hoje recebeu o relatório social de Carlos Silvino, que foi refeito nas últimas duas semanas por uma equipa do Instituto de Reinserção Social.
As partes terão agora um prazo de cinco dias, prorrogável, para se pronunciarem.
Além de Carlos Silvino, respondem em tribunal há mais de cinco anos o apresentador Carlos Cruz, o médico João Ferreira Diniz, o embaixador Jorge Ritto, o ex-provedor adjunto da Casa Pia Manuel Abrantes, o advogado Hugo Marçal e Gertrudes Nunes, dona de uma casa de Elvas onde alegadamente ocorreram abusos sexuais.
"RECORD"

Número de casos de sobreendividados
que pedem ajuda continua a aumentar

A Deco recebeu 1258 pedidos de ajuda de pessoas sobreendividadas nos primeiros cinco meses deste ano, o que significa um aumento relativamente ao número de casos registado no mesmo período de 2009.
Os residentes em Lisboa são os que mais recorrem ao gabinete de apoio da associação. E a maioria está nessa situação por ter perdido o emprego ou por motivos de saúde.
No início de 2010, Março foi o mês em que a Deco recebeu mais processos de sobreendividamento, tendo atingido os 330. Os dados mais recentes revelam que, no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, 1258 pessoas já pediram ajuda, das quais 214 em Maio. Registou-se, assim, uma subida, ainda que ligeira, face aos números atingidos em igual período do ano passado (1251).
O ano de 2009 fechou com um total de 2812 casos de acumulação de dívidas, valor que se compara com os 2034 registados em 2008. Quanto a expectativas para este ano, Natália Nunes, responsável pelo Gabinete de Apoio ao Sobreendividamento (GAS) da associação, acredita que esse número "deverá aumentar significativamente" e "mais ainda em 2011".
"PÚBLICO"

DISCURSO DE SARAMAGO

De como a Personagem Foi Mestre e o Autor Seu Aprendiz

O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo. Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente de bom carácter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável. Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que accionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado. E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira". Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a figueira. Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava... No meio da paz nocturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direcção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia. Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: "E depois?". Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas. Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranquilizava: "Não faças caso, em sonhos não há firmeza". Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos. Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada. Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprias filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver.

Muitos anos depois, escrevendo pela primeira vez sobre este meu avô Jerónimo e esta minha avó Josefa (faltou-me dizer que ela tinha sido, não dizer de quantos a conheceram quando rapariga, de uma formosura invulgar), tive consciência de que estava a transformar as pessoas comuns que eles haviam sido em personagens literárias e que essa era, provavelmente, a maneira de não os esquecer, desenhando e tornando a desenhar os seus rostos com o lápis sempre cambiante da recordação, colorindo e iluminando a monotonia de um quotidiano baço e sem horizontes, como quem vai recriando, por cima do instável mapa da memória, a irrealidade sobrenatural do país em que decidiu passar a viver. A mesma atitude de espírito que, depois de haver evocado a fascinante e enigmática figura de um certo bisavô berbere, me levaria a descrever mais ou menos nestes termos um velho retrato (hoje já com quase oitenta anos) onde os meus pais aparecem: "Estão os dois de pé, belos e jovens, de frente para o fotógrafo, mostrando no rosto uma expressão de solene gravidade que é talvez temor diante da câmara, no instante em que a objectiva vai fixar, de um e de outro, a imagem que nunca mais tornarão a ter, porque o dia seguinte será implacavelmente outro dia... Minha mãe apoia o cotovelo direito numa alta coluna e segura na mão esquerda, caída ao longo do corpo, uma flor. Meu pai passa o braço por trás das costas de minha mãe e a sua mão calosa aparece sobre o ombro dela como uma asa. Ambos pisam acanhados um tapete de ramagens. A tela que serve de fundo postiço ao retrato mostra umas difusas e incongruentes arquitecturas neoclássicas". E terminava: "Um dia tinha de chegar em que contaria estas coisas. Nada disto tem importância, a não ser para mim. Um avô berbere, vindo do Norte de África, um outro avô pastor de porcos, uma avó maravilhosamente bela, uns pais graves e formosos, uma flor num retrato - que outra genealogia pode importar-me? a que melhor árvore me encontraria?"

Escrevi estas palavras há quase trinta anos, sem outra intenção que não fosse reconstituir e registar instantes da vida das pessoas que me geraram e que mais perto de mim estiveram, pensando que nada mais precisaria de explicar para que se soubesse de onde venho e de que materiais se fez a pessoa que comecei por ser e esta em que pouco a pouco me vim tornando. Afinal, estava enganado, a biologia não determina tudo, e, quanto à genética, muito misteriosos deverão ter sido os seus caminhos para terem dado uma volta tão larga... À minha árvore genealógica (perdôe-se-me a presunção de a designar assim, sendo tão minguada a substância da sua seiva) não faltavam apenas alguns daqueles ramos que o tempo e os sucessivos encontros da vida vão fazendo romper do tronco central, também lhe faltava quem ajudasse as suas raízes a penetrar até às camadas subterrâneas mais fundas, quem apurasse a consistência e o sabor dos seus frutos, quem ampliasse e robustecesse a sua copa para fazer dela abrigo de aves migrantes e amparo de ninhos. Ao pintar os meus pais e os meus avós com tintas de literatura, transformando-os, de simples pessoas de carne e osso que haviam sido, em personagens novamente e de outro modo construtoras da minha vida, estava, sem o perceber, a traçar o caminho por onde as personagens que viesse a inventar, as outras, as efectivamente literárias, iriam fabricar e trazer-me os materiais e as ferramentas que, finalmente, no bom e no menos bom, no bastante e no insuficiente, no ganho e no perdido, naquilo que é defeito mas também naquilo que é excesso, acabariam por fazer de mim a pessoa em que hoje me reconheço: criador dessas personagens, mas, ao mesmo tempo, criatura delas. Em certo sentido poder-se-á mesmo dizer que, letra a letra, palavra a palavra, página a página, livro a livro, tenho vindo, sucessivamente, a implantar no homem que fui as personagens que criei. Creio que, sem elas, não seria a pessoa que hoje sou, sem elas talvez a minha vida não tivesse logrado ser mais do que um esboço impreciso, uma promessa como tantas outras que de promessa não conseguiram passar, a existência de alguém que talvez pudesse ter sido e afinal não tinha chegado a ser.

Agora sou capaz de ver com clareza quem foram os meus mestres de vida, os que mais intensamente me ensinaram o duro ofício de viver, essas dezenas de personagens de romance e de teatro que neste momento vejo desfilar diante dos meus olhos, esses homens e essas mulheres feitos de papel e tinta, essa gente que eu acreditava ir guiando de acordo com as minhas conveniências de narrador e obedecendo à minha vontade de autor, como títeres articulados cujas acções não pudessem ter mais efeito em mim que o peso suportado e a tensão dos fios com que os movia. Desses mestres, o primeiro foi, sem dúvida, um medíocre pintor de retratos que designei simplesmente pela letra H., protagonista de uma história a que creio razoável chamar de dupla iniciação (a dele, mas também, de algum modo, do autor do livro), intitulada Manual de Pintura e Caligrafia, que me ensinou a honradez elementar de reconhecer e acatar, sem ressentimento nem frustração, os meus próprios limites: não podendo nem ambicionando aventurar-me para além do meu pequeno terreno de cultivo, restava-me a possibilidade de escavar para o fundo, para baixo, na direcção das raízes. As minhas, mas também as do mundo, se podia permitir-me uma ambição tão desmedida. Não me compete a mim, claro está, avaliar o mérito do resultado dos esforços feitos, mas creio ser hoje patente que todo o meu trabalho, de aí para diante, obedeceu a esse propósito e a esse princípio.

Vieram depois os homens e as mulheres do Alentejo, aquela mesma irmandade de condenados da terra a que pertenceram o meu avô Jerónimo e a minha avó Josefa, camponeses rudes obrigados a alugar a força dos braços a troco de um salário e de condições de trabalho que só mereceriam o nome de infames, cobrando por menos que nada a vida a que os seres cultos e civilizados que nos prezamos de ser apreciamos chamar, segundo as ocasiões, preciosa, sagrada ou sublime. Gente popular que conheci, enganada por uma Igreja tão cúmplice como beneficiária do poder do Estado e dos terratenentes latifundistas, gente permanentemente vigiada pela policia, gente, quantas e quantas vezes, vítima inocente das arbitrariedades de uma justiça falsa. Três gerações de uma família de camponeses, os Mau-Tempo, desde o começo do século até a Revolução de Abril de 1974 que derrubou a ditadura, passam nesse romance a que dei o título de Levantado do Chão, e foi com tais homens e mulheres do chão levantados, pessoas reais primeiro, figuras de ficção depois, que aprendi a ser paciente, a confiar e a entregar-me ao tempo, a esse tempo que simultaneamente nos vai construindo e destruindo para de novo nos construir e outra vez nos destruir. Só não tenho a certeza de haver assimilado de maneira satisfatória aquilo que a dureza das experiências tornou virtude nessas mulheres e nesses homens: uma atitude naturalmente estóica perante a vida. Tendo em conta, porém, que a lição recebida, passados mais de vinte anos, ainda permanece intacta na minha memória, que todos os dias a sinto presente no meu espírito como uma insistente convocatória, não perdi, até agora, a esperança de me vir a tornar um pouco mais merecedor da grandeza dos exemplos de dignidade que me foram propostos na imensidão das planícies do Alentejo. O tempo o dirá.

Que outras lições poderia eu receber de um português que viveu no século XVI que compôs as "Rimas" e as glórias, os naufrágios e os desencantos pátrios de "Os Lusíadas", que foi um génio poético absoluto, o maior da nossa literatura, por muito que isso pese a Fernando Pessoa, que a si mesmo se proclamou como o Super-Camões dela? Nenhuma lição que estivesse à minha medida, nenhuma lição que eu fosse capaz de aprender, salvo a mais simples que me poderia ser oferecida pelo homem Luís Vaz de Camões na sua estreme humanidade, por exemplo, a humildade orgulhosa de um autor que vai chamando a todas as portas à procura de quem esteja disposto a publicar-lhe o livro que escreveu, sofrendo por isso o desprezo dos ignorantes de sangue e de casta, a indiferença desdenhosa de um rei e da sua companhia de poderosos, o escárnio com que desde sempre o mundo tem recebido a visita dos poetas, dos visionários e dos loucos. Ao menos uma vez na vida todos os autores tiveram ou terão de ser Luís de Camões, mesmo se não escreverem as redondilhas de "Sôbolos rios"... Entre fidalgos da corte e censores do Santo Ofício, entre os amores de antanho e as desilusões da velhice prematura, entre a dor de escrever e a alegria de ter escrito, foi a este homem doente que regressa pobre da Índia, aonde muitos só iam para enriquecer, foi a este soldado cego de um olho e golpeado na alma, foi a este sedutor sem fortuna que não voltará nunca mais a perturbar os sentidos das damas do paço, que eu pus a viver no palco da peça teatro chamada Que farei com este livro?, em cujo final ecoa uma outra pergunta, aquela que importa verdadeiramente, aquela que nunca saberemos se alguma vez chegará a ter resposta suficiente: "Que fareis com este livro?". Humildade orgulhosa, foi essa de levar debaixo do braço uma obra-prima e ver-se injustamente enjeitado pelo mundo. Humildade orgulhosa também, e obstinada, esta de querer saber para que irão servir amanhã os livros que andamos a escrever hoje, e logo duvidar que consigam perdurar longamente (até quando?) as razões tranquilizadoras que acaso nos estejam a ser dadas ou que estejamos a dar a nós próprios. Ninguém melhor se engana que quando consente que o enganem os outros...

Aproximam-se agora um homem que deixou a mão esquerda na guerra e uma mulher que veio ao mundo com o misterioso poder de ver o que há por trás da pele das pessoas. Ele chama-se Baltasar Mateus e tem a alcunha de Sete-Sóis, a ela conhecem-na pelo nome de Blimunda, e também pelo apodo de Sete-Luas que lhe foi acrescentado depois, porque está escrito que onde haja um sol terá de haver uma lua, e que só a presença conjunta e harmoniosa de um e do outro tornará habitável, pelo amor, a terra. Aproxima-se também um padre jesuíta chamado Bartolomeu que inventou uma máquina capaz de subir ao céu e voar sem outro combustível que não seja a vontade humana, essa que, segundo se vem dizendo, tudo pode, mas que não pôde, ou não soube, ou não quis, até hoje, ser o sol e a lua da simples bondade ou do ainda mais simples respeito. São três loucos portugueses do século XVIII, num tempo e num país onde floresceram as superstições e as fogueiras da Inquisição, onde a vaidade e a megalomania de um rei fizeram erguer um convento, um palácio e uma basílica que haveriam de assombrar o mundo exterior, no caso pouco provável de esse mundo ter olhos bastantes para ver Portugal, tal como sabemos que os tinha Blimunda para ver o que escondido estava... E também se aproxima uma multidão de milhares e milhares de homens com as mãos sujas e calosas, com o corpo exausto de haver levantado, durante anos a fio, pedra a pedra, os muros implacáveis do convento, as salas enormes do palácio, as colunas e as pilastras, as aéreas torres sineiras, a cúpula da basílica suspensa sobre o vazio. Os sons que estamos a ouvir são do cravo de Domenico Scarlatti, que não sabe se deve rir ou chorar... Esta é a história de Memorial do Convento, um livro em que o aprendiz de autor, graças ao que lhe vinha sendo ensinado desde o antigo tempo dos seus avós Jerónimo e Josefa, já conseguiu escrever palavras como estas, donde não está ausente alguma poesia: "Além da conversa das mulheres, são os sonhos que seguram o mundo na sua órbita. Mas são também os sonhos que lhe fazem uma coroa de luas, por isso o céu é o resplendor que há dentro da cabeça dos homens, se não é a cabeça dos homens o próprio e único céu". Que assim seja.

De lições de poesia sabia já alguma coisa o adolescente, aprendidas nos seus livros de texto quando, numa escola de ensino profissional de Lisboa, andava a preparar-se para o ofício que exerceu no começo da sua vida de trabalho: o de serralheiro mecânico. Teve também bons mestres de arte poética nas longas horas nocturnas que passou em bibliotecas públicas, lendo ao acaso de encontros e de catálogos, sem orientação, sem alguém que o aconselhasse com o mesmo assombro criador do navegante que vai inventando cada lugar que descobre. Mas foi na biblioteca da escola industrial que O Ano da Morte de Ricardo Reis começou a ser escrito... Ali encontrou um dia o jovem aprendiz de serralheiro (teria então 17 anos) uma revista - "Atena" era o título - em que havia poemas assinados com aquele nome e, naturalmente, sendo tão mau conhecedor da cartografia literária do seu país pensou que existia em Portugal um poeta que se chamava assim: Ricardo Reis. Não tardou muito tempo, porém, a saber que o poeta propriamente dito tinha sido um tal Fernando Nogueira Pessoa que assinava poemas com nomes de poetas inexistentes nascidos na sua cabeça e a que chamava heterónimos, palavra que não constava dos dicionários da época, por isso custou tanto trabalho ao aprendiz de letras saber o que ela significava. Aprendeu de cor muitos poemas de Ricardo Reis ("Para ser grande sê inteiro/Põe quanto és no mínimo que fazes"), mas não podia resignar-se, apesar de tão novo e ignorante, que um espírito superior tivesse podido conceber, sem remorso este verso cruel: "Sábio é o que se contenta com o espectáculo do mundo". Muito, muito tempo depois, o aprendiz, já de cabelos brancos e um pouco mais sábio das suas próprias sabedorias, atreveu-se a escrever um romance para mostrar ao poeta das "Odes" alguma coisa do que era o espectáculo do mundo nesse ano de 1936 em que o tinha posto a viver os seus últimos dias: a ocupação da Renânia pelo exército nazista, a guerra de Franco contra a República espanhola, a criação por Salazar das milícias fascistas portuguesas. Foi como se estivesse a dizer-lhe: "Eis o espectáculo do mundo, meu poeta das amarguras serenas e do cepticismo elegante. Disfruta, goza, contempla, já que estar sentado é a tua sabedoria..."

O Ano da Morte de Ricardo Reis terminava com umas palavras melancólicas: "Aqui, onde o mar se acabou e a terra espera". Portanto, não haveria mais descobrimentos para Portugal, apenas como destino uma espera infinita de futuros nem aos menos inimagináveis: só o fado do costume, a saudade de sempre, e pouco mais... Foi então que o aprendiz imaginou que talvez houvesse ainda uma maneira de tornar a lançar os barcos à água, por exemplo, mover a própria terra e pô-la a navegar pelo mar fora. Fruto imediato do ressentimento colectivo português pelos desdéns históricos de Europa (mais exacto seria dizer fruto de um meu ressentimento pessoal...), o romance que então escrevi - Jangada de Pedra- separou do continente europeu toda a Península Ibérica para a transformar numa grande ilha flutuante, movendo-se sem remos, nem velas, nem hélices em direcção ao Sul do mundo, "massa de pedra e terra, coberta de cidades, aldeias, rios, bosques, fábricas, matos bravios, campos cultivados, com a sua gente e os seus animais", a caminho de uma utopia nova: o encontro cultural dos povos peninsulares com os povos do outro lado do Atlântico, desafiando assim, a tanto a minha estratégia se atreveu, o domínio sufocante que os Estados Unidos da América do Norte vêm exercendo naquelas paragens... Uma visão duas vezes utópica entenderia esta ficção política como uma metáfora muito mais géneros e humana: que a Europa, toda ela, deverá deslocar-se para o Sul, a fim de, em desconto dos seus abusos colonialistas antigos e modernos, ajudar a equilibrar o mundo. Isto é, Europa finalmente como ética. As personagens da Jangada de Pedra- duas mulheres , três homens e um cão - viajam incansavelmente através da península enquanto ela vai sulcando o oceano. O mundo está a mudar e eles sabem que devem procurar em si mesmos as pessoas novas em que irão tornar-se (sem esquecer o cão, que não é um cão como os outros...). Isso lhes basta.

Lembrou-se então o aprendiz de que em tempos da sua vida havia feito algumas revisões de provas de livros e que se na Jangada de Pedratinha, por assim dizer, revisado o futuro, não estaria mal que revisasse agora o passado, inventando um romance que se chamaria História do Cerco de Lisboa, no qual um revisor, revendo um livro do mesmo título, mas de História, e cansado de ver como a dita História cada vez é menos capaz de surpreender, decide pôr no lugar de um "sim" um "não", subvertendo a autoridade das "verdades históricas". Raimundo Silva, assim se chama o revisor, é um homem simples, vulgar, que só se distingue da maioria por acreditar que todas as coisas têm o seu lado visível e o seu lado invisível e que não saberemos nada delas enquanto não lhes tivermos dado a volta completa. De isso precisamente se trata numa conversa que ele tem com o historiador. Assim: "Recordo-lhe que os revisores já viram muito de literatura e vida, O meu livro, recordo-lhe eu, é de história, Não sendo propósito meu apontar outras contradições, senhor doutor, em minha opinião tudo quanto não for vida é literatura, A história também. A história sobretudo, sem querer ofender, E a pintura, e a música, A música anda a resistir desde que nasceu, ora vai, ora vem, quer livrar-se da palavra, suponho que por inveja, mas regressa sempre à obediência, E a pintura, Ora, a pintura não é mais do que literatura feita com pincéis, Espero que não esteja esquecido de que a humanidade começou a pintar muito antes de saber escrever, Conhece o rifão, se não tens cão caça com o gato, ou, por outras palavras, quem não pode escrever, pinta, ou desenha, é o que fazem as crianças, O que você quer dizer, por outras palavras, é que a literatura já existia antes de ter nascido, Sim senhor, como o homem, por outras palavras, antes de o ser já o era, Quer-me parecer que você errou a vocação, devia era ser historiador, Falta-me o preparo, senhor doutor, que pode um simples homem fazer sem o preparo, muita sorte já foi ter vindo ao mundo com a genética arrumada, mas, por assim dizer, em estado bruto, e depois não mais polimento que primeiras letras que ficaram únicas, Podia apresentar-se como autodidacta, produto do seu próprio e digno esforço, não é vergonha nenhuma, antigamente a sociedade tinha orgulho nos seus autodidactas, Isso acabou, veio o desenvolvimento e acabou, os autodidactas são vistos com maus olhos, só os que escrevem versos e histórias para distrair é que estão autorizados a ser autodidactas, mas eu para a criação literária nunca tive jeito, Então, meta-se a filósofo, O senhor doutor é um humorista, cultiva a ironia, chego a perguntar-me como se dedicou à história, sendo ela tão grave e profunda ciência, Sou irónico apenas na vida real, Bem me queria a mim parecer que a história não é a vida real, literatura, sim, e nada mais, Mas a história foi vida real no tempo em que ainda não se lhe poderia chamar história, Então o senhor doutor acha que a história e a vida real, Acho, sim, Que a história foi vida real, quero dizer, Não tenho a menor dúvida, Que seria de nós se o deleatur que tudo apaga não existisse, suspirou o revisor". Escusado será acrescentar que o aprendiz aprendeu com Raimundo Silva a lição da dúvida. Já não era sem tempo.

Ora, foi provavelmente esta aprendizagem da dúvida que o levou, dois anos mais tarde, a escrever O Evangelho segundo Jesus Cristo. É certo, e ele tem-no dito, que as palavras do título lhe surgiram por efeito de uma ilusão de óptica, mas é legítimo interrogar-nos se não teria sido o sereno exemplo do revisor o que, nesse meio tempo, lhe andou a preparar o terreno de onde haveria de brotar o novo romance. Desta vez não se tratava de olhar por trás das páginas do "Novo Testamento" à procura de contrários, mas sim de iluminar com uma luz rasante a superfície delas, como se faz a uma pintura, de modo a fazer-lhe ressaltar os relevos, os sinais de passagem, a obscuridade das depressões. Foi assim que o aprendiz, agora rodeado de personagens evangélicas, leu, como se fosse a primeira vez, a descrição da matança dos Inocentes, e, tendo lido, não compreendeu. Não compreendeu que já pudesse haver mártires numa religião que ainda teria de esperar trinta anos para que o seu fundador pronunciasse a primeira palavra dela, não compreendeu que não tivesse salvado a vida das crianças de Belém precisamente a única pessoa que o poderia ter feito, não compreendeu a ausência, em José, de um sentimento mínimo de responsabilidade, de remorso, de culpa, ou sequer de curiosidade, depois de voltar do Egipto com a família. Nem se poderá argumentar, em defesa da causa, que foi necessário que as crianças de Belém morressem para que pudesse salvar-se a vida de Jesus: o simples senso comum, que a todas as coisas, tanto às humanas como às divinas, deveria presidir, aí está para nos recordar que Deus não enviaria o seu Filho à terra, de mais a mais com o encargo de redimir os pecados da humanidade, para que ele viesse a morrer aos dois anos de idade degolado por um soldado de Herodes... Nesse "Evangelho", escrito pelo aprendiz com o respeito que merecem os grandes dramas, José será consciente da sua culpa, aceitará o remorso em castigo da falta que cometeu e deixar-se-á levar à morte quase sem resistência, como se isso lhe faltasse ainda para liquidar as suas contas com o mundo. O "Evangelho" do aprendiz não é, portanto, mais uma lenda edificante de bem-aventurados e de deuses, mas a história de uns quantos seres humanos sujeitos a um poder contra o qual lutam, mas que não podem vencer. Jesus, que herdará as sandálias com que o pai tinha pisado o pó dos caminhos da terra, também herdará dele o sentimento trágico da responsabilidade e da culpa que nunca mais o abandonará, nem mesmo quando levantar a voz do alto da cruz: "Homens, perdoai-lhe porque ele não sabe o que fez", por certo referindo-se ao Deus que o levara até ali, mas quem sabe se recordando ainda, nessa agonia derradeira, o seu pai autêntico, aquele que, na carne e no sangue, humanamente o gerara. Como se vê, o aprendiz já tinha feito uma larga viagem quando no seu herético "Evangelho" escreveu as últimas palavras do diálogo no templo entre Jesus e o escriba: "A culpa é um lobo que come o filho depois de ter devorado o pai, disse o escriba, Esse lobo de que falas já comeu o meu pai, disse Jesus, Então só falta que te devore a ti, E tu, na tua vida, foste comido, ou devorado, Não apenas comido e devorado, mas vomitado, respondeu o escriba".

Se o imperador Carlos Magno não tivesse estabelecido no Norte da Alemanha um mosteiro, se esse mosteiro não tivesse dado origem à cidade de Münster, se Münster não tivesse querido assinalar os mil e duzentos anos da sua fundação com uma ópera sobre a pavorosa guerra que enfrentou no século XVI protestantes anabaptistas e católicos, o aprendiz não teria escrito a peça de teatro a que chamou In Nomine Dei. Uma vez mais, sem outro auxílio que a pequena luz da sua razão, o aprendiz teve de penetrar no obscuro labirinto das crenças religiosas, essas que com tanta facilidade levam os seres humanos a matar e a deixar-se matar. E o que viu foi novamente a máscara horrenda da intolerância, uma intolerância que em Münster atingiu o paroxismo demencial, uma intolerância que insultava a própria causa que ambas as partes proclamavam defender. Porque não se tratava de uma guerra em nome de dois deuses inimigos, mas de uma guerra em nome de um mesmo deus. Cegos pelas suas próprias crenças, os anabaptistas e os católicos de Münster não foram capazes de compreender a mais clara de todas as evidências: no dia do Juízo Final, quando uns e outros se apresentarem a receber o prémio ou o castigo que mereceram as suas acções na terra, Deus, se em suas decisões se rege por algo parecido à lógica humana, terá de receber no paraíso tanto a uns como aos outros, pela simples razão de que uns e outros nele crêem. A terrível carnificina de Münster ensinou ao aprendiz que, ao contrário do que prometeram, as religiões nunca serviram para aproximar os homens, e que a mais absurda de todas as guerras é uma guerra religiosa, tendo em consideração que Deus não pode, ainda que o quisesse, declarar guerra a si próprio...

Cegos. O aprendiz pensou: "Estamos cegos", e sentou-se a escrever o Ensaio sobre a Cegueira para recordar a quem o viesse a ler que usamos perversamente a razão quando humilhamos a vida, que a dignidade do ser humano é todos os dias insultada pelos poderosos do nosso mundo, que a mentira universal tomou o lugar das verdades plurais, que o homem deixou de respeitar-se a si mesmo quando perdeu o respeito que devia ao seu semelhante. Depois, o aprendiz, como se tentasse exorcizar os monstros engendrados pela cegueira da razão, pôs-se a escrever a mais simples de todas as histórias: uma pessoa que vai à procura de outra pessoa apenas porque compreendeu que a vida não tem nada mais importante que pedir a um ser humano. O livro chama-se "Todos os Nomes". Não escritos, todos os nossos nomes estão lá. Os nomes dos vivos e os nomes dos mortos.

Termino. A voz que leu estas páginas quis ser o eco das vozes conjuntas das minhas personagens. Não tenho, a bem dizer, mais voz que a voz que elas tiverem. Perdoai-me se vos pareceu pouco isto que para mim é tudo.

Por JOSÉ SARAMAGO

Estocolmo, 7 de Outubro de 1998

DO 11 DE MARÇO AO DE NOVEMBRO

Do 11 de Março ao 25 de Novembro de 1975 - 25/11/2007, 20h49

Com o 11 de Março de 1975, as desinteligências no seio do Movimento das Forças Armadas agudizaram-se. De um lado encontravam-se, os militares mais moderados, que posteriormente se viriam a organizar em torno do «Documento dos Nove»; do outro, os afectos à linha das democracias populares próxima dos modelos da Europa de Leste e os defensores de uma linha mais populista e radical. Pouco tempo depois dos incidentes de 11 de Março de 1975 e antes das eleições para a Assembleia Constituinte, o Movimento das Forças Armadas negociou com os partidos um acordo constitucional. Segundo este, a futura Constituição integraria os princípios do MFA. O acordo foi aprovado e assinado a 11 de Abril de 1975, pelo PS, PPD, PCP, MDP/CDE e FSP. Esta foi a melhor solução para a coligação entre militares e partidos, pois o sector mais radical do MFA considerava prematura a realização de eleições já em Abril e alegava com o obscurantismo do povo em certas zonas do país. Para que o sufrágio eleitoral fosse aceite, os militares impuseram que a Constituição consagrasse o programa do MFA e as medidas políticas entretanto tomadas, como por exemplo, as nacionalizações. Também, e segundo o acordo estabelecido, o presidente da República passaria a ser eleito por um colégio eleitoral, constituído pela Assembleia do MFA e pela futura Assembleia da República. O segundo pacto realizado entre o MFA e os partidos (PS, PPD, CDS, PCP e MDP/CDE), e assinado em 26 de Fevereiro de 1976, constituiu um recuo em relação ao primeiro. Assinado já num clima de maior estabilidade, manteve a imposição da existência de uma fase transitória do Conselho da Revolução, que embora com poderes mais limitados, passaria a assumir as funções de órgão auxiliar do presidente da República e de órgão legislativo para as questões militares. Enquanto isso, o MFA remetia-se ao papel de salvaguarda das instituições democráticas, abandonando o de motor da revolução. Quanto à eleição do presidente da República, passava a ser efectuada por voto directo dos cidadãos eleitores. Mas a escalada dos sectores mais radicais continuava. No 1.º de Maio de 1975, a Intersindical apresentou-se como central única dos trabalhadores, com o apoio do MFA e do PCP, tendo Mário Soares e Salgado Zenha sido impedidos de discursar. No seguimento da ocupação do jornal República pelos trabalhadores conotados com a extrema-esquerda, em 19 de Maio de 1975, o PS abandonou o IV Governo Provisório, alegando não conseguir impor a legalidade no jornal. O PPD seguiu-lhe o exemplo. Estes abandonos provocaram a queda do IV Governo e a consequente formação do V Governo Provisório, regulado por uma base partidária muito restrita: PCP e MDP/CDE. As críticas e as manifestações públicas contra o V Governo Provisório, o PCP e a extrema-esquerda subiram de tom. Em Julho de 1975, num comício do PS realizado na Fonte Luminosa, Mário Soares pediu o afastamento do primeiro-ministro, Vasco Gonçalves. A Assembleia do MFA aprova, a 8 de Julho de 1975, o «Documento-Guia da Aliança Povo-MFA», favorável ao poder popular e em Agosto sai um documento do COPCON na mesma linha de orientação. A 6 de Agosto é a vez dos militares moderados se pronunciarem: nove militares do Conselho da Revolução, entre eles Melo Antunes, Vasco Lourenço e Vítor Alves com o apoio de outros militares como Ramalho Eanes e Salgueiro Maia, publicaram o que ficou conhecido como «Documento dos Nove». Nele se demarcam tanto do modelo das democracias populares da Europa do Leste, como do modelo social-democrata. Defendiam um projecto nacional de transição para o socialismo «inseparável das liberdades, direitos e garantias fundamentais». A ocupação da Rádio Renascença por forças da extrema-esquerda, os ataques às sedes de partidos marxistas, no norte e centro do país, as incursões às sedes dos sindicatos, a divisão entre os militares, as inúmeras greves, as ocupações de terras, o cerco à Assembleia da República criaram um cenário de instabilidade que marcou o «Verão quente» e conduziu ao 25 de Novembro. O mês de Novembro vai ser fértil em acontecimentos decisivos para o futuro rumo do país: a proclamação unilateral (pelo MPLA) da independência de Angola, a 11; o cerco da Assembleia Constituinte pelos trabalhadores da construção civil, a 12; o cerco do próprio Governo Provisório, por deficientes das Forças Armadas e, a 24, uma manifestação de agricultores que corta, em Rio Maior, os acessos a Lisboa. A 25 de Novembro os pára-quedistas insubordinam-se em Tancos e na RTP aparece um oficial da 5.ª divisão do Estado-Maior General das Forças Armadas a ler mais um comunicado de apoio ao «poder popular». Mas a tentativa de golpe protagonizada por unidades militares afectas ao PCP é rapidamente travada pelas tropas coordenadas por Ramalho Eanes e outros militares moderados. A derrota dos militares revoltosos encerrou um ciclo da vida política portuguesa. O 25 de Novembro abriu, decididamente, um caminho favorável à estabilidade e à consolidação de um regime político de democracia parlamentar.
in "http://www.portugal-tchat.com/forum/a-democracia-1974/3773"

RESULTADOS ELEITORAIS 25/04/1976


Resultados Nacionais
- Oficiais -
PS:
1912921
( 34,89%)
107
PPD:
1335381
( 24,35%)
73
CDS:
876007
( 15,98%)
42
PCP:
788830
( 14,39%)
40
UDP:
91690
( 1,67%)
1
FSP:
42162
( 0,77%)
0
MRPP:
36200
( 0,66%)
0
MES:
31332
( 0,57%)
0
PDC:
29874
( 0,54%)
0
PPM:
28320
( 0,52%)
0
LCI:
16269
( 0,30%)
0
PCP (M-L):
15830
( 0,29%)
0
AOC:
15778
( 0,29%)
0
PRT:
5171
( 0,09%)
0


in "COMISSÃO NACIONAL DE ELEIÇÕES"

PRIMEIROS PARTIDOS NO PARLAMENTO


Em seguida apresentamos um pouco da história dos partidos que pela

primeira vez tiveram deputados eleitos na

Assembleia da República após o acto

eleitoral de 25/04/1976,

por ordem decrescente de eleitos

PARTIDO SOCIALISTA - 107 deputados



Antecedentes
A 19 de Abril de 1973, o Congresso da Acção Socialista Portuguesa (A.S.P.), "ponderando os superiores interesses da Pátria, a actual estrutura e dimensão do movimento, as exigências concretas do presente e a necessidade de dinamizar os militantes para as grandes tarefas do futuro, deliberou transformar a A.S.P. em Partido Socialista".

A primeira organização partidária do movimento socialista em Portugal foi criada, em 1875, por Azedo Gneco, Antero de Quental e José Fontana, entre outros.

O 28 de Maio de 1926, e a consequente ilegalização dos partidos políticos disfere um golpe numa estrutura incapaz de se adaptar às condições da clandestinidade. Daí para a frente ensaiam-se diversas outras tentativas de criação de organizações socialistas, sem, no entanto, se conseguirem afirmar no seio das correntes da oposição ao Estado Novo. Neste contexto, destacam-se: o Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista (1942-1944), o Partido Socialista Independente (1944), a União Socialista (1944-1950), o Partido Trabalhista (1947) e a Frente Socialista (1950-1954). Entretanto, o P.S.P. (S.P.I.O) entrava também num esforço reorganizativo (1946).

A Acção Socialista Portuguesa (1964 - 1973)
Ramos da  Costa, Tito de Morais e Mário Soares

Ramos da Costa, Tito de Morais e Mário Soares
em Genebra, Novembro de 1964

A Acção Socialista Portuguesa foi fundada em Genebra por Mário Soares, Manuel Tito de Morais e Francisco Ramos da Costa, em Novembro de 1964. Representando um novo esforço de estruturação do movimento socialista, o certo é que não logrou estabelecer as bases de implantação a que aspirava, conciliando dificilmente os instrumentos de luta na clandestinidade com as poucas possibilidades de intervenção legal permitidas pelo regime salazarista.

A ASP iniciou a publicação do Portugal Socialista em Maio de 1967, estabelecendo também numerosos contactos com partidos e organizações internacionais, sendo formalmente admitida na Internacional Socialista em 1972.

Foi o embrião do futuro Partido Socialista.

O Movimento Socialista até à fundação da ASP

Programa do Partido Socialista Português, 1928Reuniram-se aqui, sem carácter exaustivo, alguns documentos referentes a organizações socialistas que antecederam a criação, em 1964, da Acção Socialista Portuguesa. Com excepção do Programa do PSP, datado de 1928, os documentos representam tentativas de criação, nos anos 40 e 50, de organizações clandestinas de cariz socialista.


Fundação
A transformação da Acção Socialista Portuguesa em Partido Socialista ocorreu a 19 de Abril de 1973. Deliberada em congresso da A.S.P realizado na Alemanha, não foi uma decisão consensual para os vinte e sete delegados aí presentes.

A Declaração de Princípios e Programa do Partido Socialista, aprovados em Agosto de 1973, resultaram de diversas contribuições de militantes e simpatizantes do interior e do exterior.

Na Declaração de Princípios afirmava-se a defesa do socialismo em liberdade, ao mesmo tempo que se defendia como objectivo último uma sociedade sem classes e o marxismo era aceite como "inspiração teórica predominante", embora permanentemente repensado.

O Programa reflectia, assim, um compromisso entre o sistema parlamentar da Europa Ocidental e uma estratégia de ruptura com a organização capitalista da economia.
Fundação do Partido Socialista
Esta lista, com a respectiva ordem de precedência, foi elaborada em 1977 por Manuel Tito de Morais e Catanho de Menezes, nomeados para o efeito pela Direcção do P.S. Foram-lhe posteriormente acrescentados alguns nomes de militantes que entretanto haviam saído do PS. Todos eles figuram na lápide colocada à entrada da Sede Nacional do P.S. e inaugurada no 25º aniversário da fundação do Partido.

Fundação do Partido Socialista

Participantes no Congresso da Acção Socialista Portuguesa reunido em Bad Munstereifel, 19 de Abril de 1973, que decidiu fundar o Partido

in site do PS


Fundação do Partido Socialista - Documentos da Fundação do Partido Socialista (1973)
Primeiro símbolo utilizado pelo Partido Socialista (Agosto de  1973)

Primeiro símbolo utilizado pelo Partido Socialista (Agosto de 1973). Oferecido por Enzo Brunori, militante do Partido Socialista Italiano.

No dia 19 de Abril de 1973, na cidade alemã de Bad Munstereifel, militantes da Acção Socialista Portuguesa idos de Portugal e de diversos núcleos no estrangeiro, reunidos em Congresso, aprovam, por 20 votos a favor e 7 contra, a transformação da ASP em Partido Socialista. Finda a votação, todos os congressistas aplaudiram de pé a deliberação. Eram 18 horas. Publicam-se, em seguida, os diversos documentos preparatórios dessa reunião e, bem assim, outros que viriam a ser publicados na sequência directa da fundação do PS.