domingo, 6 de junho de 2010

DE PEQUENINO...................

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FILOMENA MARTINS

FILOMENA MARTINS
O fecho de mais escolas

Terça
O fecho de mais escolas

Já o disse e repito-o: sou a favor da reforma da educação no seu todo (aquela anunciada por Sócrates há uma eternidade - início de 2005, lembram-se? - e que entretanto já foi toda estropiada, cedendo aos protestos dos professores, à pressão de ganhar eleições e à minoria governamental). E, dentro dessa reforma, o fecho de muitas escolas do interior, sem condições estruturais, sem um ensino de qualidade, fazia todo o sentido. O anúncio de mais e novos encerramentos tem, contudo, de ser muito mais bem explicado. O que agora se anuncia não estava previsto e levanta muitas suspeitas sobre as razões que lhe estão na base. Se for pela crise, e por critérios estritamente economicistas, é inadmissível. Estamos a falar de obrigar crianças a sair de casa às seis da manhã para voltar às oito da noite, fazendo percursos em velhas carrinhas sem segurança, por caminhos de cabras de uma qualquer serra do País, desenraizando-os do seu meio. A regra global, que é boa, não pode ser aplicada de forma cega, por motivos financeiros. Cada caso é um caso e deve ser avaliado como tal. Preferencialmente por quem melhor os conhece, neste caso as autarquias, a quem não se podem pedir responsabilidades só quando dá jeito. Estamos a falar do futuro do País.

Quarta
O novo discurso Alegre

Manuel Alegre moderou o discurso. Já fala até em diálogo com todos os partidos, da esquerda de Louçã à direita de Portas. É um discurso de estadista, de presidente, de um candidato que quer ganhar. Porque Alegre percebeu definitivamente que não vencerá sem o centro, o bloco de eleitores que decidem eleições. E esse centro, que tanto engloba socialistas como sociais-democratas, não aceitaria nem votaria nunca na linguagem das velhas e extremistas ideias e ideais sociais do antigo Alegre, aquele que Soares veio criticar. Foi isso que Alegre finalmente "encaixou". Foi isso que o levou a mudar a abordagem. Porque não lhe basta o apoio do PS finalmente manifestado por Sócrates. Precisa de capitalizar esse apoio num partido que sabe que divide. O primeiro passo foi eliminar um dos factores dessa divisão. É inteligente.

Quinta
O exemplo do Governo

Teixeira dos Santos admitiu no Parlamento que a subida de impostos é retroactiva. A retroactividade das leis é proibida constitucionalmente. Vários constitucionalistas já avisaram sobre essa inconstitucionalidade. O ministro das Finanças anuiu, mas alegou estar em causa um bem maior para o País. Não está em causa a necessidade destas medidas face à situação crítica que o País atravessa. Está em causa a forma como elas estão a ser aplicadas. Como ontem lembrou Paulo Portas na Assembleia, o Governo não pode pedir aos cidadãos que cumpram a lei, dos impostos à cidadania, e depois criar excepções para si próprio. Os exemplos vêm de cima. E, se todos os cidadãos alegarem bens maiores para aplicarem legalmente a sua "justiça", entraremos rapidamente no faroeste. E o problema é dos xerifes.

Sexta
O erros da investigação

O "Apito Dourado" acabou. Por mais recursos que se sigam, o desfecho do processo está claro: todos os arguidos da viciação da classificação dos árbitros, entre outras falcatruas que tais, foram ilibados. Não que não tenha ficado provado que essas aldrabices se verificaram. Mas sim porque os juízes consideraram que a investigação usou excessiva e ilegalmente das escutas como meio de prova e estas, ao serem descartadas, permitiram que Pinto de Sousa e demais implicados saíssem incólumes apesar de tudo o que fizeram ao longo dos anos. Este caso é um exemplo do que vai mal na justiça portuguesa: erros graves da investigação deixam culpados à solta, depois de anos de trabalhos de magistrados e de horas de interrogatórios. E o pior é que o caso não é único: é a enésima sequela de um velho filme. Dos maus.
in "DIÁRIO DE NOTÍCIAS" 05/06/10

LOOP

O que é um Loop?

Para quem não conhece o conceito de LOOP, trata-se de uma terminologia assim nomeada por estudiosos de informática para definir uma confusão criada e que não possui uma explicação concreta para solução do problema. Bem, vou tentar explicar em poucas palavras esta famosa terminologia: Diz-se que um programa de computação "entrou em loop" quando acontece a seguinte situação:

O diretor chama sua secretária e diz:

- Senhorita Vanessa: Tenho um seminário na Argentina por uma semana e quero que você me acompanhe. Por favor, faça os preparativos da viagem...
A secretária liga para seu marido:
- Alô, João! Vou viajar para o exterior com o diretor por uma semana. Cuide-se meu querido!
O marido liga para sua amante:
- Eleonor, meu amor. A bruxa vai viajar para o exterior por uma semana, vamos passar esta semana juntos, minha princesa ...
No momento seguinte, a amante liga para o menino para quem dá aulas particulares:
- Joãozinho, estou com muito trabalho esta semana e não vou poder te dar aulas ....
A criança liga para seu avô:
- Vovô, esta semana não terei aulas, minha professora estará muito ocupada. Vamos passar a semana juntos?
O avô (que é o diretor desta história) chama imediatamente a secretária:
Senhorita Vanessa venha rápido - Suspenda a viagem, vou passar a semana com meu netinho que não vejo há um ano, por isso não vamos participar mais do seminário. Cancele a viagem e o hotel.
A secretária liga para seu marido:
- Ai amorzinho! O babaca do diretor mudou de idéia e acabou de cancelar a viagem.
O marido liga para sua amante:
- Amorzinho, desculpe! Não podemos mais passar a semana juntinhos! A viagem da mocréia da minha mulher foi cancelada.
A amante liga para o menino a quem dá aulas particulares:
- Joãozinho, mudei os planos: esta semana teremos aulas como de costume.
A criança liga para o avô:
- Puta merda vovô! A véia da minha professora me disse que terei aulas. Desculpe mas não poderemos ficar juntos esta semana.
Seu avô liga para a secretária:
- Senhorita Vanessa , meu neto acabou de me ligar e dizer que não vai poder ficar comigo essa semana, porque ele terá aulas. Portanto dê prosseguimento à viagem para o Seminário.

Entendeu agora o que é um LOOP?

enviado por CAMY

MAMAS & THE PAPAS

UM ABRAÇO GRATUITO

"Há um tempo, Juan Mann era só um homem estranho que ficava parado no Pitt Street Mall em Sydney, Austrália, oferecendo abraços de graça para as pessoas que passavam pelas ruas. Um certo dia, Mann ofereceu um abraço a Shimon Moore, o lí­der da banda Sick Puppies e, desde então se tornaram bons amigos. Um certo dia Moore decidiu gravar Mann fazendo sua campanha por
"Free Hugs".
Na medida em que o Free Hugs atingia proporções maiores, o conselho da cidade tentou banir a campanha . Então Mann e seus amigos fizeram uma petição com mais de 10.000 nomes apoiando a campanha do abraço de graça.
Quando Mann morreu, Moore decidiu mixar o video que ele tinha feito do Free Hugs com a música All the Same, que ele havia gravado com a sua banda Sick Puppies.
Vale a pena conferir o video. Um filme que apresenta uma verdadeira história que inspira humanidade e esperança.Algumas vezes um abraço é tudo que precisamos. Free Hugs é uma história real, sobre um homem que acreditava que sua missão era trazer alegria na vida das pessoas através de um abraço."
Note que o video é em preto e branco e só ganha cor após Juan Mann receber o seu primeiro abraço.





enviado por MARTINS


NR: PARA OS QUE NOS ATURAM HÁ MAIS DE UM ANO UM GRANDE "FREE HUG"

PROIBE A TUA SOGRA....



DE TE LIGAR...
QUANDO ELA LIGAR, A TUA ORELHA VAI AQUECER.

ADÃO E EVA

Divisão de bens entre Adão e Eva

Quando Deus criou Adão e Eva, disse aos dois:
- Tenho dois presentes para distribuir entre vocês: um é para fazer xixi em pé e...

Adão, ansiosíssimo, interrompeu, gritando:

- Eu! Eu! Eu! Eu! Eu quero, por favor... Senhor, por favor, por favor,
- Sim?

- Facilitaria-me a vida substancialmente! Por favor! Por favor! Por favor!

Eva concordou e disse que essas coisas não tinham importância para ela.
Então, Deus presenteou Adão. Adão ficou maravilhado. Gritava de alegria, corria pelo jardim do Éden fazendo xixi em todas as árvores. Correu pela Praia fazendo desenhos com seu xixi na areia. Brincava de chafariz. Acendia uma fogueirinha e brincava de bombeiro...
Deus e Eva contemplavam o homem louco de felicidade, até que Eva perguntou a Deus:

- E... Qual é o outro presente que será meu?

Deus respondeu:

- Cérebro, Eva, cérebro.

INFORMAÇÃO - MEDIDAS FISCAIS

PLANO DE AUSTERIDADE

Introdução

Após as recentes comunicações sobre o agravamento da carga fiscal a aplicar já em 2010 às pessoas singulares e às empresas, foi tornada pública a proposta de Lei 26/XI/1ª.

A proposta de lei visa introduzir (i) um aumento das taxas do IVA, (ii) uma tributação adicional em IRS (iii) uma tributação adicional em IRC e (iv) o agravamento da tributação das operações de crédito ao consumo em sede de imposto de selo.

Segundo a proposta de Lei, as alterações produzirão efeitos a partir do dia seguinte as da sua publicação em Diário da República, salvo no que se refere ao IVA conforme mencionado infra.

Aumento das taxas do IVA em 1%

As taxas de IVA passaram a ser as seguintes a partir de 1 de Julho de 2010:

Taxa reduzida

Continente – 6% ( actualmente de 5%)

Açores e Madeira – 4% ( actualmente também de 4%)

Taxa intermédia

Continente – 13% ( actualmente de 12%)

Açores e Madeira – 9% ( actualmente de 8%)

Taxa normal

Continente – 21% ( actualmente de 20%)

Açores e Madeira – 15% ( actualmente de 14%)

Aumento das taxas IRS em 1% ou 1,5%

O agravamento em sede de IRS verifica-se através dos seguintes mecanismos:

Nova tabela de taxas gerais, sendo que em 2010 a taxa normal de IRS passa a variar entre 11,08% e 45,88% ( anteriormente 10,5% e 45%, já considerando a taxa marginal de 45% para rendimentos colectáveis superiores a € 150.000). Uma vez que, em 2010, se pretende apenas considerar 7/12 do rendimento anual como uma forma de justificar a aplicação das novas taxas a partir de Junho – essas taxas deverão ser ajustadas para 11,5% e 46,5%, respectivamente, em 2011;

Aumento das taxas liberatórias de retenção na fonte, de 20% para 21,5%, tanto para residentes como para não residentes;

Aumento das taxas de retenção não liberatórias aplicáveis aos rendimentos das categorias B, E, e F em 1,5%;

Categoria B (rendimentos empresariais e profissionais) – taxas de 11,5%, 16,5% ou 21,5% (actualmente de 10%, 15% ou 20%, respectivamente), sendo de ressalvar um aumento da taxa de retenção para a generalidade dos trabalhadores independentes de 20% para 21,5%;

Aumento da percentagem a aplicar na fórmula de cálculo dos pagamentos por conta de IRS, a efectuar por trabalhadores independentes, de 75% para 76,5%.

Introdução de uma derrama estadual de 2,5% sobre os lucros tributáveis acima de € 2 milhões

Para as empresas que apurem um lucro tributável de valor superior a € 2.000.000, passa a ser devida uma derrama estadual calculada à taxa de 2,5% sobre o montante do lucro tributável que exceda o referido limite. Conforme se verifique em sede de IRC, a derrama estadual é também sujeita a pagamento por conta durante o ano ( nos 7º, 9º e 12º meses do período de tributação), neste caso designados por “pagamentos adicionais por conta”. Estes pagamentos adicionais por conta deverão corresponder, no seu conjunto, a 2% da parte do lucro tributável superior a € 2.000.000 relativo ao período de tributação anterior. Caso se verifique que os pagamentos adicionais por conta excedem o montante da derrama estadual devida, a diferença será objecto de reembolso ao contribuinte.

Agravamento do imposto do selo no crédito ao consumo

As operações de concessão de crédito no âmbito de contratos de crédito a consumidores abrangidos pelo Dec.Lei nº 133/2009, de 2 de Junho, passam a ser sujeitos a imposto do selo – sobre o valor – às seguintes taxas:

Prazo inferior a 1 ano – 0,07% (actualmente de 0,04%)

Prazo igual ou superior a 1 ano e inferior a 5 anos – 0,9% (actualmente de 0,5%)

Prazo igual ou superior a 5 anos – 1% (actualmente de 0,6%)

Credito utilizado sob a forma de conta corrente – 0,07% ao mês (actualmente de 0,04% ao mês).

NR: Estas as medidas que nos são impostas para colmatar os graves erros de gestão dos governos de José Socrates, Santana Lopes, Durão Barroso, António Guterres e Cavaco Silva. Dos anteriores não falamos pois ainda não tinham a #MAMA DOS SUBSÍDIOS EUROPEUS#

A REVOLUÇÃO DOS CARVOS

25 de Abril sempre Henrique Matos.jpg
25 de Abril Sempre, pintura mural







Revolução dos Cravos é o nome dado ao golpe de Estado militar que derrubou, sem derramamento de sangue e sem grande resistência das forças leais ao governo, o regime ditatorial herdado de Oliveira Salazar e aos acontecimentos históricos, políticos e sociais que se lhe seguiram, até à aprovação da Constituição Portuguesa, em Abril de 1976.

O regime que vigorava em Portugal desde 1933 cedia, de um dia para o outro, à revolta das forças armadas, lideradas por jovens oficiais.

O levantamento, usualmente conhecido pelos portugueses como 25 de Abril, foi conduzido em 1974 por oficiais intermédios da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães que tinham participado na Guerra Colonial.[2] Os oficiais de baixa patente, os oficiais milicianos. estudantes recrutados, muitos deles universitários, vendo suas carreiras interrompidas, cedo aderiam.

É consensual ter trazido essa revolução, conduzida por esses jovens, a liberdade ao povo português, oprimido durante décadas[3]

Denomina-se "Dia da Liberdade" o feriado nacional instituído em Portugal para comemorar a revolução iniciada no dia 25 de Abril de 1974.

Antecedentes

Na sequência do golpe militar de 28 de Maio de 1926, foi instaurada em Portugal uma ditadura militar, que culminaria na eleição presidencial de Óscar Carmona, em 1928. No mandato presidencial de Carmona, no que então se designou por "Ditadura Nacional", foi elaborada a Constituição de 1933, instituindo um novo regime autoritário de inspiração fascista, auto-denominando-se Estado Novo. Oliveira Salazar passou a controlar o país através do partido único designado "União Nacional", não mais abandonando o poder até 1968, quando este lhe foi retirado por incapacidade, na sequência de uma queda em que sofreu lesões cerebrais. Foi substituído por Marcelo Caetano, que dirigiu o país até ser deposto no 25 de Abril de 1974. A chamada Primavera Marcelista seria sinónimo de ditadura branda.

Sob o governo do Estado Novo, Portugal foi sempre considerado um país governado por uma ditadura, quer pela oposição, quer pelos observadores estrangeiros quer mesmo pelos próprios dirigentes do regime. Formalmente, existiam eleições, consideradas fraudulentas pela oposição, desrespeitadas pelo dever de imparcialidade.

O Estado Novo tinha a sua polícia política, a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), versão renovada da ex-PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado), mais tarde reconvertida na DGS (Direcção-Geral de Segurança), que continuaria perseguindo os opositores do regime. Na visão histórica dos ideólogos do regime, o país teria de manter uma política de defesa das colónias, de manutenção do "Ultramar", numa época em que alguns países europeus iniciavam os seus processos de descolonização progressiva. Apesar de séria contestação nos fóruns mundiais, como na ONU, Portugal manteve a sua política de força, endurecendo-a a partir do início dos anos 1960, face ao alastramento dos ataques independentistas em Angola, na Guiné e em Moçambique.

Economicamente, o regime manteve uma política de condicionamento industrial que protegia certos monopólios e certos grupos industriais e financeiros (a acusação de plutocracia é frequente). O país permaneceu pobre até à década de 1960, sendo consequência disso um significativo acréscimo da emigração. É nesta década, contudo, que se notam sinais de desenvolvimento económico.

O mito do "orgulhosamente sós"

A Guerra do Ultramar, um dos precedentes para a revolução.

No início da década de setenta mantinha-se vivo o ideário salazarista. Continuavam os ideólogos do regime a alimentar o mito do «orgulhosamente sós», coisa que todos entendiam, num país periférico e pequenino, marcado pelo isolamento rural: estar ali e ter-se orgulho nisso eram valores, algo merecedor de respeito. Mesmo em plena Primavera Marcelista, Marcelo Caetano, que sucedeu a Salazar no início da década (em 1970, ano da morte do ditador), não destoa. Sentindo o mesmo, age a seu modo, governa em isolamento, faz o que pode, mas um dia virá em que já nada pode fazer.

Qualquer tentativa de reforma política era impedida pela própria inércia do regime e pelo poder da sua polícia política (PIDE). Nos finais de década de 1960, o regime exilava-se, envelhecido, num ocidente de países em plena efervescência social e intelectual. Em Portugal cultiva-se outros ideais: defender o Império pela força das armas.

O contexto internacional era cada vez mais desfavorável ao regime salazarista/marcelista. No auge da Guerra Fria, as nações dos blocos capitalista e comunista começavam a apoiar e financiar as guerrilhas das colónias portuguesas, numa tentativa de as atrair para a influência americana ou soviética. A intransigência do regime e mesmo o desejo de muitos colonos de continuarem sob o domínio português, atrasaram o processo de descolonização: no caso de Angola e Moçambique, um atraso forçado de quase 20 anos.


A guerra colonial
Portugal mantinha laços fortes e duradouros com as suas colónias africanas, quer como mercado para os produtos manufaturados portugueses quer como produtoras de matérias primas para a indústria portuguesa. Muitos portugueses viam a existência de um império colonial como necessária para o país ter poder e influência contínuos. Mas o peso da guerra, o contexto político e os interesses estratégicos de certas potências estrangeiras inviabilizariam essa ideia.

Apesar das constantes objecções em fóruns nacionais, como a ONU, Portugal mantinha as colónias, dizendo considerá-las parte integral de Portugal e defendendo-as militarmente. O problema surge com a ocupação unilateral e forçada dos enclaves portugueses de Goa, Damão e Diu, em 1961.

Em quase todas as colónias portuguesas africanas – Moçambique, Angola, Guiné, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde – surgiam entretanto movimentos independentistas, que acabariam por se manifestar sob a forma de guerrilhas armadas. Estas guerrilhas não foram facilmente contidas, conseguido controlar uma parte importante do território, apesar da presença de um grande número de tropas portuguesas que, mais tarde, seriam em parte significativa recrutadas nas próprias colónias.

Os vários conflitos forçavam Salazar e o seu sucessor Caetano a gastar uma grande parte do orçamento de Estado na administração colonial e nas despesas militares. A administração das colónias custava a Portugal um pesado aumento percentual anual no seu orçamento e tal contribuiu para o empobrecimento da economia portuguesa: o dinheiro era desviado de investimentos infra-estruturais na metrópole. Até 1960 o país continuou relativamente frágil em termos económicos, o que aumentou a emigração para países em rápido crescimento e de escassa mão-de-obra da Europa Ocidental, como França ou Alemanha. O processo iniciava-se no fim da Segunda Guerra Mundial.

O estado do país

A economia cresceu bastante, em particular no início da década de 1950. Economicamente, o regime mantinha a sua política de Corporativismo, o que resultou na concentração da economia portuguesa nas mãos de uma elite de industriais. A informação circulava e a oposição bulia. A guerra colonial tornava-se tema forte de discussão e era assunto de eleição para as forças anti-regime. Portugal estava muito isolado do resto do Mundo. Muitos estudantes e opositores viam-se forçados a abandonar o país para escapar à guerra, à prisão e à tortura. Eis os temas que informavam a imprensa que de Portugal falava nos anos 1960.

Anos setenta

Em Fevereiro de 1974, Marcelo Caetano é forçado pela velha guarda do regime a destituir o general António de Spínola e os seus apoiantes. Tentava este, com ideias algo federalistas, modificar o curso da política colonial portuguesa, que se revelava demasiado dispendiosa.

Conhecidas as divisões existentes no seio da elite do regime, o MFA decide levar adiante um golpe de estado. O movimento nasce secretamente em 1973. Nele estão envolvidos certos oficiais do exército que já conspiravam, descontentes por motivos de carreira militar.

Preparação do golpe

Monumento em Grândola.

A primeira reunião clandestina de capitães foi realizada em Bissau, em 21 de Agosto de 1973. Uma nova reunião, em 9 de Setembro de 1973 no Monte Sobral (Alcáçovas) dá origem ao Movimento das Forças Armadas. No dia 5 de Março de 1974 é aprovado o primeiro documento do movimento: Os Militares, as Forças Armadas e a Nação. Este documento é posto a circular clandestinamente. No dia 14 de Março o governo demite os generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de Vice-Chefe e Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, alegadamente, por estes se terem recusado a participar numa cerimónia de apoio ao regime. No entanto, a verdadeira causa da expulsão dos dois Generais foi o facto do primeiro ter escrito, com a cobertura do segundo, um livro, Portugal e o Futuro, no qual, pela primeira vez uma alta patente advogava a necessidade de uma solução política para as revoltas separatistas nas colónias e não uma solução militar. No dia 24 de Março a última reunião clandestina decide o derrube do regime pela força.

Movimentações militares durante a Revolução

Viva a Liberdade, pintura mural.

No dia 24 de Abril de 1974, um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho instalou secretamente o posto de comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa.

Às 22h 55m é transmitida a canção "E depois do Adeus", de Paulo de Carvalho, pelos Emissores Associados de Lisboa, emitida por Luís Filipe Costa. Este foi um dos sinais previamente combinados pelos golpistas, que desencadeou a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado.

O segundo sinal foi dado às 0h20 m, quando foi transmitida a canção "Grândola, Vila Morena", de José Afonso, pelo programa Limite, da Rádio Renascença,,[4][5] que confirmava o golpe e marcava o início das operações. O locutor de serviço nessa emissão foi Leite de Vasconcelos, jornalista e poeta moçambicano.

O golpe militar do dia 25 de Abril teve a colaboração de vários regimentos militares que desenvolveram uma acção concertada.

No Norte, uma força do CICA 1 liderada pelo Tenente-Coronel Carlos de Azeredo toma o Quartel-General da Região Militar do Porto. Estas forças são reforçadas por forças vindas de Lamego. Forças do BC9 de Viana do Castelo tomam o Aeroporto de Pedras Rubras. Forças do CIOE tomam a RTP e o RCP no Porto. O regime reagiu, e o ministro da Defesa ordenou a forças sediadas em Braga para avançarem sobre o Porto, no que não foi obedecido, já que estas já tinham aderido ao golpe.

À Escola Prática de Cavalaria, que partiu de Santarém, coube o papel mais importante: a ocupação do Terreiro do Paço. As forças da Escola Prática de Cavalaria eram comandadas pelo então Capitão Salgueiro Maia. O Terreiro do Paço foi ocupado às primeiras horas da manhã. Salgueiro Maia moveu, mais tarde, parte das suas forças para o Quartel do Carmo onde se encontrava o chefe do governo, Marcello Caetano, que ao final do dia se rendeu, fazendo, contudo, a exigência de entregar o poder ao General António de Spínola, que não fazia parte do MFA, para que o "poder não caísse na rua". Marcello Caetano partiu, depois, para a Madeira, rumo ao exílio no Brasil.

A revolução resultou na morte de 4 pessoas, quando elementos da polícia política (PIDE) dispararam sobre um grupo que se manifestava à porta das suas instalações na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa.

Cravo

O cravo vermelho tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974. Logo ao amanhecer o povo começou a juntar-se nas ruas, juntamente com os soldados revoltosos. Entretanto, uma florista, que levava cravos para um hotel, terá dado um cravo a um soldado, que o colocou no cano da espingarda.Os outros soldados vendo a rua cheia de floristas o imitaram, enfiando cravos vermelhos nos canos das suas armas.

Consequências

Mural na Chamusca, com uma dedicatória ao 25 de Abril.

No dia seguinte, forma-se a Junta de Salvação Nacional, constituída por militares, e que procederá a um governo de transição. O essencial do programa do MFA é, amiúde, resumido no programa dos três D: Democratizar, Descolonizar, Desenvolver.

Entre as medidas imediatas da revolução contam-se a extinção da polícia política (PIDE/DGS) e da Censura. Os sindicatos livres e os partidos foram legalizados. Só a 26 foram libertados os presos políticos, da Prisão de Caxias e de Peniche. Os líderes políticos da oposição no exílio voltaram ao país nos dias seguintes. Passada uma semana, o 1.º de Maio foi celebrado legalmente nas ruas pela primeira vez em muitos anos. Em Lisboa reuniram-se cerca de um milhão de pessoas.

Manifestação do 25 de Abril de 1983 na cidade do Porto.

Portugal passou por um período conturbado que durou cerca de 2 anos, comummente referido como PREC (Processo Revolucionário Em Curso), marcado pela luta e perseguição politica entre as facções de esquerda e direita. Foram nacionalizadas as grandes empresas. Foram igualmente "saneadas" e muitas vezes forçadas ao exílio personalidades que se identificavam com o Estado Novo ou não partilhavam da mesma visão politica que então se estabelecia para o país. No dia 25 de Abril de 1975 realizaram-se as primeiras eleições livres, para a Assembleia Constituinte, que foram ganhas pelo PS. Na sequência dos trabalhos desta assembleia foi elaborada uma nova Constituição, de forte pendor socialista, e estabelecida uma democracia parlamentar de tipo ocidental. A constituição foi aprovada em 1976 pela maioria dos deputados, abstendo-se apenas o CDS.

Acabada a guerra colonial, durante o PREC, as colónias africanas e Timor-Leste tornaram-se independentes.

O 25 de Abril visto mais tarde

É preciso salvar Abril, pintura mural

O 25 de abril de 1974 continua a dividir a sociedade portuguesa, sobretudo nos estratos mais velhos da população que viveram os acontecimentos, nas facções extremas do espectro político e nas pessoas politicamente mais empenhadas. A análise que se segue refere-se apenas às divisões entre estes estratos sociais.

Existem actualmente dois pontos de vista dominantes na sociedade portuguesa em relação ao 25 de abril.

Quase todos reconhecem, de uma forma ou de outra, que o 25 de abril representou um grande salto no desenvolvimento politico-social do país. Mas as pessoas mais à esquerda do espectro político tendem a pensar que o espírito inicial da revolução se perdeu. O PCP lamenta que a revolução não tenha ido mais longe e que muitas das conquistas da revolução se foram perdendo.

De uma forma geral, ambos os lados lamentam a forma como a descolonização foi feita, enquanto que as pessoas mais à direita lamentam as nacionalizações feitas no período imediato ao 25 de abril de 1974 que condicionaram sobremaneira o crescimento de uma economia já então fraca.

wikipédia

MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS

MFA - Rumo à liberdade, Viva o 25 de Abril, pintura mural, 1974

O MFA ou “Movimento das Forças Armadas” foi responsável pelo golpe militar que terminou com o Estado Novo em Portugal, em 25 de Abril de 1974. A principal motivação deste grupo de militares era a oposição ao regime e o descontentamento pela política seguida pelo governo em relação à Guerra Colonial.

As tropas foram comandadas no terreno por diversos capitães, de entre os quais o que mais se destacou e mais é recordado e associado à revolução foi Salgueiro Maia, que comandou tropas vindas da Escola Prática de Cavalaria de Santarém. No quartel da Pontinha, as operações eram dirigidas pelo brigadeiro graduado Otelo Saraiva de Carvalho (na Sequência da Revolução este seria graduado General, tendo sido desgraduado e retomado a categoria de Major a seguir ao Golpe de 25 de Novembro, que acabou com o período de governos provisórios).

wikipédia

PROCESSO REVOLUVIONÁRIO EM CURSO


Cartaz de propaganda de 1975, de João Abel Manta

O Processo Revolucionário em Curso – por vezes referido como "Período Revolucionário em Curso" ou, com mais frequência, apenas pela sigla PREC – designa, em sentido lato, o período de actividades revolucionárias, marcante na História de Portugal, decorrido durante a Revolução dos Cravos, iniciada com o golpe militar de 25 de Abril de 1974 e concluida com a aprovação da Constituição Portuguesa, em Abril de 1976. O termo, no entanto, é frequentemente usado para aludir ao período crítico do Verão quente de 1975, com o seu antes e o seu depois, que culmina com os acontecimentos do dia 25 de Novembro.

Num sentido mais restrito, designa a acção dos partidos, quadros militares e grupos de esquerda que, por entre efervescente agitação popular e alguma desordem, conduziam o processo político do pós 25 de Abril «rumo ao socialismo». No processo estavam envolvidos militantes de uma vasta franja do espectro partidário de esquerda, desde o PS aos mais radicais, como o barulhento e maoista MRPP. Entre eles, apesar da contenda ideológica, havia coesão cerrada em torno dos ideais de Abril, havia a convicção de que a justiça social em Portugal seria por fim instalada, em todos eles havia esperança num futuro melhor.

A par das ocupações de terras e casas abandonadas, a par da Reforma Agrária, a par de melhorias importantes como o estabelecimento do salário mínimo, o processo levaria ao desmantelamento de grupos económicos ligados ao regime deposto, entre os quais a CUF, à nacionalização de empresas consideradas de interesse público, na banca, seguros, transportes, comunicações, siderurgia, cimento, indústrias químicas, celulose. Faz «saneamentos» no aparelho do Estado, nos meios de comunicação. em empresas, com vista a afastar elementos indesejáveis do velho regime, substituindo-os por quadros progressistas qualificados e responsáveis. Houve-os de vários quadrantes, sendo voz corrente que o PCP beneficiou em número (era um partido bem organizado), o que não se lhes pode censurar se tivermos em conta os números depois alcançados em cargos desses por outros partidos do poder.

O Caso República [1] (que culmina com a edição do jornal República de 19 de Maio e com o seu encerramento até 18 de Julho) dará que falar: não será só pretexto para acusar o PCP de manipular a comissão de trabalhadores que ocupou as instalações do jornal República e expulsou o seu director, o socialista Raul Rego, como também será um excelente motivo para que os órgãos de informação internacionais se debruçassem de novo sobre a situação em Portugal. Uma grande manifestação em frente da sede do jornal, em que participam os notáveis do PS, é organizada para dar voz ao caso. As instalações seriam depois recuperadas e usadas para o lançamento de um novo diário, A Luta, que durante alguns anos se tornaria voz do Partido. É a partir deste caso que se eleva por seu lado a voz de Mário Soares que, em tons dramáticos, acusa o PCP, em suma, os «comunistas» portugueses de serem responsáveis pelo estado do país. O tema e o tom manter-se-iam por muito tempo em inúmeros discursos feitos por toda a parte. A esquerda portuguesa sairia profundamente debilitada deste controverso caso.

No centro e norte do país, no Verão Quente, somavam-se entretanto os atentados bombistas de grupos extremistas de direita (ELP, MDLP [2], Grupo Maria da Fonte) contra as sedes de partidos de esquerda. Assassinatos políticos seriam perpetrados com o envolvimento de elementos conservadores do clero.

Os partidos de direita recentemente fundados, como o CDS e o PPD, fazem-se então ouvir por vozes mediáticas, secundadas pelas mais conservadoras da Igreja Católica. Mais que nunca, é decididamente o Poder[3] que está em causa, estando por isso em causa também o papel de Portugal na Europa [4]. À esquerda, mais que nunca, paira o espectro do Chile de Pinochet. Os EUA estão atentos [5]: o futuro de Portugal joga-se em três continentes e os interesses estratégicos americanos estão lá metidos. Já tinham dado um sinal do que poderia acontecer, fundeando no Tejo, em frente do Palácio de Belém, inícios de 1975, o porta-aviões USS Saratoga, durante a operação Locked Gate-75, da NATO. É Henry Kissinger quem superintende nesse tipo de manobras. Estava de olho vivo em Portugal, agora mais ciente das coisas, tinha já travado conhecimento com Mário Soares (encontro em Washington com Costa Gomes e Mário Soares a 18 de Outubro de 1974), de quem desconfia e em quem julga ver o Kerenski da Europa [6]. Menos desconfiado é Frank Carlucci, o embaixador em Lisboa, futuro vice-director da CIA no seu regresso aos EU, que sabe bem que Soares, the only game in town [7] é de confiança, um liberal astuto e alguém com grande ambição pelo poder [8].

Mural

O comício do PS na Praça Humberto Delgado no Porto, a 14.de Agosto de 1975, em que Mário Soares e Salgado Zenha erguem clamores contra o perigo comunista (versão “tripeira” do comício “alfacinha” da Fonte Luminosa [9] de 19 de Julho de 1975), é notícia mediática nos EU (CBS). Nas imagens vê-se um mar de gente na Praça Humberto Delgado. Ali mesmo ao lado e à mesma hora, numa praça contígua à Rua Sá da Bandeira, é atacada por manifestantes, a tiros de pistola e cocktails molotov, a sede do partido de esquerda UDP. Imagens dos assaltos ao Consulado de Espanha da Rua do Salitre, na noite de 26 Setembro e, a 27, à embaixada da Praça de Espanha [10] durante uma manifestação da UDP, à mistura com outros manifestantes, em protesto pela execução de activistas bascos, é a primeira notícia a ir para o ar nos EU, na noite de 29 de Setembro. Coincide o que é dado a ver num caso e noutro, daí se concluindo que em Portugal há um perigo vermelho que se pode alastrar a Espanha, debilitada por uma economia ainda frágil e pelo estertor do regime franquista.[11] Por vezes – será este um caso? – a História faz-se por equívocos.

A saída das forças militares dos Comandos da Amadora chefiadas por Jaime Neves [12] no dia 25 de Novembro de 1975 travará o processo. O carismático líder da Revolução dos Cravos Otelo Saraiva de Carvalho, comandante do COPCON, que não deseja confrontos, cede. O PCP, que bem conhece os limites do seu poder, decide não intervir. Isolados, os outros partidos da esquerda manifestam-se, mas por pouco tempo. Cai o V Governo Provisório liderado por Vasco Gonçalves. Instalam-se os moderados do Grupo dos Nove. Mudam-se os tempos e as vontades: o PS e o PPD (PSD) passarão a governar ao centro e em alternância, durante décadas. Esvai-se a revolução, só ficam os ideais. Do PREC, é tudo o que se mantém vivo.

A situação interna e o contexto internacional

Marcelo Caetano, primeiro-ministro derrubado pelo 25 de Abril.

Quando eclodiu o golpe militar de Abril, o mundo estava em plena recessão, como rescaldo do choque petrolífero de 1973. Portugal ainda era um país relativamente atrasado, mal industrializado e de forte emigração. Encontrava-se, no entanto, em fase de integração na comunidade dos países europeus ditos democráticos. Mau grado a persistência de um regime ditatorial, os sinais de mudança eram visíveis em todos os sectores da vida portuguesa e, de tão expressivos e imparáveis, sugeriam a possibilidade de uma ruptura política e social a breve trecho. Importa lembrar que, por interesses estratégicos das grandes potências, tanto no quadro europeu como africano, Portugal era membro de pleno direito da OTAN e da EFTA.

Em 1973, a Time Magazine acenava com a iminência de um "milagre económico português". Quais eram os indicadores de tal milagre? Taxas de crescimento anual nunca inferiores a 5%, surgimento de indústrias metalomecânica e petroquímica de relevo, indústria pesada portuguesa - sobretudo de construção naval - movimento accionista, investimento estrangeiro, com fixação de multinacionais em Portugal e consolidação de uma classe média empresarial e mudança do perfil da população.

O movimento de integração dos países mediterrânicos na família das democracias parlamentares europeias era imparável e não pressupunha qualquer mudança violenta. Portugal, apesar dos sobressaltos e da reviravolta política, não foi excepção. A tendência para a viragem democrática de países sujeitos a regimes duros na Europa era manifesta e de certo modo inevitável. Os casos grego e espanhol corroboram a tese. As democracias nascem muitas vezes em sociedades ricas ou em enriquecimento. Quando a classe média ascendente se sente capacitada para o exercício do domínio do Estado, por conveniência costuma reclamar a Liberdade. Tal aconteceu em Espanha e na Grécia.

Neste contexto, porém, as hipóteses de desenvolvimento de Portugal estavam dramaticamente condicionadas pelo seu isolamento político e pelos custos enormes da guerra colonial

A ala liberal

A estrutura social portuguesa não deixava prever uma evolução do país por outra via. Essa evolução era apontada pelo pensamento e pela acção dos deputados da Ala Liberal da Assembleia Nacional, que constituíram uma geração de políticos adeptos de uma forte liberalização do regime do Estado Novo. Coube a personalidades que pontificaram na Ala Liberal do antes do 25 de Abril, (Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão, Mota Amaral, Magalhães Mota, Miller Guerra, entre tantos outros), pôr a nu as fragilidades do regime, influenciando algumas decisões e rompendo com os cânones de uma linha mais dura e pouco flexível, que aos pouco foi acabando por ceder.

Como exemplo das acções dos chamados "liberais", acções fundamentais na transição da ditadura para Democracia, contam-se ideias apresentadas aquando do projecto de revisão constitucional em 1970. Entre elas, por exempo, já constavam a abolição da censura, a proclamação da liberdade de imprensa, a interdição dos impedimentos da liberdade de associação, a exigência de extinção dos tribunais plenários onde se fazia o julgamento dos presos políticos, a proibição das medidas de segurança sem termo certo, (medidas essas que, aplicadas aos mesmos presos políticos, acabavam por se assemelhar à prisão perpétua), a limitação da prisão preventiva sem culpa formada a um prazo máximo de setenta e duas horas, a inclusão do direito ao trabalho e do direito à emigração na lista dos direitos fundamentais, o reforço dos poderes da Assembleia Nacional e a modernização dos seus métodos de trabalho, a restauração do sufrágio universal para a eleição do Presidente da República, a proibição do veto presidencial às leis de revisão constitucional. Em poucas palavras: a aprovação do projecto da Ala Liberal significaria a substituição do regime ditatorial (Estado Novo) e autoritário por uma democracia de modelo europeu ocidental.

Entre 1970 e 1971, o número de detenções por motivos políticos voltou a aumentar. Violência e ilegalidade dos métodos usados na instrução dos processos foram denunciados por apoiantes dos presos e chegaram à Assembleia Nacional pela voz de Sá Carneiro e de outros deputados "liberais". O recuo no terreno das liberdades expressava uma clara travagem político-institucional naquilo que a chamada Primavera Marcelista continha de promessa de renovação contínua do regime. Contra isto se insurgiram os deputados da Ala Liberal, que apresentaram várias iniciativas legislativas ao longo do ano de 1972.

Vendo frustradas as suas esperanças, desiludidos, os deputados da Ala Liberal foram abandonando a Assembleia. Sá Carneiro foi o primeiro, em 1973, com a famosa expressão "É o fim!", logo seguido dos outros.

Passaram assim à oposição, exprimindo-se em artigos publicados no jornal Expresso (fundado por Pinto Balsemão em Janeiro de 1973). Os esforços dos "liberais", no entanto, terão tido o efeito de desacreditar a experiência marcelista junto de largos sectores das classes médias portuguesas.

O fim da Primavera Marcelista

António de Spínola em óleo de Duarte Pimentel.

Marcelo Caetano já havia perdido o passo, condicionado pela fragilidade da sua base de apoio no seio do regime e pela incapacidade de renovação ideológica dos sectores que se lhe opunham. A oposição ao regime, pelo PCP, pela extrema esquerda e agora por um PS marcado pela ainda forte impregnação marxista dos seus intelectuais mais jovens - Mário Sottomayor Cardia, António Reis (professor), Álvaro Guerra, Arons de Carvalho - tão pouco poderia negociar com o Presidente do Conselho. O Estado Social de Marcelo Caetano estava, pois, ancorado na herança de Oliveira Salazar, cativo daqueles que não tinham uma solução para a mudança do regime e incapacitado de dialogar com uma oposição que assumia declaradamente a tese do derrube violento da situação. Restava a Marcelo o seu círculo de amigos e admiradores, que em breve ascenderiam à ribalta nos partidos de direita surgidos nos meses que se seguiram ao 25 de Abril e o respeito que o general António de Spínola por ele demonstrava.

A guerra colonial precipitou a mudança, que se fez por via armada, com a Revolução dos Cravos.

Abril - Setembro de 1974

Cartaz da Maioria Silenciosa.

Logo em 1974, tendo António de Spínola chegado à chefia do Estado na sequência da Revolução dos Cravos, trava-se uma séria discussão entre este e os diversos partidos emergidos do 25 de Abril, nomeadamente no tocante à questão colonial: o Presidente da República aposta na construção de uma espécie de Commonwealth portuguesa, enquanto alguns partidos, nomeadamente o PS e o PCP, se manifestam contra esta solução.

Vendo-se contrariado, Spínola convoca para o dia 28 de Setembro de 1974 uma manifestação, mobilizando a chamada Maioria silenciosa, a seu ver a larga maioria da população, que, segundo ele, segue as suas ideias. A fim de evitar que Spínola tome autoritariamente o poder com este estratagema, os partidos de esquerda, PS, PCP e os mais radicais, com o apoio de militares que se lhe opõem, levantam barricadas nos principais acessos a Lisboa, impedindo o acesso das camionetas de manifestantes e frustrando os seus intentos. Spínola demite-se. Sucede-lhe Francisco da Costa Gomes, que nomeia como chefe de Governo o coronel Vasco Gonçalves.

Outubro de 1974 - Fevereiro de 1975

Vasco Gonçalves toma medidas com vista a avançar rumo a um socialismo democrático. No entanto, a sua indecisão, acrescida da presença de diversos spinolistas entre os militares do MFA, impede o progresso de qualquer revolução nesse sentido.

Março - Abril de 1975

Mural da LCI.

Em Fevereiro de 1975 surgem sinais da fundação de uma organização de extrema direita baseada em Espanha, ligada ao general Spínola, que teria como objectivo levar a cabo uma contra-revolução em Portugal. Vários jornais dão notícias de um golpe de estado planeado para Março. Começa a circular o boato de uma suposta Matança da Páscoa: todos os oficiais «conotados com a reacção» (i.e., com Spínola) seriam eliminados por sectores ligados ao PCP.

Talvez movidos por este boato, militares spinolistas pegam em armas e tentam, a 11 de Março de 1975, fazer um golpe de Estado. Spínola assume o comando do golpe mas este falha. A «intentona reaccionária» (segundo a terminologia da época) é pretexto para que Vasco Gonçalves radicalize o Processo Revolucionário, apoiando-se no COPCON de Otelo Saraiva de Carvalho. Logo após este golpe falhado, os bancos são nacionalizados, bem como as seguradoras e, por arrasto, a companhia dos tabacos, a CUF, a Lisnave e outras empresas de grande dimensão.

É negociado em Março-Abril pelo Conselho da Revolução e partidos políticos o Pacto MFA-Partidos. O pacto consagra «a continuação da revolução política, económica e social iniciada a 25 de Abril de 1974, dentro do Pluralismo Político e da via socializante». Em grande medida imposto aos partidos, reserva para o Conselho da Revolução o papel central de direcção do país durante o período que se segue.

A 25 de Abril de 1975 têm lugar eleições para a Assembleia Constituinte. A esmagadora maioria da população portuguesa vota no PS - que se tinha tornado progressivamente mais liberal nas suas posições ou, como se diria anos mais tarde, tinha «enfiado o socialismo na gaveta» - e no PPD, actual PSD. O Partido Comunista Português vê-se assim com uma modesta representação na Assembleia Constituinte. Os diversos grupos marxistas surgidos com o 25 de Abril (UDP, MES, FSP, LCI, etc.) têm apenas votações residuais.

Mural de 1975 alusivo ao 25 de Abril.
Mural do PRP (1975).

Maio - Setembro de 1975

Em consequência dos resultados das eleições e de visões diferentes quanto ao futuro do país entre os principais partidos (PS e PSD) e o primeiro-ministro, surge um conflito de legitimidade (a eleitoral, a dos partidos, e a revolucionária, a do MFA e Conselho da Revolução).

Logo no 1º de Maio isto torna-se manifesto no conflito aberto entre o PS, opositor da unicidade sindical, e o PCP, apoiado pelo Conselho da Revolução, defensor da existência de uma única central sindical.

Ainda em Maio surge também o Caso República. Uma greve de tipógrafos do jornal República, afectos à UDP, agem contra a direcção, alinhada com o PS. O caso servirá de pretexto ao PS para lançar um ataque ao PCP e ao governo de Vasco Gonçalves.

O Processo Revolucionário conduzido por Vasco Gonçalves é assim contrariado não só pelos sectores reaccionários da sociedade portuguesa (a Igreja Católica e alguns grupos saudosos do Estado Novo) mas também, embora não ainda abertamente, pelos principais partidos políticos (PS e PSD). Isto leva a uma escalada nas tomadas de posições de Vasco Gonçalves e do COPCON: a Revolução dos Cravos é uma revolução que visa implementar o socialismo democrático, afirmam. O MFA, investido pela Aliança Povo/MFA, sente-se assim legitimado para levar avante o processo socializante.

É o Verão Quente. As ocupações de casas, fábricas, latifúndios, etc., proliferam. No Norte, sobretudo minifundiário e sujeito a grande influência católica, surgem grupos de contra-revolução, como o MDLP Movimento Democrático de Libertação de Portugal), o ELP (Exército de Libertação Português) e o intitulado Grupo Maria da Fonte. É grande a violência. Várias sedes partidárias do PCP são vandalizadas no Norte e Centro. Em Lisboa, em contrapartida, é assaltado o consulado de Espanha e a embaixada é incendiada por elementos da extrema-esquerda, porventura infiltrados por elementos não identificados.

Mural de apoio a Vasco Gonçalves.
Mural do MRPP.

Em Junho de 1975 a comissão política do Conselho da Revolução reúne para decidir o rumo a tomar. O resultado é o Plano de Acção Política, que reafirma o objectivo da construção de uma sociedade socialista sem classes, que aceita a participação dos partidos políticos mas que também manifesta a intenção de reforçar a Aliança Povo/MFA através da ligação a organizações de base que deverão ser o embrião de uma democracia directa: neste cenário os partidos seriam inúteis. O plano é no entanto muito ambíguo, tenta agradar a facções contraditórias. Os partidos reagem com cautela.

Em Julho, numa nova tentativa de clarificar a situação, uma assembleia do MFA, incentivada por Vasco Gonçalves, elabora e aprova o Documento-Guia de Aliança Povo/MFA, propondo como objectivo último da revolução «a instauração do poder popular» através da criação de uma hierarquia de associações e assembleias populares, contornando os partidos políticos.

A contestação dentro do próprio Conselho da Revolução ao governo de Vasco Golcalves começa a organizar-se. Este promove a constituição de um directório (que incluirá, além dele próprio, o Presidente da República Costa Gomes e Otelo) que deverá concentrar a autoridade do Conselho da Revolução. Em Agosto, os conselheiros defensores da via do pluralismo partidário organizam-se (Grupo dos Nove) e publicam um documento defendendo que os militares devem deixar nas mãos dos partidos políticos democraticamente eleitos a decisão quanto ao futuro político do país. Em consequência são suspensos do CR pelo directório (apenas Otelo se opõe à suspensão). O documento dos Nove é entretanto discutido nas Forças Armadas, discussão que irá evidenciar uma grande divisão dos militares, do Conselho da Revolução e minar a autoridade do governo.

Pintura mural de Otelo Saraiva de Carvalho.

Otelo, agora no centro de uma ala de esquerda radical dentro do MFA, distancia-se definitivamente de Vasco Gonçalves a 20 de Agosto, chegando mesmo a proibi-lo de visitar as unidades militares da Região Militar de Lisboa e aconselhando-o a demitir-se. Perante a crise de autoridade do governo e sendo considerado por ela responsável, Vasco Gonçalves (e o V Governo Provisório) é demitido e a sua recondução em cargos de relevo é recusada pelo MFA na assembleia de Tancos, em Setembro.

Setembro - Novembro de 1975

Em Setembro é formado o VI Governo Provisório com o Almirante Pinheiro de Azevedo como primeiro-ministro. No entanto a mudança de governo não consegue acalmar a situação, antes pelo contrário. O Conselho da Revolução e o MFA estão divididos e a crise de autoridade agudiza-se.

A 12 de Novembro uma manifestação convocada pelo sindicato da construção civil cerca os deputados no interior do parlamento e impede-os de sair durante dois dias. A 20, o Governo proclama estar em “greve” por falta de condições para governar. A 24, ocorre em Rio Maior um levantamento de agricultores que cortam a Estrada Nacional nº 1 para norte, desmobilizando ainda nessa noite.

Mário Soares em 1988.

Para pôr fim à situação de impasse entre sectores militares opostos – de um lado a esquerda radical que procura apoio em Otelo, de outro os militares simpatizantes do PCP e de Vasco Gonçalves, de outro ainda os militares alinhados com o "Grupo dos Nove", grupo de oficiais liderados por Melo Antunes – seria necessário que algum deles avançasse. Os militares que apoiam o Grupo dos Nove toma a iniciativa, anunciando a remoção de Otelo da posição de comandante da Região Militar de Lisboa e dando a entender que o COPCON seria eventualmente dissolvido.

A 25 de Novembro de 1975, sectores da esquerda radical (essencialmente pára-quedistas e polícia militar na Região Militar de Lisboa), provocados pelas notícias, levam a cabo uma tentativa de golpe de estado, que no entanto não tem nenhuma liderança clara. O Grupo dos Nove reage pondo em prática um plano militar de resposta, liderado por António Ramalho Eanes. O plano prevê, numa situação limite, a instalação de um governo alternativo no Porto e a hipótese de uma guerra civil (que poderia acabar por envolver interferência estrangeira).

O Presidente da República, Costa Gomes, consegue chamar a Belém os principais comandantes militares, incluindo Otelo, Rosa Coutinho (armada, tido como próximo do PCP), e os líderes do Grupo dos Nove (agora bastantes mais que 9) e concentrar assim em si a autoridade, evitando que outros assumam o comando de facções capazes de mergulhar o país numa guerra civil. O PCP acaba por se abster de apoiar o golpe de esquerda. Os militares revoltosos, sem liderança nem outros apoios, rendem-se sem grandes conflitos.

O PS colabora até Março de 1975 com o PCP e com a extrema-esquerda. Procura assim maximizar o seu papel na revolução e nas eleições para a Assembleia Constituinte, que seriam realizadas em Abril de 1975. É de Julho-Agosto de 1974 a célebre palavra de ordem «Partido socialista, partido marxista!». Na sua Declaração de Princípios e Programa do Partido Socialista, divulgados em 1973, o PS declarava como objectivos a "edificação em Portugal de uma sociedade sem classes", considerando-se herdeiro de toda uma tradição de “luta das classes trabalhadoras pelo socialismo", reclamando uma democracia directa de co-gestão, fundada em conselhos operários, gabando a excelência "das revoluções chinesa, jugoslava, cubana e vietnamita".

Cedo mudaria o PS de figura, despindo as roupagens marxistas para se mostrar liberal e pluralista.

Álvaro Cunhal, líder do PCP.

O cinema do PREC

O PREC na televisão

A Revolução dos Cravos foi amplamente noticiada por várias televisões estrangeiras. As que mais cobertura deram aos acontecimentos foram as cadeias de televisão alemãs (ARD e ZDF) e, no final do PREC, com o Verão Quente, a norte-americana CBS.

A televisão alemã, em particular a ARD, foi a que mais filmou, tendo reunido documentação muito completa dos principais eventos políticos e históricos da época. Ao que parece, a maior parte dessa documentação está perdida, não constando em arquivos. O repórter de televisão estrangeiro então mais activo foi o alemão Horst Hano, correspondente da ARD para a Península Ibérica, que daria, depois dos finais de 1975, importante cobertura às mudanças políticas em Espanha, onde abriu uma delegação (Madrid).

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