14/10/2010

CAMILO LOURENÇO





O ministro que descredibiliza o país

O ministro das Finanças não perde uma oportunidade para sacudir a água do capote


 O ministro das Finanças não perde uma oportunidade para sacudir a água do capote, dizendo que a culpa da subida dos juros de dívida pública é da oposição por se recusar a aprovar o OE 2011.

É verdade que a perspectiva de não haver orçamento a 1 de Janeiro de 2011 é preocupante: se as medidas de austeridade não entrarem em vigor em Janeiro podemos dizer adeus a um défice de 4,6% no próximo ano. Mas o problema não se esgota no OE 2011 e o ministro das Finanças sabe-o bem. A desconfiança dos mercados, que regressou na semana passada, deve-se ao facto de já ninguém acreditar nas promessas do Governo (com destaque para as Finanças). Porque o Governo não tem feito outra coisa senão mentir. Propalou uma consolidação orçamental (de 2005 a 2008) que nunca existiu. Disse que o défice de 2009 ficaria em 5,9% e acabou em 9,3%. Passou metade de 2010 a dizer que não precisávamos de austeridade; em Maio subiu os impostos e prometeu reduzir despesa. Das duas só cumpriu a primeira; a despesa continua a crescer (de Janeiro a Setembro subiu 2%).

Em vez de assumir as suas responsabilidades no fracasso da execução orçamental (é o ministro das Finanças que autoriza despesa, não a oposição), Teixeira dos Santos empurra com a barriga, omite verdades (um eufemismo!) e chantageia… Esquece-se que a falta de explicações sobre o descalabro orçamental de 2010 tem mais impacte sobre a desconfiança dos investidores do que a possibilidade de não haver orçamento em 2011. É que um acordo político para aprovar o OE não está, ainda excluído; já o "track record" do Governo a cortar despesa não tranquiliza.

IN "JORNAL DE NEGÓCIOS"
11/10/10

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